II Colóquio de Estudos em Geografia da UNESP-RC: Democracia, Direitos Humanos e Movimentos sociais

É com grande satisfação que o Laboratório de Desenvolvimento Territorial – LADETER, Laboratório Interdisciplinar de Pesquisas em Patrimônio – LAPAT, e Grupo de Estudos em História do Pensamento Geográfico – GEHPG, vem convidá-los para prestigiar o II CEGeo – Colóquio de Estudos em Geografia, com a temática “Democracia, Direitos Humanos e Movimentos Sociais no Brasil”, a ser realizado nos dias 29 e 30 de Novembro e 01 de Dezembro do corrente ano, no Salão Nobre “Prof. Dr. Adistão Marcon” do Departamento de Geografia – IGCE / UNESP – Avenida 24A, nº1515, Rio
Claro-SP.

O evento em sua segunda edição pretende realizar um debate tendo em vista a atual conjuntura nacional, seja no âmbito polí­tico, cultural, social e econômico, sobretudo no que concerne aos retrocessos do regime democrático brasileiro. Nesse sentido, fazemos alguns destaques: a luta polí­tica pela democracia, as dificuldades na garantia dos direitos humanos, o fortalecimento pela legitimidade dos movimentos sociais do campo, da cidade e da educação. Esses pilares fazem parte tanto de um debate contemporâneo, como carregam em sua historicidade momentos de avanços e retrocessos,
sobretudo, no que tange a luta pelas liberdades democráticas, especialmente numa democracia jovem como a nossa.

Demais Informações:
As inscrições são gratuitas, podem ser realizadas no link: https://goo.gl/forms/GBtsWRmgddIT50lw1, ou no dia do evento. A certificação será concedida aos participantes que frequentarem até 50% do evento.

Dúvidas: cegeo.evento@gmail.com
Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/1602445503388905/

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Lançamento de nova edição do Boletim Campineiro de Geografia (v. 6, n. 1)

Boletim Campineiro de Geografia: novo número em http://agbcampinas.com.br/bcg

O conteúdo desta edição traz aportes a uma leitura rigorosa e atual das dinâmicas do espaço geográfico, trabalhando com facetas do capital, da urbanização e da política. Há diversos artigos de grande importância, uma tradução inédita de Alejandro Rofman, uma entrevista com a geógrafa chilena Sandra Fernández Castillo e uma resenha da recente obra de José de Souza Martins.


Capa: “Detroit Industry” (1932), de Diego Rivera.

Revista Terra Livre adere ao SEER e divulga chamadas de artigos

A Revista Terra Livre migrou para a plataforma do Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER) e divulgou chamada para três números. Veja, abaixo, a mensagem da Comissão de Publicações da Diretoria Executiva Nacional da AGB:

Comunidade agebeana,

A Revista Terra Livre está aderindo também ao formato online, através do sistema SEER – o formato impresso continua, mas agora agregamos também o meio digital. O novo formato encontra-se ainda em fase de finalização da inserção de todas as edições, e pedimos desculpas por alguma falha, falta ou incorreção que ainda não acertamos, mas convidamos para uma visita em nossa página.

Hoje, em nosso endereço eletrônico, já encontram-se disponíveis os números de 01 a 40 – ressalvando-se algumas lacunas, como a TL 11-12, pelas dificuldades envolvidas no processo de digitalização página por página de cada revista impressa. Em breve, os números 41 e 42, que estão já finalizados em processo de editoração, serão também disponibilizados.

Convidamos também nossa comunidade para novas submissões de artigos, para os números 43, 44 e 45, cujas ementas de chamadas encontram-se abaixo. O prazo para submissão desta chamada tripla encerra-se no dia 31 de março de 2016.

A todas as pessoas que, ao longo deste último período, fizeram submissões através do email terralivreagb@gmail.com, informamos que entraremos em contato individualizado. Este endereço de email continuará sendo nosso canal de comunicação com a comunidade.

Contamos com o apoio de toda a comunidade para o fortalecimento deste importante instrumento de nossa entidade.

Saudações agebeanas,

Comissão de Publicações da AGB-DEN (2014-2016)
Renato Emerson dos Santos
André Pasti

REVISTA TERRA LIVRE (versão online)

http://www.agb.org.br/publicacoes/index.php/terralivre/index

terralivre

NOVAS CHAMADAS PARA SUBMISSÃO DE ARTIGOS

Revista Terra Livre n. 43 – “O Brasil e a construção endógena do pensamento geográfico”

O que constrói a unidade do pensamento geográfico brasileiro? Escolas de pensamento se constituem a partir da organicidade e circularidade de referenciais de construção das ideias, que delineiam as agendas legitimadas, percursos válidos, bases teóricas e cânones epistêmicos. Existe uma “Escola Brasileira de Geografia”? A geografia brasileira pode ser chamada de “Escola Brasileira de Geografia”? Qual a relação entre o predomínio do remetimento à realidade brasileira e a constituição do pensamento geográfico brasileiro? Este número deverá abordar problemáticas como: a construção do pensamento geográfico a partir da realidade brasileira; a unidade e relações/conexões dos processos geográficos que ocorrem no Território Brasileiro; a Educação e Ensino de Geografia tendo em vista o pensamento da geografia e o Brasil; entre outros temas afins.

Revista Terra Livre n. 44 – “Das transformações do mundo do trabalho à precarização da educação”

As transformações do mundo do trabalho implicam em um conjunto de ações como: flexibilização, terceirização, racionalização de processos e exploração que desregulamentam direitos e criminalizam as lutas dos trabalhadores, constituindo um quadro de precarização. No âmbito da educação a precarização envolve o controle do quê ensinar, como ensinar e para quem ensinar. Isso implica na análise da formação docente e dos conteúdos da geografia. Reconhecendo essas condições históricas, é urgente que neste número da Revista Terra Livre sejam debatidos: qual o significado de ensinar geografia atualmente? Qual o papel da geografia na educação brasileira? Qual o papel da geografia na análise e na transformação da sociedade?

Revista Terra Livre n. 45 – “(Qual) é o fim do Ensino de Geografia?”

Esta edição se agrega ao processo de organização do VIII Encontro Nacional de Ensino de Geografia – Fala Professor, realizado pela AGB em Catalão (GO) em outubro de 2015. Neste sentido, o dossiê conclama artigos relacionados aos Eixos Temáticos delineados para o evento, a saber: 1. Educação popular e contra-hegemônica (Educação do campo, Educação popular, Educação indígena); 2. Direitos humanos (Diversidade cultural, Étnico-racial, Inclusão, Questão de gênero e sexualidade); 3. Políticas e lutas educacionais (Precarização do trabalho docente, Políticas educacionais, currículo e mecanismo de avaliação, A geografia na sala de aula frente à mídia e as geografias hegemônicas); 4. Práticas de Ensino (Novas tecnologias e outras geografias, Práticas pedagógicas e materiais didáticos). Outros temas associados à provocação trazida no tema do evento “(Qual) é o fim do Ensino de Geografia?” – como outras políticas públicas e ações no campo da educação e do ensino da geografia também serão aceitos.

Fórum Nacional de Reforma Urbana demanda Ministro das Cidades comprometido com direito à cidade, em carta à Presidenta

O Fórum Nacional de Reforma Urbana (do qual a AGB participa) enviou, ontem, uma Carta à Presidenta da República, Dilma Rousseff, sobre os rumos do Ministério das Cidades. Na carta, o Fórum afirma que “nas últimas gestões do Ministério, sua atuação foi insuficiente na implementação das bandeiras da reforma urbana e do direito à cidade”. Também crítica os nomes especulados na mídia para assumirem o Ministério, dentre os quais há “adversários da agenda da reforma urbana, representantes de interesses exclusivos do mercado sobre as cidades”.

O FNRU defende que “a escolha do próximo Ministro seja motivada pelo compromisso com a plataforma da reforma urbana e pelo histórico de ação firme e permanente na busca por cidades mais justas, democráticas e equilibradas”. O Fórum cita, ainda, nomes alinhados com essa plataforma, como Inácio Arruda, Nabil Bonduki, Olívio Dutra, Raquel Rolnik e Zezéu Ribeiro.

ACESSE A CARTA NA ÍNTEGRA.

O Fórum Nacional de Reforma Urbana é um grupo de organizações brasileiras que lutam por cidades melhores para todos nós. São movimentos populares, associações de classe, ONGs e instituições de pesquisa que querem promover a reforma urbana e efetivar o direito à cidade.

GT-Urbana da AGB-Campinas

Todos os associados da AGB-Campinas podem participar do Grupo de Trabalho de Geografia Urbana (GT-URBANA).

 

O que são os Grupos de Trabalho?

Os Grupos de Trabalho são importantes espaços da produção coletiva de posicionamentos da entidade e de suas intervenções na sociedade. Como consta no portal da Articulação Nacional dos GTs de Urbana,

Os GTs, antes de mais nada, constituem-se em espaços de mobilização dos agebeanos e da própria AGB. Os GTs realizam reflexões, formações, intervenções e se organizam em torno de recortes temáticos atuando sobre certos problemas concretos. Atuam a partir de determinada demanda social ou proposição interna de ação do próprio GT.

Diferentemente dos grupos de discussão e de estudo, os GTs têm como propósito central privilegiar as ações concretas junto à realidade social, não deixando de incorporar o caráter investigativo e reflexivo. Os GTs, portanto, mostram-se como possibilidade de aproximação da AGB com as organizações e movimentos populares, em que o saber geográfico pode se articular e fortalecer as lutas sociais”.

Nesse espírito, a AGB-Campinas já vem organizando localmente as articulações para os GTs. O primeiro, que vem organizando suas primeiras atividades, é o GT-Urbana. Para movimentar o GT, as primeiras articulações tiveram início em 2012, viabilizando a construção da Agenda Política da AGB-Campinas para a cidade: “Campinas, 2013-2016: uma agenda para a cidadania territorial e usos mais solidários do território campineiro”. Desde então, defendendo essa agenda, seguiram-se diálogos com outros movimentos sociais da cidade, a organização de um núcleo em defesa da Reforma Urbana no município, além de uma ativa participação nas etapas Municipal, Estadual e Nacional da 5ª Conferência das Cidades.

 

Participe!

Com vistas a uma práxis geográfica comprometida com a transformação social e com a defesa do direito à cidade, venha construir nossa atuação, enquanto geógrafos, no debate da questão urbana em Campinas, no estado de São Paulo e no Brasil!

Grupo de e-mails: https://groups.google.com/forum/#!forum/agb-cps-urbana

O que é necessário? Ser associado da AGB-Campinas.

Manifesto contra os despejos forçados, em defesa da Ocupação Joana D’Arc e por uma política de habitação popular em Campinas

Na manhã do dia 22 de outubro de 2013, moradores da ocupação Joana D’Arc, no bairro Cidade Jardim, em Campinas, foram surpreendidos por uma notificação de determinação judicial de “saída voluntária” em um prazo de 30 dias. Essa é mais uma tentativa da Prefeitura de Campinas de despejar os moradores do local. A ocupação começou em novembro de 2012 e fica nos trilhos do extinto VLT, uma área federal há anos abandonada e inutilizada.

A situação das famílias da Ocupação Joana D’Arc não é isolada e integra uma série de ameaças de despejos forçados que estão ocorrendo em várias regiões da cidade. Em Campinas, as respostas às demandas da população de baixa renda que necessita de habitação têm se constituído, ao longo dos anos, em uma política sistemática de remoções forçadas e violação de direitos.

Cabe lembrar que a fila de espera por moradia em Campinas possui mais de 50 mil famílias cadastradas. Em pesquisas realizadas, identificam-se pessoas que estão há 18 anos na fila da COHAB. O direito à moradia fica condicionado a um sorteio, a uma loteria. Nesse contexto de ausência de uma efetiva política habitacional na Cidade, ocupar é um direito. Criminoso é o Estado que não cumpre a lei e que deveria garantir, nos termos da Constituição, o direito à moradia digna e fazer cumprir a função social da propriedade.

A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 6º, reconhece o direito de moradia como direito humano e em seu capítulo sobre a Política Urbana (Arts. 182 e 183), assim como no Estatuto da Cidade (Lei Federal n. 10.257/2001), afirma que o direito de propriedade só tem validade jurídica quando esta cumpre com sua função social. Dizer que uma propriedade tem que cumprir com sua função social significa dizer que ela tem que ser útil de alguma forma para a sociedade.

Na contramão, a posição da Prefeitura e, especialmente da COHAB, foi a criação de uma “equipe anti-invasões” (Correio Popular, 19 de janeiro de 2013), cuja função é monitorar as ocupações de áreas da cidade, criminalizando famílias pobres e impedindo que as comunidades se estabeleçam no local. No entanto, a mesma Prefeitura não dispõe de uma equipe que atue com a mesma presteza para inserir famílias de baixa renda em programas habitacionais e assegurar seu direito à moradia e à vida.

A Prefeitura de Campinas tem a obrigação de oferecer às famílias da Ocupação Joana D’Arc uma alternativa que não seja o descaso, a violência e a remoção. Temos que ter, efetivamente, em Campinas, um plano de habitação para população de baixa renda que não seja calcado na violência e em remoções forçadas. Não queremos um novo Pinheirinho! Contra os despejos em Campinas e em defesa das famílias da Ocupação Joana D’Arc.

                                                                                       Campinas, 23 de Outubro de 2013

Confira aqui a íntegra e as assinaturas

Manifesto contra a “política habitacional” adotada no Município de Campinas-SP

O Plano Diretor de Campinas, elaborado em 2006, colocou a questão da redução das desigualdades territoriais como objetivo para garantir o Direito à Cidade. É um avanço institucional que merece ser aperfeiçoado e efetivamente aplicado.

Todavia, nos últimos anos, a “política habitacional” de Campinas vem privilegiando o capital imobiliário, permitindo que prevaleça a especulação e a exclusão socioespacial no Município.

Desde a posse do Prefeito Jonas Donizette, ocorrida em janeiro de 2013, remoções forçadas têm sido realizadas pela Prefeitura. O Prefeito vem se omitindo de sua responsabilidade pública de aplicar as leis que garantam aos cidadãos, principalmente aos socialmente mais vulneráveis, os Direitos Humanos, o Direito à Cidade e à Habitação.

Entre as remoções já realizadas em Campinas em 2013, estão as 100 famílias que habitavam uma área particular no Jardim do Lago 2. Para impedir a reintegração de posse, ocorrida na manhã de 25 de julho, os moradores da área fizeram uma barreira para bloquear a entrada de um trator da Prefeitura. Antes disso, os moradores cobraram a apresentação de liminar concedida pela Justiça para a remoção das famílias.

A área particular havia sido ocupada pela primeira vez no dia 14 de junho do mesmo ano, quando as famílias chegaram ao local e ergueram 59 moradias improvisadas.

No dia 16 de junho, foram removidas essas moradias e as demarcações dos lotes feitas pelas famílias. No dia 18, foram distribuídas senhas às famílias para efetuar o cadastro junto à Companhia de Habitação de Campinas (COHAB), procedimento que esgota a aplicação da “política” habitacional de interesse social local. No dia 20 de julho, as mesmas famílias voltaram a ocupar a área no Jardim do Lago 2. Mas, no dia 25 de julho foram novamente removidas do local. Neste dia, os moradores não puderam nem mesmo desmontar os barracos, os quais foram destruídos pelas máquinas.

Além disso, a Prefeitura de Campinas começou a utilizar os reeducandos do sistema prisional nas remoções forçadas, expondo-os a conflitos e a constrangimentos, violando, dessa forma, os Direitos Humanos.

Há 20 anos a área do Jardim do Lago 2 está desocupada e, sobre ela, poderiam ser aplicados os instrumentos previstos no Estatuto das Cidades para destiná-la à habitação de interesse social. Prática perpetrada pela Concessionária Aeroportos Brasil Viracopos S/A, Polícia Federal, Polícia Militar (47ª Cia.), Construtora Constran, Embrase, Infraero, levada a efeito no dia 25 de fevereiro, esteve em total desacordo com os princípios constitucionais, do Código Civil, Código Penal, do Estatuto da Criança e do Adolescente, do Estatuto do Idoso e também dos tratados internacionais dos quais o Estado Democrático de Direito do Brasil é signatário.

Por volta de 6h30 do dia 25 as forças repressivas do aparelho de estado começaram a se postar nos acessos ao conjunto de residências no Bairro Jardim Cidade Singer, região do Campo Belo.

Cerca de 150 famílias, moradoras há mais de 6 anos nesse loteamento, foram surpreendidos por uma “operação” truculenta e ilegal comandada pela Concessionária Aeroportos Brasil Viracopos S/A.

Os atos praticados não foram sequer precedidos do acompanhamento do Conselho de Direitos Humanos, representantes da Prefeitura, Câmara Municipal, Ordem dos Advogados do Brasil, Defensoria Pública, Conselho Tutelar e entre tantos outros.
Iniciaram, sem aviso prévio e sem mandato judicial, um cerco às moradias e às pessoas residentes no bairro e, com quatro tratores de grande porte da Construtora Constran, a destruição das casas. Não houve, até o momento, nenhum tipo de respaldo, auxílio, ajuda ou indenização às pessoas afetadas.

Entre as remoções previstas, estão cerca de 300 famílias que vivem em terreno no bairro Cidade Jardim em Campinas. A ocupação vem sendo organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD) desde 2012 em área que pertence ao Governo Federal (à Rede Ferroviária Federal S.A.). No local, funcionava o antigo Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) que, depois de desativado, passou a ser usado como uma “cracolândia”.

Mesmo a área sendo de propriedade e domínio da Federal, a Prefeitura conseguiu uma liminar da Justiça Estadual e está preparando, junto à Polícia Militar, a remoção das famílias.

A reivindicação dos moradores é que sejam atendidos pelos programas de moradia, como o “Minha Casa, Minha Vida” do Governo Federal. Eles se dispõem a dialogar sobre a possibilidade de ir para outra área. Mas, a Prefeitura vem alegando que não há áreas disponíveis na cidade para a construção de moradias populares.

No entanto, terrenos da COHAB têm sido colocados à venda sem atender ao déficit habitacional de interesse social da cidade, conforme prevê o Plano Municipal de Habitação de Interesse Social.

Outras remoções previstas são as dos moradores do Recanto dos Pássaros e do Novo Real Parque (Quadras F e G). O argumento para a remoção é o de preservação da Mata Santa Genebra. Todavia, este é questionável devido à presença de condomínios próximos à Mata. Os condomínios, em nenhum momento, foram notificados sobre suas ilegalidades.

Os moradores do Recanto dos Pássaros e do Novo Real Parque não querem ser removidos de forma abrupta, pois há 18 anos vivem no local. É sabido que a especulação imobiliária em Barão Geraldo cresce ferozmente e que toda a região próxima à Mata Santa Genebra vem sendo cobiçada. Retirar os mais “pobres” dali, certamente, vai valorizar ainda mais toda a região.

Há também uma remoção do Governo do Estado prevista para Campinas: uma área localizada nas cercanias da Vila Brandina e que integra o corredor socioambiental Mato Dentro. O Governo do Estado de São Paulo aprovou a alienação da área pública, a qual possui quatro nascentes que abastecem Campinas (Projeto de Lei 650/2012).

Há 12 anos a área verde, com extensão de 74 mil metros quadrados, onde se situam nascentes da microbacia do Anhumas, está sendo preservada por meio de projetos socioambientais com a comunidade da Vila Brandina.

Outro foco de remoções é a região do Aeroporto Internacional de Viracopos, em que existem 19 ocupações desde a década de 1980. Mesmo existindo diversas áreas desocupadas em volta do Aeroporto, em seu projeto de ampliação está prevista a remoção dessas ocupações.

A resistência popular às remoções prevista foi forte em 2007, o que levou o Presidente Lula a alterar o projeto de ampliação original e buscar evitar o conflito com os moradores. Agora, com a privatização do Aeroporto, está sendo proposta pela Prefeitura a criação de uma Macrozona Comercial e Industrial na região, o que levará à “higienização socioespacial”.

Além das remoções forçadas, há que se destacar as deficiências na implantação dos projetos habitacionais financiados pelo Programa “Minha Casa, Minha Vida” em Campinas. Palco de sorteios, inaugurações e entregas solenes, sempre com muitos discursos e promessas das autoridades presentes, o Residencial Jardim Bassoli, um conjunto com 19 torres de 5 pavimentos e 2.380 apartamentos na região do Campo Grande, está abandonado à própria sorte. Destinado a famílias com renda de até três salários mínimos, foi o primeiro construído na cidade pelo Programa. Entre investimentos federais e contrapartidas municipais, o conjunto custou mais de R$ 120 milhões. Cada família desembolsa, mensalmente, parcelas que variam de R$ 50 a R$ 160, com contratos de duração de 10 anos.

Com obras iniciadas em janeiro de 2010, a entrega dos apartamentos foi iniciada em abril de 2011, pelo então Prefeito Dr. Hélio, e teve suas últimas unidades entregues pelo Prefeito Jonas Donizete em maio deste ano.

No local onde vivem mais de 10.000 pessoas, em sua imensa maiorias crianças, não há escolas, creches ou posto de saúde.

Outra reclamação dos moradores é a falta de segurança. O local também não tem áreas públicas de lazer, como praças ou parques, contando apenas com pequenos parquinhos instalados na área interna dos conjuntos, visivelmente subdimensionados para a quantidade de moradores.
A única exceção da presença do Poder Público no local é a fiscalização que, de forma ostensiva, tem atuado na região. Os fiscais da Serviços Técnicos Gerais de Campinas (a SETEC, uma autarquia municipal) já autuaram e deram prazo para retirada do comércio informal instalado no entorno do empreendimento. Isso ocorre porque o Residencial foi projetado sem área para comércio.

Por isso, nós signatários reivindicamos:

1. A regularização fundiária no Município: É preciso utilizar em larga escala instrumentos de regularização fundiária de interesse social, conforme prevê a Lei 11.977/09, que dispõe sobre o Programa “Minha Casa, Minha Vida” e sobre a regularização fundiária de assentamentos localizados em áreas urbanas, com especial destaque para a legitimação de posse e para a demarcação urbanística, revogando as leis municipais de regularização (que estabelecem prazos de corte para o atendimento das famílias, em desacordo com o que prevê a legislação federal).

2. A aplicação do IPTU Progressivo no Tempo: É necessário que se aplique o IPTU Progressivo no Tempo em todas as regiões da cidade de Campinas, nas áreas com uso urbano que ainda estão desabitadas e que possam ser identificadas como vazios urbanos. Além de agravá-las como ZEIS, também deve incidir sobre essas áreas o direito de preempção.

3. A aprovação de novos projetos imobiliários vinculados à habitação de interesse social (HIS): Para cada novo empreendimento imobiliário ou comercial, o empreendedor deverá, além de cumprir as obrigações próprias do zoneamento a que estão sujeitos, prover a construção do equivalente a 20% da área para projetos de habitação de interesse social (renda de zero a três salários) no próprio empreendimento, em outra área no mesmo distrito ou, ainda, com destinação de recursos ao fundo a partir critérios definidos no Conselho Municipal de Habitação, no caso das duas hipóteses anteriores não serem possíveis.
As habitações de interesse social devem estar vinculadas à estratégia de redução do déficit conforme a composição de renda dos beneficiários. Sabe-se que 90% do déficit por novas moradias está concentrado na faixa de renda que vai de zero a três salários mínimos.

4. A revisão dos conceitos de HIS e de mercado popular: O conceito de HIS deve estar vinculado à estratégia de redução do déficit conforme sua composição de renda. Hoje, 90% do déficit por novas moradias está concentrado na faixa de renda que vai de zero a três salários mínimos. Portanto, HIS deve ser entendida como aquela destinada às famílias nesta faixa de renda.
Para além de vincular o Programa “Minha Casa, Minha Vida” à faixa de renda de zero a três salários mínimos, é necessário também criar um modo de fiscalização da forma de comercialização das futuras unidades, que incorpore a obrigatoriedade de definir a demanda antes da expedição do alvará de ocupação (“habite-se”) e conte, inclusive, com parecer do agente financiador, quando for o caso.

5. A destinação das terras públicas a programas habitacionais: Deve-se revogar os editais em andamento acerca da alienação de terras públicas, pertencentes à COHAB principalmente, a fim de que elas sejam destinadas a projetos habitacionais como loteamentos urbanizados ou projetos cooperativos.

6. A priorização dos recursos do FUNDAP para habitação e regularização fundiária: Os recursos do FUNDAP devem ser utilizados prioritariamente para produção habitacional e regularização fundiária de interesse social, estimulando a consolidação da Política Fundiária, inclusive pela criação de um Banco de Terras Públicas para mitigação de eventuais remoções e para manutenção da população de menor renda na mesma região dos grandes empreendimentos.

Fontes documentais:
Jardim do Lago II:
Fonte: http://noticias.band.uol.com.br/cidades/campinas/noticia/?id=100000617452
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=lCAmuNQAO6w
Cidade Singer (Campo Belo):
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=MsztzrjUfA8
Cidade Jardim (Ocupação Joana d’Arc):
Fonte: http://www.radioagencianp.com.br/11617
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=fzKCSq4BGjo
Recanto dos Pássaros e Novo Real Parque:
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=qBoEnNe_eH8
Jardim Bassoli:
Vídeo: http://globotv.globo.com/eptv-sp/jornal-da-eptv-1a-edicaocampinaspiracicaba/v/moradores-do-jardim-bassoli-reclamam-de-apartamentosentregues-em-campinas/2332726/

Campinas, 26 de setembro de 2013.

Signatários:

PROESP (ASSOCIAÇÃO PROTETORA DA DIVERSIDADE DAS ESPÉCIES)
ASSOCIAÇÃO DO JARDIM DOM GILBERTO E JARDIM PUCCAMP
ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DO JARDIM CAMPITUBA I
ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DO BAIRRO JARDIM COLÚMBIA
ACIAV (ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E INDUSTRIAL DO ENTORNO DO AEROPORTO DE VIRACOPOS)
ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DOS BAIRROS CIDADE SINGER I E SÃOJOÃO
ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DO NÚCLEO RESIDENCIAL CIDADE SINGER
MOVIMENTO DOS TRABALHADORES DESEMPREGADOS (MTD)
ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DO CAMPO BELO II E VILA DIVA
ASSOCIAÇÃO DA COMUNA URBANA JOANA D’ARC
ASSOCIAÇÃO DOS GEÓGRAFOS DE CAMPINAS (AGB – SEÇÃO CAMPINAS)
SOCIEDADE AMIGOS DO BAIRRO SATÉLITE IRIS IV (SAB IRIS IV)

(Aprovado, como moção, na Conferência Estadual da Cidade de São Paulo)

Nota de pesar

 A AGB – Seção Campinas lamenta o falecimento da geógrafa Bertha Koiffmann Becker, ocorrido na tarde do último sábado (13 de julho), aos 82 anos, estendendo suas condolências aos familiares e amigos.

A professora Bertha se dedicou por mais de quatro décadas à docência e à pesquisa na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde se formou em 1952, ainda na Universidade do Brasil. Ali, começou a “pensar e partilhar da grafia do Brasil”, como afirma no memorial preparado para a livre-docência, em 1993.

No Instituto Rio Branco surgiu o interesse pela Geografia Política. Sua carreira científica, aliada à atuação em órgãos do governo e em diversas associações, contribuiu deveras para a consolidação da Geografia no país e colocou definitivamente a Amazônia na agenda de pesquisas dos geógrafos brasileiros.

Pesquisadora incansável, lançou seu último livro no mês passado — “A Urbe Amazônida” (Ed. Garamond). Aclamada pela Academia Brasileira de Ciências, que passou a integrar em 2006, Bertha recebeu o reconhecimento de suas obras por meio de prêmios e honrarias. Contribuiu imensamente para a elaboração de estratégias de Estado para a Amazônia brasileira, colocando em pauta a dimensão da geopolítica e do uso do território.

Dada a atualidade das reflexões da professora — que podem nos levar, inclusive, a pautar agendas políticas para o país — reiteramos a necessidade de se continuar, a partir do trabalho de Bertha, pensando e propondo alternativas para os problemas brasileiros.

* * *

A escolha da Geografia se fundamenta numa paixão, verdadeira identificação existencial com essa disciplina. Pois que, no sentido etimológico, entendo a grafia da Terra não como descrição, mas como design, desenho e projeto; não em uma condição estática, mas sim em contínua remodelação; não apenas a ser descoberto mas sim, também, a ser socialmente construído.

E paixão e identificação com a Geografia do Brasil que, por sua vez, me conduziu a conceber a disciplina como ciência política. Descobrir e participar da construção do projeto do Brasil como parte do projeto da Terra, eis o sentido de minha atuação acadêmico-profissional, profundamente imbricada à minha própria grafia.

 Bertha Becker, em memorial preparado para a livre-docência na UFRJ – dezembro de 1993