Convocatória: Assembleia ordinária, 10/3/2021, às 15h

Prezados(as) associados(as),

a Diretoria Executiva da Seção Local de Campinas da Associação dos Geógrafos Brasileiros convoca assembleia geral local ordinária a ser realizada no dia 10 de março de 2021 (quarta-feira), às 15 horas em primeira chamada, por meio virtual (Google Meet), para discussão da seguinte pauta:

Informes

Ordem do dia

  1. Tesouraria: Prestação de contas e Campanha de Associação 2021
  2. Atividades do 1º semestre de 2021
  3. Debate da pauta e indicação de delegado(s) para o Fórum de Políticas Financeiras (27 e 28/3/2021)
  4. Outros assuntos

Diretoria Executiva Local

Instruções para participação: Confirme presença neste formulário. O link para a reunião será enviado em seu e-mail.


Documentos

RGC Extraordinária (24 e 25/10/2020) Ata
RGC Extraordinária (23 e 24/1/2021) Sumário Executivo | Ata
RGC Fórum de Políticas Financeiras Convocatória
Assembleia Ordinária (15/10/2020) Ata
Correspondências recebidas
Relatório dos Diálogos Geográficos da Unicamp

Nota de pesar: Maria Teresa Miguel Couto de Camargo (1989-2021)

Recebemos, com pesar, a notícia da morte da jovem professora de Geografia Maria Teresa Miguel Couto de Camargo, ocorrida em São José dos Campos há uma semana, no último dia 20 de fevereiro, em decorrência da covid-19.

A breve carreira foi nas escolas públicas às margens do rio Paraíba do Sul. Formada em Estudos Sociais pelas Faculdades Integradas de Cruzeiro, com Habilitação em Geografia, Maria Teresa lecionava na rede estadual há mais de uma década e se preparava para mais um ano letivo — mas, desta vez, com todas as preocupações e as incertezas relacionadas à pandemia.

Ela havia completado 32 anos no último dia 6. No dia 9, afastou-se das atividades docentes. Foram dez dias de internação na UTI. Faleceu apenas dois dias depois da mãe, Selma, que também teve complicações graves da doença. As duas teriam se infectado em Cachoeira Paulista, município de residência da família.

Maria Teresa residia em Caçapava. Sua morte acontece no momento de agravo do número de casos e óbitos decorrentes da covid-19, de graves problemas operacionais na campanha de vacinação e das discussões quanto à reabertura das escolas para as aulas presenciais, que está sendo incentivada pelo secretário estadual de Educação Rossieli Soares. Ele se manifestou sobre a morte da professora, aproveitando para a atacar a Apeoesp, o sindicato dos professores. A Rede Emancipa fez um ato simbólico em frente à Escola Estadual Ministro José de Moura Resende — do Programa de Ensino Integral —, onde a professora trabalhava.

Neste momento de luto, a Diretoria da Associação dos Geógrafos Brasileiros — Seção Campinas se solidariza com a família, com os alunos e com os amigos que a professora Maria Teresa deixou.

Campinas, 26 de fevereiro de 2021.

Financiamento coletivo: Geografia do SUS – Uma homenagem ao geógrafo e médico Josué de Castro

O Observatório do Estado Social, coordenado pelo professor Tadeu Alencar Arrais, da Geografia da Universidade Federal de Goiás, lançou campanha de financiamento coletivo para a série de vídeos Geografia do SUS — Uma homenagem ao geógrafo e médico Josué de Castro. Serão seis animações, com duração entre 4 e 7 minutos, a serem publicadas no canal Porque o Estado Importa!. Os vídeos trarão informações secundárias e produção de mapas e ilustrações com apelo didático sobre o Sistema Único de Saúde, com os temas “o sistema público”; “as campanhas de vacinação”; “os níveis de atenção”; “os hospitais universitários”; “os servidores” e “o financiamento”.

Links:

Campanha de financiamento coletivo (vakinha.me)

Carta do professor Tadeu Alencar Arrais

Patrimônio Cultural e Geografia: contribuições acadêmicas e políticas

O último webinar dos Diálogos Geográficos da Unicamp acontece na próxima quinta-feira, 17 de dezembro, com início às 19 horas (horário de Brasília). O tema será Patrimônio Cultural e Geografia: contribuições acadêmicas e políticas.

Os convidados são a Profª Drª Maria Tereza Duarte Paes, do Departamento de Geografia da Unicamp, e o Prof. Dr. Rafael Winter Ribeiro, da UFRJ. A mediação será feita pelas Profas. Dras. Gabrielle Cifelli, da Fatec, e Ana Maria Vieira Fernandes, da PUC-Campinas.

Para garantir o certificado de participação, inscreva-se previamente. Participe no canal da AGB-Campinas no YouTube!

Novas Diretrizes Curriculares de Geografia: diálogos necessários

Nesta terça-feira, 15 de dezembro, a partir das 17h, o Centro Acadêmico dos Estudantes da Geografia da Unesp de Rio Claro — CAEGE promoverá um diálogo sobre o documento Orientação para as Diretrizes Curriculares de Geografia — Proposta Preliminar 1, datado de 1º de setembro de 2020 (mas divulgado em 13 de outubro), em que são apresentadas novas propostas e direcionamentos para os cursos de graduação em geografia, tais como a inclusão de um curso de tecnólogo em geografia. Neste sentido, todos os interessados estão convidados a dialogar sobre este tema. Participam os professores Henrique Santos Domingos, Murilo Camargo, Maria Bernadete Sarti da Silva Carvalho e José Gilberto de Souza.

Acesse o link.

Posicionamento da Associação dos Geógrafos Brasileiros — A AGB criou uma comissão para debater o documento e promoveu uma reunião para leitura crítica, realizada no dia 5 de dezembro, que está disponível no YouTube. Após a discussão, a Associação divulgou a Carta aberta da comunidade geográfica brasileira sobre a reformulação das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) de Geografia, que propõe a suspensão imediata do Edital de chamamento de 13 de outubro de 2020 e, por consequência, o cancelamento do cronograma vigente, entre outras medidas.

Caso estejam de acordo, os interessados podem subscrever a carta aberta, por meio deste formulário, até o dia 17 de dezembro de 2020, para encaminhamento ao Conselho Nacional de Educação.

Outras manifestações — Douglas Santos divulgou no dia 26 de outubro o vídeo “Novas Diretrizes Curriculares: mais um movimento na construção da mesma farsa”. Ele participou, no dia 12 de novembro, com Marcos Couto e Rodrigo Coutinho Andrade, de debate organizado pela AGB Niterói intitulado “DCNs de Geografia: Ameaça à Formação Científica e Autonomia Docente”. Da UFF saiu uma nota de repúdio. A Federação Nacional das Associações Profissionais de Geógrafos — Fenageo promoveu o debate A DCN da Geografia no dia 4 de dezembro.

História das Políticas Regionais no Brasil — 10/12 às 18h30

O Instituto de Economia da Unicamp, através do Grupo de Estudos das Transformações Econômicas e Territoriais do Centro de Estudos do Desenvolvimento Econômico (GETETE/CEDE), convida para o lançamento do livro História das Políticas Regionais no Brasil, publicado em outubro pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

O livro busca analisar o planejamento regional em âmbito federal, destacando o que o Estado planeja, os caminhos que tem trilhado e a execução de suas ações, em um processo em que o que se concretiza não necessariamente corresponde ao que foi planejado. A análise a partir do Estado possibilita um melhor enquadramento metodológico das ações desde a formação do Estado-nação até a segunda década do século XXI, deslocando-se o foco do período pós-Sudene, que já foi exaustivamente debatido na literatura, para um período de quase duzentos anos de ações estatais com olhar regional, jogando-se luz sobre as mudanças de pensamento que permearam o Estado brasileiro, os instrumentos e a forma como ele incorporou e se estruturou para tratar o tema das desigualdades regionais.

A atividade, que será transmitida no YouTube, terá a presença dos autores Rodrigo Portugal (IPEA) e Simone Affonso da Silva (IPEA). O debatedor será o Prof. Dr. Fernando Cezar de Macedo Mota (IE/Unicamp) e o coordenador será o Prof. Dr. Vicente Eudes Lemos Alves (IG/Unicamp).

Geopolítica, defesa e segurança: a escala do mundo, o Brasil e América Latina

O sexto webinar dos Diálogos Geográficos da Unicamp acontece na próxima quinta-feira, 10 de dezembro, com início às 19 horas (horário de Brasília). O tema será Geopolítica, defesa e segurança: a escala do mundo, o Brasil e América Latina.

Os convidados são o Prof. Dr. Vinicius Modolo Teixeira, da Unemat — campus Sinop, e o Prof. M.e Gustavo Glodes Blum, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Unicamp. A mediação é da Profª Drª Claudete de Castro Silva Vitte, do Departamento de Geografia da Unicamp.

Para garantir o certificado de participação, inscreva-se previamente. Participe no canal da AGB-Campinas no YouTube!

A (des)ordem espacial do mundo e a epistemologia da ciência geográfica: percursos e travessias

O quinto webinar dos Diálogos Geográficos da Unicamp acontece na próxima quinta-feira, 26 de novembro, com início às 19 horas (horário de Brasília). O tema será A (des)ordem espacial do mundo e a epistemologia da ciência geográfica: percursos e travessias.

Os convidados são o Prof. Dr. Antonio Carlos Vitte, do Departamento de Geografia da Unicamp, e a Profª Drª Larissa Alves de Lira, da UFMG. A mediação é do Prof. Dr. Alexandre Domingues Ribas, da Unioeste — campus Francisco Beltrão.

Para garantir o certificado de participação, inscreva-se previamente. Participe no canal da AGB-Campinas no YouTube!

Espaço geográfico e brutalidade: racionalidades da digitalização da informação

ATUALIZAÇÃO: 19/11, 11:00 — O webinar será remarcado para nova data, a confirmar.

Chegamos ao quinto webinar dos Diálogos Geográficos da Unicamp, que acontece na próxima quinta-feira, 19 de novembro, com início às 19 horas (horário de Brasília). O tema será Espaço geográfico e brutalidade: racionalidades da digitalização da informação.

Os convidados são o Prof. Dr. Márcio Cataia, do Departamento de Geografia da Unicamp, e o Prof. Dr. Fábio Tozi, da UFMG. A mediação é do Prof. Dr. Carlos Eduardo Nobre, da UEMA.

Para garantir o certificado de participação, inscreva-se previamente. Participe no canal da AGB-Campinas no YouTube!

Geo News: Geografia da Unicamp promove aulões para estudantes do Ensino Médio

A Geografia da Unicamp, por meio de sua disciplina de Estágio Supervisionado, está promovendo um ciclo de quatro aulões de Geografia e Atualidades para estudantes do Ensino Médio, visando o Enem e os vestibulares. As aulas serão transmitidas no canal do APEGEO no YouTube. Para emissão do certificado, deve-se inscrever no evento.

As aulas terão os seguintes temas: Geografia e Fake News (12 de novembro), Mudanças Climáticas e seus Impactos Socioambientais (19 de novembro), Violência Urbana e Fragmentação Espacial (26 de novembro), Pandemia de Covid-19 e Globalização (3 de dezembro). Além disso, está previsto um simulado no dia 10 de dezembro.

Eventos de Geografia online em 2021: CBOE e Enanpege

Nos últimos dias, tivemos a notícia de que dois eventos serão realizados em 2021 de maneira remota.

O III Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e XV Seminário de Pós Graduação em Geografia da UNESP – Campus de Rio Claro acontecerá em três dias alternados: 31 de maio, 2 de junho e 4 de junho de 2021 com o tema Impactos e Mutações no Território Brasileiro: da crise política à devastação ambiental no contexto da pandemia do COVID-19.

De acordo com a primeira circular, o envio de trabalhos completos é de 10 de novembro a 31 de dezembro de 2020. Serão 14 grupos de trabalho simultâneos, em três eixos.


A ANPEGE confirmou a realização do XIV Encontro Nacional de Pós-Graduação em Geografia (Enanpege) de 10 a 15 de outubro de 2021. Mais informações serão divulgadas em breve no site da associação.

Sedimentação e pedogênese em sistemas aluviais quaternários

O quarto webinar dos Diálogos Geográficos da Unicamp acontece na próxima quinta-feira, 5 de novembro, com início às 19 horas (horário de Brasília). O tema será Sedimentação e pedogênese em sistemas aluviais quaternários.

Os convidados são o Prof. Dr. Francisco Ladeira, do Departamento de Geografia da Unicamp e coordenador do grupo de pesquisa Solos, Paleossolos e Dinâmica da Paisagem, e o Prof. Dr. Mário Luís Assine, da Unesp — campus Rio Claro. A mediação é do Prof. Dr. André Luiz de Souza Celarino, do IFPR — campus Quedas do Iguaçu.

Para garantir o certificado de participação, inscreva-se previamente. Participe no canal da AGB-Campinas no YouTube!

Segundo encontro do Grupo de Estudos em Educação de Rio Claro — 10/11 às 13h30

O segundo encontro do Grupo de Estudos em Educação do Laboratório de Análise Espacial de Políticas Públicas (LAPP/UNESP/Rio Claro) e do Núcleo de Ensino de Geografia e Didática (NEGED/UNESP/Rio Claro) acontecerá no dia 10/11, terça-feira, entre 13h30 e 16h.

O grupo de estudos é uma iniciativa de associados da AGB-Campinas para estudos em Educação e Pedagogia Histórico-Crítica, tendo inicialmente participação de professoras(es) da rede pública municipal de Rio Claro. Esta reunião dará sequência aos debates iniciados no dia 27 de outubro, sobre os primeiros capítulos do livro História das Ideias Pedagógicas no Brasil, de Dermeval Saviani.

A leitura para discussão contempla o Capítulo 4 — A ‘Máquina Mercante’ e as metamorfoses na educação — a ser apresentado por Letícia Leal, mestranda no PPGeo – UNIFAL/MG, e o Capítulo 5 — As ideias pedagógicas do despotismo esclarecido (1759-1827) — por José Vitor Rossi Souza, licenciado em Geografia pela UNESP/Rio Claro.

A reunião será aberta a todos os interessados, que devem entrar em contato com Gabriel pelo e-mail gbairro [at] gmail.com para mais informações e para obter o link de acesso.

O raciocínio geográfico como método para o ensino de Geografia na Educação Básica

O terceiro webinar dos Diálogos Geográficos da Unicamp acontece na próxima quinta-feira, 29 de outubro, com início às 19 horas (horário de Brasília). O tema será O raciocínio geográfico como método para o ensino de Geografia na Educação Básica.

Os convidados são o Prof. Dr. Rafael Straforini, do Departamento de Geografia da Unicamp e coordenador do grupo de pesquisa Ateliê de Pesquisas e Práticas em Ensino de Geografia — APEGEO, e a Profª Drª Sônia Maria Vanzella Castellar, da Faculdade de Educação da USP. A mediação é do Prof. Dr. Marcone Denys dos Reis Nunes, da Uneb — campus Jacobina.

Para garantir o certificado de participação, inscreva-se previamente. Participe no canal da AGB-Campinas no YouTube!

Itamar Vieira Junior: o geógrafo vencedor do prêmio Jabuti

Gustavo Teramatsu / AGB-Campinas

Itamar Vieira Junior, autor de Torto Arado

Atualizado em 26/11/2020, quando do anúncio do Prêmio

No ano passado fizemos um levantamento da participação de geógrafos no Prêmio Jabuti, lembrando que nossa Associação foi uma das primeiras premiadas pela publicação de A Cidade de São Paulo – Estudos de Geografia Urbana, em 1959, na cerimônia que coroou Gabriela, Cravo e Canela de Jorge Amado. O maior prêmio da literatura brasileira premiou ainda, ao longo dos anos, Milton Santos e Aziz Ab’Sáber.

Faltou, contudo, um nome importante na lista — que neste ano, na 62ª edição do Prêmio, esteve novamente entre os finalistas, desta vez, na categoria Romance Literário: Itamar Rangel Vieira Junior, autor de Torto Arado, que concorreu com veteranos como Chico Buarque, Edney Silvestre e Luiz Ruffato — e venceu!

Em 2018, Itamar havia vencido o Prêmio LeYa por Torto Arado e também havia sido finalista do Jabuti, na categoria Contos, com A Oração do Carrasco, seu segundo livro.

Nascido em Salvador em 1979, Itamar formou-se geógrafo e mestre em Geografia na Universidade Federal da Bahia — com a monografia A expansão de Salvador: a produção do espaço urbano em uma via metropolitana, de 2005, e a dissertação A valorização imobiliária empreendida pelo Estado e mercado formal de imóveis em Salvador: analisando a Avenida Paralela, defendida em 2007, ambos os trabalhos orientados pela professora Maria Auxiliadora da Silva. O doutorado em Estudos Étnicos e Africanos — “Trabalhar é tá na luta“: vida, moradia e movimento entre o povo Iuna, Chapada Diamantina — concluído em 2017, foi feito na mesma instituição com orientação da Profª Drª Maria Rosário Gonçalves de Carvalho.

Sua carreira profissional, como analista em reforma e desenvolvimento agrário no Serviço de Regularização de Territórios Quilombolas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária — Incra, nos estados do Maranhão e da Bahia, foi construída paralelamente ao trabalho acadêmico e também ao trabalho como escritor.


Resenha de Torto Arado

pelo professor Marcelo de Andrade Lima da EE Dom João Nery de Campinas

Há um tempo, li um artigo de Gilberto Maringoni na revista Desafios do Desenvolvimento, do IPEA, que falava sobre o destino dos negros após a abolição. Sempre retorno a esse texto para preparar minhas aulas de Geografia — e, agora, de Sociologia.

Recentemente, graças a esses canais em redes sociais voltados à literatura, chegou em minhas mãos Torto Arado de Itamar Vieira Junior, que trata de um desses destinos possíveis do povo negro após a abolição, no sertão da Bahia.

Em primeiro plano, temos Bibiana e Belonísia, irmãs marcadas pelo resto de suas vidas por um acidente. São elas que nos apresentam a história.

O cenário é a Fazenda de Água Negra, onde os descendentes de escravos viviam “como gado, trabalhando sem ter nada em troca”, nem descanso, em uma condição de servidão, só com o “direito de morar”, se assim “os senhores quisessem”.

As tradições religiosas afro-brasileiras e a ancestralidade demonstram e oferecem uma capacidade de sobrevivência para um povo cujo “sofrimento era o sangue oculto a correr nas veias de Água Negra”. A força da mulher negra é o alicerce para a comunidade da fazenda.

As terras que “só tem valor se tem trabalho”, mas as mãos de seus “donos” não dariam conta de trabalhá-las todas, passam, a partir de uma tomada de consciência, a ser objeto pelo direito de posse por um povo que lhe deu sentido.

Em vários momentos li em voz alta, para me fazer escutar as lindas passagens desse livro com suas referências geográficas do lugar, bem como para descrever os personagens, como o pai das irmãs, Zeca Chapéu Grande, curador de Jarê, que tinha “sulcos profundos, vales na sua pele erodida pelo sol e pelo vento”… O escritor é geógrafo.

Que livro. Eu, como professor, vou trabalhar para que essa obra esteja nas salas de aulas. É preciso dar voz para aqueles que foram renegados da historiografia oficial, sempre…


Leia mais — bibliografia disponível gratuitamente

VIEIRA JUNIOR, Itamar Rangel. Discurso “verde“: produzindo espaço, vendendo paisagem. In: Seminário do Laboratório de Estudos Ambientais e Gestão do Território, 2005, Salvador. Cadernos do Leaget, 2005. [PDF]

VIEIRA JUNIOR, Itamar Rangel. A valorização imobiliária empreendida pelo Estado e o mercado informal de imóveis em Salvador: analisando a Avenida Paralela. Dissertação de mestrado — Programa de Pós-Graduação em Geografia, Instituto de Geociências, Universidade Federal da Bahia, 2007. [PDF]

VIEIRA JUNIOR, Itamar Rangel. Territorialidade e etnicidade: debates para a regularização fundiária de quilombos pelo Estado Brasileiro. In: Anales del XIV Encontro de Geógrafos de América Latina 2013 Perú. Lima: Unión Geográfica Internacional – Comité Nacional Perú, 2013. [PDF]

VIEIRA JUNIOR, Itamar Rangel; SANTOS, Flavio Luis Assiz. Expressões de territorialidade entre trabalhadores e quilombolas na Chapada Diamantina, Bahia. In: Anais da 29ª Reunião Brasileira de Antropologia, Natal, 2014. [PDF]

VIEIRA JUNIOR, Itamar Rangel. Quando a memória é patrimônio: expressões de territorialidade de comunidades quilombolas. Geografia em Questão (Online), v. 08, p. 01-163, 2015. [PDF]

VIEIRA JUNIOR, Itamar Rangel. “Trabalhar é tá na luta”: vida, morada e movimento entre o povo da Iuna, Chapada Diamantina. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Estudos Étnicos e Africanos, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal da Bahia, 2017. [PDF]

Participe do primeiro encontro do Grupo de Estudos em Educação em Rio Claro

Professores e estudantes de Geografia de Rio Claro estão organizando um grupo de estudos em Educação e Pedagogia Histórico-Crítica. A primeira reunião acontecerá na próxima terça-feira, 27/10, das 13h30 às 15h30. Serão debatidos os três primeiros capítulos do livro História das Ideias Pedagógicas no Brasil, de Dermeval Saviani (professor da Faculdade de Educação da Unicamp).

O primeiro encontro se debruçará sobre o primeiro período delimitado por Saviani, correspondente às ideias pedagógicas no Brasil entre 1549 e 1759, com o denominado “monopólio da vertente religiosa da pedagogia tradicional”.

Os capítulos 1 e 2 (“Colonização e Educação” e “Uma Pedagogia Brasílica (1549-1599)”) serão discutidos pela professora Bruna Gomes Rossin (SME-Rio Claro). O terceiro capítulo (“A Institucionalização da Pedagogia Jesuítica ou o Ratio Studiorum (1599-1759)”) será apresentado por Gabriel Bairro (mestrando em Geografia na Unesp-Rio Claro e integrante do Laboratório de Análise Espacial em Políticas Públicas — LAPP).

A reunião será aberta a todos os interessados, que devem entrar em contato com Gabriel pelo e-mail gbairro [at] gmail.com para mais informações e para obter o link de acesso.

Cotuca abre vaga temporária para professor de Geografia

Estão abertas de 21 a 3 de novembro de 2020 (prazo prorrogado) as inscrições para vaga de docente para jornada de 30 horas semanais junto ao Departamento de Humanidades do Colégio Técnico de Campinas — Cotuca, nos termos do Edital CTC 004/2020.

Os candidatos deverão ser portadores de diploma em Licenciatura em Geografia. A vaga será para as disciplinas de Geografia e de Filosofia e Sociologia nos cursos técnicos de Enfermagem (vespertino), Eletroeletrônica e Mecatrônica (noturnos).

A contratação será em caráter emergencial, pelo prazo de um ano prorrogável uma única vez, por igual período. A remuneração será de R$ 3.603,02.

Os resultados do processo poderão ser utilizados para preenchimento de eventual vaga na área de Geografia que surgir durante seu prazo de validade (podendo ser em jornada de 10h, 20h, 30h ou 40h).

Erundina e os geógrafos

A atuação da AGB pela criação do cargo de geógrafo e geógrafa na Prefeitura de São Paulo culminou com um projeto de lei assinado pela prefeita Luiza Erundina em 1992

Gustavo Teramatsu / AGB-Campinas

A prefeita Luiza Erundina no dia de sua posse, em 1º de janeiro de 1989 (Claudio Freitas/Folhapress)

A terça-feira 25 de agosto de 1992 foi um dia histórico. Enormes protestos pelo impeachment do presidente Fernando Collor aconteceram em todo o país, os maiores na cidade de São Paulo. Após a concentração em frente ao MASP, pela manhã, a passeata dos estudantes caras-pintadas percorreu a cidade. Ao cair da noite, um grande comício no Vale do Anhangabaú do “Movimento pela Ética na Política” atraiu milhares de pessoas. Falaram à multidão – a maior vista desde as Diretas Já – diversos políticos, entre eles Lula e Luiza Erundina, que declarou que “a indignação individual se transformou em reação coletiva”.

Mais cedo naquele dia, antes de subir no palanque, a prefeita havia finalmente enviado à Câmara Municipal de São Paulo o Projeto de Lei 288/92, que criava trinta cargos de geógrafo e instituía a carreira na Prefeitura. Na exposição de motivos, explicava:

“A matéria originou-se com a representação da Associação dos Geógrafos do Brasil (sic), entidade de classe que congrega esses profissionais, na qual foi solicitada a criação dos cargos e da carreira correspondente. Reconhecida a atuação dos geógrafos nos diversos campos – em especial nas questões relativas à utilização do solo, ao meio ambiente, à poluição e à habitação –, foram realizados estudos no âmbito da Prefeitura, que concluíram pela necessidade de serem criados os cargos, inclusive em razão de existirem servidores admitidos na função de geógrafo”.

Comício no Anhangabaú pelo impeachment de Collor em 1992 (Antonio Milena/Veja)

O projeto de lei, disponível no SPLEGIS [aqui, em PDF], é acompanhado por um ofício da AGB assinado pela presidente Arlete Moysés Rodrigues, da Unicamp, datado de 2 de maio de 1989 — a AGB-Campinas seria fundada no mês seguinte. No documento, a professora Arlete argumentava:

“O geógrafo tem, sem dúvida, contribuições a dar na administração municipal, sejam nas questões relativas ao plano diretor que em breve será objeto de estudo e trabalho nas municipalidades, sejam nas questões de utilização do solo e meio ambiente, do abastecimento alimentar, poluição visual, acústica e do ar, habitação, densidade e fluxo de transporte e da distribuição e classificação das sub-regiões que compõe a aglomeração paulistana, além das questões metropolitanas (…). Dadas as características da formação e atribuições dos geógrafos, consideramos que os mesmos poderão contribuir com competência para a obtenção do pleno exercício da cidadania”.

Arlete havia sido eleita presidenta da AGB no ano anterior, no 7º Encontro de Geógrafos em Maceió, que ficou marcado justamente pela interpelação que a AGB fez ao então governador Fernando Collor na porta do Palácio Floriano Peixoto, sede do governo alagoano, sobre as enchentes do Mundaú, na região de União dos Palmares.


Três anos depois do início dos debates pela criação dos cargos de geógrafos junto à AGB, a proposta encaminhada pelo governo do Partido dos Trabalhadores, devidamente aprovada pela Secretaria Municipal de Planejamento — cujo chefe de gabinete era Guido Mantega —, estava perto de se tornar lei.

Na Câmara Municipal, o projeto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça em 25 de setembro, pela Comissão de Administração Pública em 9 de novembro e, por fim, pela Comissão de Finanças e Orçamento em 26 de novembro. Enquanto isso, ocorriam as eleições municipais. Em 3 de outubro, Paulo Maluf e o senador Eduardo Suplicy (primo em segundo grau do geógrafo Aroldo de Azevedo [1910-1974]), foram ao segundo turno. Em 15 de novembro, Maluf derrotou Suplicy, obtendo 58,08% dos votos válidos, o que marcava uma ruptura iminente na continuidade dos projetos do governo petista.

Era necessário agir. Apensados ao processo do projeto de lei estão diversos documentos pela aprovação do projeto. São apelos dirigidos ao vereador Paulo Kobayashi (1945-2005), então presidente da Câmara, que era formado em Geografia pela PUC São Paulo e se tornou conhecido como professor de Geografia no Objetivo da Paulista.

O professor de Geografia Paulo Kobayashi, então presidente da Câmara Municipal de São Paulo (autoria desconhecida)

A Seção São Paulo da AGB, em 29 de outubro, por meio de seu secretário Dalterli Rubens Castrisana (lamentavelmente falecido no ano seguinte, aos 27 anos), encaminhou à Câmara um documento de seis páginas intitulado O papel do geógrafo na administração do município, que mencionava que a AGB tinha, então, 5 mil associados em todo o Brasil, 1500 dos quais em São Paulo.

Finda a 43ª Reunião de Gestão Coletiva da AGB, realizada em Curitiba, no feriado de Finados daquele ano, o professor Zeno Soares Crocetti, que presidia a Diretoria Executiva Nacional da AGB, assinou ofício defendendo a aprovação do projeto: “Diversos municípios brasileiros já contam com geógrafos em seus quadros e nos causa estranheza o fato de que em São Paulo — a maior cidade do Brasil — não se dispõe destes profissionais na administração”.

Há também telegramas, incluindo dois enviados pela Seção Local Presidente Prudente, todos com textos semelhantes, evidenciando uma campanha: “Solicitamos vossa especial atenção na análise do projeto de criação de cargo e carreira de geógrafo”.

A Geografia da UFRGS também enviou apoio por meio de ofício assinado pela professora Neiva Otero Schäffer, chefe do Departamento.

Na USP, os professores do Departamento de Geografia organizaram um abaixo-assinado pela aprovação do projeto. “Entendemos que os trabalhos de planejamento e gestão do território desta Metrópole, bem como o estudo de prevenção dos impactos ambientais de grandes projetos não podem prescindir da contribuição e conhecimentos destes profissionais”, diz o texto, subscrito por diversos docentes, alguns dos quais já falecidos: Milton Santos (1926-2001), Armando Corrêa da Silva (1931-2000), Eduardo Abdo Yázigi (1941-2019), Felisberto Cavalheiro (1945-2003) e Antonio Carlos Robert Moraes (1954-2015).

O Centro de Estudos Geográficos – CEGE também organizou outro abaixo-assinado: “Temos a certeza da necessidade do trabalho do Geógrafo junto aos órgãos municipais, visto que sua formação lhe permite atuar competentemente nesta, contribuindo assim, nas diversas ações desenvolvidas pela PMSP”. Seguem centenas de assinaturas, entre as quais as de Anselmo Alfredo, Júlio Cesar Suzuki, Vicente Eudes Lemos Alves, Larissa Mies Bombardi, Nilo Américo Rodrigues Lima de Almeida, Rita de Cássia Ariza da Cruz, Rubens de Toledo Junior, Paula Borin, Flávia Christina Andrade Grimm, Silvia Lopes Raimundo e Paulo Roberto de Albuquerque Bomfim. Quantos deles foram caras-pintadas?

O projeto de lei, contudo, não foi à votação em 1992. Em 13 de janeiro de 1993, Paulo Maluf, de volta à Prefeitura, solicitou seu arquivamento, para ser “objeto de reexame pelos órgãos municipais competentes”. O processo foi arquivado em março daquele ano e não foi reaberto desde então.


(Texto atualizado em 7/12/2020) Em 2020, Erundina foi candidata a vice-prefeita de Guilherme Boulos pelo Partido Socialismo e Liberdade. Circulou na internet um manifesto de geógrafos (com geólogos e engenheiros) em apoio à candidatura, que obteve 1.080.736 votos no 1º turno e 2.168.109 no 2º. A deputada federal teve participação nas últimas cinco eleições municipais da capital paulista. Em 2016, foi candidata pelo PSOL com Ivan Valente como vice, tendo obtido 184 mil votos (5º lugar); em 2012, declinou da candidatura como vice-prefeita de Fernando Haddad por divergências políticas com o PT (entrou Nádia Campeão, do PCdoB); em 2008, foi impedida pelo PSB de ser candidata a vice-prefeita de Marta Suplicy (entrou Aldo Rebelo, do PCdoB); em 2004, foi candidata do PSB com Michel Temer (PMDB) como vice, tendo obtido 244.090 votos (4º lugar); em 2000, com Emerson Kapaz (PPS), foi candidata com 546.766 votos (5º lugar); em 1996, com Aloizio Mercadante, foi ao segundo turno contra Celso Pitta, obtendo 1.291.120 votos no 1º turno e 1.924.630 no 2º.

Brasil e a pandemia de Covid-19: um olhar a partir da Geografia da Saúde

O Prof. Dr. Raul Borges Guimarães, Departamento de Geografia da Unversidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho — Unesp de Presidente Prudente será entrevistado por Beatriz Jucá, repórter do El País, pelo Prof. Dr. Ricardo Mendes Antas Jr., do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo — USP, e pela Profa. Dra. Natacha Cintia Regina Aleixo, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Amazonas — UFAM.

Com mediação de Daniel Bruno Vasconcelos, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Geografia da USP, a atividade do GT Geografia e Covid-19 da USP acontece na terça-feira, 20 de outubro, às 16h30, horário de Brasília, com transmissão pelo YouTube.

Geotecnologias e Gestão Territorial

O segundo webinar dos Diálogos Geográficos da Unicamp acontece na próxima quinta-feira, 22 de outubro, com início às 19 horas (horário de Brasília). O tema será Geotecnologias e Gestão Territorial.

Os convidados são o Prof. Dr. Lindon Fonseca Matias, do Departamento de Geografia da Unicamp e coordenador do grupo de pesquisa Geotecnologias Aplicadas à Gestão do Território — GeoGet, e o Geógrafo Dr. Marcelo Fernando Fonseca, da Embrapa Territorial. A mediação é do Prof. Dr. Ederson do Nascimento, da UFFS — Campus Chapecó.

Para garantir o certificado de participação, inscreva-se previamente. Participe no canal da AGB-Campinas no YouTube!

Eleita Diretoria Executiva Nacional para o biênio 2020-2022

A Chapa Primavera nos Dentes foi eleita para a Diretoria Executiva Nacional da Associação dos Geógrafos Brasileiros para o biênio 2020-2022. Foram 117 votos, sendo 116 na chapa eleita e um voto em branco. A posse ocorreu em Assembleia Geral Extraordinária realizada por meio virtual, devido à pandemia de covid-19, no dia 3 de outubro.

Em seu plano de trabalho, a chapa pontua que “neste período, entende-se a necessidade de pensar a entidade em si, seu funcionamento, sua estrutura, e o contexto no qual ela tem se inserido, em busca de (re)organizar a AGB em relação aos dilemas sociais, políticos e ambientais que o país vem enfrentando nos últimos anos”.

Presidenta: Lorena Izá Pereira (SL Presidente Prudente)

Vice-presidenta: Amanda Emiliana Santos Baratelli (SL Três Lagoas)

Primeiro secretário: Vinicius Lima Lemes (SL Vitória)

Segunda secretária: Amanda Amaral (SL Juiz de Fora)

Primeiro tesoureiro: Felipe Rodrigues Leitão (SL Fortaleza)

Segundo tesoureiro: Gabriel Henrique de Oliveira Bragança (SL Belo Horizonte)

Coordenadora de Publicações: Rachel Facundo Vasconcelos de Oliveira (SL Fortaleza)

Suplente da coordenadora de Publicações: Maria Clara Salim Cerqueira (SL Belo Horizonte)

Coletivo de Comunicações: Igor Carlos Feitosa Alencar (SL João Pessoa), Lucas Araújo Martins (SL João Pessoa) e Paola Luchesi Braga (SL Belo Horizonte)

A diretoria da AGB-Campinas saúda a DEN eleita!

Hilton Federici, o inesquecível professor de Geografia de Aziz Ab’Sáber

Gustavo Teramatsu * / AGB-Campinas

Entrada principal da EE Hilton Federici, na rua Eduardo Modesto

O loteamento da Vila Santa Isabel, no distrito de Barão Geraldo em Campinas, quase no limite setentrional com Paulínia, começou a ser ocupado no fim da década de 1960. O bairro, com população de cerca de 4 mil pessoas, sedia a Moradia Estudantil da Unicamp e está a três quilômetros do campus da universidade, fundada na mesma época.

Na semana passada, um carro de som circulava pelo bairro com a vinheta do “Plantão da Globo” e um recado dos professores da Escola Estadual Hilton Federici, “o Hilton”:

“Prezada comunidade da Escola Hilton Federici: é com tristeza que comunicamos que a nossa escola foi selecionada para se tornar uma escola integral em novo formato. O Programa Ensino Integral, conhecido como PEI, não deveria ser implantado neste momento, pois dependeria de esclarecimentos à comunidade e decisão do conselho de escolar. Ter a resposta por meio de questionários não torna a mudança justa, pois muitos não têm tempo ou acesso à internet. É uma decisão muito importante para todos que fazem parte da nossa amada escola. A grande maioria dos professores da Escola Hilton Federici é contra essa mudança. Amamos nossos alunos e lutamos muito para que a escola se tornasse cada vez melhor e mais amada pela comunidade. Seguimos na luta para que possamos continuar fazendo parte dessa comunidade, pois muitas professoras e muitos professores terão de mudar de escola caso o novo formato seja implantado. Neste momento, precisamos de todo apoio da comunidade. (…) Nos apoie, converse com seus professores e suas professoras e participe das reuniões online. Não queremos transformar um ‘até breve’ em ‘adeus’. Contamos com a ajuda de vocês”.

Para a pedagoga Fabíola Machado da Rosa, que pesquisou a relação do Hilton com o entorno em seu TCC “Recontando a escola e reconhecendo o bairro”, defendido na Unicamp em 2013, “a história da escola não se fez isolada do desenvolvimento do bairro e da relação entre seus habitantes”.

A partir de depoimentos de antigos moradores e comerciantes da vila, Fabíola concluiu que “discursos e práticas, dentro e fora de seus muros, parecem ser resultado de uma construção coletiva que passa por relações pessoais, concepções de educação, expectativas, busca e execução de políticas públicas, embates e interesses em diversos níveis. Conhecer esses elementos torna-se importante para tentar entender as dinâmicas envolvidas entre comunidade e escola a fim de ampliar o olhar sobre as questões educacionais influenciadas por elas”.

Considerando as relações com a comunidade, Fabíola arrisca dizer que “realizar a escuta dos moradores talvez seja uma forma de formular novas relações”. O corpo docente do Hilton está justamente buscando maneiras de envolver a comunidade como um todo para fazer frente à implantação do PEI, ainda que por meio de reuniões virtuais que se tornaram comuns nestes últimos meses de pandemia. O Hilton da Vila Santa Isabel, portanto, completa quarenta anos discutindo seu futuro.

Leia mais sobre o PEI:


O professor Hilton Federici

Em 2020, também completa quarenta anos o falecimento do professor Hilton Federici. Em 13 de outubro de 1980, o governador Paulo Maluf publicava decreto denominando “Prof. Hilton Federici” a recém-criada EEPG da Vila Santa Isabel. Era a segunda instituição de ensino na cidade — depois da inauguração, em julho, de um Parque Infantil (atualmente EMEI) homônimo na Vila 31 de Março — que passaria a carregar em seu nome uma homenagem ao professor de Geografia e História falecido no dia 20 de junho daquele ano, aos 67 anos de idade.

A sala-ambiente do professor Hilton no Colégio Culto à Ciência (data e autoria desconhecidas)
Retrato de Hilton Federici

Hilton Federici chegou a Campinas em 1949. Foi professor de Geografia na Universidade Católica de Campinas e no Colégio Culto à Ciência, onde estudaram seus filhos Reinaldo e Lucilio Plauto. Foi sócio da nossa Associação dos Geógrafos Brasileiros e da Associação Nacional de História — ANPUH, então Associação Nacional dos Professores Universitários de História. Também foi membro da Academia Campinense de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas, e teve papel importante na inauguração do Brinco de Ouro da Princesa. Participou da diretoria do Guarani Futebol Clube e em 1964 publicou o pequeno livro A Razão do Nome Guarani.

Quando se aposentou, em 1968, encerrando trinta anos de magistério, o professor Hilton também ocupou o cargo de secretário de Educação e Cultura na gestão do prefeito Ruy Hellmeister Novaes, substituindo a professora Jacy Milani.

Aziz e Hilton

Depois de se formar em História e Geografia na USP e fazer o curso de formação pedagógica no Instituto de Caetano de Campos, em 1938, o jovem professor Hilton Federici se mudou para Caçapava, no Vale do Paraíba, onde lecionou História Geral e do Brasil por cerca de dois anos no Ginásio Estadual. A escola foi instalada de forma improvisada no Paço Municipal, , na Praça da Bandeira. O edifício que abrigava a Câmara Municipal estava sem uso, já que o Governo Vargas havia dissolvido o poder legislativo em 1937, com o Estado Novo. Atualmente funciona ali, em um prédio mais moderno, a EE Prof. João Gonçalves Barbosa, o Estadinho.

O Paço Municipal de Caçapava, onde foi instalado do Ginásio (autoria desconhecida)

Aqueles anos no ginásio permaneceram nas reminiscências de seus antigos estudantes, entre os quais um adolescente vindo de São Luiz do Paraitinga: Aziz Nacib Ab’Sáber (1924-2012). Em diversas ocasiões, como à Ciência Hoje, em 1992, e em um depoimento que deu à revista Fórum em 2002, o geógrafo relatou a influência decisiva que o professor Hilton teve em sua escolha profissional. No antológico depoimento a Cynara Menezes, a Socialista Morena, que originou o livro “O que é ser geógrafo” (Record, 2007), explicou:

“Até então ninguém tinha conseguido fazer com que eu me interessasse pela geografia. Os professores exigiam que os alunos decorassem muitos nomes — litoral, país, capital, litoral da América do Sul, desde Venezuela até Argentina —, só. Nem cenários apareciam. De repente, assisti às aulas de um professor de história que se apoiava em fatos da geografia regional, situava os acontecimentos em cima do espaço real, a expansão de certos tipos de fatos sobre áreas diversas do mundo. E me senti muito estimulado e interessado por aquela interface entre tempo e espaço — ou espaço e tempo. O professor de chamava Hilton Friedericci [sic], que depois veio para Campinas e passou a ser professor da PUC (…) — infelizmente, perdi a trajetória dele.

(…) Estava com 17 anos ao terminar o ginásio e, por influência indireta de Friedericci [sic], resolvi ir para São Paulo fazer uma sondagem sobre o curso de história e geografia”.

Enquanto o jovem Aziz tentava a sorte na capital, o professor Hilton tinha se transferido para Itapira, onde lecionou no ginásio de 1940 a 1944. Mudou-se então, para Guaratinguetá, onde lecionou na Escola Normal entre 1944 e 1949. Neste anos esteve novamente perto de sua terra natal, Cruzeiro, onde nascera em 9 de março de 1913, às margens do Paraíba do Sul.

É certo que Hilton e Aziz tiveram contato novamente em Campinas — este foi professor de Geografia do Brasil e de Elementos de Geologia na FFCL da Universidade Católica de Campinas, no Solar do Barão de Itapura, e não deixou de mencionar o nome de seu antigo mestre em seu artigo Vinte e cinco anos de Geografia em São Paulo (1934-1959), publicado na 34ª edição do Boletim Paulista de Geografia em 1960 e republicado em 2005.

Um dos graduandos em Geografia da época, vale dizer, era Antonio Christofoletti, que publicaria o livro A Terra Campineira com Federici em 1972.

Universidade Católica de Campinas na década de 1950 / Acervo Museu da PUC-Campinas

Em maio de 2011, aos 87 anos de idade — mais de sete décadas depois das aulas de Hilton em Caçapava — em entrevista ao Boletim Paulista de Geografia, de maneira mais resumida, Aziz ainda recordava: “A partir do último ano do ginásio eu conheci alguns professores que foram formados aqui na Universidade de São Paulo, os primeiros, os mais antigos e entre eles um historiador que marcou muito a minha vida, Hilton Federici, que dava história, mas em cima dos fatos geográficos. Eu achei aquilo maravilhoso e então foi por essa razão que escolhi História e Geografia”.

Naquele mês, o geógrafo visitou Campinas pela última vez, para o lançamento do livro A Obra de Aziz Nacib Ab’Sáber.

* aos colegas Ricardo de Sampaio Dagnino, que percebeu antes a relação entre Hilton (e a escola) e Aziz, e Bruna Regina de Oliveira Lima, professora de Geografia e diretora da APM do Hilton

Convocatória: Assembleia ordinária, 15/10/2020, às 19h

Prezados(as) associados(as),

a Diretoria Executiva da Seção Local de Campinas da Associação dos Geógrafos Brasileiros convoca assembleia geral local ordinária a ser realizada no dia 15 de outubro de 2020 (quinta-feira), às 19 horas em primeira chamada e às 19 horas e 15 minutos em segunda chamada, por meio virtual (Google Meet), para discussão da seguinte pauta:

Informes

Ordem do dia

  1. Debate da pauta e indicação de delegado(s) para a Reunião de Gestão Coletiva Extraordinária
  2. Atividades do GT Cidade – AGB-Campinas
  3. Outros assuntos

Diretoria Executiva Local

Instruções para participação: Confirme presença neste formulário. O link para a reunião será enviado em seu e-mail.


Documentos

Convocatória da RGC Extraordinária (23 e 24 de outubro de 2020)

Anexo I: Propostas de Políticas Financeiras da AGB realizada pelas Seções Locais (apresentadas na 139a RGC – 20 a 22 de setembro de 2019, Presidente Prudente/SP)

Ata da RGC Extraordinária (29/08/2020)

CAPES premia tese de Geografia da USP; UFES e Unicamp recebem menção honrosa

A tese de doutorado Redes digitais, espaços de poder: sobre conflitos na reconfiguração da internet e as estratégias de apropriação civil, defendida por Carolina Batista Israel em fevereiro de 2019 e orientada pela professora Mónica Arroyo no Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana da USP venceu o Prêmio CAPES de Tese 2020.

Receberam a menção honrosa as teses A cidade como espaço da batalha urbicida, de Márcio José Mendonça, defendida em agosto de 2019 na Universidade Federal do Espírito Santo, com orientação do professor Cláudio Zanotelli, e Espacialização e geocronologia das coberturas superficiais em terraços marinhos, fluviomarinhos e fluviais na foz das bacias dos rios Itapocu e Araranguá (SC) decorrentes dos episódios de transgressões e regressões marinhas associadas às oscilações/pulsações climática, defendida por Felipe Gomes Rubira na Unicamp em junho de 2019, orientado pelo professor Archimedes Perez Filho.


Rubira e Perez Filho participarão de webinar nesta quinta-feira à noite, no canal da AGB-Campinas no YouTube. As inscrições estão abertas.

Nesta quarta-feira, receberemos, também no YouTube, o ganhador do prêmio CAPES de Tese 2016 — Luis Henrique Leandro Ribeiro, que participará da mesa-redonda virtual Direito à cidade: a situação alimentar e a saúde em Campinas.

Baixos terraços fluviais e marinhos como geoindicadores e respostas a pulsos climáticos holocênicos

O primeiro webinar dos Diálogos Geográficos da Unicamp acontece nesta quinta-feira, 8 de outubro, com início às 19 horas (horário de Brasília). O tema será Baixos terraços fluviais e marinhos como geoindicadores e respostas a pulsos climáticos holocênicos.

Os convidados são o Prof. Dr. Archimedes Perez Filho, do Departamento de Geografia da Unicamp e o Prof. Dr. Antonio Carlos de Barros Corrêa, da UFPE. A mediação é do Prof. Dr. Felipe Gomes Rubira, da UFOB – Barreiras.

Para garantir o certificado de participação, inscreva-se previamente. Participe no canal da AGB-Campinas no YouTube!

Diálogos Geográficos da Unicamp

O Programa de Pós-Graduação da Unicamp, em parceria com a AGB-Campinas, está promovendo os Diálogos Geográficos da Unicamp, um ciclo de webinares que acontecem às quintas-feiras, com início às 19 horas.

Os webinares percorrem diversos temas relacionados às linhas de pesquisa e dos grupos de pesquisa da Geografia da Unicamp.

Garanta sua participação certificada fazendo previamente sua inscrição!

GT Cidade: último encontro tratará da situação alimentar e da saúde em Campinas, 7/10, às 19h

O quarto e último encontro do primeiro ciclo de atividades do novo GT Cidade da AGB-Campinas discutirá Direito à cidade: a situação alimentar e a saúde em Campinas. São nossos convidados Nil Sena, mestra griote, estudante de pedagogia da PUC-Campinas e agente comunitária de saúde, e os geógrafos Livia Cangiano Antipon e Luis Henrique Leandro Ribeiro.

A atividade terá transmissão ao vivo pelo canal da AGB-Campinas no YouTube e no Facebook no dia 7/10, quarta-feira, com início às 19 horas e duração estimada de duas horas. Participe!

Confira os três primeiros encontros:

Balanço crítico das políticas urbanas e caminhos para o direito à cidade em Campinas

Direito à cidade: pensando classe, raça e gênero em Campinas

Ocupações urbanas e a luta pelo direito à moradia na Região Metropolitana de Campinas

Chapa Primavera nos Dentes se candidata à Diretoria Executiva Nacional

A Comissão Eleitoral, composta por Jhiovanna Braghin (SL Três Lagoas), Uelinton Barbosa (Seção Local Cidade de Goiás) e José Carlos Dantas (SL João Pessoa/Presidente Prudente) confirmou que a Chapa Primavera nos Dentes (leia o plano de trabalho) é a única pleiteante à Diretoria Executiva Nacional da Associação dos Geógrafos Brasileiros na gestão 2020-2022. A apresentação da chapa aconteceu na noite desta segunda-feira, 28 de setembro. A votação ocorrerá entre 30/09 às 20h do dia 02/10. A Assembleia Geral Extraordinária será realizada no dia 03/10, às 15h. Todos os sócios quites com a anuidade receberão instruções para participação na votação e na assembleia.

Chapa Primavera nos Dentes

Presidenta: Lorena Izá Pereira (SL Presidente Prudente)

Vice-presidenta: Amanda Emiliana Santos Baratelli (SL Três Lagoas)

Primeiro secretário: Vinicius Lima Lemes (SL Vitória)

Segunda secretária: Amanda Amaral (SL Juiz de Fora)

Primeiro tesoureiro: Felipe Rodrigues Leitão (SL Fortaleza)

Segundo tesoureiro: Gabriel Henrique de Oliveira Bragança (SL Belo Horizonte)

Coordenadora de Publicações: Rachel Facundo Vasconcelos de Oliveira (SL Fortaleza)

Suplente da coordenadora de Publicações: Maria Clara Salim Cerqueira (SL Belo Horizonte)

Coletivo de Comunicações: Igor Carlos Feitosa Alencar (SL João Pessoa), Lucas Araújo Martins (SL João Pessoa) e Paola Luchesi Braga (SL Belo Horizonte)

Ailton Krenak e Chico Mendes na Terra Livre

Gustavo Teramatsu / AGB-Campinas. Fotos: Alice Yumi Hattori (Ailton Krenak) Denise Zmekhol (Chico Mendes)

Em tempos em que pessoas como Salles (o ministro do meio ambiente que desconhecia Chico Mendes), Bolsonaro (o presidente da que alegou na Assembleia Geral da ONU que “a floresta é úmida e não permite a propagação do fogo em seu interior” e que “os incêndios acontecem praticamente nos mesmos lugares no entorno leste da Floresta, onde o caboclo e o índio queimam seus roçados”), Pazuello (o general ministro da saúde e ex-comandante da 12ª Região Militar que se atrapalhou ao relacionar o inverno amazônico com a influência do hemisfério norte), Mourão (o vice-presidente que recentemente afirmou que as queimadas são “narrativas tiradas da cartola”) et caterva estão no poder e promovem intensa campanha de desinformação sobre a Amazônia brasileira, vale a pena a leitura de dois breves textos publicados pela AGB na revista Terra Livre (que acaba de chegar à 54ª edição) no fim da década de 1980.

Ailton Krenak: Tradição Indígena e Ocupação Sustentável da Floresta

Chico Mendes: A Luta dos Povos da Floresta

“Desde o assassinato de Chico Mendes, a Amazônia tem sido palco de debates em todos os setores da sociedade e em escala mundial”, afirmava o professor Bernardo Mançano Fernandes, então coordenador de publicações da AGB, apresentando a edição n. 6 da revista Terra Livre, com o tema “Território e Cidadania: da luta pela terra ao direito à vida”.

O assassinato de Chico Mendes, divulgado amplamente pela mídia internacional, deu visibilidade à luta dos povos da floresta. Meses depois de seu assassinato, o sindicalista morto chegou mesmo a receber uma homenagem do ex-beatle Paul McCartney, que lhe dedicou uma música em seu novo disco.

Continuava o geógrafo: “O Governo Federal apresenta o programa ‘Nossa Natureza’, sob a égide de um protecionismo desavisado. As Nações indígenas, em sua organização, procuram sobreviver às estradas, barragens e outros projetos. A BR-364 e as usinas hidrelétricas, inclusive a ex-Kararaô, são citadas como meios de desagregação e/ou destruição das comunidades amazônicas. A grilagem de terras, prática constante nas terras do Brasil, gerando violência, expulsão e migração e, por conseqüência, gerando a luta popular e a re-volta para a terra, estudada através do processo de conscientização de grupos que criam o agir, a ação própria e o avanço da luta na reconquista do direito de ser CIDADÃO”.

Ailton Krenak, coordenador Nacional da União das Nações Indígenas, fez um discurso na Assembleia Nacional Constituinte pelos direitos dos indígenas que se tornou muito conhecido. Era setembro de 1987.

No texto da Terra Livre – Tradição Indígena e Ocupação Sustentável da Floresta – Ailton provocada: “Como assegurar regiões preservadas e garantir uma economia sustentável para nossas comunidades, diante da barbárie do progresso? O que fazer com regiões tradicionais que foram agredidas ao ponto do grave comprometimento dos ecossistemas?”. Estas são, ainda hoje, questões prementes.

Em abril deste ano, Ailton foi o primeiro entrevistado na série de vídeos Vozes da Floresta – A Aliança dos Povos da Floresta de Chico Mendes a Nossos Dias. Além disso, publicou recentemente os livros Ideias para adiar o fim do mundo (2019), O amanhã não está à venda (2020) e A vida não é útil (2020) pela Companhia das Letras.


Em junho de 1988, Chico Mendes esteve na USP a convite da AGB e do Departamento de Geografia. A transcrição da palestra, em cinco partes no canal do YouTube da professora Arlete Moysés Rodrigues, que era então a presidente da AGB, foi publicada postumamente na sétima edição da Terra Livre (Geografia: Pesquisa e Prática Social). O texto recebeu o título de A Luta dos Povos da Floresta.

“Se continuar o desmatamento, se continuar se investindo nos incentivos e na criação de grupos agropecuários para a Amazônia, então o nosso futuro estará ameaçado. Eu acho que o futuro da Amazônia depende muito da organização da resistência da sociedade brasileira e principalmente dos trabalhadores brasileiros. E quando eu falo em trabalhadores não são só os seringueiros, nem os índios, mas também os estudantes, os professores, enfim todos os segmentos da sociedade brasileira”, declarava o líder dos seringueiros de Xapuri.

Ele seria assassinado em dezembro daquele ano. Na palestra, que fazia parte de um périplo que fazia pelo país, Chico Mendes comentou sobre os atentados que havia sofrido e as ameaças de morte. “Eu pelo menos fui vítima até hoje, a partir de 1977, de seis atentados; felizmente escapei de todos eles por incrível que pareça. Recentemente eles atacaram um acampamento nosso, no dia 26 de maio, e dois companheiros foram baleados; um seringueiro recebeu sete balaços e outro companheiro duas balas. Felizmente eles conseguiram sobreviver até hoje. A minha casa está sendo guarnecida por quatro seringueiros, onde dois permanecem até meia-noite e os outros dois até o amanhecer do dia. A sede do sindicato diariamente está sendo cercada por pistoleiros; hoje mesmo recebi notícias de Xapuri de que esta noite vários pistoleiros tentaram invadir a sede do sindicato”.

Mauricio Waldman, que esteve na palestra na USP, conta que a partir dali se formou o Comitê de Apoio aos Povos da Floresta de São Paulo, que no ano seguinte publicaria a cartilha Chico Mendes – O Seringueiro em colaboração com o Conselho Nacional de Seringueiros e com o Departamento Rural da Central Única dos Trabalhadores, que também deixamos disponível para download (clique na capa ao lado).

GT Cidade: terceiro encontro debate as ocupações urbanas e a luta pelo direito à moradia na RMC, 30/09, às 19h

O terceiro encontro do novo GT Cidade da AGB-Campinas discutirá Ocupações urbanas e a luta pelo direito à moradia na Região Metropolitana de Campinas. São nossos convidados Antonio Douglas Campos, estudante de Direito na UFMG, representando a Ocupação Vila Soma; Thamires Gomes, uma das coordenadoras da Ocupação Nelson Mandela; e Alexandre Mandl, advogado popular das duas ocupações.

A atividade terá transmissão ao vivo pelo canal da AGB-Campinas no YouTube e no Facebook no dia 30/09, quarta-feira, com início às 19 horas e duração estimada de uma hora e meia.

GT Cidade: segundo encontro coloca em questão classe, raça e gênero em Campinas, 23/09, às 19h

O segundo encontro do novo GT Cidade da AGB-Campinas tem como convidados as geógrafas Helena Rizzatti Fonseca e Maria Júlia Buck Rossetto e do estudante de pedagogia, produtor cultural e militante Allhan William “Lumumba” de Oliveira, que debaterão o tema Direito à cidade: pensando classe, raça e gênero em Campinas. A atividade terá transmissão ao vivo pelo canal da AGB-Campinas no YouTube e no Facebook no dia 23/09, quarta-feira, com início às 19 horas e duração estimada de uma hora e meia.

A relação atividades econômicas/espaço, ontem e hoje: uma introdução à Geografia Econômica, 24/9, às 19h

A aula inaugural da disciplina de Geografia Econômica da Unicamp será aberta e transmitida pela AGB-Campinas, em canal do YouTube e no Facebook.

O encontro será no dia 24 de setembro, quinta-feira, com início às 19 horas, professora Silvia Selingardi Sampaio (Unesp-Rio Claro) falará sobre A relação atividades econômicas/espaço, ontem e hoje: uma introdução à Geografia Econômica. A organização é do pós-doutorando Fernando Campos Mesquita, responsável pela disciplina neste semestre.

GT Cidade: primeiro encontro fará balanço de políticas urbanas e discutirá o direito à cidade em Campinas, 16/09 às 19h

O primeiro encontro do novo GT Cidade da AGB-Campinas tem como convidados o geógrafo Rogério Bezerra da Silva, a arquiteta e urbanista Eleusina Freitas e o geógrafo André Pasti, vice-diretor da AGB-Campinas, que debaterão o tema Balanço crítico das políticas urbanas e caminhos para o direito à cidade em Campinas. A atividade terá transmissão ao vivo pelo canal da AGB-Campinas no YouTube no dia 16/09, quarta-feira, com início às 19 horas e duração estimada de uma hora e meia.

Cidade e pandemia: o que temos aprendido com a Covid-19 até o momento

A Profa. Dra. Ligia Vizeu Barroso, do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo, debaterá o tema Cidade e pandemia: o que temos aprendido com a Covid-19 até o momento no dia 8 de setembro de 2020, terça-feira, às 17:30 (horário de Brasília), no canal do GT Geografia e Covid-19 no Youtube.

Informações sobre as próximas atividades e consulta de trabalhos já realizados podem ser obtidos na página do GT Geografia e Covid-19.

Fome, desigualdade e a geografia do Bolsa Família

Quais os estados brasileiros onde quase metade da população depende do programa. Por que, mesmo em regiões “mais ricas”, repasses são cruciais. Tímida, porém pioneira, iniciativa garantiu comida na mesa, mas também justiça espacial.

Homenagem ao Dr. Fernando Antônio da Silva (In memoriam) na coluna Outras Cartografias, por Igor Venceslau. Leia mais

Como Mentir com Mapas: webinar dia 28/08 às 16 horas

A Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF campus Senhor do Bonfim) e a Universidade do Estado da Bahia (UNEB campi I e IV), por meio do Núcleo de Estudos das Paisagens Semiáridas Tropicais (NEPST), promovem o webinar Como mentir com mapas: Desvendando o caráter ideológico dos mapas, oferecido pelo professor Lindon Fonseca Matias, do Departamento de Geografia da Unicamp. A atividade foi oferecida pela AGB-Campinas em 2017, com ótima avaliação dos participantes.

Os interessados devem realizar a inscrição no evento identificado como “7ª Webinar do NEPST – 28/08/20 (NOVA DATA)” clicando aqui.

Lúcio Kowarick (1938-2020)

Faleceu nesta segunda-feira (24/08), aos 82 anos, Lúcio Félix Frederico Kowarick. Autor de A Espoliação Urbana (1979), obra muito lida e debatida entre os geógrafos, o professor Lúcio era docente aposentado do Departamento de Ciência Política da FFLCH/USP. Entre suas obras mais recentes, publicadas pela Editora 34, estão Escritos Urbanos, Viver em Risco (vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Ciências Humanas em 2010), São Paulo: Novos Percursos e Atores – Sociedade, Cultura e Política (com Eduardo Marques) e Pluralidade Urbana em São Paulo: Vulnerabilidade, Marginalidade, Ativismos (com Heitor Frúgoli Júnior). O sepultamento acontecerá nesta terça-feira (25/08), às 16h30, no Cemitério Redentor em São Paulo (Avenida Doutor Arnaldo, 1105), precedido por breve velório, a partir das 14h30.

Diretoria Executiva Local

AGB-Campinas

Convocatória: Assembleia ordinária, 13/08/2020, às 18h

Prezados(as) associados(as),

a Diretoria Executiva da Seção Local de Campinas da Associação dos Geógrafos Brasileiros convoca assembleia geral local ordinária a ser realizada no dia 13 de agosto de 2020 (quinta-feira), às 18 horas em primeira chamada e às 18 horas e 15 minutos em segunda chamada, por meio virtual (plataforma Google Meet), para discussão da seguinte pauta:

Informes

  1. Relatório da tesouraria (1º semestre de 2020)

Ordem do dia

  1. Debate da pauta e indicação de delegado(s) para a Reunião de Gestão Coletiva Extraordinária
  2. Atividades do GT Cidade – AGB-Campinas
  3. Outros assuntos

Diretoria Executiva Local


Documentos

Convocatória da RGC Extraordinária (29/08/2020, às 15 horas)

Convocatória da Assembleia Geral Extraordinária (03/10/2020, às 15 horas)

Do neodesenvolvimentismo ao neoliberalismo radical: transformações geográficas em curso (22/07 às 15h)

Luciano Duarte, diretor-presidente da AGB-Campinas, faz palestra para o Núcleo de Estudos em Território, Cultura e Planejamento – Marielle da Universidade Estadual do Maranhão com o tema “Do neodesenvolvimentismo ao neoliberalismo radical: transformações geográficas em curso” nesta quarta-feira, 22/07, às 15h. A mediação será do Prof. Dr. Carlos Eduardo Nobre. Link para a palestra.

1º Seminário GT Geografia e Covid-19

Em resposta ao difícil contexto em que vivemos, os estudantes da pós-graduação e pesquisadores associados ao Departamento de Geografia da USP tomaram a iniciativa, em abril de 2020, de criar o Grupo de Trabalho Geografia e Covid-19, como ferramenta de mobilização e reflexão crítica acerca das dimensões geográficas da pandemia. O objetivo foi incentivar os discentes do Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (PPGH-DG/USP) a produzir e publicar textos, podcasts e vídeos com análises e reflexões sobre a pandemia feitas a partir da perspectiva da Geografia. 

Assim, buscamos oferecer à sociedade subsídios para uma leitura crítica sobre que está ocorrendo no panorama atual, fortemente impactado pela pandemia da Covid-19.

1° Seminário Virtual do GT Geografia e Covid-19 trará a apresentação dos trabalhos publicados entre abril e junho de 2020, buscando oferecer à sociedade subsídios para uma leitura crítica sobre que está ocorrendo no panorama atual, fortemente impactado pela pandemia da Covid-19.

O evento será realizado de 20 a 22 de julho de 2020, às 19 horas, com transmissão ao vivo pelo canal do Youtube GT Geografia e Covid-19.

Inscreva-se aqui!

Programação

Realização: Laboratório de Geografia Política (GEOPO) e Laboratório de Regionais em Geografia (LERGEO)

Coordenação do GT Geografia e Covid-19: Daniel Bruno Vasconcelos, Rinaldo de Castilho Rossi, Simone Affonso da Silva, Tatiana de Souza Leite Garcia e Thiago Oliveira Neto

A Metrópole de Campinas e a REGIC 2018: live com o geógrafo Bruno Hidalgo (IBGE), dia 30/07 às 19h

Clique na imagem para acessar o canal da AGB-Campinas no YouTube

A AGB-Campinas convida para sua primeira live, com a transmissão em seu canal do YouTube com o tema A Metrópole de Campinas e a REGIC 2018, com o geógrafo mestre Bruno Dantas Hidalgo, gerente de redes e fluxos geográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O início será às 19 horas do dia 30 de julho (horário de Brasília).

A atividade celebra a recente publicação pelo IBGE da aguardada Regiões de Influências das cidades: 2018 [download aqui, PDF com 93 MB], em que o Arranjo Populacional de Campinas aparece pela primeira vez com o status de Metrópole, assim como Florianópolis e Vitória.

O geógrafo Bruno Hidalgo explicará a metodologia da pesquisa, a hierarquia dos centros urbanos brasileiros e suas regiões de influência. Ao fim da exposição, os participantes poderão enviar questões pelo chat.

A atividade tem duração estimada de uma hora a uma hora e meia.


O Arranjo Populacional de Campinas/SP é a única Cidade que não é Capital Estadual dentre as que compõem o primeiro nível da hierarquia urbana. O ingresso de Campinas no grupo de Metrópoles se deve ao alto dinamismo empresarial existente tanto no núcleo quanto na área de influência, bem como ao porte demográfico, que ultrapassa os 2 milhões de habitantes. Localizada no interior do Estado de São Paulo, a menos de 100 km da Grande Metrópole Nacional, a rede de Campinas se estende para o norte e divide influência tanto com a Metrópole de São Paulo quanto com Belo Horizonte, conforme seu alcance se aproxima de Minas Gerais. Assim, caracteriza-se pela menor extensão territorial dentre as Metrópoles (apenas 14 mil km²), menor número de Cidades componentes de sua rede (apenas 34) e pela segunda mais alta densidade demográfica, comparável à do Rio de Janeiro, com 312 hab./km². A rede apresenta poucos níveis de encadeamento, truncada pelo próprio porte das Cidades atraídas que, em geral, já são Centros Sub-Regionais com dinamismo gerado pelas próprias atividades internas às Cidades, sem que haja um grande conjunto de Centros Locais a serem atraídos. Um exemplo disso é que a Capital Regional da região de influência de Campinas, que é o Arranjo Populacional de Americana – Santa Bárbara d’Oeste/SP, possui população elevada e produção industrial tão significativa que alçou à condição de Capital Regional sem ter nenhuma Cidade subordinada. A renda gerada pelas atividades econômicas existentes na região de influência de Campinas produziu o maior valor de PIB per capita dentre as Metrópoles, alcançando quase R$ 49 mil anuais por habitante.

Nota de pesar: Fernanda Bomfim Soares (1989-2020)

Comunicamos com imenso pesar o falecimento da jovem geógrafa e professora Fernanda Bomfim Soares, ocorrido no sábado, 11 de julho. Fernanda se graduou em Geografia na Unesp de Presidente Prudente e em Pedagogia na Universidade Metropolitana de Santos. Enquanto fazia o mestrado pela FCT-Unesp, com orientação do professor Antonio Cezar Leal, participou da Diretoria da Associação dos Geógrafos Brasileiros – Seção Local de Presidente Prudente. Também fez estágio de pesquisa em Munique e lecionou na rede estadual. Da pesquisa de mestrado decorre trabalho que apresentou em Campinas, no Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada em 2017. Ultimamente, fazia o doutorado no mesmo Programa e era professora assistente do Departamento de Geografia da Universidade Estadual de Maringá.

A AGB-Campinas transmite as condolências à família, especialmente aos pais Cláudio e Maria de Lourdes, ao namorado André e aos amigos e amigas.

Diretoria Executiva Local, 13 de julho de 2020

A Geografia toma partido: Geografia para resistir e AGB para construir (13-17/07/2020)

A Associação dos Geógrafos Brasileiros está organizando diversas atividades virtuais durante esta semana em que aconteceria o XX ENG, adiado em razão da pandemia de covid-19.

As conjunturas neoconservadoras e neoliberais que se desenham em escala mundo no primeiro quartel do século XXI tem se expressado de modo particular nas periferias do capitalismo mundial. A questão da periferia não se evidencia como localização, mas como condição de estar à margem do poder. Nesses termos, a condição periférica é uma realidade em toda a América Latina em relação a sua posição na organização do capitalismo mundial, que reverbera na realidade produzida dentro de suas próprias fronteiras. Os fundamentos estruturais da sociedade capitalista e a colonialidade dão o tom dos discursos racistas, machistas, homofóbicos, xenofóbicos, higienistas e classistas que têm se acentuado no campo de disputa da política contemporânea. Diante desse contexto, as dinâmicas educacionais, urbanas, rurais e ambientais expõem contradições estudadas pela e por meio da ciência geográfica em suas diversas escalas, o que possibilita criar e fortalecer mecanismos de resistência às hegemonias político-econômicas. A geografia emerge enquanto campo de crítica social para questionar as estruturas hegemônicas, as subordinações imperialistas e sub-imperialistas, hierarquizações e normatizações que escondem as diversidades sob as quais nossa sociedade é construída e se reproduz. Na contramão dessa conjuntura, a Associação dos Geógrafos Brasileiros – enquanto entidade representativa e articuladora da geografia – tem-se construído ao longo dos anos com uma base coletiva, através das Seções Locais e de seus Encontros Nacionais. Diante do avanço das práticas autoritárias, as formas horizontais de organização da AGB surgem como potencialidade de construção de resistências.


13 de julho (segunda-feira) – 19h (horário de Brasília)

Mesa virtual: A ofensiva neoliberal e neoconservadora no(a) Ensino/Educação: o que a Geografia tem a dizer?

Provocador: Rodrigo Coutinho Andrade (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) / integrante do GT de ensino da AGB Niterói)

Palestrantes: Ângela Massumi Katuta (Universidade Federal do Paraná – campus Litoral (UFPR) / AGB Presidente Prudente) e Carlos Josué de Assis (Professor da educação básica na rede de ensino de Fortaleza / AGB Fortaleza).

Historicamente a educação tem tido a função estratégica de produzir subjetividades/objetividades em favor da manutenção da ordem social do capital, determinada pelas necessidades da atual acumulação rentista e da produção de mercadorias, pelo lucro, pela exploração alienante do trabalho. O contexto político pós-eleições de 2018 aprofunda a precarização do trabalho e a desqualificação da docência como profissão, exigindo a análise e o compromisso de enfrentamento dos impactos da ofensiva neoliberal e neoconservadora no(a) Ensino/Educação. A reforma trabalhista e os novos modelos de relação de trabalho tendem a aprofundar a precarização da prática docente, além de confrontá-lo no seu papel efetivo na construção de políticas pedagógicas/ educacionais no cotidiano escolar. As políticas de avaliação externa da educação brasileira (inclusive dos professores, o provão do magistério), política de livros didáticos, currículos de formação de professores e as políticas recém-adotadas pelo Ministério da Educação (MEC) esvaziam e confrontam a formação do pensamento crítico e se articulam a novos modelos de currículos e métodos (BNCC) e um novo papel para o ensino médio (Lei n. 13.415/2017), retenção e/ou redirecionamento do ingresso no ensino superior. Contra estas pautas neoliberais, o papel político da geografia nesse contexto traz à tona a necessidade de reafirmar as bandeiras políticas da AGB na defesa da educação pública, gratuita e de qualidade socialmente referenciada nas lutas do povo brasileiro, da profissão docente e da Geografia como componente curricular. É indispensável que a geografia mostre o que tem a dizer.


14 de julho (terça-feira) – 19h (horário de Brasília)

Roda de conversa: Integração das Geografias da América Latina – Reunião com as entidades do Brasil e da América Latina

Participantes: participarão da atividade entidades de Geografia do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e México.

A necessidade da articulação entre estudantes, professoras(es) e profissionais de Geografia da América Latina há tempos se mostra como necessária. Em abril de 2019, durante o XVII Encontro de Geógrafos da América Latina (EGAL), realizado em Quito (Equador), buscamos promover esta articulação através de uma reunião entre diferentes entidade e coletivos que congregam estudantes, professoras(es) e profissionais de Geografia em todo o subcontinente. Na ocasião houve a tentativa de iniciar a criação de um coletivo de entidades de Geografia da América Latina para debater e pensar ações no âmbito científico, político e profissional da ciência geográfica.  No atual contexto, no qual vivenciamos avanço do neoliberalismo, do fascismo e do neoconservadorismo expresso de modo singular nas periferias do capitalismo mundial, o desmonte de políticas educacionais e a banalização/criminalização do conhecimento científico são práticas cada vez mais frequentes. Assim, a promoção de articulações entre associações, organizações, coletivos e entidades de Geografia na escala da América Latina se torna ainda mais fundamental. Com o objetivo de promover tal articulação, a Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) convida associações, organizações, coletivos e entidades de Geografia da América Latina a compor um espaço de debate a ser realizado durante a Semana “A Geografia toma partido: a Geografia para resistir e a AGB para construir” (13 a 17 de julho de 2020). O intuito do espaço é fomentar o diálogo entre tais entidades neste contexto de diferentes ataques a sociedade.


15 de julho (quarta-feira) – 19h (horário de Brasília)

Mesa virtual: Relações Raciais e Interseccionalidades: Geografias, Lutas antirracistas e a AGB

Provocador: Diego Dhermani (Integrante do GT de Geo raça e racismo da AGB Juiz de Fora e Mestrando em Geografia no PPGEO/Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)).

Palestrantes: Simone Antunes (Integrante do GT de Relações Raciais e Interseccionalidades da AGB Niterói, Professora de Geografia da Rede Pública Estadual do Rio de Janeiro, Integrante do Grupo de Pesquisas NEGRA/FFP e Mestranda no PPGEO/Universidade Federal Fluminense (UFF) e Renato Emerson Nascimento dos Santos (Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) / AGB Rio de Janeiro).

As hierarquizações étnicas e raciais possuem um papel histórico na construção da sociedade e consequentemente na produção científica brasileira. Os ataques a grupos indígenas e quilombolas; o genocídio da juventude negra nas periferias e favelas; as violências aos espaços sagrados das religiões de matriz africana e indígena; e as estruturas de opressão impostas as mulheres negras, são exemplos. A Geografia historicamente tem um papel fundamental na consolidação e naturalização dos “conhecimentos”, que através da colonialidade produzem a dominação de corpos, mentes e lugares. Partir de perspectivas antirracistas pressupõe o diálogo com novos paradigmas para compreender tais relações como elementos constituintes de práticas do espaço geográfico. Deste modo, propõe-se pensar as questões étnicorraciais e suas interseccionalidades não restritas a um campo específico da Geografia.  A AGB advoga estar na trincheira da luta antirracista. Contudo, sabe-se que as dimensões do racismo se difundem socialmente, assumindo caráter estrutural e promove a sua reprodução em diversas escalas. Sendo assim, questionamos: como a AGB se posiciona nas lutas antirracistas? Em que medida e proporção a entidade encampa as teorias científicas, discursos e ações políticas que buscam a superação do racismo brasileiro? Como isso se manifesta nas atuações da associação na dimensão de suas seções locais e nacional? De quais formas a AGB vem atuando como articuladora dessas lutas entre geógrafas e geógrafos no Brasil, uma vez que assim se posiciona a organização?


16 de julho (quinta-feira) – 19h (horário de Brasília)

Roda de conversa: A AGB para construir – Reunião com as Seções Locais da AGB

O objetivo da Roda de Conversas com as Seções Locais da AGB é apresentar as atividades desenvolvidas pelas Seções Locais durante esse período de isolamento social, assim como debater localmente e nacionalmente a atual conjuntura e os seus desdobramentos para a sociedade e para a entidade.

Participantes: Seções Locais da AGB.

Local: Canal do YouTube da AGB Nacional.


17 de julho (sexta-feira) – 19h (horário de Brasília)

Mesa virtualGeopolítica atual e saúde global

Provocador: Raul Borges Guimarães (UNESP Presidente Prudente / AGB Presidente Prudente).

Palestrantes: Cláudia Roma (Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) / AGB Dourados) e Gilberto Vieira dos Santos (Conselho Indigenista Missionário (CIMi) / AGB Presidente Prudente).

A saúde se evidencia enquanto tema de pesquisa na geografia há ao menos duas décadas, pautando o compromisso para construção de uma sociedade mais equitativa. Tendo em vista a relevância cada vez maior do tema “Saúde global” na geopolítica atual, a geografia para a saúde visa compreender os fenômenos que assolam as vidas e não somente se restringir ao mapeamento de enfermidades. Os desafios políticos e territoriais impostos pelo capitalismo, atingindo especialmente a população mais pobre, se intensificam com o avanço do neoliberalismo e a ascensão da ultradireita, colocando a vida humana no limite da suportabilidade. O alinhamento dos pressupostos da Saúde Coletiva na ciência geográfica, principalmente no Brasil, tem como meta construir um desenvolvimento mais humano e democrático que possibilite avanços nas questões ambientais e/ou sociais. Assim, a geografia sai em defesa dos povos da floresta e das(os) trabalhadoras(es), a partir da análise e do enfrentamento das políticas de contaminação por agrotóxicos no campo e na cidade, revelando resistências e formas de produção alternativas, bem como representando a luta pela manutenção do Sistema Único de Saúde, como sistema universal e gratuito.

Geógrafo publica atlas das eleições de 2016 em Campinas

Gustavo Teramatsu / AGB-Campinas

O geógrafo campineiro Lucas Coutinho Marcelino da Silva acaba de publicar, de forma independente, o Atlas – Geografia do voto de Campinas – Eleições 2016. Para o mapeamento, produzido no software livre QGIS a partir de dados do Repositório de dados eleitorais do TSE, o município de Campinas foi dividido em suas sete zonas eleitorais. O atlas inclui os dados gerais da votação em cada zona, como o número de eleitores, o comparecimento e a abstenção. Também apresenta a votação de cada candidato à Prefeitura – foi reeleito em primeiro turno o prefeito Jonas Donizette –, e também a votação para vereador por partido e para cada um dos 33 vereadores eleitos naquele pleito.

Lucas é geógrafo formado na Unesp de Rio Claro e atualmente faz o mestrado em Geografia Humana na USP, sob orientação de Hervé Théry.

Nota da AGB-Campinas à comunidade e aos gestores públicos em relação às ações de combate à Covid-19

O Brasil ultrapassou a triste marca de 1 milhão de casos de Covid-19 e o trágico número de 50 mil vidas perdidas. No estado de São Paulo são 215.793 casos e 12.494 óbitos. Na cidade de Campinas, são 5.317 casos e 211 óbitos, de um total de 9.160 casos e 360 óbitos na região metropolitana. Com isso em vista, a Associação dos Geógrafos Brasileiros – Seção Campinas – vem a público se manifestar quanto à necessidade de balizar a tomada de decisão em critérios científicos, que se impõem diante do aumento do número de casos e óbitos, das evidências de subnotificação, do baixo índice de testagem, da inexistência de vacina ou de tratamento eficaz contra a doença e da sobrecarga do sistema de saúde. 

Nesse momento em que a pandemia se expande em direção ao interior do território nacional, notadamente do estado de São Paulo, conforme comprova o Radar COVID-19, é fundamental que medidas sejam tomadas para garantir o distanciamento social, que se fundamenta nos principais e mais aceitos estudos científicos realizados pela epidemiologia. Campinas e outros importantes centros urbanos regionais do estado possuem grande responsabilidade no combate ao novo coronavírus, já que concentram os principais serviços de atendimento hospitalar de alta complexidade, como leitos de Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs), além de equipamentos e insumos médicos necessários ao tratamento daqueles mais gravemente afetados pela doença. Tendo em vista a situação geográfica que se configura na cidade, defendemos que a Prefeitura não avance nos planos de flexibilização das medidas de isolamento social.

Diante da crise sanitária, que é igualmente social e econômica, a AGB-Campinas também manifesta sua posição quanto à imediata implementação de medidas de redução de danos voltadas às populações historicamente invisibilizadas pelas políticas públicas, e que se expressam no abismo urbano-social existente na região e no Brasil. Parcela significativa dessa população, além de possuir dificuldades de realizar o devido isolamento social em razão das péssimas condições de moradia a que está submetida, também é diretamente afetada pela precarização e pela ausência de direitos trabalhistas que poderiam assegurar o afastamento temporário de suas funções. É essencial que ações e políticas lhes garantam suporte financeiro, como a renda básica universal.

A AGB-Campinas defende também a aprovação urgente do projeto de lei e a implementação imediata de ações governamentais que organizem a fila única de acesso aos leitos nas redes pública e privada para o atendimento universal das pessoas infectadas com o novo coronavírus, sem discriminação por classe social. Não aprovar esta medida tornará ainda mais evidentes os preconceitos racistas e classistas, a mentalidade elitista e a postura exclusivista que funda a sociedade brasileira e se reflete na população campineira.

Campinas, 21 de junho de 2020

NOTA EM PDF

Lívia de Oliveira (1927-2020)

Memorial

Faleceu neste sábado, 6 de junho, aos 92 anos, a professora Lívia de Oliveira.

Lívia nasceu em Mairinque em 27 de agosto de 1927. Diplomada professora primária, foi para a Universidade de São Paulo, onde formou-se em Enfermagem, em 1948, bem antes de se formar em Geografia e História, em 1958. Matriculou-se no curso noturno, trabalhando como enfermeira no início e, já ao fim da graduação, como professora, em Pedro de Toledo. Foram seis décadas de vida devotadas à Geografia.

Em 1962 foi para Rio Claro ministrar a disciplina de Didática Especial de Geografia. O título de doutora veio em 1967, na época em que a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro fez parte da Universidade de Campinas, com a tese “Contribuição ao Ensino da Geografia” – a primeira no Brasil a tratar especificamente do ensino da disciplina –, orientada pelo professor José Ribeiro de Araújo Filho (1911-1994), que a incentivou a seguir na Geografia.

A tese de livre-docência, “Estudo metodológico e cognitivo do mapa”, se tornou livro em 1978 e uma grande referência para a Cartografia Escolar.

Também em Rio Claro, em 1985, organizou o primeiro Encontro Nacional de Prática de Ensino em Geografia, que teve sua 14ª edição em Campinas, em julho passado. No evento, aconteceu exposição do Concurso Cartografia para Crianças, da Sociedade Brasileira de Cartografia, que oferece o Prêmio Profª Lívia de Oliveira. Naquele mesmo mês, a professora Lívia esteve em Campinas, em banca examinadora da tese “O sentido geográfico da identidade: metafenomenologia da alteridade Payayá“.

Costumava dizer que o conceito de percepção do espaço em Jean Piaget (1896-1980) a levou à percepção geográfica. Foi responsável pela tradução dos livros de Yi-Fu Tuan (1930-) para o português (Topofilia, em 1980; Espaço e Lugar, em 1983, ambos pela Difel; e Paisagens do Medo, pela Editora da Unesp, em 2005). E, assim, ajudou a estabelecer a Geografia Humanista no Brasil. Longeva, contribuía ainda ativamente com o Grupo de Pesquisa Geografia Humanista Cultural, onde se concentrou sua produção mais recente, no último decênio.

A AGB-Campinas, com pesar, compartilha o luto com a família e com os numerosos amigos, ex-alunos e admiradores da professora Lívia entre os geógrafos do Brasil.

Diretoria Executiva Local

Campinas, 6 de junho de 2020

Richard Sennett: As cidades na pandemia

Publicado no portal Newcities.org com o título “The State of Exception Becomes the Norm”, traduzido para o francês em versão ampliada por Hélène Borraz no portal AOC – Analyse Opinion Critique. Traduzido pelos geógrafos Luciano Duarte, Wagner Nabarro e Gustavo Teramatsu


Em Homo Sacer, o filósofo italiano Agamben fala da repressão que surge quando um estado de exceção é instaurado. A vida das pessoas se encontra reduzida a um mínimo biológico, como nos campos de concentração nazistas. Mas essa redução pode persistir uma vez que as condições excepcionais passem. O sociólogo Alain Touraine mostrou há muito tempo como a situação em tempos de guerra legitimou a regulamentação estatal da vida das pessoas, bem depois do fim da segunda guerra mundial. As estruturas do poder se servem das crises, usando-as para legitimar um controle mais amplo.

O pânico permite a exploração das crises. Nos países ricos, raros são os jovens que hoje em dia conhecem a disciplina militar, que não tem outro objetivo senão garantir que os soldados, sob fogo, mantenham o controle deles mesmos; entrar em pânico no campo de batalha é morte na certa ou quase isso. Mas a mídia hoje está embriagada de pânico, nos apresentando esses extremos que são a doença e a morte como um destino inevitável. Quando uma boa notícia surge – a redução da doença na China, por exemplo –  o lugar que a mídia lhe dedica, poderíamos dizer, é bem menor que aquela relacionada à comparação da pandemia do Covid-19 com a peste negra do século XIV. É absurdo, mas a comparação empolga. É assim que o poder da mídia serve ao Estado em seu projeto de normalização. 

Não estou minimizando a pandemia atual, apenas dizendo que é preciso respondê-la sem entrar em pânico, e que ela constitui uma “oportunidade”, na falta de uma expressão melhor, que deve ser aproveitada.

Esta é a perspectiva que as cidades enfrentam hoje: as regras de controle das cidades durarão mais do que a pandemia; em particular, as regras que regem o espaço público, que ditam a distância social e que dispersam as multidões persistirão mesmo após nós termos os meios médicos de suprimir a doença. Nós dispomos de um precedente histórico recente. Após o 11 de Setembro, a legislação que regula as reuniões públicas, o controle de acesso aos edifícios e as especificações para construção daqueles à prova de bombas permanecem inscritos nos textos legiferantes desses setores. O “distanciamento social”, necessário na atual crise, ameaça se tornar uma norma imposta pelo governo mesmo que posteriormente, graças a uma vacina eficaz, as pessoas não tenham mais razões imperiosas de temer a proximidade dos outros.

Essa situação nos desafia a refletir sobre os problemas urbanos, no entanto, que durarão mais do que a pandemia. O primeiro é o isolamento social, angustiante primo do distanciamento social. A pandemia nos fez tomar consciência – particularmente na Europa – do problema de lidar com um grande número de pessoas idosas vivendo sozinhas. Em Londres, de onde escrevo, 40% das pessoas idosas vivem sozinhas, em Paris, 68%. Elas já estão experienciando o distanciamento social e a solidão não faz nada bem para sua saúde física ou mental. Os governos, na minha opinião, são incapazes de votar leis capazes de superar a solidão criada pelo distanciamento social imposto. Este é um desafio para a sociedade civil urbana, para o qual precisaremos ter novos conceitos em matéria de comunidade.

A pandemia também desafia os urbanistas a repensar a arquitetura da densidade. A densidade é a lógica das cidades; a concentração das atividades em uma cidade estimula a atividade econômica (o que chamamos de “efeito de aglomeração”); a concentração de pessoas é um bom princípio ecológico para enfrentar a mudança climática, ao permitir economizar recursos de infraestrutura. E isso é uma coisa boa socialmente, ao expor as pessoas a outros grupos aos quais elas não pertencem,  numa cidade densa e diversificada. No entanto, para prevenir ou inibir futuras pandemias, é possível que nós tenhamos que encontrar novas configurações de densidade que permitiriam às pessoas se comunicar, ver seus vizinhos, participar da vida urbana mesmo que elas devam temporariamente que se manter distantes umas das outras. Faz muito tempo que os urbanistas chineses inventaram uma tal forma flexível: o pequeno pátio interior dos shikumen¹. Os arquitetos e urbanistas devem encontrar seu equivalente contemporâneo.

¹ N. dos T.: Estilo de arquitetura residencial que mescla elementos europeus e chineses, difundido durante o século XIX por diversas áreas do território chinês, principalmente em Xangai, mas também Wuhan, primeiro foco da COVID-19.

Os meios de transporte colocam um problema mais difícil de resolver no contexto da densidade. Os transportes públicos têm a vantagem de reunir passageiros de forma massiva e eficiente, mas esta não é uma forma saudável de densificação. Assim, os urbanistas de Paris e Bogotá exploram o que chamamos de “cidades em 15 minutos”, onde as pessoas podem ir a pé ou de bicicleta até pequenos polos de atividades densos, em vez de se deslocar mecanicamente em direção a alguns grandes centros da cidade. Mas isso exigiria uma revolução econômica a ser alcançada – particularmente nas cidades em vias de desenvolvimento ou, como em Bogotá, onde as fábricas se encontram longe dos barrios e favelas (bidonvilles) onde vivem os trabalhadores.

Eis o que coloca em evidência um problema gritante: como conciliar cidade saudável e cidade verde? Existem pontos em comum evidentes na pequena escala, por exemplo, a instalação de meios para que os mais desfavorecidos não tenham mais que queimar seus resíduos e cessem assim de contribuir com a poluição. Porém, considerar a adequação da cidade saudável/cidade verde nos obriga a repensar radicalmente a densidade.

Além disso, a pandemia revela a extensão das desigualdades sociais. O trabalho que as pessoas podem fazer desde suas casas em grande parte é um trabalho de classe média: a coleta de lixo, a canalização ou outros empregos terciários não menos manuais não podem ser feitos online. Se a pandemia atual deixa algum traço durável no mundo do trabalho, receio que este seja o aprofundamento da distância entre o trabalho manual e o trabalho intelectual e o de uma classe operária ainda mais exposta a condições de trabalho potencialmente  insalubres.

A pandemia pode finalmente, humanizar a utilização da alta tecnologia nas cidades. Até agora, os modelos de “cidade inteligente”, implementados há uma geração, foram orientados sobre a regulamentação e o controle – o Estado online. O que está surgindo nesta pandemia são excelentes programas e protocolos capazes de criar a comunidade. Eu estou particularmente impressionado com Londres, pelo número de redes de cuidados mútuos que estão se desenvolvendo nas comunidades como a minha, que se parece com o West Harlem em Nova York, cheia de diversidade, mas não dotada de verdadeira comunidade.  A comunicação online mudou na última semana tudo isso.

Em suma, é hora de temer a oportunidade que a pandemia oferece aos poderes dirigentes, de recusar o espetáculo do pânico produzido pela mídia, de encontrar os meios para lutar contra o fosso que se agrava entre a classe média protegida e a classe trabalhadora exposta, explorar as diferentes formas de diversidade capazes de conciliar a cidade verde e a cidade saudável, e utilizar as novas tecnologias para afirmar o poder da sociedade civil na cidade.

[Entrevista] Edgar Morin: “Sentir mais do que nunca a comunidade de destino de toda a humanidade”

Entrevista a Simon Blin publicada no Libération em 29 de março de 2020, traduzida pelos geógrafos Luciano Duarte, Wagner Nabarro e Gustavo Teramatsu


Quase centenário, o sociólogo, eterno otimista, considera o confinamento como uma ocasião inesperada para regenerar a própria noção de humanismo, mas também para cada um escolher entre o importante e o frívolo.

Confinado, ele diz se sentir “protegido fisicamente em uma comunicação e uma comunhão permanentes” com o mundo que permanece virtualmente conectado. Ele, que sempre viveu plenamente, cujo século de existência é composto de mudanças perpétuas e de engajamentos políticos e intelectuais. Nascido em 1921, Edgar Morin, sociólogo, filósofo, “humanólogo”, como diz ele, escritor mundialmente conhecido, pensador da “complexidade” da obra abundante e englobante (O Método é sua obra principal), viveu a Resistência¹, atravessou o século XX entre admiração e revolta. Ele aborda essas duas loucas semanas em que vimos o mundo inteiro atingido pela propagação do coronavírus. O diretor emérito de pesquisa do CNRS², nonagenário quase centenário de um otimismo inabalável e de um olhar luminoso, vê nesse momento de parada planetária a oportunidade de uma “crise existencial salutar”.

¹ Resistência francesa contra a invasão da Alemanha Nazista.

² Centre national de la recherche scientifique (Centro Nacional de Pesquisa Científica) o correlato francês do CNPq brasileiro.

Como você vive esse grave e inédito momento?

Nós sofremos um confinamento físico mas dispomos de meios para se comunicar por palavras que nos colocam em comunicação com o outro e com o mundo. No estágio atual, em relação ao encarceramento, nós estamos abertos, mais atentos e solidários uns com os outros. São os solitários sem telefone nem televisão, e sobretudo os não confinados, ou seja, os sem abrigo, os muito frequentemente esquecidos pelo poder e pela mídia, que são as vítimas absolutas do confinamento. No que me diz respeito, eu me sinto participando intensamente, mesmo que apenas do confinamento em si, do destino da nação e do cataclismo planetário. Eu me sinto mais protegido do que nunca, dentro da incerta e desconhecida aventura de nossa espécie. Eu sinto mais forte do que nunca a comunidade de destino de toda a humanidade.

Como você qualifica essa crise que nós atravessamos na história?

Atualmente nós estamos sujeitos a uma tripla crise. A crise biológica de uma epidemia que ameaça indiscriminadamente nossas vidas e ultrapassa as capacidades hospitalares, sobretudo onde as políticas neoliberais não cessam de reduzi-las. A crise econômica nascida das medidas de restrição tomadas contra a pandemia e que, reduzindo ou parando as atividades produtivas, de trabalho, de transporte, certamente se agravará se o confinamento se tornar duradouro. A crise de civilização: nós passamos bruscamente de uma civilização da mobilidade a uma obrigação de imobilidade. Nós vivíamos principalmente fora, no trabalho, no restaurante, no cinema, em reuniões, em festas. Aqui somos forçados a um estilo de vida sedentário e à vida privada. Nós vivemos sob  a influência de consumismo, ou seja, do vício em produtos de qualidade medíocre e em virtudes ilusórias, o incentivo ao aparentemente novo, em busca de mais, e não do melhor. O confinamento poderia ser uma oportunidade de desintoxicação mental e física, que nos permitiria selecionar o importante e rejeito o frívolo, o supérfluo, o ilusório. O importante é evidentemente o amor, a amizade, a solidariedade, a fraternidade, o desabrochar do Eu em um Nós. Nesse sentido, o confinamento poderia suscitar uma crise existencial salutar, em que nós refletiríamos sobre o sentido de nossas vidas.

Diante da pandemia, é o conjunto de nosso sistema que está abalado: sanitário, político, econômico e democrático. Seu trabalho intelectual consiste precisamente em pensar a complexidade e a transdisciplinaridade.

Essas crises são interdependentes e estabelecem relações umas com as outras. Se uma delas se agrava, mais ela agrava as outras. Se uma diminui, ela diminuirá as outras. Igualmente, enquanto a epidemia não regredir, as restrições serão mais e mais sensíveis e o confinamento será vivido cada vez mais como um impedimento (de trabalho, de praticar esportes, de ir a reuniões e a espetáculos, de cuidar de seu ciático ou de seus dentes). Mais profundamente, esta crise é antropológica: ela nos revela a face ínfima e vulnerável da formidável força humana, ela nos revela que a unificação técnico-econômica do globo criou, ao mesmo tempo, uma interdependência generalizada e uma comunidade de destino sem solidariedade.

É como se o mundo não entrasse mais em nossos quadros de análise. As referências intelectuais também são transformadas.

Essa policrise deveria suscitar uma crise do pensamento político e do próprio pensamento de fato. A fagocitação da política pelo econômico, a fagocitação do econômico pela ideologia neoliberal, a fagocitação da inteligência reflexiva por aquela do cálculo, tudo isso impede de conhecer os imperativos complexos que se impõem: combinar mundialização (para tudo que é cooperativo) e desmundialização (para salvar os territórios desertificados, as autonomias alimentares e sanitárias das nações); combinar desenvolvimento (que o lado positivo do individualismo) e envolvimento (que é solidariedade e comunidade); combinar crescimento e decrescimento (determinando o que deve crescer e o que deve decrescer). O crescimento traz em si mesmo a vitalidade econômica, o decrescimento traz em si mesmo a saúde ecológica e a despoluição generalizada. A associação do que parece contraditório é aqui logicamente necessária.

Nossa capacidade de “viver junto” é colocada à prova. Seria a ocasião de refundar um novo humanismo, de restaurar as bases de uma vida comum, mais solidária na escala do planeta?

Nós não precisamos de um novo humanismo, nós precisamos de um humanismo reforçado e regenerado. O humanismo tomou duas faces antagônicas na Europa. A primeira é aquela da quase-divinização do humano, destinado a dominar a natureza. O outro humanismo foi formulado por Montaigne em uma frase: “eu reconheço em todo homem meu compatriota”. É necessário abandonar o primeiro e regenerar o segundo. A definição do humano não pode se limitar à ideia de indivíduo. O humano se define por três termos tão inseparáveis um do outro quanto a trindade: o humano é ao mesmo tempo indivíduo, uma parte, um momento da espécie humana, e uma parte, um momento da sociedade. Ele é simultaneamente individual, biológico, social. A partir desse momento, o humanismo não saberia ignorar nossa ligação umbilical com a vida e nossa ligação umbilical com o universo. Ele não se esqueceria que a natureza está tanto em nós como nós estamos na natureza. A base intelectual do humanismo regenerado é a razão sensível e complexa. Não somente é necessário seguir o axioma “não há razão sem paixão, não há paixão sem razão”, mas nossa razão deve sempre ser sensível a tudo que afeta os humanos.

Isso suporia uma  inversão dos valores do mundo no qual vivemos antes do coronavírus…

O humanismo regenerado conscientemente extrai das fontes da ética, presentes em toda sociedade humana, que são a solidariedade e a responsabilidade. A solidariedade suscita a responsabilidade e a responsabilidade suscita a solidariedade. Essas fontes permanecem presentes, mas em parte secas e drenadas em nossa civilização sob o efeito do individualismo, da dominação do lucro, da burocratização generalizada. O humanismo regenerado é essencialmente um humanismo planetário. O humanismo passado ignoraria a interdependência concreta entre todos os humanos que se tornou comunidade de destino, que criou a mundialização e que ela faz aumentar sem parar. Como a humanidade está ameaçada por riscos mortais (multiplicação das armas nucleares, desencadeamento de fanatismos e multiplicação de guerras civis internacionais, degradação acelerada da biosfera, crises e desregulação de uma economia dominada pela especulação financeira enlouquecida), ao que se acrescenta agora a pandemia viral que reforça esses riscos, a vida da espécie humana e, inseparavelmente, a da biosfera se tornam um valor prioritário.

Essa mudança é fundamental?

Para que a humanidade possa sobreviver, ela deve se metamorfosear. Jaspers disse logo após a Segunda Guerra Mundial: “se a humanidade quer continuar a viver, ela deve mudar”. O humanismo, ao meu ver, não é somente a consciência de solidariedade humana, é também o sentimento de estar no interior de uma desconhecida e incrível aventura. No seio dessa aventura desconhecida cada um faz parte de um grande ser constituído de sete bilhões de humanos, como uma célula faz parte de um corpo entre centenas de bilhões de células. Cada um participa desse ilimitado, desse inacabado, dessa realidade fortemente tecida de sonho, desse ser de dor, de alegria e de incerteza que está em nós assim como nós nele. Cada um dentre nós faz parte dessa inaudita aventura, no seio da própria espantosa aventura do universo. Ela traz consigo sua ignorância, seu desconhecimento, seu mistério, sua loucura na sua razão, sua inconsciência de sua consciência, e cada um traz em si a ignorância, o desconhecido, o mistério, a loucura, a razão da aventura mais do que nunca incerta, mais do que nunca assustadora, mais do que nunca emocionante.