AGB-Campinas publica nova edição do Boletim Campineiro de Geografia

Boletim Campineiro de Geografia, v. 7, n. 2 (2017)

O Boletim Campineiro de Geografia apresenta seu novo número com textos que nos falam de realidades geográficas nacionais e internacionais, a partir de reflexões teóricas e empíricas de diferentes campos da Geografia. Nesta edição estão reunidas as contribuições de mais de vinte autores, na forma de dez artigos, acompanhados de textos em nossas já tradicionais seções de resenhas, entrevistas e traduções.

Perspectivas da urbanização e das cidades brasileiras são destaque em alguns dos trabalhos. Uma leitura necessária sobre as concessões de serviços públicos é proposta por Fabricio Gallo e Pablo Augusto Bastiani, apresentando as dinâmicas territoriais relacionadas às concessões, a apropriação de serviços públicos pela iniciativa privada no estado de São Paulo e como as rodovias concedidas passam a ter um papel central na arrecadação dos municípios lindeiros com a cobrança de impostos sobre pedágios. Ciro Ruiz Vicente da Silva e Lindon Fonseca Matias se debruçam sobre o crescimento urbano de Campinas entre 1842 e 2016, e no estudo de Juliana Oliveira e Bruno Pereira Reis analisam-se as lógicas espaciais do sistema bancário e da valorização fundiária em Presidente Prudente e São José do Rio Preto.

Os pesquisadores Antonio Douglas Campos da Silva, Isadora Garcia e André Pasti trazem como foco de sua análise a Ocupação Vila Soma, em Sumaré (SP), um centro de resistência ao modelo de cidade e urbanização corporativa que produz uma organização própria e um caso de formação de sujeitos políticos na luta pela moradia. Os quatro estudos marcam características importantes do crescimento urbano: uma marcha acelerada da expansão das cidades sob a lógica corporativa e fragmentada, que ao mesmo passo se faz ampliando as desigualdades e a exclusão através da pobreza planejada.

Neste número, também temos a satisfação de publicar três trabalhos que retratam realidades além-fronteiras: Ismane Desrosiers analisa o processo de urbanização da cidade de Canaan, no Haiti, no contexto pós-terremoto, destacando a urbanização caótica desenvolvida de maneira precária, impactando ainda mais as questões urbanas da Região Metropolitana de Porto Príncipe. O tema dos espaços públicos de lazer em Maputo, capital de Moçambique, é o objeto de investigação de José Julião da Silva. Ainda sobre esse país, o trabalho dos pesquisadores Manuel Alcandra e Ringo Benjamin Victor mostra como se dá a exploração artesanal e industrial de carvão mineral em Moatize, província de Tete, destacando os impactos socioeconômicos e ambientais das atividades.

A discussão sobre as características demográficas do campo no Brasil e sobre como esses contextos influenciam na sustentabilidade social é o centro da reflexão de Cassiane da Costa e Luis Alfonso Rioja Camarero. Já as reflexões epistemológicas e empíricas da geomorfologia são abordadas nos artigos de Cesar de Oliveira Ferreira Silva, Gerson Araujo de Medeiros e Alyson Bueno Francisco. Enquanto Francisco propõe uma reflexão sobre a epistemologia da Geologia, trazendo suas concepções fundantes a partir da filosofia, Silva e Medeiros realizam um estudo da morfometria da bacia hidrográfica do Rio Jundiaí-Mirim, buscando subsídios para a gestão ambiental das bacias hidrográficas. Os três pesquisadores nos fornecem
contribuições relevantes para repensar a produção do conhecimento sobre questões de garantia de qualidade ambiental.

A resenha que publicamos neste número é proposta por Ana Carolina Torelli Marquezini Faccin, sobre o livro organizado por Eve Anne Bühler, Martine Guibert e Valter Lúcio de Oliveira, intitulado “Agriculturas empresariais e espaços rurais de globalização: abordagens a partir da América do Sul”, publicado no ano de 2016 pela Editora da UFRGS, no qual diversos autores debatem a modernização da agricultura e os mecanismos políticos e econômicos que moldam as novas relações no campo.

Estamos ainda muito contentes em apresentar a entrevista realizada com a geógrafa moçambicana Inês Macamo Raimundo, pelos colegas Antonio Gomes, Melissa Steda e Wagner Nabarro, por oportunidade de um ciclo de debates na Universidade de São Paulo, no final de 2016. Foram abordados os contextos geográficos da África austral, as migrações e as questões populacionais, campo de estudos da pesquisadora.

Finalmente, continuamos nossa seção de traduções com um texto de David Harvey publicado pela primeira vez em 1974, em versão de Gustavo Teramatsu, autorizada pessoalmente pelo geógrafo britânico. Harvey apresenta uma série de reflexões sobre o trabalho dos geógrafos, especialmente sobre sua contribuição para a formulação de políticas públicas. Estamos certos de que, mais de 40 anos depois, suas observações continuam sendo extremamente oportunas.

A gravura que ilustra a capa desta edição é de autoria de Matrakçı Nasuh (1480-1564), espadachim, matemático, cartógrafo e geógrafo que se destacou por sua arte ao estilo da miniatura otomana. Com a queda de Contanstinopla, o Império Otomano então se prolongava por vasto território, que incluía os Bálcãs, Hungria, Crimeia, Grécia, Turquia, Síria, Palestina, Mesopotâmia, Egito e parte da Península Arábica, e o norte mediterrâneo da África. A Cidadela de Aleppo, patrimônio da humanidade, representada na gravura, teve suas fortificações parcialmente destruídas em quatro anos de combate durante a Guerra da Síria, entre 2012 e 2016 — a Batalha de Aleppo —, que tirou a vida de mais de cem mil pessoas.

O Conselho Editorial do Boletim Campineiro de Geografia agradece a todos os pesquisadores que enviaram contribuições na forma de artigos, resenhas e entrevistas, além dos valiosos pareceres de nosso Conselho Científico, e deseja a todos uma excelente leitura.

EDITORIAL

Expediente

Editorial

ARTIGOS

Fabricio Gallo, Pablo Augusto Bastiani
Ciro Ruiz Vicente da Silva, Lindon Fonseca Matias

ENTREVISTAS

Antonio Gomes, Melissa Steda, Wagner Nabarro

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