Minicurso: O papel das mudanças ambientais e do meio físico na ocupação antiga e atual do território

A AGB-Campinas convida todos os interessados para o minicurso O papel das mudanças ambientais e do meio físico na ocupação antiga e atual do território, ministrada pelo geógrafo Pedro Michelutti Cheliz no dia 18 de maio, quarta-feira, com início às 16 horas, na sala IG212 do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas.

Inscreva-se! A atividade é gratuita e aberta ao público. Solicitamos inscrição prévia para emissão de certificado de participação, por meio do formulário neste link. Inscrições podem ser feitas no horário da atividade, desde que haja lugares disponíveis.

Sinopse: A relação entre as mudanças ambientais, climáticas e do meio físico com a ocupação humana é um tema que tem ganhado crescente evidência. A pressão da ocupação humana sobre o meio físico tem contribuído para os crescentes problemas ambientais contemporâneos, bem como para as mudanças atuais do clima e dos seus correlatos impactos para as sociedades. Em paralelo, a relação da ocupação humana com o meio físico nem sempre se deu tal como nos dias de hoje: períodos técnicos e de ocupação anteriores ao atual lidaram muitas vezes com os quadros naturais e suas transformações de maneira distinta do que as sociedades contemporâneas. Igualmente, o início da presença da ocupação humana na Terra como um todo e no território brasileiro e paulista em particular é tão antigo que remonta a intervalos de tempo em que a própria configuração de elementos do meio natural (tais como o relevo, rochas, clima, rios e solos) nem sempre foi semelhante a de hoje. Dentro deste contexto, a presente atividade busca discutir aspectos das mudanças nos caminhos de como a ocupação humana do território lidou com o meio físico e as transformações ambientais e climáticas em diferentes períodos técnicos de ocupação do Brasil e São Paulo, desde o tempo anterior ao advento da agricultura. Pretende-se, desta maneira, realizar uma discussão sobre a análise do povoamento do território a partir das transformações das relações entre grupos humanos e o meio físico, usando de exemplos desde o período inicial de ocupação (anterior a 10 mil anos atrás, ligado ao tempo dos caçadores-coletores que se estima serem os primeiros habitantes do atual território brasileiro e paulista) até o intervalo atual. Busca-se alcançar tal propósito apresentando e propondo reflexões sobre sumários de estudos e pesquisas tanto clássicos quanto recentes sobre o tema nas áreas de geografia, arqueologia e de análises paleoambientais.

Lista de referências

Antonio Candido. Os parceiros do Rio Bonito. 1964.

Tom Miller Jr. Duas Fases Paleoindígenas da Bacia de Rio Claro, SP. Tese de doutorado. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro. UNESP. 1968

Caio Prado Junior. A cidade de São Paulo – Geografia e História. 1989

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Mercedes Okumura, Astolfo Araujo. Pontas bifaciais no Brasil Meridional: caracterização estatística das formas e suas implicações culturais. Revista de Arqueologia. 2013

Laura Furquim. Arqueobotânica e Mudanças Socioeconômicas durante o Holoceno Médio no Sudoeste da Amazônia. USP. 2018.

Pedro Michelutti Cheliz, João Carlos Moreno de Sousa, Gabriela Mingatos, Mercedes Okumura, Astolfo Gomes Araujo. A ocupação humana antiga (11-7 mil anos atrás) do Planalto Meridional Brasileiro: caracterização geomorfológica, geológica, paleoambiental e tecnológica de sítios arqueológicos relacionados a três distintas indústrias líticas. 2020.

Pedro Michelutti Cheliz, Leticia Cristina Correa, João Carlos Moreno de Sousa, Robson Rodrigues e  Juliana Rodrigues. Early human-Earth interactions and the initial peopling of the lowlands of southeastern South America (São Paulo, Brazil). 2021.

Philip Gibbard e colabodores. The anthropocene as an Event, not an Epoch. Journal of Quaternary Science. 2022.

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