Querem nos calar. Não calarão!: Nota da AGB pela defesa da liberdade de cátedra

Veja a publicação original.

A Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB), reunida na 139ª Reunião de Gestão Coletiva, realizada em Presidente Prudente – SP, vem a público manifestar repúdio aos ataques impostos por perseguidores da pluralidade de pensamentos e ações ao geógrafo e professor doutor Cristiano Nunes Alves, da Universidade Estadual do Maranhão, nas redes sociais do Escola Sem Partido e de outros veículos de extrema direita.

Querem nos calar. Não calarão!

Não é demais lembrar que desde novembro de 2018 vigora, naquele estado, o Decreto Estadual Escola Com Liberdade e Sem Censura (Decreto 34.555, de 12 de novembro de 2018), que garante que “todos os professores, estudantes e funcionários são livres para expressar seu pensamento e suas opiniões no ambiente escolar da rede estadual do Maranhão”. Este documento reafirma o direito constitucional à livre manifestação do pensamento e à liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber.

Contudo, professores têm sido cada vez mais perseguidos em nosso país em um evidente projeto de imposição de um pensamento único, conservador e reacionário. Este ataque em específico ocorreu em decorrência de comentário contundente, durante aula na plataforma virtual UemaNet, a respeito do patrimonialismo e do autoritarismo que atravessam os períodos de toda a formação socioespacial brasileira e que, atualmente, renovam-se com a ascensão de ideologias da extrema direita. Esta psicosfera violenta que criminaliza os movimentos sociais reverbera nos espaços rurais e é determinante para a escalada da perseguição e do número de assassinatos de integrantes destes coletivos. O armamento de proprietários rurais, inclusive, foi defendido nas campanhas eleitorais do Presidente da República e do Ministro do Meio Ambiente e é uma proposta que une, no Parlamento, as bancadas do boi, da bala e da bíblia.

Reafirmamos o compromisso da AGB com todos os docentes de Geografia do Brasil, com a universidade pública e com o fazer geográfico comprometido com os movimentos sociais e, como bem afirmou Cristiano, com essa miríade de sujeitos alijados do projeto de desenvolvimento.

Associação dos Geógrafos Brasileiros

20 de setembro de 2019

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