A Geografia toma partido: Geografia para resistir e AGB para construir (13-17/07/2020)

A Associação dos Geógrafos Brasileiros está organizando diversas atividades virtuais durante esta semana em que aconteceria o XX ENG, adiado em razão da pandemia de covid-19.

As conjunturas neoconservadoras e neoliberais que se desenham em escala mundo no primeiro quartel do século XXI tem se expressado de modo particular nas periferias do capitalismo mundial. A questão da periferia não se evidencia como localização, mas como condição de estar à margem do poder. Nesses termos, a condição periférica é uma realidade em toda a América Latina em relação a sua posição na organização do capitalismo mundial, que reverbera na realidade produzida dentro de suas próprias fronteiras. Os fundamentos estruturais da sociedade capitalista e a colonialidade dão o tom dos discursos racistas, machistas, homofóbicos, xenofóbicos, higienistas e classistas que têm se acentuado no campo de disputa da política contemporânea. Diante desse contexto, as dinâmicas educacionais, urbanas, rurais e ambientais expõem contradições estudadas pela e por meio da ciência geográfica em suas diversas escalas, o que possibilita criar e fortalecer mecanismos de resistência às hegemonias político-econômicas. A geografia emerge enquanto campo de crítica social para questionar as estruturas hegemônicas, as subordinações imperialistas e sub-imperialistas, hierarquizações e normatizações que escondem as diversidades sob as quais nossa sociedade é construída e se reproduz. Na contramão dessa conjuntura, a Associação dos Geógrafos Brasileiros – enquanto entidade representativa e articuladora da geografia – tem-se construído ao longo dos anos com uma base coletiva, através das Seções Locais e de seus Encontros Nacionais. Diante do avanço das práticas autoritárias, as formas horizontais de organização da AGB surgem como potencialidade de construção de resistências.


13 de julho (segunda-feira) – 19h (horário de Brasília)

Mesa virtual: A ofensiva neoliberal e neoconservadora no(a) Ensino/Educação: o que a Geografia tem a dizer?

Provocador: Rodrigo Coutinho Andrade (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) / integrante do GT de ensino da AGB Niterói)

Palestrantes: Ângela Massumi Katuta (Universidade Federal do Paraná – campus Litoral (UFPR) / AGB Presidente Prudente) e Carlos Josué de Assis (Professor da educação básica na rede de ensino de Fortaleza / AGB Fortaleza).

Historicamente a educação tem tido a função estratégica de produzir subjetividades/objetividades em favor da manutenção da ordem social do capital, determinada pelas necessidades da atual acumulação rentista e da produção de mercadorias, pelo lucro, pela exploração alienante do trabalho. O contexto político pós-eleições de 2018 aprofunda a precarização do trabalho e a desqualificação da docência como profissão, exigindo a análise e o compromisso de enfrentamento dos impactos da ofensiva neoliberal e neoconservadora no(a) Ensino/Educação. A reforma trabalhista e os novos modelos de relação de trabalho tendem a aprofundar a precarização da prática docente, além de confrontá-lo no seu papel efetivo na construção de políticas pedagógicas/ educacionais no cotidiano escolar. As políticas de avaliação externa da educação brasileira (inclusive dos professores, o provão do magistério), política de livros didáticos, currículos de formação de professores e as políticas recém-adotadas pelo Ministério da Educação (MEC) esvaziam e confrontam a formação do pensamento crítico e se articulam a novos modelos de currículos e métodos (BNCC) e um novo papel para o ensino médio (Lei n. 13.415/2017), retenção e/ou redirecionamento do ingresso no ensino superior. Contra estas pautas neoliberais, o papel político da geografia nesse contexto traz à tona a necessidade de reafirmar as bandeiras políticas da AGB na defesa da educação pública, gratuita e de qualidade socialmente referenciada nas lutas do povo brasileiro, da profissão docente e da Geografia como componente curricular. É indispensável que a geografia mostre o que tem a dizer.


14 de julho (terça-feira) – 19h (horário de Brasília)

Roda de conversa: Integração das Geografias da América Latina – Reunião com as entidades do Brasil e da América Latina

Participantes: participarão da atividade entidades de Geografia do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e México.

A necessidade da articulação entre estudantes, professoras(es) e profissionais de Geografia da América Latina há tempos se mostra como necessária. Em abril de 2019, durante o XVII Encontro de Geógrafos da América Latina (EGAL), realizado em Quito (Equador), buscamos promover esta articulação através de uma reunião entre diferentes entidade e coletivos que congregam estudantes, professoras(es) e profissionais de Geografia em todo o subcontinente. Na ocasião houve a tentativa de iniciar a criação de um coletivo de entidades de Geografia da América Latina para debater e pensar ações no âmbito científico, político e profissional da ciência geográfica.  No atual contexto, no qual vivenciamos avanço do neoliberalismo, do fascismo e do neoconservadorismo expresso de modo singular nas periferias do capitalismo mundial, o desmonte de políticas educacionais e a banalização/criminalização do conhecimento científico são práticas cada vez mais frequentes. Assim, a promoção de articulações entre associações, organizações, coletivos e entidades de Geografia na escala da América Latina se torna ainda mais fundamental. Com o objetivo de promover tal articulação, a Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) convida associações, organizações, coletivos e entidades de Geografia da América Latina a compor um espaço de debate a ser realizado durante a Semana “A Geografia toma partido: a Geografia para resistir e a AGB para construir” (13 a 17 de julho de 2020). O intuito do espaço é fomentar o diálogo entre tais entidades neste contexto de diferentes ataques a sociedade.


15 de julho (quarta-feira) – 19h (horário de Brasília)

Mesa virtual: Relações Raciais e Interseccionalidades: Geografias, Lutas antirracistas e a AGB

Provocador: Diego Dhermani (Integrante do GT de Geo raça e racismo da AGB Juiz de Fora e Mestrando em Geografia no PPGEO/Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)).

Palestrantes: Simone Antunes (Integrante do GT de Relações Raciais e Interseccionalidades da AGB Niterói, Professora de Geografia da Rede Pública Estadual do Rio de Janeiro, Integrante do Grupo de Pesquisas NEGRA/FFP e Mestranda no PPGEO/Universidade Federal Fluminense (UFF) e Renato Emerson Nascimento dos Santos (Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) / AGB Rio de Janeiro).

As hierarquizações étnicas e raciais possuem um papel histórico na construção da sociedade e consequentemente na produção científica brasileira. Os ataques a grupos indígenas e quilombolas; o genocídio da juventude negra nas periferias e favelas; as violências aos espaços sagrados das religiões de matriz africana e indígena; e as estruturas de opressão impostas as mulheres negras, são exemplos. A Geografia historicamente tem um papel fundamental na consolidação e naturalização dos “conhecimentos”, que através da colonialidade produzem a dominação de corpos, mentes e lugares. Partir de perspectivas antirracistas pressupõe o diálogo com novos paradigmas para compreender tais relações como elementos constituintes de práticas do espaço geográfico. Deste modo, propõe-se pensar as questões étnicorraciais e suas interseccionalidades não restritas a um campo específico da Geografia.  A AGB advoga estar na trincheira da luta antirracista. Contudo, sabe-se que as dimensões do racismo se difundem socialmente, assumindo caráter estrutural e promove a sua reprodução em diversas escalas. Sendo assim, questionamos: como a AGB se posiciona nas lutas antirracistas? Em que medida e proporção a entidade encampa as teorias científicas, discursos e ações políticas que buscam a superação do racismo brasileiro? Como isso se manifesta nas atuações da associação na dimensão de suas seções locais e nacional? De quais formas a AGB vem atuando como articuladora dessas lutas entre geógrafas e geógrafos no Brasil, uma vez que assim se posiciona a organização?


16 de julho (quinta-feira) – 19h (horário de Brasília)

Roda de conversa: A AGB para construir – Reunião com as Seções Locais da AGB

O objetivo da Roda de Conversas com as Seções Locais da AGB é apresentar as atividades desenvolvidas pelas Seções Locais durante esse período de isolamento social, assim como debater localmente e nacionalmente a atual conjuntura e os seus desdobramentos para a sociedade e para a entidade.

Participantes: Seções Locais da AGB.

Local: Canal do YouTube da AGB Nacional.


17 de julho (sexta-feira) – 19h (horário de Brasília)

Mesa virtualGeopolítica atual e saúde global

Provocador: Raul Borges Guimarães (UNESP Presidente Prudente / AGB Presidente Prudente).

Palestrantes: Cláudia Roma (Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) / AGB Dourados) e Gilberto Vieira dos Santos (Conselho Indigenista Missionário (CIMi) / AGB Presidente Prudente).

A saúde se evidencia enquanto tema de pesquisa na geografia há ao menos duas décadas, pautando o compromisso para construção de uma sociedade mais equitativa. Tendo em vista a relevância cada vez maior do tema “Saúde global” na geopolítica atual, a geografia para a saúde visa compreender os fenômenos que assolam as vidas e não somente se restringir ao mapeamento de enfermidades. Os desafios políticos e territoriais impostos pelo capitalismo, atingindo especialmente a população mais pobre, se intensificam com o avanço do neoliberalismo e a ascensão da ultradireita, colocando a vida humana no limite da suportabilidade. O alinhamento dos pressupostos da Saúde Coletiva na ciência geográfica, principalmente no Brasil, tem como meta construir um desenvolvimento mais humano e democrático que possibilite avanços nas questões ambientais e/ou sociais. Assim, a geografia sai em defesa dos povos da floresta e das(os) trabalhadoras(es), a partir da análise e do enfrentamento das políticas de contaminação por agrotóxicos no campo e na cidade, revelando resistências e formas de produção alternativas, bem como representando a luta pela manutenção do Sistema Único de Saúde, como sistema universal e gratuito.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *