Slavoj Žižek: Coronavírus é um golpe estilo “Kill Bill” para o capitalismo e pode levar à reinvenção do comunismo

Original em rt.com, tradução de Simone Paz em OutrasPalavras


Kill Bill: Vol. 2 Dir: Quentin Tarantino (2004) © Miramax

A disseminação contínua da epidemia do coronavírus acabou desencadeando, também, certas epidemias de vírus ideológicos que estavam adormecidos em nossas sociedades: fake news, teorias da conspiração paranoicas e explosões de racismo.

A quarentena, devidamente fundamentada em evidências médicas, encontrou um eco na pressão ideológica por estabelecer fronteiras estritas e isolar os inimigos que representam uma ameaça à nossa identidade.

Mas, talvez, outro vírus muito mais benéfico também se espalhe e, se tivermos sorte, irá nos infectar: o vírus do pensar em uma sociedade alternativa, uma sociedade para além dos Estados-nação, uma sociedade que se atualiza nas formas de solidariedade e cooperação global.

Especula-se que o coronavírus pode levar à queda do regime comunista chinês, do mesmo jeito que a catástrofe de Chernobyl foi a gota d’água que levou ao fim o comunismo soviético (como o próprio Gorbachev admitiu). Mas existe um paradoxo nesta situação: o coronavírus também nos levará a reinventar o comunismo, com base na confiança nas pessoas e na ciência.

Na cena final de Kill Bill 2, do diretor Quentin Tarantino, Beatrix derruba o vilão Bill, destruindo-o com a “Técnica dos Cinco Pontos para Explodir o Coração” — o golpe mais fatal das artes marciais. O movimento consiste numa combinação de cinco golpes com as pontas dos dedos em cinco pontos de pressão diferentes no corpo do alvo. Assim que a vítima se afasta e dá cinco passos, seu coração explode dentro do seu corpo, e ele desmorona no chão.

Este ataque faz parte da mitologia das artes marciais e não é factível nos combates da vida real. Porém, voltando ao filme, depois que Beatrix ataca Bill, ele faz as pazes com ela, calmamente, anda cinco passos e morre…

O que torna esse ataque tão fascinante é o tempo existente entre o golpe e o momento da morte: posso manter uma agradável conversa enquanto eu permanecer sentado e sossegado, mas durante todo esse tempo estarei ciente de que no momento em que eu começar a andar, meu coração irá explodir e eu cairei morto.

Não se parece com a ideia daqueles que especulam sobre como o coronavírus levaria o sistema comunista da China à sua queda? Numa espécie de “Técnica dos Cinco Pontos para Explodir o Coração” social, no regime comunista do país, as autoridades podem sentar-se, observar e atravessar os movimentos da quarentena, mas qualquer mudança real na ordem social (como confiar nas pessoas) resultará em sua queda.

Minha modesta opinião é muito mais radical: a epidemia do coronavírus é uma espécie de “Técnica dos Cinco Pontos para Explodir o Coração” de ataque ao sistema capitalista internacional — um sinal de que não podemos seguir pelo mesmo caminho que viemos até agora, de que precisamos uma mudança radical.

Fato triste: será preciso uma catástrofe

Há alguns anos, Fredric Jameson chamou a atenção para o potencial utópico dos filmes sobre catástrofes cósmicas (um asteroide que ameaça a vida na Terra ou um vírus que mata a humanidade, por exemplo). Tal ameaça global dá origem à solidariedade global, nossas pequenas diferenças se tornam insignificantes, todos trabalhamos juntos para encontrar uma solução — e aqui estamos hoje, na vida real. O ponto não é sobre curtir sadicamente o sofrimento generalizado, porque ele ajudaria nossa causa: pelo contrário, o ponto é refletir sobre o triste fato de que precisemos de uma catástrofe para nos permitirmos repensar as características básicas da sociedade na qual vivemos.

O primeiro esboço de modelo de uma coordenação global do tipo é da Organização Mundial da Saúde, da qual não estamos recebendo a tagarelice burocrática usual, mas avisos precisos, anunciados sem pânico. Tais organizações devem receber mais poder executivo.

Os céticos zombam de Bernie Sanders por sua defesa a uma saúde universal nos EUA — e não é que a lição da epidemia de coronavírus não apenas demonstra como ela é muito necessária, mas também que devemos começar a criar algum tipo de rede global de saúde?

Um dia após o vice-ministro da Saúde do Irã, Iraj Harirchi, aparecer em uma coletiva de imprensa para minimizar a disseminação do coronavírus e afirmar que as quarentenas em massa não seriam necessárias, teve de fazer uma breve declaração admitindo que contraiu o coronavírus e se isolou (inclusive, na sua primeira aparição na TV, ele já apresentava sinais de febre e fraqueza). Harirchi acrescentou: “Este é um vírus democrático, que não faz diferença entre pobres ou ricos, ou entre políticos e cidadãos comuns”.

Nesse ponto, ele estava correto — estamos todos no mesmo barco. É difícil não reparar na enorme ironia do fato: aquilo que nos uniu e nos levou à solidariedade global se expressa, no nível da vida cotidiana, em orientações severas para evitar o contato com os outros, e até de se isolar.

Além do mais, não estamos lidando apenas com ameaças virais — outras catástrofes já estão surgindo no horizonte ou mesmo acontecendo: secas, ondas de calor, tempestades fora de controle, etc. Para todos esses casos, a resposta não é o pânico, mas o trabalho árduo e urgente para estabelecer algum tipo de coordenação global eficiente.

Só estaremos a salvo na realidade virtual?

A primeira ilusão a ser dissipada é aquela formulada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, durante sua recente visita à Índia, onde ele disse que a epidemia recuaria rapidamente e que só precisamos esperar pelo seu pico, que a vida voltará ao normal.

Contra essas esperanças fáceis, a primeira coisa que precisamos aceitar é que a ameaça veio para ficar. Mesmo se a onda passar, ela reaparecerá em novas formas — quiçá bem mais perigosas.

Por esse motivo, podemos esperar que as epidemias virais afetem nossas interações mais elementares com outras pessoas e objetos ao nosso redor, incluindo nosso próprio corpo — evitar tocar em coisas que possam estar (invisivelmente) sujas, não sentar em assentos sanitários ou bancos públicos, evitar abraçar pessoas ou apertar as mãos. Podemos até passar a ter mais cuidado com gestos espontâneos: não encostar no nariz nem esfregar os olhos.

Portanto, não serão apenas o Estado e outras instituições nos controlando, devemos também aprender a nos autocontrolar e disciplinar. Talvez apenas a realidade virtual seja considerada segura e a movimentação livre em espaços abertos fique restrita às ilhas pertencentes aos ultrarricos.

Mas mesmo no nível da realidade virtual e da internet, devemos lembrar que, nas últimas décadas, os termos “vírus” e “viral” foram usados principalmente para designar vírus digitais que infectavam nossos espaços na web e dos quais não tínhamos consciência, pelo menos até que seu poder destrutivo fosse liberado (por exemplo, a destruição de nossos dados ou de discos rígidos). O que vemos agora é um forte retorno ao significado literal original do termo: as infecções virais trabalham de mãos dadas em ambas as dimensões, real e virtual.

O Retorno do Animismo Capitalista

Outro fenômeno bizarro que podemos observar é o retorno triunfante do animismo capitalista, de tratar fenômenos sociais como mercados ou o capital financeiro como uma entidade viva. Lendo a mídia empresarial, ficamos com a impressão de que, na verdade, não deveríamos nos preocupar com os milhares que morreram (nem com os outros milhares que ainda vão morrer), mas com os “mercados que estão ficando apreensivos”. O coronavírus perturba cada vez mais o bom funcionamento do mercado mundial e, segundo o que ouvimos, o crescimento pode cair dois ou três por cento.

Tudo isso não indica claramente a necessidade urgente de uma reorganização da economia global, que não esteja mais à mercê dos mecanismos de mercado? É óbvio que não estamos falando de comunismo às antigas, mas de alguma forma de organização mundial que consiga controlar e regular a economia — bem como limitar a soberania dos estados-nação quando necessário. Os países já conseguiram fazer isso no contexto da guerra no passado, e agora todos nós estamos, efetivamente, nos aproximando de uma guerra clínica.

Além do mais, não devemos ter medo de reparar em alguns efeitos colaterais positivos da epidemia. Um de seus símbolos são os passageiros aprisionados (em quarentena) em grandes cruzeiros — boa maneira de se libertar da obscenidade desses navios, devo dizer. (Só precisamos tomar cuidado para que as viagens a ilhas isoladas ou a outros resorts exclusivos não se torne, novamente, o privilégio de uns poucos ricos, como aconteceu décadas atrás com voos de avião). A produção de automóveis também se vê seriamente afetada pelo coronavírus — o que não é de todo ruim, já que isso pode nos levar a pensar em alternativas à nossa obsessão pelos veículos individuais. E a lista não para por aí.

Num discurso recente, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, declarou: “Não existe essa coisa de liberal. Um liberal nada mais é do que um comunista com um diploma”.

E se o contrário estiver certo? Se designarmos como “liberais” todos aqueles que se preocupam com a nossa liberdade; e, como “comunistas”, aqueles que sabem que só poderemos salvá-la por meio de mudanças radicais — já que o capitalismo global está cada vez mais próximo de uma crise? Então, deveríamos dizer que, atualmente, aqueles que ainda se reconhecem comunistas são liberais com diplomas — liberais que estudaram seriamente o porquê de nossos valores liberais estarem sob ameaça, e que tomaram consciência de que só uma mudança radical poderá salvá-los.

Boaventura de Sousa Santos: Vírus: tudo o que é sólido se desfaz no ar

Publicado originalmente Jornal Público


Como foram expulsas do sistema político, as alternativas irão entrar cada vez mais frequentemente na vida dos cidadãos pela porta dos fundos das crises pandémicas, dos desastres ambientais e dos colapsos financeiros. Ou seja, as alternativas voltarão da pior maneira possível.

Existe um debate nas ciências sociais sobre se a verdade e a qualidade das instituições de uma dada sociedade se conhecem melhor em situações de normalidade, de funcionamento corrente, ou em situações excepcionais, de crise. Talvez os dois tipos de situação sejam igualmente indutores de conhecimento, mas certamente permitem-nos conhecer ou relevar coisas diferentes. Que potenciais conhecimentos decorrem da pandemia do coronavírus?

A normalidade da excepção. A actual pandemia não é uma situação de crise claramente contraposta a uma situação de normalidade. Desde a década de 1980 – à medida que o neoliberalismo se foi impondo como a versão dominante do capitalismo e este se foi sujeitando mais e mais à lógica do sector financeiro – o mundo tem vivido em permanente estado de crise. Uma situação duplamente anómala. Por um lado, a ideia de crise permanente é um oximoro, já que, no sentido etimológico, a crise é por natureza excepcional e passageira e constitui a oportunidade para ser superada e dar origem a um melhor estado de coisas. Por outro lado, quando a crise é passageira, ela deve ser explicada pelos factores que a provocam. Mas quando se torna permanente, a crise transforma-se na causa que explica tudo o resto. Por exemplo, a crise financeira permanente é utilizada para explicar os cortes nas políticas sociais (saúde, educação, previdência social) ou a degradação dos salários. E assim impede que se pergunte pelas verdadeiras causas da crise. O objectivo da crise permanente é não ser resolvida. Mas qual é o objectivo deste objectivo? Basicamente, são dois os objectivos: legitimar a escandalosa concentração de riqueza e impedir que se tomem medidas eficazes para impedir a iminente catástrofe ecológica. Assim temos vivido nos últimos 40 anos. Por isso, a pandemia vem apenas agravar uma situação de crise a que a população mundial tem vindo a ser sujeita. Daí a sua específica periculosidade. Em muitos países, os serviços públicos de saúde estavam há dez ou 20 anos mais bem preparados para enfrentar a pandemia do que estão hoje.

A elasticidade do social. Em cada época histórica, os modos dominantes de viver (trabalho, consumo, lazer, convivência) e de antecipar ou adiar a morte são relativamente rígidos e parecem decorrer de regras escritas na pedra da natureza humana. É verdade que eles se vão alterando paulatinamente, mas as mudanças passam quase sempre despercebidas. A irrupção de uma pandemia não se compagina com tal tipo de mudanças. Exige mudanças drásticas. E, de repente, elas tornam-se possíveis como se sempre o tivessem sido. Torna-se possível ficar em casa e voltar a ter tempo para ler um livro e passar mais tempo com os filhos, consumir menos, dispensar o vício de passar o tempo nos centros comerciais, olhando para o que está à venda e esquecendo tudo o que se quer mas só se pode obter por outros meios que não a compra. A ideia conservadora de que não há alternativa ao modo de vida imposto pelo hipercapitalismo em que vivemos cai por terra. Mostra-se que só não há alternativas porque o sistema político democrático foi levado a deixar de discutir as alternativas. Como foram expulsas do sistema político, as alternativas irão entrar cada vez mais frequentemente na vida dos cidadãos pela porta dos fundos das crises pandémicas, dos desastres ambientais e dos colapsos financeiros. Ou seja, as alternativas voltarão da pior maneira possível.

A fragilidade do humano. A rigidez aparente das soluções sociais cria nas classes que tiram mais proveito delas um estranho sentimento de segurança. É certo que sobra sempre alguma insegurança, mas há meios e recursos para os minimizar, sejam eles os cuidados médicos, as apólices de seguro, os serviços de empresas de segurança, a terapia psicológica, as academias de ginástica. Este sentimento de segurança combina-se com o de arrogância e até de condenação para com todos aqueles que se sentem vitimizados pelas mesmas soluções sociais. O surto viral interrompe este senso comum e evapora a segurança de um dia para o outro. Sabemos que a pandemia não é cega e tem alvos privilegiados, mas mesmo assim cria-se com ela uma consciência de comunhão planetária, de algum modo democrática. A etimologia do termo pandemia diz isso mesmo: todo o povo. A tragédia é que neste caso a melhor maneira de sermos solidários uns com os outros é isolarmo-nos uns dos outros e nem sequer nos tocarmos. É uma estranha comunhão de destinos. Não serão possíveis outras?

Os fins não justificam os meios. O abrandamento da actividade económica, sobretudo no maior e mais dinâmico país do mundo, tem óbvias consequências negativas. Mas tem, por outro lado, algumas consequências positivas. Por exemplo, a diminuição da poluição atmosférica. Um especialista da qualidade do ar da agência especial dos EUA (NASA) afirmou que nunca se tinha visto uma quebra tão dramática da poluição numa área tão vasta. Quererá isto dizer que no início do século XXI a única maneira de evitar a cada vez mais iminente catástrofe ecológica é por via da destruição massiva de vida humana? Teremos perdido a imaginação preventiva e a capacidade política para a pôr em prática?

É também conhecido que, para controlar eficazmente a pandemia, a China accionou métodos de repressão e de vigilância particularmente rigorosos. É cada vez mais evidente que as medidas foram eficazes. Acontece que a China, por muitos méritos que tenha, não tem o de ser um país democrático. É muito questionável que tais medidas pudessem ser accionadas ou accionadas com igual eficácia num país democrático. Quer isto dizer que a democracia carece de capacidade política para responder a emergências? Pelo contrário, The Economist mostrava no início deste ano que as epidemias tendem a ser menos letais em países democráticos devido à livre circulação de informação. Mas como as democracias estão cada vez mais vulneráveis às fake news, teremos de imaginar soluções democráticas assentes na democracia participativa ao nível dos bairros e das comunidades e na educação cívica orientada para a solidariedade e cooperação, e não para o empreendedorismo e competitividade a todo custo.

A guerra de que é feita a paz. O modo como foi inicialmente construída a narrativa da pandemia nos media ocidentais tornou evidente a vontade de demonizar a China. As más condições higiénicas nos mercados chineses e os estranhos hábitos alimentares dos chineses (primitivismo insinuado) estariam na origem do mal. Subliminarmente, o público mundial era alertado para o perigo de a China, hoje a segunda economia do mundo, vir a dominar o mundo. Se a China era incapaz de prevenir tamanho dano para a saúde mundial e, além disso, incapaz de o superar eficazmente, como confiar na tecnologia do futuro proposta pela China? Mas terá o vírus nascido na China? A verdade é que, segundo a Organização Mundial da Saúde, a origem do vírus ainda não está determinada. É, por isso, irresponsável que os meios oficiais dos EUA falem do “vírus estrangeiro” ou mesmo do “coronavírus chinês”, tanto mais que só em países com bons sistemas públicos de saúde (os EUA não são um deles) é possível fazer testes gratuitos e determinar com exactidão os tipos de influenza ocorridos nos últimos meses. Do que sabemos com certeza é que, muito para além do coronavírus, há uma guerra comercial entre a China e os EUA, uma guerra sem quartel que, como tudo leva a crer, terá de terminar com um vencedor e um vencido. Do ponto de vista dos EUA, é urgente neutralizar a liderança da China em quatro áreas: o fabrico de telemóveis, as telecomunicações da quinta geração (a inteligência artificial), os automóveis eléctricos e as energias renováveis.

A sociologia das ausências. Uma pandemia desta dimensão causa justificadamente comoção mundial. Apesar de se justificar a dramatização é bom ter sempre presente as sombras que a visibilidade vai criando. Por exemplo, os Médicos Sem Fronteiras estão a alertar para a extrema vulnerabilidade ao vírus por parte dos muitos milhares de refugiados e imigrantes detidos nos campos de internamento na Grécia. Num desses campos (campo de Moria) há uma torneira de água para 1300 pessoas e falta sabão. Os internados não podem viver senão colados uns aos outros. Famílias de cinco ou seis pessoas dormem num espaço com menos de três metros quadrados. Isto também é Europa – a Europa invisível.

Domenico De Masi: Coronavírus anuncia revolução no modo de vida que conhecemos

Em tradução de Francesca Cricelli, publicado originalmente no caderno Ilustríssima da Folha de S. Paulo


Domenico De Masi relata drama na Itália e diz que lógica neoliberal tem que mudar

[RESUMO] Sociólogo italiano narra situação dramática em seu país e argumenta que as imposições em decorrência da pandemia, como o trabalho em casa, a solidariedade e o papel da esfera pública, demonstram que é possível e desejável mudar a lógica mercadista da economia e criar modos de viver mais racionais e proveitosos para o mundo contemporâneo.

Florença em quarentena no dia 15 de março – dia de manifestações bolsonaristas no Brasil – em registro do fotógrafo brasileiro Jean Laverdi

A Itália de onde escrevo, um dos países mais vivazes e alegres do mundo, é hoje apenas um deserto. Cada um dos seus 60 milhões de habitantes acha que é imortal, que o vírus não o tocará, que irá matar não ele mas alguma outra pessoa. Porém, no silêncio do seu coração, cada um sabe que essa ilusão é pueril e que essa pandemia misteriosa, abstrata e tangível ao mesmo tempo, escolhe suas vítimas ao acaso, como numa roleta russa.

Em algum tempo vamos saber se o vírus pode ser debelado ou se nos matará em massa, assim como fez no século passado a famosa gripe espanhola, que matou 1 milhão de pessoas por semana durante 25 semanas seguidas.

Moro há 50 anos no centro de Roma, na rua mais movimentada da cidade, que leva da praça Veneza à Basílica de São Pedro.

Normalmente, essa rua está 24 horas por dia entupida de trânsito, de turistas e peregrinos. Há duas semanas, está muda e deserta. Só de vez em quando ouve-se o grito de uma sirene de ambulância e algum sem-teto passa. A cidade inteira está fantasmagórica como a Los Angeles de “Blade Runner”. Aqui, porém, desapareceram até os replicantes extraterrestres.

Fechados os lugares públicos, as escolas, as fábricas, as lojas, as estações, os portos e os aeroportos, a Itália é agora um país separado do resto da Europa e do mundo. Cada cidade está parada, cada família trancafiada em casa. Quem sai à revelia dos pouquíssimos motivos permitidos é interceptado imediatamente pelas rondas policiais que aplicam penas bastante severas.

Os gregos antigos consideravam que, quando algo é indispensável e todavia impossível, a situação é trágica. Foram necessários 50 dias, milhares de doentes e mortos para que os italianos entendessem que a situação é, enfim, irremediavelmente trágica.

O que significa uma pandemia como essa para Roma, para a Itália, para a humanidade como um todo? Como ela age nas mentes e nos corações de todos nós que, armados com tecnologias poderosas e inteligência artificial, até poucas semanas atrás nos sentíamos os senhores do céu e da terra?

Subitamente nos descobrimos frágeis pigmeus diante da onipotência imaterial de um vírus que, por vias misteriosas, escapou de um morcego chinês para vir matar homens e mulheres em nossas cidades.

A sujeição a um vírus desconhecido, para o qual não há nem cura nem vacina, transformou a Itália numa enorme caserna blindada e os 60 milhões de italianos noutros tantos dóceis soldadinhos empenhados num gigantesco exercício militar no qual estão obrigados a aprender a verdade que antes ignoravam obstinadamente. O que não quer dizer que irão apreendê-la.

Numa Europa onde, até ontem, era permitida a livre circulação de pessoas, mercadorias e dinheiro, agora cada país, em vez de abraçar uma colaboração ainda mais solidária com os demais, tranca suas próprias fronteiras, iludindo-se de forma cínica e infantil que seja possível deter o vírus com barreiras aduaneiras.

Contudo, hoje, mais do que nunca, os soberanismos parecem tentativas fantasiosas contra a globalização. Hoje, mais do que nunca, a difusão da pandemia e sua rápida volta ao mundo demonstraram que deter a globalização é como se opor à força de gravidade. Nosso planeta já é aquela “aldeia global” da qual falava McLuhan, unida por infortúnios e pela vontade de viver, precisando de uma direção unitária, capaz de coordenar a ação sinérgica de todos os povos que desejam se salvar. Nessa aldeia global, nenhum homem, nenhum país é uma ilha.

Talvez tenhamos aprendido que o caso agora é de vida ou morte e que ninguém pode enfrentar sozinho um vírus tão ardiloso e potente. Por isso, são necessários recursos, inteligências, competências, ações e instituições coletivas. Coordenação e coesão geral. É necessária uma cabine de comando, um governo competente que tenha autoridade, uma equipe formada por um vértice político de grande inteligência e apoiada pelos máximos representantes das ciências médicas, da economia, da sociologia, da psicologia social e da comunicação.

Talvez tenhamos aprendido que os fatos e os dados devem prevalecer sobre as opiniões, a competência reconhecida deva prevalecer sobre o simples bom senso, a prudência e a gradualidade das intervenções devem prevalecer às tomadas de decisões arrogantes e à improvisação imprudente. Por outro lado, é necessário tolerar os erros de quem possui a responsabilidade terrível de tomar decisões, líder que deve ser generosamente amparado para que sejam melhoradas.

Talvez tenhamos aprendido que, perante um vírus desconhecido, assim como diante de um problema complexo, as decisões sobre a pandemia não apenas devem ser tomadas pelas pessoas competentes mas também ser comunicadas de forma unívoca, com autoridade, prontamente, de forma abrangente e clara. Todo o alarmismo, todo o exagero, toda a subestimação é terrível porque confunde as ideias e nos faz perder um tempo precioso. Carência e excesso de informações são parâmetros nocivos. Talk shows superficiais e fake news delirantes levam ao cinismo e à desumanização.

Talvez tenhamos aprendido que, nos países civilizados, o bem-estar é uma conquista irrenunciável. Por sorte e pela sabedoria dos nossos pais, a Constituição italiana de 1948 considera a saúde como um direito fundamental de cada ser humano. Já a reforma sanitária de 1978 instituiu um serviço nacional universal que considera a saúde não como meramente a ausência de doença, mas como o bem-estar físico, psíquico e social completo.

Graças a esse regime de saúde, todos os residentes (e também os turistas) fruem dos cuidados médicos sem qualquer custo. Isso nos possibilitou descobrir e curar prontamente os contágios e reduzir o número de mortes.

No país mais rico e mais poderoso do mundo, os EUA, onde o bem-estar é estupidamente mortificado, os suspeitos de Covid-19 precisam desembolsar o equivalente a 1.200 euros pelo teste. O vírus corona, ao se difundir, causaria uma verdadeira hecatombe entre 90 milhões de estadunidenses que, desprovidos de seguro-saúde, seriam cinicamente rejeitados pelos hospitais.

A propaganda neoliberal, que se alastrou sob a bandeira insana de Reagan e Thatcher, desacreditou tudo o que é público em favor do setor privado. Porém, pelo contrário, nessas semanas trágicas, a reação eficiente dos hospitais e dos funcionários públicos diante do surgimento da pandemia nos ensinou que a nossa saúde pública, da mesma forma que outras funções públicas, dispõe, muito mais do que o setor privado, de pessoas preparadas profissionalmente, motivadas e generosas até o heroísmo.

Toda noite, às 18h, todas as janelas da Itália se escancaram e cada um canta ou toca o hino nacional para agradecer aos médicos e a todos os profissionais da saúde.

A pandemia está nos ensinando que o pensamento de Keynes permanece precioso. Em 1980, o prêmio Nobel Robert Lucas Jr. observou: “Não é possível encontrar nenhum bom economista com menos de 40 anos que se diga ‘keynesiano’. Nas universidades, as teorias keynesianas não são levadas a sério e provocam sorrisinhos de superioridade”.

Hoje, essa crise histórica, com seus mortos e com suas tragédias, se porum lado nos leva à recessão, por outro nos lembra que, para evitar uma crise irreparável, em vez de políticas de austeridade, é preferível dar lugar aos investimentos públicos maciços e “open-ended”, ainda que isso leve ao déficit público.

Talvez tenhamos aprendido tudo isso e várias outras coisas com aquilo que ocorreu fora do recinto doméstico, isto é, entre o governo e todo o povo do país. Entretanto, hoje, a nossa vida está segregada entre as paredes domésticas. Todos estão restritos entre as quatro paredes da própria casa: não só as famílias que vivem em harmonia e acordo, mas também os solitários, os casais em crise e os núcleos familiares em que o diálogo entre pais e filhos há muito tempo andava claudicante.

A sociedade industrial nos habituara a separar o local de trabalho do local de vida, nos fazendo passar a maior parte do nosso tempo com chefes e colegas nas empresas: os que a sociologia chama de grupos “secundários”, frios, formais, nos quais as relações são quase exclusivamente profissionais. Uma parte mínima do nosso tempo nos via reunidos em família ou com os amigos, ou seja, com grupos “primários”, calorosos, informais, envolventes.

De repente, o descanso compulsório em casa nos obrigou de forma inédita ao isolamento total, a uma convivência forçada que para alguns parece agradável e tranquilizadora, mas que para outros é invasiva e até opressora. Os mais sortudos conseguem transformar o ócio depressivo em ócio criativo, conjugando a leitura, o estudo, o lúdico com a parcela de trabalho que é possível desempenhar em regime de “smart working”.

Sabíamos teoricamente que essa modalidade de trabalho à distância permite aos trabalhadores uma preciosa economia de tempo, dinheiro, stress e alienação; e às empresas, evita os microconflitos, despesas na manutenção do local de trabalho e promove incremento da eficiência, recuperando de 15 a 20% da produtividade; à coletividade, evita a poluição, o entupimento de trânsito e despesas de manutenção das estradas.

Agora que 10 milhões de italianos, forçados pelo vírus, rapidamente adotaram o teletrabalho, minimizando seu sentimento de inutilidade e os danos à economia nacional, nos perguntamos por que as empresas não haviam adotado antes uma forma de organização tão eficaz e enxuta. A resposta está naquilo que os antropólogos definem como “cultural gap” —lacuna cultural— das empresas, dos sindicatos, dos chefes.

O tempo livre que, até um mês atrás, nos parecia um luxo raro, hoje abunda. O espaço, que nas cidades vazias se dilatou, por sua vez falta nas casas. Por isso, estamos apreciando a ajuda que nos chega da internet, graças à qual, mesmo permanecendo forçosamente distantes, é possível nos reunirmos virtualmente, nos informarmos, nos confrontarmos, nos encorajarmos.

Nessa reclusão, os jovens têm a maior vantagem, graças à sua facilidade com os computadores, enquanto os velhos têm mais vantagem por serem mais independentes, mais acostumados a estar em casa, fazendo pequenos trabalhos e jogos sedentários, contentando-se com a televisão.

Em todos se insinua o medo de que, mais cedo ou mais tarde, possa terminar o abastecimento dos mantimentos. O colapso da economia torna-se cada vez mais inevitável, já que tanto a produção como o consumo encontram-se bloqueados.

Há alguns anos, Kennet Building, um dos pais da teoria geral dos sistemas, comentando a sociedade opulenta, afirmou: “Quem acredita na possibilidade do crescimento infinito num mundo finito ou é louco ou é economista”. E Serge Latouche acrescentou: “O drama é que agora somos todos mais ou menos economistas. Aonde estamos nos encaminhando? Diretamente contra um muro. Estamos a bordo de um bólido sem piloto, sem marcha a ré e sem freios que irá se chocar contra os limites do planeta”. Latouche propõe abandonar a sociedade de consumo com um decrescimento planificado, progressivo e sereno.

A marcha a ré e os freios que a cultura neoliberal se recusou obstinadamente a usar agora foram desencadeados: não graças a uma revolução violenta, mas sim a um vírus invisível que um morcego soprou sobre a sociedade opulenta, obrigando-a a se repensar.

“A Peste” (1947), obra-prima profética de Albert Camus, talvez possa nos ajudar nesse repensar. Naquele romance, a ciência era protagonista, ou seja, o médico Bernardo Rieux, ocupado até o fim, como médico e como homem, de socorrer os contagiados, enquanto “o cheiro de morte emburrecia todos os que não matava”.

Hoje, nós também, como o nosso tão humano irmão Rieux, estamos presos num limbo entre o pesar e a esperança, no qual temos que aprender que “a peste pode vir e ir embora sem que o coração do homem seja modificado”; que “o bacilo da peste não morre nem desaparece nunca, que pode permanecer adormecido por décadas nos móveis e nas roupas, que espera pacientemente nos quartos, nas adegas, nas malas, nos lenços e nos papéis, que talvez chegue o dia em que, infortúnio ou lição aos homens, a peste acordará seus ratos para mandá-los morrer numa cidade feliz”.

Maria Adélia de Souza: Geografia e Pandemia

A professora Maria Adélia de Souza, nos últimos dias, está publicando pequenos vídeos sobre o assunto em seu canal do YouTube, que compartilhamos a seguir:

15/03 Primeiro vídeo para ir formulando um esboço de uma interpretação geográfica da pandemia que semeia o pânico no mundo. O que a Geografia tem a dizer? Por que começa na China? Se ele se transmite por contato, ele foi criado e implantado? Por que na China? Podem ser produtos científicos? Quem os produz? Onde? Quais interesses? As Geografias contam? Com a palavra a China – império global vencedor e os Estados Unidos, criador de guerras inclusive químicas no século passado! Questões geográficas!


18/03 Trazendo os conceitos de ESPAÇOS OPACOS, com carências de toda ordem, especialmente de equipamentos e serviços de interesse coletivo, espaço dos pobres que caracterizam as grandes cidades e metrópoles do mundo pobre e, os ESPAÇOS LUMINOSOS, característica do MEIO TÉCNICO-CIENTIFICO INFORMACIONAL, expressão capitalista do USO DO TERRITÓRIO nesta atualidade, espaço dos ricos, com altas densidades técnicas, de redes técnicas (rodovias, infovias, vias urbanas asfaltadas,etc.), equipamentos e serviços de toda ordem: água, esgoto, luz, etc. etc.


20/03 Aprofundando a compreensão sobre a difusão e contaminação do Coronavirus, eventos eminentemente geográficos.


25/03 Este vídeo exibe mais uma reflexão geográfica sobre a Pandemia do Coronavirus que hoje preocupa a população mundial. Nele, exibimos algumas hipóteses, após termos dialogado para preparar este vídeo com a Biologia, a Infectologia, a Geopolítica sobre a localidade e o lugar indicado como origem do primeiro caso de contaminação, a cidade de Wuhan, na Província de Hubei, na extremidade ocidental do região sudoeste da China, indicada por muitas informações, como sendo região central. Proximamente virá o Pandemia 5, detalhando as hipóteses aqui colocadas. A Pandemia é um fenômeno geográfico.


26/03 Aprofundando conceitos geográficos para compreender a questão do surgimento do Coronavirus em Wuhan, provincia de Hubei na China, iniciada no video Geografia e Pandemia 4.


Gilberto Maringoni: A globalização sem limites nos confinou em casa

Publicado originalmente no blog da Boitempo


Toda a lógica societária à qual nos acostumamos desde os anos 1980 se desmanchou no ar nas últimas semanas. Para nós brasileiros, mais exatamente desde o último fim de semana (14/15 de março), quando os números da disseminação do coronavírus mostraram expansão geométrica.

A percepção dessa mudança de lógica é tão abrupta, tão repentina e violenta que afeta nossos sentidos. É como se estivéssemos em um voo acrobático, após dois loopings, um parafuso e um tunô de barril. Com a cabeça meio girada, você leva alguns segundos para perceber onde está o horizonte, de que lado estão o céu e a terra e em que direção ficou a pista para a qual você deve voltar. Isso sem contar, para os novatos, aquela horripilante sensação do cérebro ter trocado de lugar com o estômago.

Ao longo de quatro décadas digerimos a ideia de que a felicidade chegara para todos e haveria um pote de ouro no fim de um ajuste fiscal. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escreveu, em 1995, que assistíamos à chegada de um “Novo Renascimento”.

O mundo teria se globalizado, as informações, a circulação de dinheiro e os limites entre países estariam em dissolução. O Estado-nação seria um conceito anacrônico e a TV a cabo, a internet, o multiculturalismo e uma série de quinquilharias simbólicas vieram para mudar nossas vidas para sempre. Passamos a fazer MBAs e a assistir palestras de conselheiros de mercado vindos de fora – hoje chamam-se coaches – a nos ensinar como ser eficientes e competitivos na vida profissional. Haveria até mesmo um estatuto de cidadania global, que a classe média traduzia como a possibilidade de ir a Miami duas vezes ao ano. Com a queda relativa dos preços de passagens aéreas e a expansão do crédito pessoal após o advento do Plano Real – que nos deu acesso a uma moeda mais valorizada que o dólar -, o planeta estaria ao alcance das mãos. E esse planeta falava inglês, obviamente. Os supermercados ficaram abarrotados de marcas que conhecíamos de filmes e, apesar da qualidade dos vinhos ter melhorado, a vida real seguia na periferia daquele admirável mundo novo, com estatais e serviços públicos privatizados.

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A crise econômica a partir de 2015, a retração brutal no nível de emprego e a queda de renda cortaram um pouco nossas asas. “Dilma, devolva meu dólar a R$1! Quero voltar à Disney” era a consigna-símbolo dos órfãos irados dos anos petistas.

Mas nada, nada mesmo tem paralelo à trombada dos últimos dias. Se já era difícil materializar a festa das viagens ao exterior – quando até “as empregadas domésticas” lotavam aeroportos (GUEDES, P. Abertura do ano legislativo 2020, revista Voto, BSB, 2020) –, agora as restrições chegam a um nível absurdo. Uma tal bolha estourou.

Não posso sair às ruas. Uma praga invisível me impede. Como a carruagem que vira abóbora de um segundo a outro, deixei de ser global, deixei de ser nacional e sequer sou local. Não sou mais do bairro e nem mesmo da rua. Sou de casa, dessas quatro paredes que me isolam, se eu tiver a sorte de ter casa. “Proibiram-me de percorrer uma cidade, um ponto; mas deixaram-me o universo inteiro”, confinado ao meu aposento por 42 dias, escreveu Xavier de Maistre (1863-1852) em “Viagem à roda de meu quarto”, em 1794.

Como ele, estou agora exilado dentro de casa e cada saída dela é uma expedição aos Martírios, repleta de perigos. Um parêntesis. Sou um “parasita” com emprego público estável, no dizer do mesmo Guedes citado acima. Posso ficar no meu canto com relativo conforto. Nesses dias não tenho de pegar metrôs, trens e ônibus lotados para trabalhar. Fecha parêntesis.

Minha globalização se dá num espaço menor que a aldeia de Tolstói. Falarei de meu cômodo e serei universal. Olharei por essa janela virtual na qual talvez você me leia e tentarei ser global, como toneladas de lixo informativo da grande mídia garantiram incessantemente.

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Minha globalização agora é pautada por um ser de tamanho infinitesimal que saiu de províncias chinesas, invadiu o sul da Itália – como os árabes no século IX ou os aliados em 1943 -, ganhou a França, a Espanha, Portugal, pedaços da Alemanha e cruzou o Canal da Mancha. Em seguida, atravessou o Atlântico e chegou aos Estados Unidos e ao Brasil.

Meu único consolo mundializado é saber que a essa hora, alguém em Seul, Teerã, Milão, Paris ou Londres está como eu, enfurnado atrás da porta de um barraco, de uma quitinete, de um apartamento ou de uma casa, apavorado por não saber como se proteger de um espectro que ronda a Europa e o mundo.

“Estamos em guerra”, afirmou Emmanuel Macron, na segunda, 16. Britânicos limpam gôndolas de supermercados, como se aguardassem o próximo ataque da Luftwaffe. Até mesmo o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, cujas maiores proximidades com campos de batalha se deram em filmes de Steven Spielberg e Quentin Tarantino, fala em “guerra”. Uma guerra, essa sim, global. Uma guerra, com a lógica que martelaram em nossas cabeças por quarenta anos, vista agora da janela virtual de meu computador.

Uma quantidade oceânica de empregos será destruída em diversos países. Chuta-se algo em torno de 200 milhões. Chuta-se, pois a pandemia não tem parâmetros ou paralelos conhecidos. Botequins, restaurantes, cafés, papelarias, armarinhos, livrarias, pequenos e médios comércios fecharão as portas. A construção civil e a produção entrarão em recesso.

A última doença planetária dessas proporções tem exatamente um século. Foi a gripe espanhola de 1918, que contaminou um quarto da população mundial e matou entre 30 e 50 milhões de pessoas em pouco mais de um ano. Mesmo assim, aquela influenza se difundiu num tempo em que o capitalismo ganhava musculatura para uma arrancada de desenvolvimento no Ocidente, que acabaria na crise de 1929.

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Estamos no início do turbilhão, sem conhecer ao certo o ciclo vital de um vírus que avança sobre territórios com velocidade inusitada. Projeções sobre sua curva ascendente e descendente são apenas projeções até agora. A invasão está em andamento. Autoridades agora dão graças aos céus por termos os SUS, sistema público de saúde que ainda outro dia queriam privatizar. Só ele pode realizar atendimentos em massa, tratar em rede e mapear o território dominado pela praga.

A doença potencializa o mergulho recessivo – e até depressivo – em economias de baixíssimo crescimento. No Brasil, após cinco anos de recuos sem fim, os próximos meses se afiguram tétricos.

Branko Milanovic, professor da London School of Economics escreveu quinta (19) na Foreign Affairs seu temor de um “colapso social”. Segundo ele:

“O mundo enfrenta a perspectiva de mudança profunda: um retorno à economia natural – ou seja, autossuficiente. Essa mudança é exatamente o oposto da globalização. Enquanto a globalização implica uma divisão do trabalho entre economias díspares, um retorno à economia natural significa que as nações se moveriam em direção à autossuficiência. Esse movimento não é inevitável. […] Mas se a crise continuar, a globalização poderá se desfazer. Quanto mais dura a crise, e quanto mais obstáculos ao livre fluxo de pessoas, bens e capitais, mais esse estado de coisas parecerá normal. […] O movimento para a economia natural seria impulsionado não por pressões econômicas comuns, mas por preocupações muito mais fundamentais, a saber, doenças epidêmicas e medo da morte”.

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Confinado ao meu quadrado, planejo um contato cada vez mais egoísta e mesquinho com o mundo. Não quero sair, não quero passear, não quero fazer compras. Temo o contágio, a enfermidade e a morte. Almejo apenas uma caverna com geladeira cheia e sinal estável de wi-fi. Um individualismo regressivo, medíocre, tacanho e antissocial. Um ambiente de átomos que não se misturam e não chegam a menos de um metro e meio dos demais.

É muito precipitado e arriscado assegurar que algo mudará na geopolítica mundial quando a irradiação virótica recuar. Ou se mudará a vida em sociedade. Como ficará a percepção de cada um em relação ao seu semelhante? Se a globalização neoliberal até aqui nos fez ver no outro alguém a ser derrotado em uma competição sem fim, a desglobalização conoravírica constrói um outro que pode me contaminar e me levar a morte. Ele agora é minha negação. Ele, o diverso, o de cor de pele diferente, o pobre, o invisível que se torna fantasmagórico. O outro a ser eliminado!

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A história está em curso. Este eterno episódio de Black Mirror, um presente distópico em que nos metemos, passará algum dia, quem sabe. Ninguém tem ideia de como será o mundo para os que ficarem. A mudança das lógicas espacial, territorial, cultural e afetiva do que virá a ser um ambiente global que nunca aboliu suas fronteiras para seres humanos pode ser estrutural. Para melhor ou para pior.

A resposta não virá da medicina, embora esta seja essencial. Virá da luta política. Virá da possibilidade de invertermos a lógica da globalização do capital especulativo, repetida até a náusea, dada como inevitável e imposta como se fosse a oitava maravilha. There is no alternative! Privatizem, vendam, desinvistam, mercadizem-se.

Esse caminho desembocou no pânico sem fronteiras. É hora de exaltar tudo o que foi tido como pecado mortal desde as duas últimas décadas do século passado. Queremos mais Estado, mais espaço e serviços públicos, mais dinheiro para a produção, para a vida e não para a farra especulativa. Mais Estado! Mais Estado! Mais Estado! É o caminho para se romper o quatro por quatro em que a miragem ultraliberal nos enfiou e para podermos sair da roda dos nossos mesquinhos quartos!

Vencer a bola de ferro home-office precário. Por um world-office mais justo e menos desigual! Disputemos!

David Harvey: Política anticapitalista em tempos de coronavírus

Publicado originalmente na Jacobin Brasil, em tradução de Cauê Segner Ameni

Como argumenta o geógrafo marxista David Harvey, quarenta anos de neoliberalismo deixaram a população totalmente exposta e mal preparada para enfrentar uma crise de saúde pública na escala do coronavírus. As únicas políticas que podem funcionar globalmente terão que vir dos EUA e são muito mais socialistas do que as propostas de Bernie Sanders.


Ao tentar interpretar, entender e analisar o fluxo diário de notícias, tenho a tendência de localizar o que está acontecendo em dois cenários distintos, mas interligados, de como o capitalismo funciona. O primeiro cenário é um mapeamento das contradições internas da circulação e acumulação de capital, à medida que o valor monetário flui em busca de lucro através dos diferentes “momentos” (como Karl Marx os chama) de produção, realização (consumo), distribuição e reinvestimento. Este é o arranjo da economia capitalista como uma espiral de expansão e crescimento sem fim. Fica mais complicado à medida que é analisado, por exemplo, através das rivalidades geopolíticas, desenvolvimentos geográficos desiguais, instituições financeiras, políticas estatais, reconfigurações tecnológicas e a rede em constante mudança de divisões do trabalho e relações sociais.

Eu imagino esse modelo incorporado, no entanto, em um contexto mais amplo de reprodução social (em lares e comunidades), em uma relação metabólica contínua e em constante evolução com a natureza (incluindo a “segunda natureza” da urbanização e do ambiente) e todas maneira de formações culturais, científicas (baseadas no conhecimento), religiosas e sociais contingentes que as populações normalmente criam no espaço e no tempo. Esses últimos “momentos” incorporam a expressão ativa das vontades, necessidades e desejos humanos, o desejo de conhecimento e significado e a busca pela realização em um cenário de mudanças nos arranjos institucionais, nas disputas políticas, nos confrontos ideológicos, nas perdas, nas derrotas, nas frustrações e alienações, todas elaboradas em um mundo de acentuada diversidade geográfica, cultural, social e política. Esse segundo cenário constitui, por assim dizer, minha compreensão prática do capitalismo global como uma formação social distinta, enquanto o cenário é sobre as contradições dentro do mecanismo econômico que alimenta essa formação social ao longo de certos caminhos dentro da sua evolução histórica e geográfica.

Espiral produtiva

Quando, em 26 de janeiro de 2020, li pela primeira vez sobre o coronavírus ganhando espaço na China, pensei imediatamente nas repercussões para a dinâmica global da acumulação de capital. Eu sabia dos meus estudos sobre o modelo econômico que bloqueios e interrupções na continuidade do fluxo de capital resultariam em desvalorizações e que, se as desvalorizações se tornassem generalizadas e profundas, isso sinalizaria o início de crises. Eu também estava ciente de que a China é a segunda maior economia do mundo e que, na prática, resgatou o capitalismo global no período pós-2007–8. Portanto, qualquer impacto na economia chinesa provavelmente teria sérias conseqüências para uma economia global que já estava em péssima condição.

Pareceu-me que o modelo existente de acumulação de capital já estava com muitos problemas. Movimentos e protesto estavam ocorrendo em quase todos os lugares (de Santiago a Beirute), muitos focados no fato de que o modelo econômico dominante não estava funcionando bem para a maioria da população. Esse modelo neoliberal repousa cada vez mais no capital fictício e em uma vasta expansão na oferta de moeda e na criação de dívida. Entretanto, já está enfrentando o problema da demanda por ser insuficiente para realizar os valores que o capital é capaz de produzir.

Como o modelo econômico dominante, com sua legitimidade decadente e saúde delicada, será que ele pode absorver e sobreviver aos impactos inevitáveis ​​de uma pandemia? A resposta dependia fortemente de quanto tempo a interrupção poderia durar e se espalhar, pois, como Marx apontou, a desvalorização não ocorre porque as mercadorias não podem ser vendidas, mas porque não podem ser vendidas a tempo.

Há muito que recusei a ideia de que a “natureza” estivesse fora e separada da cultura, economia e vida cotidiana. Adoto uma visão mais dialética e relacional da relação metabólica com a natureza. O capital modifica as condições ambientais de sua própria reprodução, mas o faz em um contexto de conseqüências não intencionais (como as mudanças climáticas) e no contexto de forças evolutivas autônomas e independentes que estão remodelando perpetuamente as condições ambientais. Deste ponto de vista, não existe um desastre verdadeiramente natural. Os vírus sofrem mutação o tempo todo para ter certeza. Mas as circunstâncias em que uma mutação se torna ameaçadora e fatal dependem das ações humanas.

Existem dois aspectos relevantes para isso. Primeiro, condições ambientais favoráveis ​​aumentam a probabilidade de mutações vigorosas. Por exemplo, é plausível esperar que sistemas de suprimento de alimentos nos subtrópicos úmidos possam contribuir para isso. Tais sistemas existem em muitos lugares, incluindo na China ao sul do Yangtse e o Sudeste Asiático. Em segundo lugar, as condições que favorecem a transmissão rápida através dos organismos hospedeiros variam muito. Populações de alta densidade pareceriam um alvo fácil para o hospedeiro. É sabido que as epidemias de sarampo, por exemplo, apenas florescem em grandes centros populacionais urbanos, mas morrem rapidamente em regiões pouco populosas.

Conforme os seres humanos interagem, se movimentam, se disciplinam ou esquecem de lavar as mãos, as formas como as doenças são transmitidas são afetadas. Nos últimos tempos, a SARS, a gripe aviária e suína parecem ter saído da China ou do Sudeste Asiático. A China também sofreu muito com a peste suína no ano passado, implicando no abate em massa de porcos e o aumento dos preços da carne suína. Não digo tudo isso para indiciar a China. Existem muitos outros lugares onde os riscos ambientais para mutação e difusão viral são altos. A gripe espanhola de 1918 pode ter saído do Kansas e a África pode ter incubado o HIV / AIDS e certamente iniciado o Nilo Ocidental e o Ebola, enquanto a dengue parece florescer na América Latina. Mas os impactos econômicos e demográficos da propagação do vírus dependem de fendas e vulnerabilidades preexistentes no modelo econômico hegemônico.

Não fiquei indevidamente surpreso que o COVID-19 tenha sido encontrado inicialmente em Wuhan (embora não seja conhecido onde ele se originou). Claramente, os efeitos locais são substanciais e, dado que lá era um centro de produção sério, provavelmente haveria repercussões econômicas globais (embora eu não tivesse idéia desta magnitude). A grande questão era como o contágio e a difusão poderiam ocorrer e quanto tempo duraria (até que uma vacina pudesse ser encontrada). Experiências anteriores haviam mostrado que uma das desvantagens do aumento da globalização é como é impossível impedir uma rápida difusão internacional de novas doenças. Vivemos em um mundo altamente conectado, onde quase todo mundo viaja. As redes humanas para potencial difusão são vastas e abertas. O perigo (econômico e demográfico) era que a interrupção durasse um ano ou mais.

Embora houvesse uma queda imediata nos mercados financeiros quando as notícias iniciais foram divulgadas, foi impressionante como os mercados atingiram novos picos no mês seguinte. As notícias pareciam indicar que os negócios estavam normais em todos os lugares, exceto na China. Acreditavam que iríamos experimentar uma reprise da SARS que acabou sendo contida rapidamente e manteve um baixo impacto global, apesar de ter uma alta taxa de mortalidade e criar um pânico desnecessário (em retrospecto) nos mercados financeiros. Quando o COVID-19 apareceu, a reação dominante foi descrevê-lo como uma repetição da SARS, tornando o pânico redundante. O fato de a epidemia ter ocorrido na China, que rapida e implacavelmente se moveu para conter seus impactos, também levou o resto do mundo a tratar erroneamente o problema como algo acontecendo “lá” e, portanto, fora do horizonte (acompanhada por alguns problemas que sinalizam uma visão de xenofobia anti-chinesa em certas partes do mundo). O pico que o vírus colocou na história triunfante do crescimento chinês foi recebido com alegria em certos círculos do governo Trump.

No entanto, histórias de interrupções nas cadeias produtivas globais que passavam por Wuhan começaram a circular no noticiário. Estes foram amplamente ignorados ou tratados como problemas pontuais para determinados produtos ou corporações (como a Apple). As desvalorizações foram locais e particulares e não sistêmicas. Os sinais de queda na demanda do consumidor também foram minimizados, embora empresas como McDonald’s e Starbucks, que tinham grandes operações no mercado interno chinês, precisassem fechar suas portas por um tempo. A sobreposição do Ano Novo Chinês com o surto do vírus mascarou os impactos ao longo de janeiro. A complacência dessa resposta foi mal interpretada.

As notícias iniciais sobre a disseminação internacional do vírus foram ocasionais e episódicas, com um surto grave na Coréia do Sul e em alguns outros pontos críticos como o Irã. Foi o surto italiano que desencadeou a primeira reação mais violenta. O colapso do mercado financeiro, que começou em meados de fevereiro, oscilou um pouco, mas em meados de março levou a uma desvalorização líquida de quase 30% nas bolsas de valores do mundo todo.

A escalada exponencial das infecções provocou uma série de respostas muitas vezes incoerentes e às vezes em pânico. O presidente Donald Trump fez uma imitação do rei Canute diante de uma potencial maré crescente de doenças e mortes. Algumas das respostas parecem estranhas. Ter o Federal Reserve com taxas de juros mais baixas diante de um vírus parecia estranho, mesmo quando se reconheceu que a medida pretendia aliviar os impactos do mercado em vez de impedir o progresso do vírus.

As autoridades públicas e os sistemas de saúde foram, em quase todos os lugares, pegos em flagrante. Quarenta anos de neoliberalismo na América do Norte e do Sul e na Europa deixaram o público totalmente exposto e mal preparado para enfrentar uma crise de saúde pública desse calibre, apesar de sustos anteriores como a SARS e o Ebola fornecerem avisos abundantes e lições convincentes sobre o que seria necessário ser feito. Em muitas partes do suposto mundo “civilizado”, os governos locais e as autoridades regionais, que invariavelmente formam a linha de frente da defesa em emergências de saúde e segurança pública desse tipo, tinham sido privados de financiamento graças a uma política de austeridade projetada para financiar cortes de impostos e subsídios para as empresas e os ricos.

corporativismo da grande indústria farmacêutica tem pouco ou nenhum interesse em pesquisas não remuneradas sobre doenças infecciosas (como toda a categoria do coronavírus que são bem conhecidas desde a década de 1960). A industria farmacêutica raramente investe em prevenção. Tem pouco interesse em investir na prevenção de crises na saúde pública. Adora desenhar curas. Quanto mais doentes estamos, mais eles ganham. A prevenção não contribui para o valor do acionista. O modelo de negócios aplicado à provisão de saúde pública eliminou as capacidades excedentes de enfrentamento que seriam necessárias em uma emergência. A prevenção não é nem uma hipótese de trabalho suficientemente atraente para justificar parcerias público-privadas.

O presidente Trump cortou o orçamento do Centro de Controle de Doenças e dissolveu o grupo de trabalho sobre pandemias no Conselho de Segurança Nacional no mesmo espírito que cortou todo o financiamento de pesquisas, inclusive sobre as mudanças climáticas. Se eu quisesse ser antropomórfico e metafórico sobre isso, concluiria que o COVID-19 é a vingança da natureza por mais de quarenta anos de maus-tratos e abuso nas mãos de um extrativismo neoliberal violento e não regulamentado.

Talvez seja sintomático que os países menos neoliberais, China e Coréia do Sul, Taiwan e Cingapura, tenham passado melhor pela pandemia do que a Itália. Embora houvesse muitas evidências de que a China lidava mal com a SARS, com muita dissimulação e negação inicial, desta vez o presidente Xi Jinping passou rapidamente a exigir transparência, tanto nos relatórios quanto nos testes, assim como a Coréia do Sul. Mesmo assim, na China, perdeu-se um tempo valioso (apenas alguns dias fazem toda a diferença). O que foi notável na China, no entanto, foi o confinamento da epidemia à província de Hubei, com Wuhan no centro. A epidemia não se mudou para Pequim, nem para o oeste nem para o sul. As medidas tomadas para confinar geograficamente o vírus foram draconianas. Seria quase impossível replicar em outros lugares por razões políticas, econômicas e culturais. Os relatórios que saem da China sugerem que os tratamentos e as políticas não foram nada cuidadosos.

Além disso, a China e Cingapura empregaram seus poderes de vigilância pessoal em níveis invasivos e autoritários. Mas eles parecem ter sido extremamente eficazes em conjunto. Embora as medidas tenham sido acionadas alguns dias antes, os modelos sugerem que muitas mortes poderiam ter sido evitadas. Esta é uma informação importante: em qualquer processo de crescimento exponencial, existe um ponto de inflexão além do qual a massa ascendente fica totalmente fora de controle (observe aqui, mais uma vez, o significado da massa em relação à taxa). O fato de Trump ter demorado por tantas semanas ainda pode ser oneroso a muitas vidas.

Os efeitos econômicos estão agora fora de controle, tanto na China quanto fora dela. As interrupções no trabalho nas cadeias de produção das empresas e em certos setores se mostraram mais sistêmicas e substanciais do que se pensava inicialmente. O efeito a longo prazo pode ser o de encurtar ou diversificar as cadeias de suprimentos, enquanto se move para formas de produção menos intensivas de mão-de-obra (com enormes implicações para o emprego) e maior dependência de sistemas de produção inteligentes. A ruptura das cadeias produtivas implica demitir ou dispensar trabalhadores, o que diminui a demanda final, enquanto a demanda por matérias-primas diminui o consumo produtivo. Esses impactos no lado da demanda já teriam produzido por si só uma leve recessão.

Mas as maiores vulnerabilidades existiam em outros lugares. Os modos de consumismo que explodiram após 2007–8 caíram com conseqüências devastadoras. Esses modos eram baseados na redução do tempo de rotatividade do consumo. A enxurrada de investimentos em tais formas de consumo teve tudo a ver com a absorção máxima de volumes de capital exponencialmente crescentes em formas de consumismo rápida rotatividade. O turismo internacional foi emblemático. As visitas internacionais aumentaram de US$ 800 milhões para US$ 1,4 bilhão entre 2010 e 2018.

Essa forma de consumismo instantâneo exigiu investimentos maciços em infra-estrutura de aeroportos e companhias aéreas, hotéis e restaurantes, parques temáticos e eventos culturais e etc.. Este local de acumulação de capital está agora morto: as companhias aéreas estão perto da falência, os hotéis estão vazios e o desemprego em massa nas indústrias hoteleira é iminente. Comer fora não é uma boa ideia e restaurantes e bares foram fechados em muitos lugares. Até a comida para viagem parece arriscada. O vasto exército de trabalhadores na economia de freelancers e autônomos ou em outras formas de trabalho precário estão sendo demitido sem meios visíveis de apoio. Eventos como festivais culturais, torneios de futebol e basquete, shows, convenções profissionais e de negócios e até reuniões políticas em torno das eleições estão sendo cancelados. Essas formas de consumismo experiencial “baseadas em eventos” foram encerradas. As receitas dos governos locais foram afetadas. Universidades e escolas estão fechando.

Grande parte do modelo mais avançado no consumismo capitalista contemporâneo é inoperável nas condições atuais. O esforço em direção ao que André Gorz descreve como “consumismo compensatório” (no qual os trabalhadores alienados deveriam recuperar o ânimo através de um pacote de férias em uma praia tropical) foi sabotado.

As economias capitalistas contemporâneas são 70% ou até 80% motivadas pelo consumismo. Nos últimos quarenta anos, a confiança e o sentimento do consumidor tornaram-se a chave para a mobilização da demanda efetiva e o capital tornou-se cada vez mais orientado pela demanda e pelas necessidades. Essa fonte de energia econômica não foi sujeita a flutuações violentas (com algumas exceções, como a erupção vulcânica da Islândia que bloqueou os vôos transatlânticos por algumas semanas). Mas o COVID-19 não está sustentando uma flutuação violenta, mas um colapso onipotente no coração da forma de consumismo dominante nos países mais ricos. A forma espiral de acumulação infinita de capital está entrando em colapso interior, de uma parte do mundo para outra. A única coisa que pode salvá-lo é um consumismo em massa financiado pelo governo, evocado do nada. Isso exigirá socializar toda a economia dos Estados Unidos, por exemplo, sem chamar isso de socialismo.

As linhas de frente

Existe um mito conveniente de que as doenças infecciosas não reconhecem classe social ou outras barreiras e fronteiras sociais. Como muitos dizem, há uma certa verdade nisso. Nas epidemias de cólera do século XIX, a transcendência das barreiras de classe foi suficientemente dramática para gerar o nascimento de um movimento público de saneamento e saúde que se profissionalizou e perdurou até os dias de hoje. Se esse movimento foi projetado para proteger todos ou apenas as classes altas nem sempre foi uma história clara. Hoje, porém, o diferencial de classe e os efeitos e impactos sociais contam uma história diferente. Os impactos econômicos e sociais são filtrados através de discriminações “costumeiras” que estão em toda parte em evidência. Para começar, a força de trabalho que deve cuidar do número crescente de doentes é altamente seccionada por gênero, raça e etnia na maior parte do mundo. Nisso reflete as forças de trabalho baseadas em classe encontradas em, por exemplo, aeroportos e outros setores logísticos.

Essa “nova classe trabalhadora” está na vanguarda e tem o peso de ser a força de trabalho que está com o maior risco de contrair o vírus por meio de seus empregos ou de ser demitida sem ter garantias por causa da contenção econômica imposta pelo vírus. Há, por exemplo, a questão de quem pode trabalhar em casa e quem não pode. Isso aumenta a divisão social, assim como a questão de quem pode se dar ao luxo de se isolar ou se colocar em quarentena (com ou sem pagamento) em caso de contato ou infecção. Da mesma maneira que aprendi a chamar os terremotos na Nicarágua (1973) e na Cidade do México (1995) de “terremotos de classe”, o progresso do COVID-19 exibe todas as características de uma pandemia de classe, de gênero e de raça.

Embora os esforços de mitigação estejam convenientemente ocultos na retórica de que “estamos todos juntos nisso”, as práticas, principalmente por parte dos governos nacionais, sugerem motivações mais sinistras. A classe trabalhadora contemporânea nos Estados Unidos (composta predominantemente por afro-americanos, latino-americanos e mulheres assalariadas) enfrenta a falta de escolha entre contrair a contaminação em nome de cuidar e manter os principais recursos da provisão (como supermercados) abertos ou ficar desempregada sem benefícios (com cuidados de saúde adequados). O pessoal assalariado, como eu, podem trabalhar em casa e receber seus salários, enquanto os CEOs voam em jatos particulares e helicópteros para se isolarem.

As forças de trabalho em muitas partes do mundo são socializadas há muito tempo para se comportarem como bons sujeitos neoliberais, o que significa culpar a si mesmas ou a Deus se algo der errado, mas nunca ousar sugerir que o capitalismo pode ser o problema. Mas mesmo bons indivíduos que defendem o neoliberalismo podem ver que há algo errado com a maneira como esta pandemia está sendo respondida.

A grande questão é: quanto tempo isso vai durar? Pode demorar mais de um ano e, quanto mais tempo, mais desvalorização, inclusive da força de trabalho. Os níveis de desemprego quase certamente subirão para níveis comparáveis ​​aos da década de 1930 na ausência de intervenções estatais maciças que terão que ir contra o mantra neoliberal. As ramificações imediatas para a economia e para o cotidiano social são múltiplas. Mas eles não são todos ruins. Na medida em que o consumismo contemporâneo estava se tornando excessivo, estava se aproximando do que Marx descreveu como “consumo excessivo e consumo insano, alimentando, por sua vez, o monstruoso e a bizarra queda” de todo o sistema.

A imprudência desse consumo excessivo tem desempenhado um papel importante na degradação ambiental. O cancelamento de voos de companhias aéreas e a restrição radical de transporte e movimentação tiveram conseqüências positivas em relação às emissões de gases de efeito estufa. A qualidade do ar em Wuhan está muito melhor, como também ocorre em muitas cidades dos EUA.

Os locais de ecoturismo terão tempo para se recuperar das pegadas ambientais. Os cisnes retornaram aos canais de Veneza. Na medida em que o gosto pelo excesso de consumo imprudente e insensato for reduzido, poderá haver alguns benefícios a longo prazo. Menos mortes no Monte Everest podem ser uma coisa boa. E, embora ninguém diga isso em voz alta, o viés demográfico do vírus pode acabar afetando as pirâmides etárias, com efeitos a longo prazo sobre os encargos da Previdência Social e o futuro da “indústria de assistência médica”. A vida cotidiana diminui e, para algumas pessoas, isso será uma bênção. As regras sugeridas de distanciamento social podem, se a emergência persistir por tempo suficiente, levar a mudanças culturais. A única forma de consumismo que quase certamente se beneficiará com tudo isso é o que eu chamo de economia “Netflix”, que atende a “binge watchers” de qualquer maneira.

Na frente econômica, as respostas foram condicionadas pelo êxodo na crise de 2007–8. Isso implicou uma política monetária ultra-flexível, associada ao resgate dos bancos, complementada por um aumento dramático no consumo produtivo conduzido pela expansão maciça do investimento em infra-estrutura na China. Este último não pode ser repetido na escala necessária. Os pacotes de resgate criados em 2008 focavam nos bancos, mas também envolviam a estatização da General Motors. Talvez seja significativo que, diante do descontentamento dos trabalhadores e do colapso da demanda do mercado, as três grandes montadoras de Detroit estejam fechando, pelo menos temporariamente.

Se a China não pode repetir seu papel de 2007–8, então o ônus de sair da atual crise econômica agora muda para os Estados Unidos e aqui está a ironia final: as únicas políticas que funcionarão, tanto econômica quanto politicamente, são muito mais socialistas do que qualquer coisa que Bernie Sanders possa propor e esses programas de resgate terão que ser iniciados sob a égide de Donald Trump, presumivelmente sob a máscara do “make America Great again”.

Todos os republicanos que se opuseram visceralmente ao resgate de 2008 terão que engolir a seco ou desafiar Donald Trump. Este último, se for sagaz, cancelará as eleições em caráter emergencial e declarará a origem de uma presidência imperial para salvar a capital e o mundo dos “tumultos e revoluções”.

Rogério Haesbaert: Entre a contenção e o confinamento dos corpos-território: reflexões geográficas em tempos de pandemia (II)

Publicado originalmente no Facebook


A atual crise planetária desencadeada pela pandemia do Covid-19 (um tipo de coronavírus) está mergulhada em problemáticas de ordem geográfica. É fundamental avaliarmos nossas categorias à luz do que se passa pelo mundo. O território e os processos de des-reterritorialização nunca foram tão relevantes como agora, no combate à expansão do vírus.

Há um padrão recorrente nas medidas ditas de contenção promovidas por diferentes países, todas elas, em menor ou maior grau, voltadas para o controle da mobilidade daquele que já vinha sendo apontado, principalmente no pensamento decolonial feminista e indígena latino-americano, como nosso primeiro território, o corpo-território – nunca dissociado, é claro, do domínio e apropriação territorial, maior ou menor, do seu entorno.

O controle (e docilização) dos corpos, sabemos bem, é empreitada antiga, e Michel Foucault foi o autor que melhor trabalhou a relação entre corpo e disciplina no mundo moderno. Ele propôs um interessante modelo que opunha as iniciativas de controle da lepra e da peste – o primeiro criando o que sugeri denominar “territórios de reclusão”, com completo isolamento em relação ao restante da sociedade, e o segundo impondo o que chamei de “contenção territorial”, tipo muro-barragem, onde o fechamento é relativo e temporário, e no qual sempre existe alguma forma de ultrapassar a barreira e entrar – ou fugir, dependendo da perspectiva. É esse o caso dos muros fronteiriços, que o migrante sempre se encarrega, de alguma forma, de contornar.

A globalização da pandemia impôs esse jogo entre reclusão ou confinamento e contenção ou barragem em múltiplas escalas. Num mundo moldado pelos territórios-rede onde os corpos se deslocam com muito mais rapidez e intensidade ao longo de circuitos que canalizam fluxos, malhas aéreas à frente, não é nada fácil restaurar os controles do tipo território-zona, em que se pode impedir a mobilidade dentro de áreas de menor ou maior amplitude, como sempre pretendeu fazer (cada vez com menos sucesso) o Estado-nação e suas unidades político-administrativas.

Pois são exatamente as tentativas de retorno a esse controle territorial zonal que se impuseram desde o início no combate à expansão do coronavírus. Como era de se esperar, nesse mundo neoliberal em que vivemos, quem até aqui obteve maior êxito no combate foi um dos Estados mais fortalecidos, a China (há todo um debate sobre a especificidade de um “neoliberalismo chinês”, “variegado” ou “de exceção”, que será impossível tratar aqui). Como foi ali que teve início o processo e identificou-se o foco inicial – a grande metrópole de Wuhan – os esforços foram concentrados inicialmente no bloqueio completo dessa metrópole e na província de Hubei. Ter um único foco geográfico inicial de emissão ajudou muito – ao contrário de outros países, como os Estados Unidos, com focos nos estados de Washington, Califórnia e Nova York.

Um fator que parece decisivo no caso do regime autoritário chinês diz respeito aos dispositivos de controle da informação e vigilância da população, acumulados ao longo do tempo e que têm sua base nos comitês de vizinhança que monitoram cada quarteirão ou pequeno grupo de famílias. Além disso, temos a capacidade organizativa do sistema de saúde estatal e a difusão, por exemplo, do uso de máscaras por praticamente toda a população (sem falar que em algumas cidades já era um hábito usual contra a poluição).

O processo de quarentena que, no caso chinês, alia dinâmicas de contenção e de confinamento, associado à própria natureza autoritária do regime, foi muito mais severo que em outros países. As saídas de casa foram rigidamente controladas – inicialmente saída individual apenas a cada dois dias, depois confinamento total, somente permitida a recepção de alimentos e medicamentos por encomenda. No final, em Wuhan, policiais seguiam de casa em casa para checar as condições de saúde e, em caso de doença, os isolamentos forçados tornaram-se comuns. Reportou-se até mesmo fiscalização do uso de máscaras através de drones, muito comuns como instrumento de vigilância pública.

Um controle fundamental que, este sim, atua diretamente sobre o que denominamos territórios-rede, é o dos fluxos aéreos internacionais. Wuhan é um grande hub aéreo com voos para diversos países da Ásia (Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Tailândia, Emirados Árabes, Austrália, Singapura, Indonésia, Malásia…). Poderia se transformar (como em parte ocorreu) num grande difusor da contaminação. Muitos países, como o Brasil, tiveram um controle muito tardio da principal porta de entrada do vírus: os aeroportos internacionais. Optou-se primeiro pelo controle zonal de algumas fronteiras para só mais tarde atuar sobre o fluxo aéreo, provavelmente sob pressão do forte lobby das empresas aéreas e do setor de turismo. Hoje, diante da chamada “segunda onda” de contaminação, por aqueles que vêm de fora, a China volta a endurecer o controle das chegadas nos aeroportos, impondo quarentena de duas semanas para quem chega ao país.

A partir desse quadro mais empírico da dinâmica chinesa de contenção e confinamento, verifica-se o quanto se torna mais difícil para um país ocidental e, especialmente, de periferias como a América Latina e a África (onde o Covid-19 ainda não chegou pra valer), implementar o mesmo tipo e rigidez de controle territorial. Alguns questionam, frente ao relativo sucesso também de países como Coreia do Sul, Taiwan e Singapura, se a China não teria ido além do necessário. Uma medida comum a explicar o êxito desse bloco de países é, além da disciplina no confinamento e no distanciamento social (menos rígida fora da China), a detecção generalizada da presença do vírus entre as pessoas – já que o maior dilema é a disseminação do vírus por portadores assintomáticos. Detectá-la e isolar seus portadores é decisivo.

Pois é sobre esse isolamento que gostaria de me deter agora. O que vimos nos países europeus e americanos foi uma crítica e rechaço inicial ao caráter excessivamente restritivo das medidas (como continua a pensar o presidente brasileiro, responsabilizando antecipadamente os governadores estaduais pelos reflexos negativos na economia), para depois mudarem radicalmente de opinião e condenarem essas mesmas medidas por seu caráter incipiente, exigindo ainda maior rigor em sua aplicação. A principal delas é a rigidez da quarentena, hoje com amplo apoio popular entre nós, principalmente diante das cenas deploráveis vindas de países com sistemas de saúde relativamente consistentes, como Itália e Espanha.

Uma característica básica dessa pandemia, de importante manifestação geográfica, é que ela, ao sair da China, começa no topo da pirâmide socioeconômica, entre as classes mais privilegiadas – basta ver o mapa de difusão da pandemia até aqui numa metrópole periférica como o Rio de Janeiro, onde afeta inicialmente os bairros mais ricos, de onde chegaram os viajantes internacionais, primeiros portadores do vírus. A grande questão agora é que tipo de dinâmicas de contenção e/ou confinamento territorial são plausíveis em realidades “periférico-coloniais” como as do continente mais desigual do planeta, nossa América Latina. O vírus ainda não atingiu mas está começando a chegar a nossas favelas e villas miseria.

Entrará em ação, como já circulam informações, o aparato paramilitar das milícias a forçar os habitantes das favelas a permanecer em casa? Surtirá efeito propor o isolamento individual quando se sabe que, somente na área metropolitana do Rio de Janeiro, 300 mil domicílios só possuem um quarto para três pessoas ou mais e a maioria são casas geminadas, muitas vezes com corredores e cômodos partilhados?

Voltemos então ao nosso corpo-território: sem dúvida, no contexto da colonialidade do poder latino-americana, mais que discutir medidas de autocontenção territorial, barrando o acesso a favelas (como tentam fazer algumas associações de moradores em comunidades de morros que têm apenas uma, ou poucas entradas), precisamos pensar diretamente naqueles que, mais precarizados, só têm o corpo como território a ser defendido, como espaço sobre o qual ainda tentam manter algum controle – já que nem com um quarto individual em suas casas podem contar. Triste sina, diante de um vírus ardiloso: praticamente impossível “fechar”, controlar sua entrada em nosso corpo quando não se dispõe nem do mínimo, a água e o sabão para a higiene pessoal, como ocorre agora em diversas favelas do Rio.

Sem pintar aqui o quadro sombrio que se anuncia, gostaria de finalizar com uma breve reflexão teórica, entre as muitas evocadas neste texto. A contenção territorial que definimos (no livro “Viver no Limite”) se refere aos macroprocessos socioeconômicos que acabam destinando aos grupos subalternos os territórios mais vulneráveis da cidade – periferias distantes, sem infraestrutura, encostas ecologicamente instáveis, várzeas inundáveis … De qualquer forma, eles aí estão apartados e, de certa forma, “contidos” como se fosse para não “contaminar” o resto da cidade.

Agora, porém, trata-se de uma contenção às avessas. A pandemia, quem diria, veio subverter essa ideia de contenção dos subalternos pelos hegemônicos: são os próprios privilegiados que precisam se autoconter, confinar-se, pois são eles que, inicialmente, no caso latino-americano, “carregam o mal”. Embora muitos tenham solicitado que suas empregadas domésticas ficassem em casa, inúmeros trabalhadores – porteiros, faxineiros, garis, atendentes de supermercados, postos de gasolina e farmácias, sem falar nos profissionais de saúde – devem ter garantida sua mobilidade, ainda que sob condição de grande vulnerabilidade (como nos transportes públicos superlotados do Rio de Janeiro).

Os pouco esclarecidos, entretanto, dizem que o vírus “é democrático”, que “atinge a todos por igual”. O vírus não tem nada de democrático – primeiro, porque afeta de modo mais brutal os já mais frágilizados: idosos, enfermos, incapacitados e, a partir de agora, os pobres; segundo, porque, ao exigir para seu combate a autocontenção (ou reclusão temporária), ela só é realmente possível e segura para os mais ricos, que dispõem de condições para o distanciamento social e o isolamento.

Assim, temos muitas lições geográficas a aprender através dos distintos mecanismos de contenção e confinamento territorial em função da pandemia. Aprendemos que, num mundo “informacional” de tantas tecnologias, ao final, o que realmente continua importando é o nosso corpo-território, o corpo enquanto condição última e inexorável de nossa existência. Seja o padrão da lepra, que nos confina, numa reclusão definitiva, seja o modelo da peste, com sua quarentena de contenção temporária, todos têm no controle dos corpos seu derradeiro alvo. Resta saber, por fim, quem de fato vai continuar exercendo controle sobre o conjunto da população e de seus corpos-territórios. Sem dúvida, uma outra biopolítica, centrada no afeto e no cuidado, urge construir. Uma advertência, apenas: a ilusão com o alegado êxito do modelo autoritário chinês. Ele oculta um padrão totalmente falido de crescimento e consumismo sem freios – além de um monitoramento individual irrestrito – que a pandemia poderia ajudar a destruir (uma utopia).

Rogério Haesbaert: Desterritorialização sem limites: reflexões geográficas em tempos de pandemia (I)

Publicado originalmente no Facebook


Alguns dos mantras do globalismo planetário até aqui dominantes foram: movam-se, viajem, acelerem, cresçam, expandam-se, extraiam (os recursos), consumam, privatizem, flexibilizem (as relações de trabalho), “deslocalizem” (as empresas) … Tudo isso, frente à pandemia de coronavírus, repentinamente se inverteu: parem, não viajem, desacelerem, retraiam-se, não consumam, invistam em políticas públicas, estatizem (empresas em crise) … Aqui, em pleno boom neoliberal, como uma praga, o último mantra a ser contestado ainda não se inverteu: para os trabalhadores continua-se propondo uma flexibilização ainda maior das relações de trabalho, como se estivessem testando até onde vai a resignação dessa massa de (des)empregados extremamente vulneráveis. É como se enquanto os ricos podem parar e se resguardar, os pobres devem continuar em movimento, se arriscando para garantir a nossa sobrevivência.

Há dezessete anos atrás, em “O mito da desterritorialização”, eu escrevi que, ao contrário do que se propagava a partir da Europa e dos Estados Unidos, não estava ocorrendo o “fim dos territórios” (Bertrand Badie), o “fim das fronteiras” e do Estado-nação (Kenichi Ohmae) ou até mesmo o “fim da geografia” (Paul Virilio). Quando se dizia que estávamos em um processo de perda de laços territoriais, utilizava-se muito mal o termo “desterritorialização”, aplicado muito mais aos ricos que se deslocavam com frequência e tinham mais de uma residência (inclusive em países diferentes) do que aos pobres que realmente sofriam a perda do controle sobre seus espaços de vida. Propus então, para os ricos, especialmente os executivos de grandes corporações transnacionais, o termo multiterritorialidade, por terem pleno controle sobre os múltiplos territórios que frequentam, sempre na “bolha móvel” das mesmas cadeias de hotéis, resorts, lojas, restaurantes … Mesmo aí, entretanto, eles dependem de um grande manancial de serviços oferecidos por trabalhadores – em geral migrantes, estes sim, desterritorializados (ou precariamente multiterritorializados).

Num olhar a partir de nossa realidade latino-americana tão desigual, reservei então o termo desterritorialização muito mais para a efetiva perda de controle territorial dos mais pobres, grupos subalternos que lutam cotidianamente por sua sobrevivência. Cheguei a afirmar que um morador em situação de rua, por exemplo, pode fazer da defesa da marquise de um prédio durante a noite o seu território, assim como um presidiário em uma cela superlotada pode fazer de um colchonete seu território durante as poucas horas em que, em revezamento, consegue dormir. Nesse sentido é que desterritorialização pode ser encarada, sobretudo, como precarização dos controles territoriais que garantem nossa própria condição de vida. Dá para imaginar, como resultado mais brutal dessa pandemia, num mundo em que saúde pública nunca foi prioridade, o que ela poderá causar em países de desigualdade histórica tão aviltante como os nossos da América Latina. A começar pelos milhares de moradores em situação de rua, o extremo dessa pirâmide e os mais vulneráveis por serem os que têm menor condição para se isolar ou “se afastar” socialmente.

Chegou-se a afirmar que um mundo fluido e líquido se projetava cada vez mais impetuoso, uma “dádiva” da globalização neoliberal que a tudo consome e refaz, numa reinvenção tecnológica atroz, o tempo inteiro recriando “necessidades desnecessárias” que, estimuladas com os bilhões gastos em publicidade, mesmo endividados, consumimos com vigor. Nessa avidez pelo novo e pelo movimento esqueceu-se, contudo, que o velho pode não morrer e que a fixação e o fechamento são a outra metade, indissociável, da abertura e do movimento. Seria preciso um vírus assassino para nos lembrar essas velhas lições. E também para reforçar nossa tese de que aquela desterritorialização tão decantada, a dos “turistas”, era um mito.

A metáfora dos “turistas” globalizados de Zigmunt Bauman, com o cuidado para não exagerar, também ajuda a compreender a rápida difusão do coronavírus. Para além da metáfora, na última década o número de turistas pelo mundo quase dobrou, atingindo hoje cerca de 1,5 bilhão de pessoas. Se lembrarmos que as migrações internacionais também aumentaram substancialmente nas últimas décadas, atingindo 272 milhões de pessoas em 2019 (ou seja, 3,5% da população mundial, contra 2,8% no ano 2000), percebemos a intensidade da movimentação de nossos corpos pelo planeta. Tudo isso sem falar na enorme mobilidade internacional cotidiana em função do trabalho. E ainda havia quem menosprezasse essa dimensão material, corpórea, da vida humana, em nome de uma virtualização ou desmaterialização generalizada (erroneamente denominada, também, desterritorialização).

Paradoxalmente, quem diria, a grande desigualdade que move o sistema econômico revela-se agora com toda a sua crueza entre aqueles que podem ficar isolados, hipoteticamente “imunizados” nos territórios-abrigo de suas casas, com condições econômicas para se manter aí, e aqueles que, sem a garantia de seus territórios-recurso, são obrigados a atravessar a cidade para assegurar a alimentação, a saúde, a limpeza ou a segurança para toda a população.

Lembrando a distinção que Jean Gottman propôs (depois incorporada por Milton Santos) entre o território como abrigo e o território como recurso, fica patente que é impossível levar nossa vida sem a imbricação dessas duas propriedades. Nossas casas, como último espaço-refúgio, podem nos garantir certo abrigo, protegendo-nos (relativamente) da difusão do vírus, mas essa condição só se realiza de fato pela imbricação com o acesso a múltiplos recursos: a água e o esgoto canalizados, a energia por fios, o telefone por antena, a alimentação que precisamos buscar no supermercado, os medicamentos na farmácia, o combustível para o transporte dessas mercadorias nos postos de gasolina, etc. – cada uma dessas redes com sua própria escala geográfica de articulação.

Há muito se foi o tempo em que estávamos autonomamente “abrigados” em nossas moradas. Muito poucos hoje usufruem desse privilégio. Mas temos outro enorme privilégio do qual raramente nos damos conta. Precisamos nos conscientizar sobre o quanto a segurança de nossas individualistas quarentenas se deve a uma massa de trabalhadores (vulneráveis) que nos garantem o acesso a esses tantos recursos necessários para nossa sobrevivência. Essa pandemia poderia nos ensinar um pouco mais a reconhecer nossa própria fragilidade e o grau de dependência que temos para com os tantos serviços garantidos por esses trabalhadores com os quais deveríamos ter o maior respeito e solidariedade. Ir às janelas aplaudir os profissionais de saúde é um tímido começo.

Em sentido mais amplo, o inédito e avassalador desafio que nos coloca essa pandemia é o de parar – no mínimo desacelerar – ou perecer. Ela escancara o que, para muitos, incompreensivelmente, ainda não parecia suficientemente claro: a falência de um sistema que, em tese, aboliu a ideia de limite e se intitulou soberano do planeta. Como afirmamos num artigo há quatro anos atrás, ao contrário de discursos dominantes, a fluidez da globalização planetária trouxe à tona, ainda com mais força, o debate sobre os limites:

“… limites como restrição, contenção, numa conotação negativa, mas também no sentido de constituírem parte indissociável de nossa dinâmica civilizatória, na medida em que, biopoliticamente falando, o modelo societário hegemônico, baseado na acumulação e/ou no “crescimento” capitalista, colocou em jogo até mesmo nossa sobrevivência enquanto espécie biológica sobre a Terra”.

Caso não se priorizar o pronto combate à precarização e à brutal desigualdade não teremos saída. A defesa da bio e da etnodiversidade do planeta exigem, mais do que nunca, uma cultura e uma política planetárias do comum que prezem, em primeiro lugar, a redução da desigualdade perversa entre os povos da Terra.

Essa parada compulsória, além das muito prováveis convulsões sociais que irá desencadear (já ensaiadas nos protestos recentes pela América Latina e vários cantos do mundo, do Líbano a Hong Kong), poderá trazer à tona uma séria rediscussão dos rumos civilizatórios. Se o Grande Irmão da extrema-direita não se aproveitar da ocasião para impor controles ainda mais perversos, talvez seja esta nossa última chance. A tremenda desterritorialização em termos da precarização social dela resultante será o indicador mais impiedoso de que, ou nos solidarizamos com os mais frágeis e reconhecemos nosso destino comum, ou perecemos todos juntos, pois o barco, mais do que nunca, revelou-se um só, e está afundando. Não haverá trincheira doméstica ou individual capaz de nos proteger desse naufrágio.

Charles Alcantara: Cada um dá o que tem

Charles Alcantara é auditor Fiscal de Receitas do Estado do Pará e presidente da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco). Publicado originalmente no Portal Vermelho e no Portal da Fenafisco.


Se o país criasse um imposto de apenas 3% ao ano sobre R$ 1,2 trilhão de milionários, seria possível arrecadar R$ 36 bilhões anuais. A bilionária família Marinho defendeu a redução dos salários dos servidores públicos para colaborar com a crise gerada pela pandemia da Covid-19

O Brasil possui 206 bilionários que, juntos, acumulam uma fortuna de mais de R$ 1,2 trilhão.

Esses 206 bilionários pagam proporcionalmente menos impostos que a classe média e os pobres.

Se o país criasse um imposto de apenas 3% por ano sobre a fortuna de R$ 1,2 trilhão, seria possível arrecadar R$ 36 bilhões anuais, valor superior ao orçamento de 1 ano de todo o programa Bolsa-Família.

A soma de toda a riqueza das famílias brasileiras é de cerca de R$ 16 trilhões de reais, estando a quase metade de toda essa riqueza – ou seja, R$ 8 trilhões – nas mãos de apenas 1 % das famílias.

Se o país taxasse o patrimônio trilionário dessas famílias em apenas 1%, seria possível arrecadar R$ 80 bilhões, o que equivale ao valor de toda a receita estimada em 2020 para o Estado de Minas Gerais, o segundo mais populoso do Brasil, com mais de 20 milhões de habitantes.

Façam as contas: R$ 36 bilhões cobrados sobre a renda dos 206 bilionários (+) R$ 80 bilhões cobrados sobre o patrimônio do 1% das famílias mais ricas (=) R$ 116 bilhões.

Esses R$ 116 bilhões a mais nos cofres públicos sequer representam sacrifício para esse punhado de bilionários, mas equivale a praticamente todo o orçamento federal da saúde.

Se chamados a contribuir um pouquinho mais com o país, garanto que nenhum desses bilionários deixaria de frequentar os melhores restaurantes do mundo, satisfazer todos os seus desejos mais extravagantes ou deslocar-se nos seus jatinhos executivos de última geração.

Os donos do jornal O Globo fazem parte dos 206 bilionários e também das famílias brasileiras que detém, juntas, um patrimônio de R$ 8 trilhões.

Em editorial publicado no jornal de sua propriedade, edição desta sexta-feira (20), a bilionária família Marinho defendeu a redução dos salários dos servidores públicos como forma de colaborar com a crise gerada pela pandemia da Covid-19.

A família Marinha não se dispõe a abrir mão de uma parcela insignificante da sua fortuna para ajudar o país, mas se acha no direito de propor que os servidores públicos sejam confiscados em seus salários.

A contribuição em termos monetários que O Globo se dispôs a oferecer ao país num momento tão dramático foi um editorial indigno, desonesto e covarde.

Cada um dá o que tem, não é mesmo?

Nota de repúdio da AGB-Rio ao editorial de O Globo de 20 de março de 2020

Leia o Editorial de O Globo de 20 de março de 2020

Baixe a nota de repúdio em PDF

A AGB-Rio vem a público manifestar o seu repúdio ao irresponsável e nada imparcial editorial do jornal O Globo, de 20 de março de 2020. De mãos dadas com os interesses do atual ministro da Economia do governo Bolsonaro e do capital financeiro, o referido jornal faz coro com a fragilização das condições trabalhistas dos trabalhadores brasileiros. Em vez de realizar um exercício de real compreensão da complexidade e das opções políticas do governo com relação à destinação dos recursos públicos, o jornal propõe a redução dos salários dos servidores públicos neste momento de crise. Com uma cínica argumentação de defesa de justiça, o periódico defende que a cruel medida proposta pelo Governo Federal para o setor privado, de redução salarial, também seja aplicada aos servidores públicos. Ou seja, argumenta por justiça e igualdade no prejuízo aos trabalhadores, chamando os servidores públicos de “intocáveis”, mas esconde os reais intocáveis da atual política de ajuste fiscal, o capital financeiro.

Este editorial ataca os direitos dos trabalhadores sob a retórica de responsabilização dos mesmos a respeito da fragilidade do sistema de saúde brasileiro, e esconde os desdobramentos nefastos à economia que tal medida proposta pelo jornal levaria. É abissal a distância entre tal afirmação e a realidade dos fatos, sobretudo em um país que destina mais de 40% do seu orçamento com juros e amortização da dívida pública (fonte: auditoriacidada.org.br), e figura ainda entre os 10 países do mundo com as maiores taxas de juros reais. O jornal prefere colocar a culpa nos servidores públicos e atacá-los, em vez de apontar que o atual governo com suas reformas liberais favorece os interesses do capital financeiro, não priorizando a geração de postos formais de emprego – o que levaria ao maior recolhimento de impostos, aumento do poder de consumo da população e à “saúde” da economia nacional (e não apenas de uma fração de classe).

Em vez de propor a manutenção (ou construção) de políticas capazes de garantir a saúde, segurança, o emprego e a sobrevivência da população, o jornal defende a retirada de direitos e a penalização de parte significativa dos trabalhadores brasileiros. São esses servidores públicos e sua estabilidade que garantirão o mínimo de condições de funcionamento de estabelecimentos comerciais e dos serviços, pois terão condições de pagar suas contas em dia e poderão continuar pagando seus prestadores de serviços em um contexto em que grande parte da população estará desamparada – pois seus direitos foram por anos seguidos atacados e retirados, sendo jogados em condições de subemprego, negociação direta com os patrões (como se houvesse condições de igualdade nessa negociação), informalidade e, agora, mesmo os que ocupam postos formais de emprego, enfrentarão a possibilidade de redução salarial justificada pela pandemia. Sem o funcionalismo público e a sua estabilidade a economia nacional quebra, e não o contrário.

É sabido que não há imparcialidade no jornalismo, mas deveria haver limites éticos. O referido jornal promove a desinformação quando utiliza um momento de crise e apreensão por uma situação nunca antes vivida em escala global, para capitalizar o medo das pessoas em prol dos interesses privados, defendendo posicionamentos com baixa complexidade analítica.

O estudo Três Décadas de Evolução do Funcionalismo Público no Brasil (1986-2017) mostrou que o pagamento do funcionalismo público representa somente 10,5% do PIB (dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)). Segundo dados do DIEESE, o país está longe de comprometer suas contas por causa da folha de pagamento, pois destina menos de 50% de sua receita corrente líquida à folha da União (limite, determinado pela Lei de Responsabilidade Fiscal). Os dados do Relatório Resumido de Execução Orçamentária de dezembro de 2019 nos mostram que o governo gastou somente 34% da Receita Corrente Líquida da União.

Além disso, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que o Brasil figura entre os países que têm menos servidores públicos em relação ao total de pessoas empregadas e em relação à população economicamente ativa.

Promover o terrorismo com argumentos difamatórios que colocam os servidores públicos como responsáveis pela falência do serviço público de saúde é promover, escancaradamente, mitos liberais que escondem as origens da crise do setor, criada por políticas de enfraquecimento do Estado, em especial a Emenda do Teto de Gastos que enfraquece os serviços públicos e abre caminhos para que o orçamento público reserve mais fatias para a iniciativa privada.

Isto posto, sugerimos que no lugar de criar recursos discursivos para ludibriar a população brasileira colocando-a contra os servidores públicos, destinem sua atenção às reais incongruências da política econômica governamental. Se houver de fato alguma intenção em informar a população, defendam os seus interesses promovendo jornalismo de qualidade e que apresente a complexidade das situações expostas, sem invisibilizar dados que não sustentam os seus argumentos.

Fazer justiça não é generalizar a precarização e a retirada de direitos, fazer justiça é destinar os recursos públicos para amparar a população neste momento de grave crise, em vez de continuar a remunerar regiamente os rentistas.

Fazer justiça é instituir o imposto sobre grandes fortunas (como a da família Marinho) e utilizar estes recursos para fortalecer o SUS e garantir uma renda mínima para cada brasileiro para que ninguém morra por falta de dinheiro para comprar comida, sabonete ou remédio.

Associação dos Geógrafos Brasileiros – Seção Local Rio de Janeiro

COVID-19: XX ENG e o coronavírus

A Diretoria Executiva Nacional da Associação dos Geógrafos Brasileiros acaba de publicar, na noite desta quarta-feira, 18 de março, o seguinte comunicado:

Saudações AGBeanas,

Como sabem o Brasil passa pelo início da pandemia de Covid-19 (Corona Vírus). Até a presente data, em todo território nacional somam-se 372 casos já confirmados pelas secretarias de Saúde dos estados, mais de 2 mil aguardando confirmação e 5 mortes.

Ocorre que a cidade de São Paulo – que vai sediar o XX encontro Nacional de Geógrafas e Geógrafos, previsto para ocorrer entre 13 a 17 de julho na USP – é o epicentro da disseminação (156 casos e 3 mortes) do Covid-19 no país.

A situação é grave e merece que a encaremos com seriedade e responsabilidade. Para manter a segurança de todas/os estamos em constante contato com a USP e seguindo todas as recomendações da Organização Mundial da Saúde, Ministério da Saúde, Governo do Estado de São Paulo, Prefeitura de São Paulo e demais órgãos responsáveis.

Como o encontro ocorrerá em Julho, as recomendações sobre a manutenção ou adiamento do XX ENG tem sido esperar para ver como a pandemia vai evoluir em nosso país. Destacamos, que em caso de adiamento, disponibilizaremos – para aqueles que não puderem participar na nova data – a opção de reembolso da inscrição.

Como primeira medida para não prejudicar as/os futuras/os encontristas, informamos que o prazo para a submissão de resumos para EDPs será adiado para o dia 03 de abril de 2020. Essa medida se justifica pois com as medidas de restrição de deslocamento, muitas seções locais não conseguiram fazer os plantões de associações (e renovações) de 2020.

Ressaltamos que o Encontro Nacional de Geógrafas/os é o maior encontro da Geografia brasileira e continuamos (DEN, Seções Locais e Comissões) nos empenhando na organização do XX ENG. Aproximem-se das Seções Locais, associem-se, inscrevam-se no evento, enviem trabalhos (EDPs), fiquem atentas/os aos prazos e acima de tudo, se cuidem.

Nos próximos dias retornaremos com novas informações.

Esperamos a compreensão de todas(os) e a ouvidoria (no site do ENG) está à disposição em caso de dúvidas.


Atenciosamente,
Coletivo Diretoria Executiva Nacional
2019-2020

COVID-19: Pós-Graduação em Geografia da Unesp-Presidente Prudente organiza seminário virtual

Nesta sexta-feira, 20 de março, com início às 14h, ocorrerá o Seminário Virtual Vigilância em Saúde, COVID-19 e Raciocínio Geográfico com o Prof. Dr. Raul Borges Guimarães.

O seminário será realizado ao vivo pelo canal do YouTube do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UNESP de Presidente Prudente que estará disponível neste link.

ATUALIZAÇÃO (21/03): O Seminário não ocorreu por problemas técnicos. O professor Raul, contudo, gravou uma videoaula, disponível abaixo. O seminário será realizado em outro momento.

COVID-19: DEN cancela 141ª RGC em São Paulo

A Diretoria Executiva Nacional da Associação dos Geógrafos Brasileiros cancelou a 141ª Reunião de Gestão Coletiva, marcada para os dias 10 a 12 de abril, em São Paulo, que trataria, entre outros assuntos, da organização do XX Encontro Nacional de Geógrafos. O evento está marcado para acontecer na mesma cidade, entre 13 e 17 de julho. Leia a nota:


Saudações AGBanas,

Como sabem o Brasil passa pelo início da pandemia de Covid-19 (Corona Vírus), em todo território nacional soma-se 230 casos já confirmados e mais de 2.000 aguardando confirmação.

Quem vem acompanhando a organização da AGB Nacional está ciente que a 141° Reunião de Gestão Coletiva (RGC) ocorreria entre os dias 10 e 12 de abril de 2020 na cidade de São Paulo.

Ocorre que São Paulo é o epicentro da disseminação  (152 casos) do Covid-19 no país e estima-se que nos próximos meses cerca de 40 mil pessoas contrairão o vírus em sua região metropolitana.

A situação é grave e merece que a encaremos com seriedade. Nesse momento é essencial diminuirmos a circulação do vírus e cuidar do bem estar e da saúde dos mais vulneráveis.

A implementação de estratégias de isolamento social estão entre as medidas temporárias e emergenciais de prevenção de contágio pelo Covid -19 de maior eficácia recomendadas pela Organização Mundial da Saúde, Ministério da Saúde, Governo do Estado de São Paulo, Prefeitura de São Paulo e demais orgãos competentes.

Dessa maneira, nós da Diretoria Executiva Nacional em contato com a Seção Local São Paulo seguiremos a recomendação das instituições competentes e acataremos a ideia do isolamento social, portanto, decidimos por adiar a referida RGC.

Os acontecimentos em torno do desenvolvimento da pandemia são muito dinâmicos e no momento não somos capazes de propor um indicativo de nova data.

Porém, ressaltamos que continuamos nos empenhando (DEN, Seções Locais e Comissões) na organização do XX Encontro Nacional de Geógrafas e Geógrafos.

Nos próximos dias retornaremos com novas informações.

Esperamos a compreensão de todas (os) e estamos a disposição em caso de dúvidas.

Atenciosamente,
Coletivo DEN 2019-2020

COVID-19: comunicado sobre o funcionamento da sede da AGB-Campinas

Informamos que o funcionamento de nossa sede está interrompido devido à execução do plano de contingência do Instituto de Geociências da Unicamp. As medidas preventivas preveem o fechamento do edifício de 13 a 29 de março de 2020, em função da suspensão de parte das atividades da Universidade neste período como parte dos esforços frente à pandemia do novo coronavírus (COVID-19).

A comunicação com a Diretoria da AGB-Campinas, especialmente com a Secretaria e a Tesouraria, deverá ser feita pelo e-mail secretaria@agbcampinas.com.br e a quitação de anuidades poderá ser feita conforme instruções publicadas em nossa página.

Diretoria Executiva Local da AGB-Campinas

13 de março de 2020

Envie seu resumo para o XX ENG até dia 18 de março

Informamos que o prazo para envio dos resumos aos espaços de diálogos e práticas (EDP) foi prorrogado até 18 de março de 2020.

Os aceites dos trabalhos aprovados serão divulgados até a data de 05 de abril de 2020.

Saiba mais sobre as normas de submissão dos EDPs, clique aqui.

Atualização: o prazo foi prorrogado novamente até 3 de abril de 2020.

Centro de Memória da Unicamp abre vagas de estágio para estudantes de Geografia!

Estão abertas as inscrições para estágio no Centro de Memória da Unicamp (CMU), entre os dias 09/03/2020 a 23/03/2020. O Processo seletivo 33/2020 prevê uma vaga. Podem se candidatar estudantes do curso de e Geografia, História, Letras, Linguística, Estudos Literários , em Instituição de Ensino Superior reconhecida pelo MEC, que no 1º semestre do ano de 2020 esteja cursando a partir do 2º semestre do curso.

O estágio tem duração de um ano, podendo ser prorrogado por mais um, com dedicação de 20 horas semanais e remuneração de R$ 601,43 (seiscentos e um reais e quarenta e três centavos), além de auxílio transporte.

As atividades de estágio envolvem conservação e preservação de documentos, digitalização de documentos, atendimento a pesquisadores, descrição, organização de documentos e inserção das descrições em base de dados

Acesse o edital.

Comunicado sobre inscrições no XX ENG: inscreva-se agora, pague depois!

INSCREVA-SE NO XX ENG > ENVIE SEU RESUMO > ASSOCIE-SE À AGB-CAMPINAS > ALTERE SUA MODALIDADE DE PARTICIPAÇÃO > PAGUE A INSCRIÇÃO NO EVENTO COM DESCONTO

Prezada comunidade geográfica:

em razão da grande procura para quitação de anuidade deste ano junto a esta seção local, a AGB-Campinas informa que é possível fazer a inscrição no XX Encontro de Geógrafas e Geógrafos e submissão de resumos antes do pagamento da anuidade de 2020 (saiba como se associar neste link).

Para isso, quem tiver interesse em participar do maior evento da Geografia brasileira deverá fazer sua inscrição informando inicialmente o CPF nesta página.

Deverá, em seguida, escolher a modalidade “Não Associados” e informar demais dados pessoais como RG, nome completo, gênero, titulação, situação profissional, CEP e município de residência e e-mail. Neste momento, poderá optar também pela inscrição ou não do resumo — o prazo para submissão é até 18 de março.

Os dados de acesso (login e senha) serão enviados por e-mail.

Posteriormente, o encontrista associado deverá acessar a Área do Inscrito.

Caso não tenha recebido, basta clicar em “Esqueci minha senha” e informar e-mail ou CPF.

Poderá, caso não o tenha feito, submeter o resumo e aguardar uma data oportuna para realizar a associação conosco — não deixe, contudo, para a última hora.

Após o login na Área do Inscrito, entre as opções disponíveis, basta clicar em “Alterar modalidade de participação”, selecionar a modalidade correspondente (Professores da Educação Básica, Estudante de Graduação, Estudante de Pós-Graduação e Demais Associados), escolher a Seção Local Campinas e informar o número de talonário junto com uma foto do mesmo.

Depois, é só fazer o pagamento via PagSeguro com o desconto e garantir sua inscrição!

Diretoria Executiva Local da AGB-Campinas

11 de março de 2020

Fórum Popular da Natureza em Campinas: 11/03 às 19h na Adunicamp

Na noite desta quarta-feira, dia 11 de março, acontecerá na sede da Adunicamp (Avenida Érico Veríssimo, 1479, campus da Unicamp em Campinas) o Diálogo sobre a dimensão popular da luta ambiental. Na programação, estão em pauta: a análise de conjuntura a partir da mineração e do agronegócio; a luta popular ambiental e a construção de alternativas; diálogo sobre futuros possíveis; e encaminhamentos e lançamento do Núcleo Campinas do Fórum Popular da Natureza (FPN).

Adiado: Seminário Internacional “Integração de metodologias na mensuração de riscos e vulnerabilidade social” em Campinas, nos dias 26 e 27 de março de 2020

COMUNICADO: CANCELAMENTO DO SEMINÁRIO INTERNACIONAL INTEGRAÇÃO DE METODOLOGIAS NA MENSURAÇÃO DE RISCOS E VULNERABILIDADE SOCIAL


Em atenção às recentes orientações das autoridades sanitárias de diversos países relacionadas ao coronavírus (COVID-19) e por orientação expressa da CAPES, este evento está suspenso e será realizado em outra data a ser definida. Agradecemos a compreensão. Os organizadores

10 de março de 2020

O Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas sediará nos dias 26 e 27 de março, quinta e sexta-feira, o Seminário Internacional Integração de metodologias na mensuração de riscos e vulnerabilidade social.

O evento, vinculado ao projeto de cooperação internacional Capes/PrInt “Análise dos componentes naturais e das suas transformações”, coordenado pela Profa. Regina Célia de Oliveira e pelo Prof. Raul Reis Amorim, tem como objetivo promover a discussão de temas relacionados ao panorama da vulnerabilidade social no Brasil somado às experiências apresentadas sob diferentes enfoques e localidades na América Latina, Caribe, Europa e Estados Unidos.

As inscrições são gratuitas e serão feitas no próprio local, na manhã do dia 26 de março.

Entre os debatedores e palestrantes estão professores e pesquisadores do Departamento de Geografia da Unicamp e do Estado de São Paulo, do México, de Cuba, de Portugal e dos Estados Unidos.

Minicurso: Circulação, transporte e logística como atributos da competitividade entre os territórios – Prof. Márcio Rogério Silveira

O objetivo do minicurso é apresentar e discutir os temas circulação, transportes e logísticas no contexto das revoluções logísticas, destacando a competitividade entre os territórios em diferentes escalas e períodos históricos. Destaca-se, portanto, no Brasil, a discussão sobre a importância dos sistemas de transportes – com destaque para a logística, as normas e a tributação – como elementos da “disputa por maior competitividade entre os territórios”, por meio da ampliação da fluidez.

O minicurso será ministrado pelo Prof. Dr. Márcio Rogério Silveira, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), durante os dias 10, 11 e 12 de março de 2020, sempre entre as 14h e 18h e tem como público-alvo alunos de graduação e pós-graduação.

As inscrições são gratuitas, mas os lugares são limitados! Portanto, faça o quanto antes a sua inscrição.

Os participantes do curso receberão certificados.

INSCREVA-SE AQUI

Obs.: O minicurso ocorrerá no prédio do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp, na Rua Carlos Gomes, 250. As salas onde ele acontecerá será divulgado em breve neste portal.

O programa do minicurso, contendo os planos de aula e bibliografia utilizada pode ser consultado no PDF abaixo.

Mini-Curso_Logistica

Fórum de Reforma Urbana lança dossiê sobre desmonte da política urbana nacional

Os graves retrocessos da política urbana brasileira recentes são objeto de um novo dossiê lançado hoje (8/2) pelo Fórum Nacional de Reforma Urbana na Habitat Brasil, em Recife. O documento “Dossiê do Desmonte da Política Urbana Federal nos Governos Temer e Bolsonaro e seus Impactos Sobre as Cidades” denuncia o desmonte da política urbana federal e o impacto da política de austeridade fiscal e da política conservadora sobre as cidades.

O dossiê foi organizado por Orlando Alves dos Santos Jr. (Observatório das Metrópoles), Tânia Maria Ramos de Godoi Diniz (Conselho Federal de Serviço Social – CFESS) e Nelson Saule Junior (Instituto Polis). Ele aborda o desmonte da política de promoção do direito à cidade e da reforma urbana sob os seus diversos temas, sinalizando seus impactos sobre as cidades e a sobre a vida das pessoas que são cotidianamente marginalizadas e criminalizadas por lutar pelo direito de morar e de participar democraticamente das cidades.

Acesse ou baixe o Dossiê completo!

Capa do Dossiê do FNRU que denuncia desmonte das políticas urbanas nacionais.

O documento está organizado em sete capítulos:

  1. A inflexão conservadora e seus impactos na gestão democrática das cidades
  2. A Política Nacional de Moradia: breve panorama do ciclo recente e os desafios da nova conjuntura
  3. A luta pela terra, conceitos e regularização fundiária: a inflexão a partir do golpe de 2016 e as perspectivas atuais
  4. A inflexão ‘ultraliberal’ alcança as águas e o saneamento
  5. A política de austeridade e as ameaça ao direito à mobilidade urbana
  6. A inflexão conservadora e o aumento das desigualdades de renda e da pobreza urbana
  7. As violações de direitos humanos na perspectiva dos pactos internacionais, da nova agenda urbana e dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)

O documento faz parte das ações do Fórum Nacional de Reforma Urbana (FNRU). O Fórum é uma articulação nacional que reúne movimentos populares, sociais, ONGs, associações de classe e instituições de pesquisa com a finalidade de lutar pelo direito à cidade, modificando o processo de segregação social e espacial para construirmos cidades verdadeiramente justas, inclusivas e democráticas. O FNRU está organizado nas cinco regiões do país e atua desde 1987. A Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) faz parte dessa articulação.

Roda de diálogo de entidades e movimentos populares, realizada em Recife, marcou o lançamento do Dossiê do Desmonte da Política Urbana Federal nos Governos Temer e Bolsonaro e seus Impactos Sobre as Cidades.

2ª chamada: Comissão Científica do XX Encontro Nacional de Geógrafos (São Paulo, 13 a 17 de julho de 2020)

A Diretoria Executiva da Associação dos Geógrafos Brasileiros – Seção Campinas – abre segundo período da chamada para cadastro de interessados(as) em participar da Comissão Científica do XX Encontro Nacional de Geógrafos, que acontecerá na Universidade de São Paulo (Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, São Paulo, SP) de 13 a 17 de julho de 2020.

Conforme deliberação da Assembleia da Seção Local, os indicados para a Comissão Científica deverão:

– possuir titulação mínima de bacharel(a) ou licenciado(a) em Geografia e estar cursando a pós-graduação;
estar quite com a anuidade da AGB-Campinas no ano de 2020.
– preencher formulário específico até o dia 14/02/2020.

Os membros da Comissão Científica deverão avaliar os resumos enviados para apresentação nos Espaços de Diálogo e Práticas (EDPs), conforme instruções que serão encaminhadas oportunamente.

Diretoria Executiva Local
Associação dos Geógrafos Brasileiros – Seção Campinas
6 de fevereiro de 2020

Convocatória: Assembleia ordinária, 06/02/2020, às 17h30

Prezados(as) associados(as),

a Diretoria Executiva da Seção Local de Campinas da Associação dos Geógrafos Brasileiros convoca assembleia geral local ordinária a ser realizada no dia 06 de fevereiro de 2020 (quinta-feira), às 17 horas e 30 minutos em primeira chamada e às 17 horas e 45 minutos em segunda chamada, sala 211 do Instituto de Geociências da Unicamp (Rua Carlos Gomes, 250, Cidade Universitária, Campinas), para discussão da seguinte pauta:

Informes

Ordem do Dia

  1. Mudança de sede da AGB-Campinas
  2. 140ª Reunião de Gestão Coletiva (Niterói, 17 a 19 de janeiro de 2020)
  3. Comissões do XX ENG
  4. Calendário de atividades do 1º semestre de 2020
  5. Outros assuntos

Diretoria Executiva Local


Documentos

Sumário Executivo da 140ª RGC (Niteroi, 17 a 19 de janeiro de 2020)

Cursinhos populares em Campinas e região abrem inscrições para 2020

Atualizado em 14/01/2020

A Associação dos Geógrafos Brasileiros – Seção Campinas preparou um levantamento dos cursinhos pré-vestibulares e pré-vestibulinhos populares de Campinas e região que estão ativos em 2020, muitos dos quais já estão com inscrições abertas neste início de ano.

São cursos totalmente gratuitos ou com taxas de manutenção módicas. Em comum, está a missão de contribuir para a democratização do ensino superior.

Navegue no mapa acima para ver a localização e o contato de cada cursinho.

Caso queira atualizar alguma informação desta postagem, entre em contato por secretaria@agbcampinas.com.br


Cursinho Popular de Vinhedo: inscrições prorrogadas até 13/01

O Cursinho Popular de Vinhedo está com inscrições abertas até dia *13 de Janeiro* para a turma de 2020! Você que sonha…

Posted by Cursinho Popular de Vinhedo on Monday, January 6, 2020

Dandara dos Palmares (São Marcos): inscreva-se já

[INSCRIÇÕES ABERTAS] A partir de hoje estão abertas as inscrições para a turma de 2020.Para se inscrever,…

Posted by Cursinho Popular Dandara dos Palmares on Tuesday, November 5, 2019

Emancipa Toninho (Unicamp): inscrições até 17/01

Atenção! O período de inscrições está acabando!Para se inscrever, basta preencher o formulário no link…

Posted by Emancipa Toninho Campinas on Tuesday, January 7, 2020

Herbert de Souza (Vila União): inscrições abertas e matrícula a partir de 20/01

A espera acabou!! O processo de inscrições para o cursinho vão começar e você não pode perder.Se liga!! Antes de ir ao…

Posted by Cursinho Alternativo Herbert de Souza on Monday, January 6, 2020

Identidade Popular (Jardim Amazonas, próximo à Band e EPTV): inscrições até 19/02

Maloca (Vila União): inscrições de 14/01 a 14/02

ABRIMOS hoje as inscrições para o cursinho popular GRATUITO pré vestibular da Maloca Arte e Cultura.Confira no post…

Posted by Maloca Arte e Cultura on Tuesday, January 14, 2020

Marielle Franco (Centro de Referência LGBT, próximo à E. E. Culto à Ciência, Botafogo): inscrições abertas e início das aulas em 02/03

Há várias formas de se inscrever no cursinho: por e-mail, whatsapp ou presencialmente no @cr.lgbt, você escolhe o que…

Posted by Cursinho Popular Marielle Franco on Friday, January 3, 2020

STU (Unicamp): inscrições de 15/01 a 15/02

Estão abertas as inscrições para o Processo Seletivo do 1º semestre de 2020 !!!! Quem tiver interesse em concorrer…

Posted by Cursinho Popular STU on Wednesday, January 15, 2020

TRIU: inscrições abertas e avaliação diagnóstica em 17/02

Chegou o momento mais esperado do ano! Inscrições para o cursinho triu 2020 abertas no site: www.cursinhotriu.com.br Compartilhem!!!

Posted by Cursinho Triu on Monday, December 16, 2019

Vida Nova: inscrições abertas

Estudar é a base da realização dos teus sonhos!Link para inscrição onlinehttps://forms.gle/beuLWN4FpiefYLSDA

Posted by Coletivo Vida Nova on Wednesday, January 1, 2020

Zilda Arns (Unicamp): inscrições prorrogadas até 15/01

Prorrogamos o final das nossas inscrições para 15/01/2020! Não perca essa oportunidade e se inscreva no site www.cursinhozilda.com

Posted by Cursinho Popular Zilda Arns on Saturday, January 11, 2020

Convocatória: Assembleia ordinária, 09/12/2019, às 17h30

Prezados(as) associados(as),

a Diretoria Executiva da Seção Local de Campinas da Associação dos Geógrafos Brasileiros convoca assembleia geral local ordinária a ser realizada no dia 09 de dezembro de 2019 (segunda-feira), às 17 horas e 30 minutos em primeira chamada e às 17 horas e 45 minutos em segunda chamada, sala 209 do Instituto de Geociências da Unicamp (Rua Carlos Gomes, 250, Cidade Universitária, Campinas), para discussão da seguinte pauta:

Informes

  1. Apresentação e aprovação do Relatório de Contas da Gestão 2017-2019
  2. Discussão e definição das propostas da AGB-Campinas para as mesas-redondas do ENG 2020
  3. Debate a aprovação dos demais pontos da convocatória da 140ª RGC
  4. Eleição de delegados da AGB-Campinas para a 140ª RGC

Diretoria Executiva Local


Documentos

Convocatória: Assembleia ordinária, 03/12/2019, às 17h30

Prezados(as) associados(as),

a Diretoria Executiva da Seção Local de Campinas da Associação dos Geógrafos Brasileiros convoca assembleia geral local ordinária a ser realizada no dia 03 de dezembro de 2019 (terça-feira), às 17 horas e 30 minutos em primeira chamada e às 17 horas e 45 minutos em segunda chamada, sala 209 do Instituto de Geociências da Unicamp (Rua Carlos Gomes, 250, Cidade Universitária, Campinas), para discussão da seguinte pauta:

Informes

  1. Propostas de recriação de GTs da AGB-Campinas
  2. 2ª Plenária do Fórum Popular da Natureza (São Paulo, 30/11/2019)
  3. Apoio da AGB-Campinas à Semana de Geografia da Unicamp de 2020

Diretoria Executiva Local

30/11: Colóquio de Iniciação Científica em Geografia do Cotuca/Unicamp

O Departamento de Humanidades e o PIBIC-EM de Geografia do Colégio Técnico de Campinas (Cotuca) organizam o Colóquio de Iniciação Científica em Geografia do Cotuca/Unicamp neste sábado, dia 30/11, na sede da Associação de Docentes da Unicamp (ADUnicamp), na Avenida Érico Veríssimo, 1479, no campus da Unicamp em Barão Geraldo, Campinas.

A programação tem início às 13h30. A abertura será feita com o MC Dr. Renan Inquérito, que fará a apresentação O relevo da voz: um grito geográfico de atrito e resistência.

A programação segue com a roda de conversa Perspectivas das/dos estudantes sobre a formação científica no Ensino Médio, com as alunas do PIBIC-EM Geografia do Cotuca e com a apresentação das pesquisas realizadas no Cotuca com orientação do Prof. Dr. André Pasti, vice-diretor da AGB-Campinas.

Às 18h, haverá a mesa-redonda A cidade tem gênero? com Isadora Garcia, mestranda em Planejamento Urbano e Regional na UFRJ e Malu de Barros, da coletiva Terra Preta, e mediação da doutoranda Jéssica Cecim, do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Unicamp.

Aula aberta “A América Latina em Chamas: as políticas neoliberais e as manifestações populares no Chile em 2019”

A AGB-Campinas, o Geoplan e a Pós-Graduação em Geografia da Unicamp convidam para a aula aberta “A América Latina em Chamas: as políticas neoliberais e as manifestações populares no Chile em 2019”, com o professor Fabián Almonacid Zapata, da Universidad Austral de Chile de Valdivia.

A aula acontece no Auditório do Instituto de Geociências no dia 05/12/2019 (quinta-feira), a partir das 19 horas.

Fotografia do cartaz: Susana Hidalgo

Atualização: a aula foi transmitida ao vivo pelo Facebook e está disponível na íntegra em nosso canal do YouTube, a seguir:

Morre o geógrafo goiano João Alves de Castro, o Fiinho

Faleceu neste domingo, 24 de novembro de 2019, o professor João Alves de Castro, o Fiinho, agebeano fundador da Seção Goiânia, professor emérito da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (cujo Centro Acadêmico de Geografia recebe seu nome) e Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Goiás.

Em fotografia recente, de Delduque Caetano Pereira, ao lado de Izú Feitosa

texto de Euler de França Belém, publicado no Jornal Opção

Na década de 1980, o mestre contribuiu para formar uma geração de historiadores e geógrafos críticos e preparados para interpretar o mundo

No início da década de 1980, com a ditadura civil-militar ativa, os movimentos sociais e políticos praticamente renasciam. A sociedade ganhava vida, pulsava. Nas universidades, notadamente na Universidade Federal de Goiás (UFG) e na Universidade Católica de Goiás (UCG, hoje PUC), o movimento estudantil era forte (imperavam grupos liderados pelo PC do B, Viração, PCB, Unidade, e PT, além das correntes trotskistas (fortes na Arquitetura em parte da Geografia). Os professores eram, no geral, de esquerda. Nas ciências humanas da Católica, pontificavam mestres categorizados como o padre espanhol Luis Palacín (grande mestre, não era de esquerda, que dava aulas num portunhol às vezes difícil de entender), Maria Amélia (outra mestre de excelente qualidade), José Carlos Debrey, Wilson Ferreira da Cunha (que havia chegado da União Soviética havia pouco tempo. O mestre em Antropologia se formara lá), Nasr Chaul (ainda um garoto, mas sábio), Goiás do Araguaia Leite (da economia, outro grande mestre) e João Alves de Castro (brilhante professor de “Geografia Humana” — algo assim). Naquela época, os alunos estudavam, discutiam e participavam com intensidade. Todos queriam participar da reconstrução democrática do país. Eram tempos radicais — a turma do PC do B, por exemplo, não tolerava as turmas do PCB e do PT. Os comunistas do B eram tachados de stalinistas e “albaneses”. E eles rotulavam o PCB de reformista e o PT de socialdemocrata (naquele tempo, um “xingamento” dos mais fortes).

João Alves de Castro, conhecido por todos como Fiinho, era, naturalmente, de esquerda. Mas não de uma esquerda ortodoxa. Pelo contrário, era aberto ao debate com os alunos e apreciava quando divergiam a respeito de determinados temas. Era, acima de tudo, um grande professor. É de duvidar que alguns de seus alunos tenham esquecido de suas, digamos, palestras, orientações e dicas de leitura. Ele contribuía para que o alunado, que mais tarde seria professor, redescobrisse o mundo, para que o percebesse de maneira mais ampla. Fiinho propugnava pela formação de um estudante crítico, mas crítico não apenas no sentido de querer substituir o capitalismo pelo socialismo. Ele ficava contente, isto sim, quando percebia que o aluno era capaz de interpretar o mundo real e, sobretudo, de pensar pela própria cabeça. Era mais “aberto” do que os marxistas tradicionais.

Os alunos de Fiinho o adoravam. Porque, depois de suas aulas, o mundo “deixava” de ser o mundo em que eles viviam antes. O mundo era visto, a partir de então, de maneira mais ampla — integrada pela economia e, eventualmente, pela política. O mundo, às vezes escuro e sombrio, ficava mais claro — dada a interpretação luminosa do mestre. Leitor (e intérprete) de Karl Marx — mas sem dogmatismo — e de Milton Santos, o notável geógrafo (praticamente um pensador) brasileiro, compartilhava o que havia de melhor e mais moderno em termos do estudo de Geografia — que conectava com mestria com História e outros saberes (como economia política).

Alunos de Fiinho — Antônio Luiz de Souza (o mais brilhante de todos), Sérgio Murillo de Souza, Heloísa Capel, entre tantos outros (fui um deles) — sabem que a morte de Fiinho deixa uma lacuna na universidade. Mas não só. Fiinho era um grande indivíduo, solidário e tinha um humor refinado — por isso deixa uma lacuna na vida de muita gente. O mestre era um homem de bem e do bem. Um homem bom — que sempre quis um mundo melhor para todos (não só para os proletários). Sobretudo, era um democrata.

Fiinho estava doente, convalesceu e morreu na madrugada de domingo, 24. Ele foi enterrado no Jardim das Palmeiras.

Convocatória: Assembleia ordinária, 19/11/2019, às 17h30

Prezados(as) associados(as),

a Diretoria Executiva da Seção Local de Campinas da Associação dos Geógrafos Brasileiros convoca assembleia geral local ordinária a ser realizada no dia 19 de novembro de 2019 (terça-feira), às 17 horas e 30 minutos em primeira chamada e às 17 horas e 45 minutos em segunda chamada, sala 211 do Instituto de Geociências da Unicamp (Rua Carlos Gomes, 250, Cidade Universitária, Campinas-SP), para discussão da seguinte pauta:

Informes

  1. Informes gerais
  2. Reunião de Gestão Coletiva Extraordinária (São Paulo, 2-3/11/2019)
  3. Fórum de GTs de Assuntos Agrários da AGB (Recife, 14/11/2019)
  4. 2ª Plenária do Fórum Popular da Natureza (São Paulo, 30/11/2019)

Diretoria Executiva Local

Há 60 anos, ao lado de Jorge Amado, a AGB foi a primeira ganhadora do Prêmio Jabuti

por Gustavo Teramatsu

Jorge Amado, em foto de autoria desconhecida

SÃO PAULO, NOVEMBRO DE 1959 – Na noite do dia 25, em sua sede no décimo andar do Edifício Andradas, na Avenida Ipiranga, 1267, a Câmara Brasileira do Livro distribuiu os troféus do recém-criado Prêmio Jabuti para os destaques literários mais recentes. A ocasião ficou marcada especialmente pela coroação de Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado (1912-2001), best-seller publicado no ano anterior que levou o prêmio na categoria Romance, cuja importância para a literatura brasileira seria confirmada com o passar dos anos. Pouco tempo depois, em 1961, Amado seria eleito para a Academia Brasileira de Letras. E a “crônica de uma cidade do interior” ganhou o país e o mundo, em adaptações para a televisão e traduções em mais de trinta idiomas.

A geógrafa Gabriele Caricchio Ferreira, em TCC inédito defendido na Unicamp sobre as dimensões geográficas implícitas no romance, a produção intelectual de Jorge Amado “contribuiu para que a sociedade se transformasse de forma crítica, não apenas através de seu ativismo político, mas, principalmente, pela disseminação implícita da crítica social por meio da circulação de seus romances”.

Em sua leitura, o escritor baiano “constrói a sua trama de modo a demonstrar o impacto nos costumes, ideias e valores da sociedade de Ilhéus pela modernização processada por meio das transformações das estruturas sócio-produtivas do coronelismo sob a prosperidade do cultivo do cacau”. E, do ponto de vista da Geografia, a obra discute temas como planejamento e urbanização a partir da decadência da economia agrário-exportadora e o surgimento de uma economia urbano-industrial, as desigualdades regionais e o processo de migração.

* * *

Naquela noite de novembro, a Seção Regional de São Paulo da Associação dos Geógrafos Brasileiros também saiu premiada. A Cidade de São PauloEstudos de Geografia Urbana venceu na categoria Ensaios.

A indicação foi da comissão formada por José Aderaldo Castello (1921-2011), Caio Prado Junior (1907-1990) e Ernani Silva Bruno (1912-1986). Caio Prado Junior, fundador da AGB, ao lado de Antonio D’Elia e Sergio Milliet (1898-1966), também havia feito parte da comissão que escolheu a estatueta de bronze de Bernardo Cid de Souza Pinto (1925-1982) como símbolo das premiações.

Planejada, ainda no fim da década de 1940, para ser publicada em janeiro de 1954, nas comemorações do Quarto Centenário da cidade de São Paulo, a premiada obra veio à luz apenas em outubro de 1956, por iniciativa de Aroldo de Azevedo (1910-1974), em quatro volumes pela Companhia Editora Nacional, com 1400 páginas e mais de trezentas ilustrações, fazia parte da Coleção Brasiliana.

“O melhor do grande edifício bibliográfico que os geógrafos da Universidade de São Paulo puderam dar à Geografia Brasileira nesses últimos anos”, nos dizeres de Aziz Ab’Sáber, em 1960, e “ainda a melhor obra coletiva sobre São Paulo”, na avaliação da geógrafa Sandra Lencioni, em 2012.

As obras dirigidas por Aroldo de Azevedo, para a geógrafa, “atestam a sua capacidade de integrar facetas de um determinado tema envolvendo vários autores. Capacidade esta pouco presente nas inúmeras obras atuais nas quais se reúnem vários textos de diferentes autores que não passam de uma verdadeira somatória de textos que, mesmo interessantes e importantes para o conhecimento, são desintegrados entre si revelando a ausência de um plano comum e integrado metodologicamente, situando-se apenas no nível da composição temática”.

E conclui: “A sabedoria na incorporação de cada elemento do conjunto de uma obra não se constitui num texto em si, muito embora fale por si mesma e permita olhar além das linhas. De certa forma, a construção de uma obra coletiva é como a construção de uma casa, requer um projeto de integração entre as partes, guardando a independência de cada parte”.

Assinam os capítulos, em ordem alfabética, todos sócios da AGB e geógrafos da Universidade de São Paulo, Antonio Rocha Penteado, Aroldo de Azevedo, Ary França, Aziz Nacib Ab’Sáber (1924-2012), Dirceu Lino de Mattos, Elina de Oliveira Santos, Emilia Viotti da Costa (1928-2017), Fernando Flávio Marques de Almeida (1916-2013), José Ribeiro de Araújo Filho, Maria de Lourdes Pereira de Sousa Radesca, Odilon Nogueira de Matos, Pasquale Petrone, Raul de Andrada e Silva, Renato da Silveira Mendes. Colaborou ainda João Soukup, que fora cartógrafo do antigo Império Austro-Húngaro.

Reprodução do sumário da obra

A Semana do Livro Geográfico de 1959

Correio da Manhã, n 20302, ano 56, p. 2, edição de 4 de junho de 1959

Mais cedo naquele ano de 1959, no início de junho, Aroldo de Azevedo esteve no Rio de Janeiro, durante a 1ª Semana do Livro Geográfico, organizada pelo Conselho Nacional de Geografia, para o lançamento de A Cidade de São PauloEstudos de Geografia Urbana na Livraria Civilização Brasileira, em coquetel com a presença de Américo Jacobina Lacombe (1909-1993). Na Semana, também foi lançada a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros.


Os geógrafos e o Jabuti

Jabuti na sede da Associação dos Geógrafos Brasileiros, na Universidade de São Paulo. Foto: Paulo Rufino/AGB-Campinas

Não há notícia de que tenha havido outras edições da Semana do Livro Geográfico. O Prêmio Jabuti, contudo, ampliou-se e chega à 61ª edição neste ano de 2019. Além da equipe de São Paulo, coordenada por Aroldo de Azevedo por meio da AGB, outros geógrafos receberam o prêmio, em diferentes momentos.

Em 1986, a geógrafa Magda Adelaide Lombardo (1951-) levou o Jabuti na categoria Ciências (Tecnologia) pelo livro llha de Calor nas Metrópoles: o Exemplo de São Paulo (Hucitec, 1985), decorrente de sua pesquisa de doutorado em Geografia Física na USP, orientado pelo professor José Roberto Tarifa (1946-).

Em 1997, os geógrafos Aziz Nacib Ab’Sáber e Milton Santos (1926-2001) fizeram dobradinha e foram agraciados com os prêmios Jabuti em Ciências Humanas pela publicação dos livros Amazônia: do Discurso à Práxis (Edusp, 1996) e A Natureza do Espaço (Hucitec, 1996).

Naquele mesmo ano, Jurandyr Ross (1947-) levou o prêmio na categoria de livros didáticos de 1º e 2º graus pela publicação de Geografia do Brasil (Edusp, 1996). Na mesma categoria, o casal Maria Madalena Cavalcanti Lacerda e Gilberto Giovannetti foram premiados pelo Dicionário de Geografia da Editora Melhoramentos.

Em 2001, Marcelo Lopes de Souza (1963-) foi vencedor na categoria Ciências Humanas pela publicação do livro O Desafio Metropolitano: um Estudo sobre a Problemática Sócio-Espacial nas Metrópoles Brasileiras (Bertrand Brasil, 2000).

Em 2002, aconteceu uma nova dobradinha nas Ciências Humanas, com O Brasil: Território e Sociedade no Início do Século XXI, de Milton Santos e María Laura Silveira (1965-) (Record, 2001) e Espaço-Tempo na Metrópole (Contexto, 2001), de Ana Fani Alessandri Carlos (1952-), fruto de sua tese de livre-docência.

Naquele ano, na categoria “Didático 1° e 2° Graus”, venceu o Atlas Geográfico Escolar de Juiz de Fora, publicado em 2001 pela Editora UFJF, de autoria de Valéria Trevizani Burla de Aguiar (1951-). Valéria, estudiosa dos atlas escolares, fez uma tese de doutorado na Unesp de Rio Claro orientada por Livia de Oliveira e é uma referência no assunto.

Em 2003, O País Distorcido (Publifolha, 2002), coletânea de textos publicados por Milton Santos na Folha de S. Paulo entre 1981 e 2001, ganhou o prêmio na categoria Capa, produzida pela designer Paula Astiz – um retrato em close-up do geógrafo baiano. E o Atlas Geográfico Melhoramentos – edição de 2002 do famoso atlas do Padre Geraldo José Pauwels (1883-1960) – ganhou menção honrosa na categoria Didático do Ensino Fundamental e Médio.

Em 2005, São Paulo – Ensaios Entreveros, de Aziz Ab’Sáber (Edusp, 2004) foi vencedor na categoria Ciências Humanas.

Neste ano de 2019, Roberto Marques Neto (1978-) está entre os finalistas na categoria Ciências, com o livro Zoogeografia do Brasil: a fauna, a paisagem e as organizações espaciais, publicado pela editora CRV. Em 2015, Marcos César Ferreira (1957-), do Departamento de Geografia da Unicamp, foi finalista na categoria Engenharias, Tecnologias e Informática com Iniciação à análise geoespacial (Editora da Unesp, 2014).

A Geografia no Prêmio Jabuti

Abertura da exposição “Giro Fotográfico” + roda de conversa “O uso da fotografia em sala de aula” : 11/11 às 18h30

Estão todxs convidadxs para a inauguração da exposição Giro Fotográfico – Capturando a cidade: cor, forma e movimento nesta segunda-feira, dia 11 de novembro, às 18h30, no Saguão do Instituto de Geociências da Unicamp (Rua Carlos Gomes, 250 – Cidade Universitária Zeferino Vaz).

Os autores das fotografias Carol Chiodi, Clayton Silva, Matheus Ferreira e Mauricio Moysés participarão de uma roda de conversa com a doutoranda Jéssica Cecim, do Ateliê de Pesquisas e Práticas em Ensino de Geografia (APEGEO), com o tema O uso da fotografia e outras práticas em sala de aula.

A atividade, organizada pelo Laboratório de Investigações Geográficas e Planejamento Territorial (Geoplan) do Departamento de Geografia da Unicamp, tem apoio financeiro e institucional da AGB-Campinas.

Unicamp recebe o 3º Simpósio Internacional de Geografia do Conhecimento e da Inovação

Com o tema Cidades, inovação e desigualdades socioespaciais: sentidos e futuro da urbanização, o 3º Simpósio Internacional de Geografia do Conhecimento e da Inovação (SIGCI) será realizado de 6 a 8 de novembro, no Instituto de Geociências (IG) e no Instituto de Economia (IE).

A abertura oficial do evento ocorre, às 9 horas no Auditório “Zeferino Vaz” do IE. [Acesse a programação]. O objetivo do evento é contribuir para a promoção e sistematização no país do debate sobre a relação entre inovação e território numa perspectiva inter e multidisciplinar. A partir do tema do evento, busca-se aprofundar em uma análise sobre a inovação no espaço urbano com um viés tanto da competitividade quanto da inovação inclusiva. O Simpósio tem como público-alvo pesquisadores, estudantes de graduação e de pós-graduação e professores. Mais detalhes no site https://iiisigciunicamp.wixsite.com/sigci

O objetivo do evento é contribuir para a promoção e sistematização no país do debate sobre a relação entre inovação e território numa perspectiva inter e multidisciplinar. A partir do tema do evento, busca-se aprofundar em uma análise sobre a inovação no espaço urbano com um viés tanto da competitividade quanto da inovação inclusiva. O Simpósio tem como público-alvo pesquisadores, estudantes de graduação e de pós-graduação e professores.

Minicursos da XII Semana de Geografia da Unicamp: dia 6/11

A Comissão Organizadora da XII Semana de Geografia da Unicamp divulgou a relação de minicursos que serão oferecidos na noite de quarta-feira, dia 6 de novembro, no Instituto de Geociências da Unicamp.

Cada curso tem 25 vagas e não são necessárias inscrições prévias. Basta comparecer à sala indicada, no horário de início do curso!

Folhas Sagradas – Fitoterapia e Ancestralidade

com Vinícius Cassiolato. Sala IG209, às 10 horas

Por meio de roda de conversa e experiências práticas com o reino vegetal, o mini-curso “Folhas Sagradas – Fitoterapia e Ancestralidade” tem como objetivo possibilitar o primeiro passo para a reconexão com a sabedoria das plantas. Tendo como base a oralidade e bibliografias específicas, iremos ao encontro da sabedoria de nossos ancestrais assim como as suas relações fitoterápicas.A vivência perpassará por histórias milenares perpetuadas pelas Casas de Axé, dinâmica de reconexão “Ciranda de Ossaim”, aspectos da Cosmovisão Africana, transição continental de plantas sagradas, plantio, colheita e experimentação prática no preparo de Chás, Banhos, Tinturas e Sprays.

Cidades Includentes: O dever de desguetização da população negra. Estudo cruzado entre Campinas, Brasil e Cidade do Cabo, África do Sul

com Waleska Miguel Batista. Sala IG214, às 19 horas

A Agenda da ONU/Habitat III recomenda que as cidades sejam includentes, buscando, por meio de planejamento urbano a eliminação de todos os tipos de desigualdades sociais, incluído aqui, de forma explícita, o racismo. Brasil e África do Sul possuem similaridades no que respeita a segregação socioespacial segundo critérios étnicos, já que ambos os países parecem possuir o racismo como um fundamento de suas relações sociais, o que contraria os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU/Habitat, especificamente, o ODS número 11, de tornar as cidades racialmente includentes. Apresenta-se o estudo de caso cruzado envolvendo a apartação socioespacial de Campinas (Brasil) e Cidade do Cabo (África do Sul), para o fim de analisar a segregação territorial e o dever do Estado de desguetização da população negra por meio de planejamento urbano.

Territorialidade da fronteira e novos agentes de novos lugares: uma contribuição ao estudo da fronteira do Haiti e da República Dominicana

com Guerby Sainte. SalaIG 211, às 19 horas

Breve resumo: Este minicurso tem como objetivo analisar a produção de ideias sobre o crescimento de uma região ocorre em ambiente marcado pelas origens históricas, pelas configurações políticas e geoestratégicas, ademais da própria estrutura física da fronteira do Haiti e da República Dominicana. No cenário atual, a fronteira é de grande relevância que parece desvanecer-se em escala global, nacional e, conduzindo o processo de relativização multiforme do Estado. É necessário analisar como é essencial no estabelecimento do controle do território com o efeito da evolução das técnicas de atravessamento, fortalecimento e controle geopolítico e de eventos demográficos, a expansão e a dinâmica das trocas entre as populações fronteiriças, em considerações políticas de uma ampla interdependência estatal, e também procurar entender como as raízes colonialistas influenciam na desigualdades socioespaciais de dois Estados.

Mapeamento Geoparticipativo em Territórios de Populações Tradicionais

com Antonio Cruz. Sala IG216, às 19 horas

O minicurso abrange conceitos teóricos-metodológicos de mapeamento participativo em territórios de populações tradicionais enquanto possibilidade de entrada na dimensão do cotidiano, a partir das experiências de pesquisa do autor no estado do Maranhão. Buscaremos discutir as riquezas da troca de conhecimento entre Academia e Saberes Tracionais a partir do mapeamento geoparticipativo.

Relações Étnicos Raciais Brasileiras no Ensino de Geografia a partir do raciocínio geográfico

com o APEGEO. Sala IG212, às 19h30

A presente oficina busca tratar das relações étnicos raciais brasileiras por meio de um viés educacional, partindo dos princípios do Raciocínio Geográfico, presente na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Documento este que prevê educação das relações étnico-raciais e ensino de história e cultura afro-brasileira, africana e indígena (Leis nº 10.639/2003 e 11.645/2008). A Oficina está dividida em dois momentos, o primeiro abordando a discussão de Raciocínio Geográfico e Espacialidade do Fenômeno e o segundo operacionalizando os debates propostos com dados étnicos raciais como, por exemplo, renda, educação, saúde, mortalidade e moradia da população negra.

Toma posse a nova Diretoria da AGB-Campinas

Parte da gestão e integrantes da Comissão Eleitoral reunidos em assembleia: a partir da esquerda: Luciano, Gustavo, Roberta, Jessica, Vicente, Éverton, Diego, Paulo (agachado), Luna, Luiz Fernando, Caio, Jahan, Larissa, Clayton e Heloísa

Assembleia realizada na Unicamp na noite desta terça-feira, 29 de outubro, deu posse à nova diretoria da AGB-Campinas, que foi eleita com vinte e seis votos de associados ativos. O diretor Vicente Eudes Lemos Alves presidiu a assembleia, que foi secretariada por Éverton Valezio, presidente da Comissão Eleitoral. À reunião compareceu a maior parte da nova gestão, com três faltas justificadas dos dezesseis integrantes.

A Diretoria Executiva Local, que passou a ser presidida pelo geógrafo Luciano Duarte, reafirmou seus compromissos estatutários e será auxiliada por uma diretoria ampliada, composta por uma comissão de comunicação e uma comissão de eventos, formada principalmente por estudantes de graduação em Geografia da Unicamp, onde se localiza a sede da seção local.

Após a assembleia de posse, os presentes se reuniram para discutir a pauta da Reunião de Gestão Coletiva extraordinária que será realizada na Universidade de São Paulo no próximo final de semana. Foi indicada a delegação que participará da reunião e foram discutidas diretrizes para a organização do XX Encontro Nacional de Geógrafos, que acontecerá na capital paulista em julho de 2020.

Conheça a nova Diretoria Executiva Local da AGB-Campinas:

Diretor: Luciano Duarte
Vice-diretor: André Pasti
Primeira secretária
: Heloísa Molina
Segundo secretário
: Luiz Fernando Vieira
Primeiro tesoureiro
: Gustavo Teramatsu
Segundo tesoureiro
: Diego Fernandes
Coordenador de publicações
:  Fabricio Gallo
Vice-coordenador de publicações
: Vicente Eudes Lemos Alves

Comissão de comunicação Jéssica Rodrigues, Larissa Serpentini, Paulo Rufino e Rafael Moura

Comissão de eventos Caio Gusmão, Jahan Lopes, Luna Guimarães e Roberta Cavedini

Geografia da Unicamp recebe Aza Njeri: África e diáspora – caminhos para educação pluriversal

Como parte da programação da XII Semana de Geografia da Unicamp – Por uma Geografia Afrocentrada: África e suas Diásporas, será ministrado o curso de formação de professores África e Diáspora – Caminhos pra uma educação pluriversal professora doutora Aza Njeri.

O curso tem como objetivo contribuir, a partir do paradigma da pluriversalidade apresentado por Mogobe Ramose, para a implementação da Lei 10639/03 e o adendo 11645/08, além de refletir sobre África e a afrodiáspora no que tange à cultura, à História e à sociedade, fortalecendo a prática educacional (escolar e não escolar), a luta antirracista e antigenocida, focalizando a troca de saberes, apoderamento de conhecimento, aquilombamento, afeto e rede.

O curso acontecerá no Instituto de Geociências da Unicamp no dia 6 de novembro (quarta-feira), das 8h às 13h e com pausa às 11h para um coffee break. A inscrição custa R$ 30,00 e pode ser feita neste link.

Unicamp recebe Mostra Ecofalante; primeira sessão é nesta quarta, 30/10

O 3º Circuito Unicamp da Mostra Ecofalante começa no dia 30 de outubro, às 19 horas, no Auditório “Zeferino Vaz” do Instituto de Economia (IE). Na ocasião será exibido o filme Golpe Corporativo.

O Circuito, que se estende até 13 de novembro, conta com nove filmes selecionados por professores e estudantes do Instituto de Economia (IE), da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC), do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), do Instituto de Biologia (IB) e do Instituto de Geociências (IG).

Veja aqui a programação no site da Mostra.

O objetivo da Mostra é apresentar filmes e debates de temática socioambiental. São produções contemporâneas, de diversos países, que conversam diretamente com temas pesquisados na universidade, como relações de trabalho no contexto de globalização, processos de urbanização e uso da terra, a luta de populações indígenas pela retomada de territórios, mudanças climáticas, trajetórias de ativistas ambientais, entre outros.

As sessões acontecerão em quatro locais da Unicamp, além da Maloca Arte e Cultura, localizada no bairro Vila União.

Convocatória: Assembleia ordinária, 29/10/2019, às 18h

Prezados(as) associados(as),

a Diretoria Executiva da Seção Local de Campinas da Associação dos Geógrafos Brasileiros convoca assembleia geral local ordinária a ser realizada no dia 29 de outubro de 2019 (terça-feira), às 18 horas em primeira chamada e às 18 horas e 15 minutos em segunda chamada, sala 211 do Instituto de Geociências da Unicamp (Rua Carlos Gomes, 250, Cidade Universitária, Campinas-SP), para discussão da seguinte pauta:

Informes

ORDEM DO DIA

  1. Posse da Diretoria Executiva Local 2019-2021
  2. Reunião de Gestão Coletiva Extraordinária (São Paulo, 2 e 3 de novembro)
  3. Outros assuntos

Documentos

Convocatória da RGC extraordinária

Eixos e ementas propostos para o XX ENG

Primeira circular do XX ENG

Sumário executivo da 139ª RGC

Território e energia: palestra com Guilherme Estrella, dia 5/11, às 19 horas

Receberemos o geólogo Guilherme de Oliveira Estrella no dia 5 de novembro, terça, às 19 horas, para a palestra Território e energia: geologia do pré-sal e geopolítica do petróleo. Estrella dedicou toda sua carreira profissional à Petrobrás. Foi Diretor de Exploração e Produção da estatal de 2003 a 2012.

A palestra acontece na sala IG216 do Instituto de Geociências. Não é necessária inscrição prévia.


Atualização: a palestra foi gravada e publicada pelo canal TV Petroleiros no YouTube e está disponível a seguir:

Leia mais:

Jornalistas Livres: Guilherme Estrella fala sobre o Pré-sal em palestra na Unicamp

Sindipetro Unificado: Governo transforma oportunidade em ameaça à soberania 

Sindipetro Unificado: “Petróleo dos Brasileiros” entrevista Guilherme Estrella

Le Monde Diplomatique: O que está por trás do leilão dos excedentes da cessão onerosa

A Petrobrás e o petróleo brasileiro…: mesa-redonda no dia 04/11 às 14h

A Petrobrás e o petróleo brasileiro: o que pensam os trabalhadores petroleiros sobre a empresa e a atual conjuntura econômico-política para o setor? é o tema da mesa-redonda que acontece na segunda-feira, dia 4 de novembro, no período da tarde, a partir das 14 horas, no Auditório do Instituto de Geociências da Unicamp.

Participam:

Arthur Ragusa Guimarães, técnico de operação da Refinaria de Paulínia (Replan), diretor do Sindipetro desde 2011 e membro da direção da Federação Única dos Petroleiros desde 2017. É ex-aluno da Unicamp.

Carlos Eduardo Salazar Salgado, geógrafo e mestrando em Geografia pela Unicamp, ex-funcionário da Replan e ex-dirigente do Sindipetro

Ticiano José Saraiva dos Santos, geólogo e docente do Departamento de Geologia e Recursos Naturais da Unicamp

A mesa-redonda é uma atividade em conjunto com a disciplina GN304 – Trabalho de Campo, dos cursos de graduação em Geografia e Geologia da Unicamp.

Não é necessário se inscrever, basta comparecer ao Auditório.

Chapa apresenta plano de trabalho para a gestão 2019-2021 da AGB-Campinas

planodetrabalho20192021

A Comissão Eleitoral, nos termos do Edital AGB-Campinas 02/2019, torna público o plano de trabalho apresentando pela chapa única que concorre à eleição para a Diretoria da AGB-Campinas no biênio 2019-2021. Além dos oito cargos estatutários, a chapa congrega outros oito integrantes nas comissões de comunicação e eventos.

CHAPA

PRESIDENTE Luciano Duarte
VICE-PRESIDENTE André Pasti
PRIMEIRA SECRETÁRIA Heloísa Molina
SEGUNDO SECRETÁRIO Luiz Fernando Vieira
PRIMEIRO TESOUREIRO Gustavo Teramatsu
SEGUNDO TESOUREIRO Diego Fernandes
COORDENADOR DE PUBLICAÇÕES Fabricio Gallo
VICE-COORDENADOR DE PUBLICAÇÕES Vicente Eudes Lemos Alves

COMISSÃO DE COMUNICAÇÃO
Jéssica Rodrigues
Larissa Serpentini
Paulo Rufino
Rafael Moura

COMISSÃO DE EVENTOS
Caio Gusmão
Jahan Lopes
Luna Guimarães
Roberta Cavedini

A Geopolítica do Estado e o Território Quilombola no Século XXI: Diosmar Filho, da UFBA, lança livro na Unicamp no dia 7/11 às 16h

O professor Diosmar Marcelino de Santana Filho, da Universidade Federal da Bahia, fará o lançamento de seu livro A Geopolítica do Estado e o Território Quilombola no Século XXI (Paco Editorial, 2017) na Livraria da Editora da Unicamp do Instituto de Estudos da Linguagem, no dia 7 de novembro, quinta-feira, às 16 horas.

A OBRA

Este livro busca, de forma epistemológica, contribuir com estudos geográficos contemporâneos ao analisar as mudanças no espaço do Estado Brasileiro com a ação política da população negra quilombola na passagem de sujeitos invisíveis para sujeitos de direito com a Constituição Cidadã de 1988. Isso em um Estado que mantém o racismo como determinante para um território desigual. Dessa maneira, a pesquisa que se apresenta tem no espaço geográfico a base teórica de análise dos Territórios Quilombolas, nos séculos passados e a territorialização na Bahia no século XXI.

Para Renato Emerson dos Santos, o “livro nos ajuda, a partir do estudo da dinâmica dos territórios quilombolas, a pensar como os olhares e narrativas sobre o passado influenciam nas lutas e definições de direitos no presente. As leituras hegemônicas sobre a formação do território brasileiro omitem a (oni)presença quilombola, apagamento que se reflete na negação de seus direitos. Tenho apontado este apagamento como uma dimensão analítica do branqueamento do território. O lócus epistêmico de enunciação das narrativas hegemônicas é branco, valoriza as experiências sociais e territoriais dos brancos, e assim negros e indígenas só aparecem em condição subalterna, jamais como protagonistas da formação do território. Contar a nossa história territorial mostrando esses protagonismos, compreendendo seus papéis em relações econômicas, sociais, políticas, em jogos que articulam diferentes escalas, é fundamental para o reconhecimento e a conquista de direitos por esses grupos. Isso é uma tarefa para a Geografia Brasileira, à qual alguns geógrafos vêm se dedicando, como fez Diosmar Santana Filho aqui, com grande qualidade”.

O AUTOR

Diosmar Filho é geógrafo formado pela Universidade Católica de Salvador e Mestre em Geografia pela UFBA. Atualmente é professor formador da UFBA no curso de especialização lato sensu EaD em Estado e Direito dos Povos e Comunidades Tradicionais e em Direitos Humanos e Contemporaneidade. em experiência docente como professor substituto da UFBA e professor do IFBA-Ilhéus. Foi gestor estadual em políticas públicas nas áreas de gestão: das Águas, Desenvolvimento Social e Promoção da Igualdade Racial.

O LANÇAMENTO

Segue convite para o lançamento do livro:

SEMANA DE GEOGRAFIA

O lançamento faz parte da XII Semana de Geografia da Unicamp. Após o lançamento, todos também estão convidados para participar da mesa-redonda Planejamento Urbano e Questões Raciais: O lugar do negro na contemporaneidade, que terá a participação de Diosmar Filho e de Renato Emerson dos Santos.

Edital 02/2019 – Eleição da AGB-Campinas 2019-2021

Baixe aqui o arquivo em PDF

EDITAL AGB-CAMPINAS 02/2019
REABERTURA DE INSCRIÇÕES DE CHAPAS PARA A GESTÃO 2019-2021

A Diretoria Executiva da Associação dos Geógrafos Brasileiros – Seção Campinas, considerando a inexistências de inscrições para o processo eleitoral até o término do período previsto para o Edital AGB-Campinas 01/2019, encerrado em 11/10/2019, convoca, por meio do presente instrumento, novo período para as eleições para a Diretoria Executiva Local para a Gestão 2019-2021, conforme instruções e prazos especificados nos itens a seguir.

1) Do Calendário do Processo Eleitoral:

1.1) Inscrições das chapas: de 21/10/2019 a 23/10/2019.

1.2) Eleições: 28 e 29/10/2019.

1.3) Assembleia Extraordinária: 29/10/2019, às 18h, na sede social.

2) Do Processo Eleitoral:

2.1) As inscrições para chapas estarão abertas no período de 21/10/2019 a 23/10/2019.

2.2) A inscrição das chapas deve ser requerida em formulário próprio obtido na sede da AGB-Campinas e deve vir acompanhada do respectivo plano de trabalho para a gestão 2019-2021, nos termos do Art. 33 do Estatuto da AGB-Campinas.

2.3) A Comissão Eleitoral será responsável pelo recebimento dos requerimentos, orientações, esclarecimentos e avaliação da documentação entregue pelos candidatos das chapas.

2.4) Compete à Comissão Eleitoral promover e fiscalizar o processo de votação fazendo cumprir as disposições estatutárias e regimentais. Deverá ainda proceder a apuração dos votos, fazendo lavrar a ata de eleição e dar posse à nova Diretoria Executiva Local.

2.5) A votação ocorrerá por meio eletrônico (plataforma LimeSurvey).

3) Dos documentos necessários para a inscrição:

3.1) Devem ser apresentados os seguintes documentos para a inscrição das chapas:

  • Requerimento de inscrição da chapa, obtido na Sede da Seção Local, discriminados e preenchidos todos os cargos da Estrutura Administrativa pelos integrantes da chapa.
  • Comprovante de inscrição de pagamento da anuidade da AGB, para cada integrante da chapa.
  • Cópias dos documentos de identidade (RG) e do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) de todos os integrantes da chapa.

4) Da Posse:

4.1) A posse da nova Diretoria Executiva Local terá início ao final do processo eleitoral, pelo período de 2 (dois) anos e seu término se dará em 28 de outubro de 2021.

4.2) Não havendo chapas inscritas ou chapa eleita, a atual gestão terá seu mandato prorrogado por mais 30 dias e convocará nesse mesmo prazo a Assembleia Geral Extraordinária para a realização de novas eleições.

5) Das Disposições Gerais:

5.1) Os casos omissos serão resolvidos pela Diretoria Executiva da AGB-Campinas.

5.2) Outras informações e dúvidas podem ser encaminhadas à Comissão Eleitoral — Clayton Henrique Alves da Silva, Éverton Vinícius Valezio e Mariana da Silva Lima — pelo e-mail: secretaria@agbcampinas.com.br

Campinas, 15 de outubro de 2019.

AGB-Campinas recebe vencedora do concurso para identidade gráfica do 20º Encontro Nacional de Geógrafos

A AGB-Campinas, representada pelo seu diretor presidente Prof. Dr. Vicente Eudes Lemos Alves e pelo tesoureiro Gustavo Teramatsu, recebeu nesta quinta-feira, 10 de outubro, a doação do desenho original de autoria da geógrafa Érica Rodrigues Soares que inspirará a identidade visual do XX Encontro Nacional de Geógrafos. A arte foi escolhida em concurso nacional realizado em setembro, tendo recebido quase metade dos votos (48,2%), e passará a compor o acervo da AGB-Campinas.

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arte do XX ENG – São Paulo, 2020. por @ericartss

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Érica comentou o conceito do desenho, que alude ao tema Brasil-Periferia: A geografia para resistir e a AGB para construir. A adaptação da Mão de Niemeyer, exposta no pátio do Memorial da América Latina, representa a cidade de São Paulo – sede do evento, que acontecerá de 13 a 17 de julho de 2020 e também sede da AGB, fundada naquela cidade há 85 anos, em 1934. Mas aqui, a mão não está ao alto, rendida, mas com punhos cerrados, simbolizando também a luta e a resistência, “para que assim possa ser construída uma AGB combativa e que a Geografia resista nesse contexto político e histórico em que vivemos”, explicou.

O punho também faz referência à América Invertida de Joaquín Torres García e às Veias Abertas da América Latina de Eduardo Galeano. Também compõe a obra o morro, representativo da paisagem periférica das metrópoles brasileiras, onde se expõe a bandeira do Brasil, símbolo nacional cujo lema positivista – ordem e progresso – também pode ser problematizado a partir da Geografia.

Em uma animada conversa, Érica, recém-licenciada em Geografia pela Unicamp, contou sobre seu trabalho e projetos futuros. Formou-se na ETEC Bento Quirino e técnica em Geodésia e Cartografia no Colégio Técnico de Limeira. Aprovada também no vestibular para o curso de Imagem e Som da UFScar, na graduação, passou pelo ProFis, antes de cursar Geografia. Com experiência na Embrapa, no GeoPibid e também junto ao projeto Geoideias, tem trabalhado como professora na rede particular e no cursinho popular do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp. Participa do processo seletivo do Mestrado em Educação na Unicamp. Nesse ponto, discutiu-se a potência do conceito de paisagem para aproximar a Geografia da arte, por meio do cinema. Paisagem uniu arte e ciência desde Humboldt, em seus Quadros da Natureza.

Érica produz cadernos com desenhos, hand lettering e encadernação artesanal, em trabalhos que divulga em seu instagram, @ericartss. Em 2018, ela fez cadernos personalizados para o I Seminário do Núcleo de Estudos Ambientais e Litorâneos (SPNeal), que teve apoio da AGB-Campinas.

https://www.instagram.com/p/BoDCWGvF4B_/

A obra de Érica estará presente no site do ENG e demais materiais gráficos do evento – cartazes, banners, caderno de programação, anais, kit dos encontristas. Desde já, a escolha de seu desenho nos anima a participar do XX ENG ao lado de geógrafas e geógrafos de todo o Brasil.

Minicurso “O projeto chinês de conexão global”, com Laura Urrejola Silveira. 15/10 às 19 horas

O minicurso O projeto chinês de conexão global abordará a inserção internacional da China por meio de infraestrutura. Tendo os aspectos culturais da China (da antiguidade ao século XXI) e a geopolítica como lentes teóricas, o objetivo desta experiência didática é provocar a percepção crítica sobre os desafios e oportunidades embarcados na Belt and Road Initiative – BRI e como as demais potências absorvem esse processo global.   

Laura Urrejola Silveira é geógrafa formada na USP, especialista e mestra em Relações Internacionais no IREL/UnB, onde atualmente desenvolve o doutorado. É membro do Centro de Estudos Ásia-América Latina (ASIALAC-UnB) e da Rede Brasileira de Estudos da China (RBChina).

INSCREVA-SE AQUI

Vem aí a XII Semana de Geografia da Unicamp: Por uma Geografia Afrocentrada. África e suas diásporas!

A XII Semana de Geografia da Unicamp acontecerá entre 5 e 7 de novembro de 2019 com tema Por uma Geografia afrocentrada: África e suas diásporas. A Comissão Organizadora reúne estudantes do Grupo de Estudos Africanos em Geografia, e o evento conta com o apoio da AGB-Campinas.

Na Unicamp estará acontecendo Novembro Negro e o UnicampAfro.

Veja o site da Semana de Geografia e faça sua inscrição!

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Marque presença no evento!

A programação tem início na terça com Fórum do Grupo de Estudos Africanos em Geografia e exposição de seus mapas à tarde e mesa-redonda Epistemologia, descolonização e afrocentricidade à noite.

No dia 6/11, pela manhã, acontecem também os minicursos e o curso de formação para professores África, diáspora caminho para educação pluriversal, com a Profa. Aza Njeri. O curso tem um custo de R$30,00. A programa segue à tarde com a mesa-redonda África e africanidades: Desafios e perspectivas para o Ensino de Geografia da África e suas Diásporas no Brasil e com a roda de conversa Diálogos Contemporâneos sobre Homens Negros e Masculinidades, à noite, além de minicursos.

Na quinta-feira, serão apresentados trabalhos pela manhã (mais informações no fim da postagem). À tarde há programação variada: cinedebate, oficinais culturais, lançamento de livro e assembleia dos estudantes. A programação se encerra com a mesa-redonda Planejamento Urbano e Questões Raciais: O lugar do negro na contemporaneidade, seguida de confraternização.

Lançamento de livro

A AGB-Campinas promove, em parceria com a Paco Editorial, o GEAG e a Livraria da Editora da Unicamp, o lançamento do livro A Geopolítica do Estado e o Território Quilombola no Século XXI:

Apresentações de trabalhos

A Semana está recebendo trabalhos para apresentação na manhã do dia 7/11 nos seguintes eixos temáticos:

  1. Epistemologias, Estudos africanos e afrocentricidade
  2. O ensino de Geografia da África e diásporas: contribuições, perspectivas, abordagens e desafios
  3. Geografia Física , questões ambientais, desastres naturais e antrópicos em território africano e afro-diaspórico
  4. Civilizações, etnias e diásporas africanas
  5. Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Candomblé, Quilombos e Organizações Negras
  6. Gênero e Diversidade sexual: Matriarcado, Resistências femininas, Masculinidade negra e Orientação Sexual
  7. Poder, Território e a Fronteira Geopolítica: Desafios dos Estados Africanos no séc. XXI
  8. Urbanização, Contextos Sociais e Interações Espaciais: O lugar do Negro na Contemporaneidade

Está prevista a publicação de um dossiê em edição de 2020 do Boletim Campineiro de Geografia com artigos selecionados da Semana de Geografia.

AGB-Campinas recebe doações para a Ocupação Mauá até 15/10

A Ocupação Mauá, localizada no centro da cidade de São Paulo, em frente à Estação da Luz, está organizando arrecadação de doações para mais de 500 famílias residentes em ocupações no centro de São Paulo e outras 42 famílias do interior paulista em situação de vulnerabilidade social.

A AGB-Campinas disponibilizou sua sede como um ponto de coleta para as doações, que serão levadas a São Paulo por integrantes da nossa diretoria. Assim, geógrafas e geógrafos da região de Campinas e em especial da Unicamp, podem colaborar com a ação.

A sede está localizada no último piso do Instituto de Geociências da Unicamp, sala 301, na Rua Carlos Gomes, 250, no campus da Unicamp. Envie-nos e-mail para secretaria @ agbcampinas.com.br para melhor organizar a coleta de sua doação.

Serão arrecadados até o dia 15 de outubro (terça-feira):

  • Alimentos não perecíveis
  • Produtos de limpeza
  • Produtos de higiene pessoal
  • Roupas e calçados (infantil e adulto)
  • Fraldas
  • Materiais de construção em bom estado

Diretoria Executiva Local da AGB-Campinas

Palestra “Lugares sagrados e o território indígena do Xingu”, 09/10, às 19 horas

Receberemos o professor Kaji Waurá para a palestra “Lugares sagrados e Território Indígena do Xingu” nesta quarta-feira, dia 09 de outubro, com início às 19 horas, no Auditório do Instituto de Geociências da Unicamp. A mediação será feita pelo prof. Andrei Cornetta.

INSCREVA-SE

Kaji Waurá é promotor cultural e graduado em Pedagogia Intercultural pela Licenciatura Intercultural da Universidade do Estado de Mato Grosso. Professor indígena desde 2000. Atualmente leciona na Escola Indígena Municipal Aruak, no Parque Indígena do Xingu. Tem experiência na área de Etnografia, com ênfase em História e Cultura Wauja, Mitologia, Cerâmica, Cestaria e Grafismos Xinguanos e uso tradicional de plantas.

I Seminário Interseccionalidade na Geografia: Espacialidades, Gênero e Sexualidades; 21 e 22 de outubro na Unicamp

O Grupo de Estudos Geografia de Gênero e Sexualidades organizam o I Seminário Interseccionalidade na Geografia, com o tema Espacialidades, Gênero e Sexualidades.

O evento conta com apoio financeiro e institucional da AGB-Campinas e acontece nos dias 21 e 22 de outubro de 2019, no Instituto de Geociências da Unicamp. Estão abertas as inscrições na página do evento.

A programação terá duas mesas-redondas: Espacialidades, violências e migrações LGBTQIA+, no dia 21 de outubro, às 19 horas, com a Profª. Dra. Isadora Lins França PAGU Unicamp), o Me. Vinicius Santos Almeida (USP) e o Me. Diego Miranda Nunes (FURG), na sala IG216; e Interseccionalidades na Geografia, no dia 22 de outubro, às 19 horas, na sala IG216, com a Profª. Dra. Joseli Maria da Silva (UFPG e GETE – Grupo de Estudos Territoriais) e a Professora Sayonara Nogueira (Instituto Brasileiro de Trans Educação e Coordenadora do Núcleo de Diversidade Sexual da Prefeitura Municipal de Uberlândia).

A professora Joseli Maria Silva também ministrará o minicurso Gênero e sexualidades na análise espacial, no dia 22 de outubro, às 14 horas. Vinicius Santos Almeida oferece o curso Cartografia Temática com PHILCARTO (Básico), nas manhãs dos dias 21, 22 e 23 de outubro.

Edital 01/2019 – Eleição da AGB-Campinas 2019-2021

Baixe aqui o arquivo em PDF

EDITAL AGB-CAMPINAS 01/2019
ABERTURA DE INSCRIÇÕES DE CHAPAS PARA A GESTÃO 2019-2021

A Diretoria Executiva da Associação dos Geógrafos Brasileiros – Seção Campinas convoca por meio do presente instrumento as eleições para a Diretoria Executiva Local para a Gestão 2019-2021, conforme instruções e prazos especificados nos itens a seguir.

1) Do Calendário do Processo Eleitoral:

1.1) Inscrições das chapas: de 07/10/2019 a 11/10/2019.

1.2) Eleições: 14 e 15/10/2019.

1.3) Assembleia Extraordinária: 15/10/2019, às 18h, na sede social.

2) Do Processo Eleitoral:

2.1) As inscrições para chapas estarão abertas no período de 07/10/2019 a 11/10/2019.

2.2) A inscrição das chapas deve ser requerida em formulário próprio obtido na sede da AGB-Campinas e vir acompanhada do respectivo plano de trabalho para a gestão 2019-2021, nos termos do Art. 33 do Estatuto da AGB Campinas.

2.3) A Comissão Eleitoral será responsável pelo recebimento dos requerimentos, orientações, esclarecimentos e avaliação da documentação entregue pelos candidatos das chapas.

2.4) Compete à Comissão Eleitoral promover e fiscalizar o processo de votação fazendo cumprir as disposições estatutárias e regimentais. Deverá ainda proceder a apuração dos votos, fazendo lavrar a ata de eleição e dar posse à nova Diretoria Executiva Local.

2.5) A votação ocorrerá por meio eletrônico (plataforma LimeSurvey).

3) Dos documentos necessários para a inscrição:

Devem ser apresentados os seguintes documentos para a inscrição das chapas:

● Requerimento de inscrição da chapa, obtido na Sede da Seção Local, discriminados e preenchidos todos os cargos da Estrutura Administrativa pelos integrantes da chapa.

● Comprovante de inscrição de pagamento da anuidade da AGB, para cada integrante da chapa.

● Cópias dos documentos de identidade (RG) e do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) de todos os integrantes da chapa.

4) Da Posse:

4.1) A posse da nova Diretoria Executiva Local terá início ao final do processo eleitoral, pelo período de 2 (dois) anos e seu término se dará em 14 de outubro de 2021.

4.2) Não havendo chapas inscritas ou chapa eleita, a atual gestão terá seu mandato prorrogado por mais 30 dias e convocará nesse mesmo prazo a Assembleia Geral Extraordinária para a realização de novas eleições.

5) Das Disposições Gerais:

5.1) Os casos omissos serão resolvidos pela Diretoria Executiva da AGB Campinas.

5.2) Outras informações e dúvidas podem ser encaminhadas à Comissão Eleitoral — Clayton Henrique Alves da Silva, Éverton Vinícius Valezio, Mariana da Silva Lima — pelo e-mail: secretaria@agbcampinas.com.br

Campinas, 23 de setembro de 2019.