Minicurso: Escrita científica e publicação em periódicos de Geografia

A AGB-Campinas tem o prazer de promover e apoiar a realização do minicurso “Escrita científica e publicação em periódicos de Geografia”, ministrado pela Profª Drª Lisandra Pereira Lamoso, docente da Universidade Federal da Grande Dourados — UFGD, que no momento realiza estágio pós-doutoral na Unicamp.

O minicurso será realizado de forma virtual, por meio da plataforma Google Meet, por isso terá vagas limitadas pela capacidade da sala, ou seja, no máximo 200 pessoas. Por essa razão, não deixe de fazer a inscrição na última hora. A inscrição pode ser feita no formulário a seguir: https://forms.gle/9BAL3yHcfPu43cvS9

Mais informações sobre o minicurso:

Título: Escrita científica e publicação em periódicos de Geografia
Profª Drª Lisandra Pereira Lamoso (lattes.cnpq.br/5623881752715097)
Carga horária: 8 horas
Datas: 27 e 28 de junho de 2022
Horário: 14h às 18h

Gestão 2022-2024 da AGB-Campinas toma posse

Da Comissão de Comunicação e Eventos da AGB-Seção Campinas

Ocorreu na quinta-feira, dia 9 de junho, a assembleia de posse da Gestão 2022-2024 da AGB-Campinas, eleita com 27 votos. A associação será dirigida, no próximo biênio, pela seguinte diretoria:

  • Rogério Bezerra da Silva — diretor
  • Vicente Eudes Lemos Alves — vice-diretor
  • Heloisa Santos Molina Lopes — primeira secretária
  • Jessica Aparecida dos Santos Rodrigues — segunda secretária
  • Paulo Roberto da Silva Rufino — primeiro tesoureiro
  • Igor Cauê Vieira de Oliveira Pinto — segundo tesoureiro
  • Jéssica da Silva Rodrigues Cecim — coordenadora de publicações
  • Gabriel Rocha Castanheira — vice-coordenador de publicações

A Comissão de Comunicação e Eventos será coordenada por:

  • Gustavo Glodes Blum
  • Marina Sbrocco
  • Natalie Freitas
  • Rafael Henrique de Moura
  • Roberta Custodio Cavedini

E a Comissão de Acervo e Memória será coordenada por:

  • Deyse Cristina Brito Fabricio
  • Jahan Natanael Domingos Lopes
Foto: Paulo Rufino/AGB-Campinas

Diante do contexto político-institucional brasileiro atual, são três os compromissos assumidos pela Gestão 2022-2024:

  • reforçar as bases da Seção Local da AGB, buscando integrar ainda mais geógrafas e geógrafos que tenham o desejo de participar dessa Associação;
  • fazer convergir os esforços da AGB-Campinas no sentido de reforçar a entidade em seu âmbito nacional, estreitando sua atuação e relevância junto às geógrafas e aos geógrafos, à comunidade científica, à sociedade brasileira e aos demais movimentos e organizações sociais de resistência e de luta política;
  • atuar, junto aos movimentos sociais, na luta e resistência contra o avanço de organizações fascistas no âmbito da sociedade brasileira.

Rogério Bezerra da Silva, que assume a direção da AGB-Campinas, diz que “o principal objetivo da AGB-Seção Campinas é reforçar os vínculos entre as Geógrafas e os Geógrafos com os movimentos sociais, de modo a congregar esforços na defesa de pautas essenciais para a melhoria e mudança da vida dos brasileiros e brasileiras, como a defesa do SUS público e universal, a educação pública e gratuita em todos os seus níveis, a ciência e tecnologia pública e, sobretudo, o direito à cidade”.

O obscurantismo, o autoritarismo e as lógicas mais perversas da globalização neoliberal, que caminham pari passu com as ideologias fascistas, passaram a vigorar em quase todos as esferas públicas e privadas, o que faz emergir uma situação de profunda crise no interior da formação socioespacial brasileira, que se manifesta no agravamento das desigualdades sociais e territoriais, no descaso e no desprezo pelo conhecimento científico, no estabelecimento do ódio às minorias e aos grupos invisibilizados como ferramenta política de governantes e a legitimação de ações violentas no interior da sociedade civil. Assim, o tempo presente nos desafia, em especial as geógrafas e geógrafos, a termos ainda mais uma postura política firme e clara, coesa e potente. E é essa postura que a Gestão 2022-2024 da AGB-Seção Campinas pretende ter.

Chapa apresenta plano de trabalho para a gestão 2022-2024 da AGB-Campinas

A Comissão Eleitoral, nos termos do Edital AGB-Campinas 01/2022, torna público o plano de trabalho apresentando pela chapa única que concorre à eleição para a Diretoria da AGB-Campinas no biênio 2022-2024.

A eleição acontece por meio virtual nos dias 8 e 9 e junho. Os associados receberão o link no e-mail cadastrado junto à seção local e ficam convocados para a assembleia geral de posse no dia 9 de junho, às 18 horas, na sede da AGB-Campinas, no Instituto de Geociências da Unicamp.

Além dos oito cargos previstos no estatuto, a chapa congrega outros sete integrantes em duas comissões:

CHAPA

DIRETOR Rogério Bezerra da Silva
VICE-DIRETOR Vicente Eudes Lemos Alves
PRIMEIRA SECRETÁRIA Heloísa Santos Molina Lopes
SEGUNDA SECRETÁRIA Jéssica Aparecida dos Santos Rodrigues
PRIMEIRO TESOUREIRO Paulo Roberto da Silva Rufino
SEGUNDO TESOUREIRO Igor Cauê Vieira de Oliveira Pinto
COORDENADORA DE PUBLICAÇÕES Jéssica da Silva Rodrigues Cecim
VICE-COORDENADOR DE PUBLICAÇÕES Gabriel Rocha Castanheira

COMISSÃO DE COMUNICAÇÃO E EVENTOS
Gustavo Glodes Blum
Marina Sbrocco
Natalie Freitas
Rafael Henrique de Moura
Roberta Custorio Cavedini

COMISSÃO DE ACERVO E MEMÓRIA
Deyse Cristina Brito Fabricio
Jahan Natanael Domingos Lopes

APRESENTAÇÃO

Apresentamos nossa candidatura à Diretoria Executiva Local da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) Seção Campinas, para o biênio 2022-2024. Com tal proposição, reafirmamos o compromisso, já assumido pelas gestões anteriores da entidade, de manter viva a história desta importante organização científica. Não só no âmbito desta seção local, da qual fazemos parte, como também da entidade nacional que ela integra e é uma instituição fundamental.

Compreendemos que, diante do contexto político-institucional brasileiro atual, teremos três grandes compromissos durante a gestão 2022-2024:

  1. reforçar as bases da Seção, buscando integrar ainda mais geógrafas e geógrafos que tenham o desejo de participar dessa Associação;
  2. fazer convergir os esforços da AGB-Campinas no sentido de reforçar a entidade em seu âmbito nacional, não só contribuindo para a construção de seu mais importante evento, o Encontro Nacional de Geógrafos, como sobretudo para sua atuação e relevância junto às geógrafas e aos geógrafos, à comunidade científica, à sociedade brasileira e aos demais movimentos e organizações sociais de resistência e de luta política;
  3. atuar, junto aos movimentos sociais, na luta e resistência contra o avanço de organizações fascistas no âmbito da sociedade brasileira.

A proposição dessa chapa para a diretoria da AGB-Campinas, desse modo, revela-se ainda mais crucial devido à situação dramática da conjuntura política brasileira. O obscurantismo, o autoritarismo e as lógicas mais perversas da globalização neoliberal, que caminham pari passu com as ideologias fascistas, passaram a vigorar em quase todos as esferas públicas e privadas, o que faz emergir uma situação de profunda crise no interior da formação socioespacial brasileira, que se manifesta no agravamento das desigualdades sociais e territoriais, no descaso e no desprezo pelo conhecimento científico, no estabelecimento do ódio às minorias e aos grupos invisibilizados como ferramenta política de governantes e a legitimação de ações violentas no interior da sociedade civil. Assim, o tempo presente nos desafia, em especial a nós, geógrafas e geógrafos, assim, visa-se a termos ainda mais uma postura política firme e clara, coesa e potente.

Conforme a gestão visa incentivar o ensino, a pesquisa e a extensão tem-se duas comissões que advogam esse compromisso: a comissão de eventos e comunicação, ao que concerne estimular a circulação do pensamento humano através de atividades em geral e, inclusive, as inter-relações para com a seção local; e, também, a comissão de acervo e memória, a partir da organização da materialidade histórica pertencente à seção local e memorizar a entidade como um todo a partir da construção e divulgação de materiais a partir do acervo. Nisso, tem-se compromisso com o futuro da Geografia, formando e reformando os estudantes de todos os níveis, fortalecendo o conhecimento em todos seus horizontes de possibilidades. Para tanto, tais comissões têm o dever primeiro com a circulação e divulgação de conhecimento solícito a toda comunidade geográfica local, nacional e global.

Por esses motivos, a proposição desta candidatura, que, além de novas ações, também pretende dar continuidade aos bons trabalhos implementados pela gestão anterior, no presente momento histórico, deve se comprometer a reafirmar e potencializar sua relevância nos debates e nas ações que visem a defesa e construção de uma ciência geográfica comprometida com a construção de uma sociedade brasileira mais justa e igualitária, plural e diversa. Por essas e tantas outras razões, uma AGB sólida e democrática, um rigoroso fazer geográfico, uma ação política diligente e o estabelecimento de laços sociais mais tolerantes e solidários nunca foram tão imprescindíveis. É fundamental tanto continuarmos unidos e permanecermos juntos quanto traçarmos novos horizontes e caminhos comuns.

Diretrizes e objetivos da gestão:

  1. Tornar a AGB-Campinas cada vez mais ativa, organizada, diversa e plural em suas ações políticas, de modo que a entidade se mostre ainda mais relevante nos debates postos nos contextos local e nacional;
  2. Promover eventos científicos, políticos e culturais que visem a integração dos associados à AGB-Campinas, a visibilização e apresentação da entidade para os não associados;
  3. Reforçar a política financeira da entidade, principalmente por meio de ações de filiação de novos associados;
  4. Manter a política de publicações da AGB-Campinas por meio de sua revista científica, o Boletim Campineiro de Geografia (BCG);
  5. Solidificar e ampliar a política de comunicação desenvolvida no decorrer da última gestão, tanto com base no site e rede de contatos pessoais dos associados da entidade, quanto se valendo das diversas mídias sociais e materiais físicos de divulgação das atividades da AGB-Campinas;
  6. Participar ativamente dos significativos debates políticos da Região Metropolitana de Campinas, sempre apoiando e tomando lado dos movimentos sociais dos trabalhadores, de minorias e grupos historicamente oprimidos e silenciados;
  7. Contribuir para a construção da AGB em seu nível local e regional, retomando o diálogo com as escolas da PUC-Campinas e da Unesp-Rio Claro, e nacional, participando das Reuniões de Gestão Coletiva (RGCs), apoiando a realização dos seus eventos mais importantes, em especial o Encontro Nacional dos Geógrafos (ENG);
  8. Indicar e enviar, sempre que possível, representantes da AGB-Campinas para participação em fóruns de discussão e em atividades de intervenção no âmbito nacional e local;
  9. Realizar os esforços necessários para que se volte a regularizar a AGB-Campinas segundo as normas que regem as associações e organizações civis, segundo as regras jurídicas ainda em vigor no Estado brasileiro;
  10. Incentivar ações que visem a recriação dos GTs da AGB-Campinas, principalmente o de Educação e Ensino, de modo que se busque sempre reforçar a defesa dos professores e sua voz dentro entidade;
  11. Manter e ampliar os projetos envolvendo bolsistas de apoio da AGB-Campinas;
  12. Estabelecer vínculos com as entidades estudantis, sobretudo as dos cursos de Geografia, de modo a fortalecer a Associação;
  13. Salutar a pesquisa e a extensão a partir das seguintes comissões: evento e comunicação / acervo e memória. Estabelecendo eventos em geral e divulgando materiais históricos que auxiliam a formação política e acadêmica;
  14. Organizar, através da comissão de acervo e memória, o material bibliográfico presente na entidade, catalogando-o e divulgando-o. Em vista de eternizar o conhecimento material e imaterial da associação através da seção local de Campinas;
  15. Constituir redes entre geógrafos e geógrafas voltadas a dar maior visibilidade a oportunidades de emprego e trabalho nas diversas áreas de formação das e dos profissionais;
  16. Constituir vínculos com as Câmaras Municipais da Região Metropolitana de Campinas de modo a contribuir com os debates sobre políticas públicas.

Edital 01/2022 — Eleição da AGB-Campinas 2022-2024

Documentos

Edital [PDF] | Requerimento de inscrição | Anexo I — Integrantes da chapa

Estatuto da Associação dos Geógrafos Brasileiros

Estatuto da Associação dos Geógrafos Brasileiros — Seção Campinas


EDITAL AGB-CAMPINAS 01/2022
ABERTURA DE INSCRIÇÕES DE CHAPAS PARA A GESTÃO 2022-2024

A Diretoria Executiva da Associação dos Geógrafos Brasileiros – Seção Campinas convoca por meio do presente instrumento as eleições para a Diretoria Executiva Local para a Gestão 2022-2024, conforme instruções e prazos especificados nos itens a seguir.

1) Do Calendário do Processo Eleitoral:

1.1) Inscrições das chapas: de 30/5/2022 a 3/6/2022. 

1.2) Eleições: das 9h do dia 8/6/2022 às 16h do dia 9/6/2022.

1.3) Assembleia Extraordinária: 9/6/2022, às 18h, na sede social.

2) Do Colégio Eleitoral:

2.1) São votantes todos os associados com o pagamento da anuidade em dia até o dia 3/6/2022.

3) Processo Eleitoral:

3.1) As inscrições de chapas estarão abertas no período de 30/5/2022 a 3/6/2022

3.2) A inscrição das chapas deve ser requerida em formulário próprio, em anexo a este edital, e vir acompanhada do respectivo plano de trabalho para a gestão 2022-2024, nos termos do Art. 33 do Estatuto da AGB Campinas, e demais comprovantes requeridos no item 3 do edital, enviados para o e-mail secretaria@agbcampinas.com.br.

3.3) A Comissão Eleitoral será responsável pelo recebimento dos requerimentos, orientações, esclarecimentos e avaliação da documentação entregue pelos candidatos das chapas.

3.4) Compete à Comissão Eleitoral promover e fiscalizar o processo de votação fazendo cumprir as disposições estatutárias e regimentais. Deverá ainda proceder a apuração dos votos, fazendo lavrar a ata de eleição e dar posse à nova Diretoria Executiva Local.

3.5) A votação ocorrerá por meio eletrônico (plataforma LimeSurvey).

4) Da Inscrição:

4.1) Os seguintes documentos devem ser apresentados para inscrição de chapa:

  • Requerimento de inscrição da chapa, discriminados e preenchidos todos os cargos da Estrutura Administrativa pelos integrantes da chapa;
  • Comprovante de inscrição de pagamento da anuidade da AGB de cada integrante da chapa;
  • Cópias dos documentos de identidade (RG) e do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) de cada integrante da chapa;
  • Plano de trabalho.

5) Da Posse:

5.1) A posse da nova Diretoria Executiva Local terá início ao final do processo eleitoral, pelo período de 2 (dois) anos e seu término se dará em 8 de junho de 2024.

5.2) Não havendo chapas inscritas ou chapa eleita, será convocada nova Assembleia Geral Extraordinária para a realização de novas eleições em até 30 dias.

6) Das Disposições Gerais:

6.1) Os casos omissos serão resolvidos pela Comissão Eleitoral.

6.2) Outras informações e dúvidas podem ser encaminhadas à Comissão Eleitoral pelo e-mail secretaria@agbcampinas.com.br.

Campinas, 13 de maio de 2022.

Comissão Eleitoral

Minicurso: O papel das mudanças ambientais e do meio físico na ocupação antiga e atual do território

A AGB-Campinas convida todos os interessados para o minicurso O papel das mudanças ambientais e do meio físico na ocupação antiga e atual do território, ministrada pelo geógrafo Pedro Michelutti Cheliz no dia 18 de maio, quarta-feira, com início às 16 horas, na sala IG212 do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas.

Inscreva-se! A atividade é gratuita e aberta ao público. Solicitamos inscrição prévia para emissão de certificado de participação, por meio do formulário neste link. Inscrições podem ser feitas no horário da atividade, desde que haja lugares disponíveis.

Sinopse: A relação entre as mudanças ambientais, climáticas e do meio físico com a ocupação humana é um tema que tem ganhado crescente evidência. A pressão da ocupação humana sobre o meio físico tem contribuído para os crescentes problemas ambientais contemporâneos, bem como para as mudanças atuais do clima e dos seus correlatos impactos para as sociedades. Em paralelo, a relação da ocupação humana com o meio físico nem sempre se deu tal como nos dias de hoje: períodos técnicos e de ocupação anteriores ao atual lidaram muitas vezes com os quadros naturais e suas transformações de maneira distinta do que as sociedades contemporâneas. Igualmente, o início da presença da ocupação humana na Terra como um todo e no território brasileiro e paulista em particular é tão antigo que remonta a intervalos de tempo em que a própria configuração de elementos do meio natural (tais como o relevo, rochas, clima, rios e solos) nem sempre foi semelhante a de hoje. Dentro deste contexto, a presente atividade busca discutir aspectos das mudanças nos caminhos de como a ocupação humana do território lidou com o meio físico e as transformações ambientais e climáticas em diferentes períodos técnicos de ocupação do Brasil e São Paulo, desde o tempo anterior ao advento da agricultura. Pretende-se, desta maneira, realizar uma discussão sobre a análise do povoamento do território a partir das transformações das relações entre grupos humanos e o meio físico, usando de exemplos desde o período inicial de ocupação (anterior a 10 mil anos atrás, ligado ao tempo dos caçadores-coletores que se estima serem os primeiros habitantes do atual território brasileiro e paulista) até o intervalo atual. Busca-se alcançar tal propósito apresentando e propondo reflexões sobre sumários de estudos e pesquisas tanto clássicos quanto recentes sobre o tema nas áreas de geografia, arqueologia e de análises paleoambientais.

Lista de referências

Antonio Candido. Os parceiros do Rio Bonito. 1964.

Tom Miller Jr. Duas Fases Paleoindígenas da Bacia de Rio Claro, SP. Tese de doutorado. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro. UNESP. 1968

Caio Prado Junior. A cidade de São Paulo – Geografia e História. 1989

André Prouss. A natureza e o homem pré-histórico no Brasil. In: Arqueologia Brasileira. UNB. 1991.

Aziz Nacib Ab’Sáber. Redutos florestais, refúgios de fauna e refúgios de homens. Revista de Arqueologia 8 (2). 1994.

Milton Santos. “Do Meio Natural ao Maio Técnico-científico-informacional”. In: A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo, Razão e Emoção. São Paulo: Edusp, 2002. Pp. 233-257.

Astolfo Gomes Araujo. 2004. A variabilidade cultural no período Paleoíndio no Brasil (11.000 – 8.000 AP): algumas hipóteses. Revista do CEPA. 28, p 111-130.

Fabio Grossi dos Santos. 2011. Sítios líticos do interior paulista: um enfoque regional. Dissertação de mestrado.

Astolfo Gomes Araujo. 2015. On Vastness and Variability: Cultural Transmission, Historicity, and the Paleoindian Record in Eastern South America. Anais da Academia Brasileira de Ciências (87)

João Carlos Moreno de Sousa. 2019. Tecnologia de Ponta a Ponta: Em busca de mudanças culturais durante o Holoceno em indústrias líticas do Sudeste e Sul do Brasil. Tese de Doutorado. Museu Nacional, UFRJ.

Mercedes Okumura, Astolfo Araujo. Pontas bifaciais no Brasil Meridional: caracterização estatística das formas e suas implicações culturais. Revista de Arqueologia. 2013

Laura Furquim. Arqueobotânica e Mudanças Socioeconômicas durante o Holoceno Médio no Sudoeste da Amazônia. USP. 2018.

Pedro Michelutti Cheliz, João Carlos Moreno de Sousa, Gabriela Mingatos, Mercedes Okumura, Astolfo Gomes Araujo. A ocupação humana antiga (11-7 mil anos atrás) do Planalto Meridional Brasileiro: caracterização geomorfológica, geológica, paleoambiental e tecnológica de sítios arqueológicos relacionados a três distintas indústrias líticas. 2020.

Pedro Michelutti Cheliz, Leticia Cristina Correa, João Carlos Moreno de Sousa, Robson Rodrigues e  Juliana Rodrigues. Early human-Earth interactions and the initial peopling of the lowlands of southeastern South America (São Paulo, Brazil). 2021.

Philip Gibbard e colabodores. The anthropocene as an Event, not an Epoch. Journal of Quaternary Science. 2022.

Neodesenvolvimentismo brasileiro: minicurso online com a Profª Drª Lisandra Lamoso

A AGB-Campinas tem o prazer de promover e apoiar a realização do minicurso”Neodesenvolvimentismo brasileiro” dessa vez ministrado pela Profª Drª Lisandra Pereira Lamoso, docente da Universidade Federal da Grande Dourados — UFGD, que no momento realiza estágio pós-doutoral na Unicamp.

O minicurso será realizado de forma virtual, por meio da plataforma Google Meet, por isso terá vagas limitadas pela capacidade da sala, ou seja, no máximo 200 pessoas. Por essa razão, não deixe de fazer a inscrição na última hora. A inscrição pode ser feita no formulário a seguir: https://forms.gle/sPRsJ37dhDKgkG9g6

Mais informações sobre o minicurso:

Título: Neodesenvolvimentismo brasileiro
Profª Drª Lisandra Pereira Lamoso (lattes.cnpq.br/5623881752715097)
Carga horária: 12 horas
Datas: 25, 26 e 27 de abril de 2022
Horário: 14h às 17h

Programa:

• O Neodesenvolvimentismo brasileiro: entre a teorias e as condições concretas de realização;

• Principais políticas públicas implementadas no período 2003-2016;

• A combinação de impulsos externos com o pacto de poder político conservador;

• Reprimarização e desindustrialização como repercussões da política econômica.

Participe do XX Encontro Nacional de Geógrafas e Geógrafos!

Acesse a 1ª circular

Você já pode se associar à Associação dos Geógrafos Brasileiros — Seção Campinas para participar do XX Encontro Nacional de Geógrafas e Geógrafos, que acontecerá de 20 a 24 de julho de 2022 por meio virtual, com o tema Brasil-Periferia: a Geografia para resistir e a AGB para construir.

Saiba como se associar à AGB-Campinas clicando aqui.

As inscrições do XX ENG já estão abertas! O envio de resumos começa hoje (7 de março) e vai até o dia 10 de abril.

O primeiro lote de inscrições, com desconto, vai até o próximo dia 30 de abril. Até esta data, estudantes de graduação associados à AGB pagam R$35; professores da educação básica e estudantes de pós-graduação, R$50; demais associados, R$ 65. A inscrição de não associados custa R$125.

A programação prevê a abertura do evento na noite de 20 de julho, quarta-feira. As noites de 21 e 22 de julho, quinta e sexta, estão reservadas para os Espaços de Diálogos e Práticas (EDPs), com apresentações de trabalho. Os Grupos de Trabalho (GTs) se reúnem nas manhãs de quinta e sexta. O evento se encerra na tarde de domingo, 24 de julho.

A preparação para o XX ENG, previsto inicialmente para julho de 2020, na cidade de São Paulo, começou ainda em 2019. A geógrafa Érica Rodrigues Soares, da Unicamp, venceu o concurso da identidade gráfica do evento. O desenho original ficará exposto na nova sede da AGB-Campinas, que será inaugurada em breve. Veio, então, a pandemia. Ainda em março de 2020, os prazos para inscrição foram adiados. Em abril, decidiu-se adiar o ENG para 2021. Em agosto de 2020, o ENG foi novamente adiado, agora para 2022. No início deste 2022, deliberou-se por sua realização no formato virtual.

A vigésima edição do Encontro Nacional de Geógrafas e Geógrafos dá continuidade à tradição da Associação dos Geógrafos Brasileiros na organização de congressos e encontros desde 1954, com o I Congresso Brasileiro de Geógrafos realizado em Ribeirão Preto (SP). Seguiram-se, desde então: o II CBG (Rio de Janeiro, GB, 1965), I ENG (Presidente Prudente, SP, 1972), III CBG (Belém, PA, 1974), II ENG (Belo Horizonte, MG, 1976), III ENG (Fortaleza, CE, 1978), IV ENG (Rio de Janeiro, RJ, 1980), V ENG (Porto Alegre, RS, 1982), IV CBG (São Paulo, SP, 1984), VI ENG (Campo Grande, MS, 1986), VII ENG (Maceió, AL, 1988), VIII ENG (Salvador, BA, 1990), IX ENG (Presidente Prudente, SP, 1972), V CBG (Curitiba, PR, 1994), X ENG (Recife, PE, 1996), XI ENG (Vitória da Conquista, BA, 1998), XII ENG (Florianópolis, SC, 2000), XIII ENG (João Pessoa, PB, 2002), VI CBG (Goiânia, GO, 20040), XIV ENG (Rio Branco, AC, 2006), XV ENG (São Paulo, SP, 2008), XVI ENG (Porto Alegre, RS, 2010), XVII ENG (Belo Horizonte, MG, 2012), VII CBG (Vitória, ES, 2014), XVIII ENG (São Luís, MA, 2016 e XIX ENG (João Pessoa, PB, 2018).

Mario de Biasi (1937—2022)

O querido Professor Mário de Biasi faleceu ontem, 25/01/22, aos 85 anos. 

Grande tristeza no Departamento de Geografia. Pesar ampliado pela circunstância do luto: a pandemia dificulta acompanhar o rito de passagem. Melancolia nos aniversários da cidade de São Paulo e da criação da USP.

Sua participação no curso de Geografia/USP remonta à década de 1960. Formado em Geografia em 1962, ingressou no quadro docente em 1964 e defendeu tese de doutorado em 1972, sob orientação do Professor André Libault. 

Era a referência de Cartografia Sistemática da unidade. Dentre suas contribuições, destacam-se a discussão sobre as cartas de declividade/clinográfica e a formação de alunos. Orientou 14 mestrados e 14 doutorados e participou de 63 bancas de mestrado e 51 de doutorado. Usamos, até hoje, a proposta de caderno de exercícios elaborada por ele na disciplina de Elementos de Cartografia Sistemática.

Viveu conforme suas convicções. Seu conhecimento sobre mapas e levantamentos topográficos era muito grande. Modesto, se considerava um professor de cartografia analógica, mas sempre incentivou incorporar a produção, atualização e disseminação dos mapas e cartas topográficas digitais. Creio, no entanto, que sabia que o meio nunca seria mais importante do que o seu objeto.

Minhas lembranças do Professor de Biasi na graduação, na pós-graduação e como colega de departamento são ótimas. Era sempre atencioso e solícito, ainda que exigente. Pragmático e sistemático, tal como sua disciplina da graduação. Era são-paulino convicto e possuía uma memória inigualável. Lembrava de tudo: características, datas e sobrenomes. Recebíamos, professores e funcionários, gentis ligações telefônicas nos nossos aniversários. 

E foi essa marcante característica pessoal do professor de Biasi que acabou por me reconfortar. Por associação, lembrei da frase do sociólogo Herbert de Souza (Betinho): “Quem fica na memória de alguém não morre”.

Alfredo Pereira de Queiroz Filho


O professor Mario De Biasi teve um papel muito importante na Cartografia e contribuiu ativamente na formação de gerações de geógrafos, que atuam por todo o país. Era conhecido por seu jeito durão, mas tinha um grande coração e era muito atencioso com quem convivia. Tinha uma excelente memória e parabenizava todos no aniversário, muito antes dos lembretes das redes sociais. Sempre incentivou e encorajou alunos e professores mais novos. Tinha rigor acadêmico, muito compromisso com a universidade e sempre será lembrado pela metodologia de produção das cartas clinográficas, que se tornou um clássico da Cartografia. Lamentamos profundamente a sua perda.

Laboratório de Cartografia e Geoprocessamento da USP


NOTA DE PESAR Recebemos com pesar a notícia do falecimento do professor Mario De Biasi, da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas, Departamento de Geografia, da Universidade de São Paulo (USP). Pesquisador de temáticas como cartografia e sítios urbanos, o professor Mario De Biasi contribuiu de maneira engajada na construção de pesquisas e na formação de geógrafos(as) no Brasil.Lamentamos a perda de tão notório saber e manifestamos solidariedade aos familiares e amigos(as). 25 de janeiro de 2021

ANPEGE – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia

Gestão 2022-2023 – Outros Outubros Virão

Lylian Coltrinari (1934—2022)

Cartão de imigração de Lylian Coltrinari de 1969

O Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo divulgou nesta quarta-feira, 12 de janeiro, o falecimento da geógrafa argentina, naturalizada brasileira, Lylian Zulma Doris Coltrinari. O velório será realizado hoje (13 de janeiro), das 14h às 16h, no Cemitério Memorial Jardim Santo André (Avenida Queirós Filho, 1750, Santo André, SP).

Formada em Licenciatura em História e Geografia pela Universidad Nacional del Litoral de Santa Fe, Lylian especializou-se em Strasbourg sob orientação de Jean Tricart no fim dos anos 1960. No Brasil, país que adotaria como seu, defendeu em 1974 o doutorado em Geografia Física sob orientação de Aziz Ab’Sáber sobre a geomorfologia da região de Guaratinguetá e Aparecida. Na USP, foi professora de Geomorfologia por mais de trinta anos.

A AGB-Campinas se solidariza com a comunidade geográfica, que lamenta o passamento da professora Lylian.

Diretoria Executiva Local, 13 de janeiro de 2022.

Depoimentos

Que Lylian grande geógrafa, colega e companheira descanse em paz. — Maria Adélia de Souza

Hoje morreu a mulher que mais me inspirou a ser a profissional que sou hoje, profa Lylian Coltrinari. Conto sempre para os meus alunos sobre o rigor que ela empunha aos alunos e por isso agradeço. Ela ensinava geomorfologia como quem conta histórias, da Terra, das formas, dos processos naturais, me encantava com a sua forma de ensinar, sua alegria, suas cobranças e respeito pela sua prática pedagógica. Estou chorando mas também feliz por tê-la conhecido. Grande abraço mestre. — Celina Pedroso

Foi minha professora de Geomorfologia. Grande professora. — Evandro Andaku

Que notícia triste, uma referência na geomorfologia, minha professora na graduação. Meus sentimentos aos familiares, amigas e amigos. — Maurício Alcântara Marinho

Minha estimada amiga. Ajudei a pintar sua carta de Declividade do trecho do Vale do Paraíba e Guaratinguetá que foi tema de sua Tese de Doutorado sob orientação do Professor Aziz. Depois a levei para Lins onde deu aulas de Geomorfologia para o curso de Geografia. Que a estimada Lilian descanse, merecidamente. — Claudio Di Mauro

Querida Professora Lylian Coltrinari. Tive a honra de ser seu aluno, e depois amigo. Obrigado por me ensinar o que sei de Geomorfologia, mas antes disso, obrigado por ter me ajudado a ser um geógrafo. Que nós, os seus alunos, consigamos carregar adiante o ensino da Geografia com a seriedade e a decência com que conduziu suas disciplinas. Me despeço aqui, tristemente. Fique bem. Muito obrigado. — Alexander Sergio Evaso

Conversa sobre AGB e agenda urbana nacional

Convidamos a militância agebeana pra uma conversa a partir das trocas no Fórum Nacional de Reforma Urbana, sobre a construção conjunta da agenda urbana, ações em curso e futuras.  Será na quinta-feira 9/12 às 19h (Google Meet).

Pacto pela Vida e pelo Brasil: Em defesa dos pobres e vulneráveis

Não podem ser deixados à margem como se fossem culpados de tais condições

As entidades signatárias do Pacto pela Vida e pelo Brasil publicaram o texto que segue na edição desta terça-feira (7 de dezembro de 2021), da Folha de São Paulo. O manifesto foi publicado na página da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência — SBPC ainda nas primeiras semanas da pandemia no Brasil, em abril de 2020, e também foi assinado pela AGB e pela Anpege.

VÁRIOS AUTORES (nomes ao final do texto)

Nós, entidades signatárias do Pacto pela Vida e pelo Brasil, historicamente comprometidas com a defesa do Estado democrático de Direito, os direitos humanos e a justiça social, acompanhamos com preocupação a multifacetada crise que o país atravessa. Enlutados pelos mais de 615 mil mortos da Covid-19 e solidários com seus familiares, manifestamos nossa perplexidade com a forma pela qual a população mais pobre e vulnerável vem sendo tratada, quando as consequências da pandemia assombram o Brasil.

A crise sanitária escancarou um país injusto e desigual, com altos índices de desemprego e insegurança alimentar. A Constituição prescreve, no seu art. 6º, que são diretos sociais do povo brasileiro “a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a Previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados”. Direitos sociais não são favores de governos, mas deveres do Estado.

Quando o Brasil mais necessita de políticas públicas eficientes e equilibradas, assistimos à extinção pelo governo federal do Bolsa Família, programa testado, aprovado e reconhecido nacional e internacionalmente como um dos maiores instrumentos de transferência de renda já implementados. Some-se a isso o fim do auxílio emergencial, que foi essencial em tempos da pandemia.

Em 2020, esse auxílio foi pago a 68,3 milhões de pessoas, segundo o Ministério da Cidadania. Em 2021, caiu para 39 milhões. Agora, cria-se o Auxílio Brasil, um programa de governo com fortes suspeitas de motivação eleitoreira, para atender apenas 17 milhões de famílias. Depois de votada no Congresso Nacional, a MP do Auxílio Brasil confirma a exclusão de pelo menos 4 milhões de famílias que seriam elegíveis ao benefício, cujo atendimento ficará à mercê de haver ou não espaço orçamentário. Seja como for, os patamares adotados estão muito aquém do estágio atual da pobreza no país.

Nossa preocupação se agrava ao dar conta de que, para viabilizar o Auxílio Brasil, manipula-se econômica e politicamente o dinheiro público. Primeiro, ao se propor como fonte de sustentação do programa recursos vindos do não pagamento de precatórios, dívidas que o Estado tem não só com estados ou municípios, mas com pessoas. E, no jogo pela aprovação do novo benefício, vêm à tona o estranho relacionamento entre Executivo e Legislativo, sob a forma de um “orçamento secreto”. Ou seja, de verbas públicas que, através de artifícios regimentais, são direcionadas a parlamentares “comprometidos com o governo”.

Diante desses fatos e do quadro social vigente, as entidades que subscrevem este artigo assumem o compromisso de acompanhar as tratativas entre Congresso e governo federal para que não se prejudique e ou se retarde a implementação de políticas públicas urgentes em favor dos mais vulneráveis, que não podem ser deixados à margem como se fossem culpados da sua condição!

Conclamamos a sociedade civil a exigir do Congresso a criação de um efetivo programa de transferência de renda de proporções compatíveis com o desemparo e a fome que hoje castigam expressiva parcela da população brasileira. E que esse programa esteja acompanhado do fortalecimento do SUS, sem o qual muitos brasileiros não reagirão ao duro legado da Covid-19.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

Felipe Santa Cruz
Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)

José Carlos Dias
Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns – Comissão Arns

Luiz Davidovich
Presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC)

Paulo Jeronimo de Sousa
Presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI)

Renato Janine Ribeiro
Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

Oficina de Educação Social e Ensino de Geografia

O Ateliê de Pesquisas e Práticas em Ensino de Geografia — APEGEO oferece a Oficina de Educação Social e Ensino de Geografia, atividade de extensão incluída no plano de curso da disciplina de Estágio Supervisionado de Geografia II, ministrada no segundo semestre de 2021 no Instituto de Geociências da Unicamp, sob a orientação do professor Rafael Straforini. A atividade será ministrada por Bianca Cavalcanti Martins, Douglas Henrique da Silva, Jéssica Aparecida dos Santos Rodrigues e Raphael Borges Santos.

INSCREVA-SE AQUI

Tema geral: o trabalho em rede na garantia de direitos: a atuação do educador social e alguns caminhos possíveis para o professor diante das situações de violência doméstica.

Propõe-se uma aproximação entre estudantes da licenciatura de geografia e o campo da educação social. Para tanto, serão mobilizadas as ideias de raciocínio geográfico como prática pedagógica usual no contato com os educandos e de compreensão espacial do fenômeno da violência doméstica como ferramenta para a ação do educador social e do professor em contato com educandos em situação de violência doméstica. A oficina buscará abordar o trabalho do educador social inserido na política de assistência; a identificação de situações de violência doméstica em espaços coletivos, compreendendo os tipos de violência doméstica e sujeitos atendidos pela política de assistência; e, por meio de atividade prática, apontar alguns caminhos possíveis de atuação na educação social e na sala de aula.

A oficina será realizada na modalidade remota, em três noites de quarta-feira (das 19h às 22h):


03/11/2021 — O trabalho do educador social
10/11/2021 — Identificando a situação de violência
17/11/2021 — Discussão final sobre as atividades práticas

Concurso público em Paulínia: PEB II — Geografia

EMEF Prefeito José Lozano Araújo. Foto: Prefeitura Municipal de Paulínia (Divulgação)

Em 2018, a AGB-Campinas divulgou concurso público no município de Paulínia, na região metropolitana. Demos visibilidade ao edital, à prova e também a irregularidades na divulgação do resultado, o que levou à anulação do concurso.

Três anos depois, a Prefeitura Municipal de Paulínia abre novo concurso público com validade de 2 anos, podendo ser prorrogado uma única vez por igual período. Entre os diversos cargos, há novamente uma vaga para Professor de Educação Básica II – Geografia.

Inscrições: 23/9 a 18/10/2021 (conhecimento.fgv.br/concursos/pmp21/002)

Valor da inscrição: R$115,00

Remuneração: R$ 50,22 o valor da hora aula de 50 minutos (mínimo de 24h e máximo de 48h)

Previsão da prova objetiva: 28/11/2021 (domingo), das 13h às 17h, com 60 questões de 5 alternativas. Será considerado aprovado o candidato que, cumulativamente: a) acertar, no mínimo, 8 (oito) questões do módulo II; b) acertar, no mínimo, 16 (dezesseis) questões do módulo I; c) acertar, no mínimo, 30 (trinta) questões do total da prova.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

MÓDULO I – CONHECIMENTOS BÁSICOS
LÍNGUA PORTUGUESA. Elementos de construção do texto e seu sentido: gênero do texto (literário e não literário, narrativo, descritivo e argumentativo); interpretação e organização interna. Semântica: sentido e emprego dos vocábulos; campos semânticos; emprego de tempos e modos dos verbos em português. Morfologia: reconhecimento, emprego e sentido das classes gramaticais; processos de formação de palavras; mecanismos de flexão dos nomes e verbos. Sintaxe: frase, oração e período; termos da oração; processos de coordenação e subordinação; concordância nominal e verbal; transitividade e regência de nomes e verbos; padrões gerais de colocação pronominal no português; mecanismos de coesão textual. Ortografia. Acentuação gráfica. Emprego do sinal indicativo de crase. Pontuação. Estilística: figuras de linguagem. Reescritura de frases: substituição, deslocamento, paralelismo; variação linguística: norma padrão.

RACIOCÍNIO LÓGICO-MATEMÁTICO. Proposições, conectivos, equivalências lógicas, quantificadores e predicados. Conjuntos e suas operações, diagramas. Números inteiros, racionais e reais e suas operações, porcentagem. Proporcionalidade direta e inversa. Medidas de comprimento, área, volume, massa e tempo. Estrutura lógica de relações arbitrárias entre pessoas, lugares, objetos ou eventos fictícios; dedução de novas informações das relações fornecidas e avaliação das condições usadas para estabelecer a estrutura daquelas relações. Compreensão e análise da lógica de uma situação, utilizando as funções intelectuais: raciocínio verbal, raciocínio matemático, raciocínio sequencial, reconhecimento de padrões, orientação espacial e temporal, formação de conceitos, discriminação de elementos Compreensão de dados apresentados em gráficos e tabelas. Problemas de lógica e raciocínio. Problemas de contagem e noções de probabilidade. Geometria básica: ângulos, triângulos, polígonos, distâncias, proporcionalidade, perímetro e área. Noções de estatística: média, moda, mediana e desvio padrão.

NOÇÕES DE INFORMÁTICA. Dispositivos de entrada e saída e de armazenamento de dados. Impressoras, teclado, mouse, disco rígido, pendrives, scanner plotter, discos ópticos. Noções do ambiente Windows. MSOffice (Word, Excel, Powerpoint, Outlook). LibreOffice (Writer, Calc, Impress, eM Client). Conceitos relacionados à Internet; correio eletrônico. Noções de sistemas operacionais. Ícones, atalhos de teclado, pastas, tipos de arquivos; localização, criação, cópia e remoção de arquivos; cópias de arquivos para outros dispositivos; ajuda do Windows, lixeira, remoção e recuperação de arquivos e de pastas; cópias de segurança/backup, uso dos recursos.

LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. Lei nº 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) e suas alterações. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA – Lei nº 8.069/90. Lei nº 13.146/2015 – Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Leis nº 10.639/03 e 11.645/2008 – História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos – 2007. Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s): orientações didáticas, natureza, objetivos e conteúdos propostos. Plano Nacional de Educação (Lei nº 13.005/2014).

FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO. Concepções e tendências pedagógicas contemporâneas. Relações socioeconômicas e político-culturais da educação. Educação em direitos humanos, democracia e cidadania. A função social da escola; inclusão educacional e respeito à diversidade. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica. Didática e organização do ensino. Saberes, processos metodológicos e avaliação da aprendizagem. Novas tecnologias da informação e comunicação, e suas contribuições com a prática pedagógica. Projeto político-pedagógico da escola e o compromisso com a qualidade social do ensino.

MÓDULO II – CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

GEOGRAFIA. A Terra no espaço: características determinantes para a manutenção da vida. Tempo geológico. Estrutura da Terra. Tectônica de placas. Vulcanismo e abalos sísmicos. Minerais e rochas. Bens minerais, matéria-prima e fontes de energia no Brasil e no mundo. Riscos geológicos no Brasil e no mundo. Formas de relevo, identificação, classificação, localização no Brasil e no mundo. Evolução do relevo: processos erosivos, identificação, classificação e localização no Brasil e no mundo. Áreas de risco de ocupação no Brasil. Características da atmosfera e implicações para a vida na superfície terrestre. Movimentos atmosféricos e estados de tempo. Elementos e fatores climáticos. Ritmo sazonário. Classificações climáticas e sua aplicação em nível local, regional e global. Alterações climáticas pela ação antrópica em nível local, regional e global. A água na superfície terrestre: o ciclo da água. A distribuição da água no planeta e características de seus diversos reservatórios. Recursos hídricos no Brasil e no mundo. Processos de formação dos solos: características, classificação e localização. Uso e ocupação dos solos no Brasil e no mundo. Domínios e diversidade da vegetação. Classificação da vegetação brasileira. Importância da vegetação para a manutenção da vida. Alteração da vegetação natural pela ação antrópica. Gerenciamento dos recursos naturais: recursos naturais e conflitos no Brasil e no mundo. Recursos naturais e planejamento no Brasil. Legislação ambiental brasileira. Unidades de Conservação no Brasil. Teorias demográficas. Conceitos básicos em demografia. Distribuição da população e fatores determinantes. Características da população mundial e do Brasil. Países jovens, intermediários e velhos. Mobilidade populacional: movimentos transitórios, movimentos pendulares e migrações. Etnias, cultura e religião. Políticas demográficas no Brasil e no mundo. O Estado-nação, origem e desenvolvimento. Características e funções das fronteiras no mundo globalizado. A geopolítica mundial: da origem da guerra fria à queda do Muro de Berlim. Os conflitos geopolíticos contemporâneos. Os blocos econômicos. A divisão internacional do trabalho. Regionalização do espaço mundial. A globalização e os organismos multilaterais. A urbanização em países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Rede urbana: hierarquia e funções. Metropolização no Brasil e no mundo. Planejamento e gestão das cidades. Os centros urbanos e a globalização. A organização da produção agropecuária no Brasil e no mundo. A questão fundiária. As novas dimensões do espaço rural: turismo, lazer e conservação ambiental. Os fatores de localização e do desenvolvimento industrial. Tipos de indústrias. O novo paradigma industrial: a produção flexível. O impacto das novas tecnologias sobre o mercado de trabalho. A divisão territorial do trabalho no Brasil. A representação do espaço terrestre: representações gráficas e cartográficas. Identificação, leitura e interpretação de tabelas, gráficos, perfis, plantas, cartas e mapas. Sistema de coordenadas geográficas. Projeções cartográficas. Escalas, reconhecimento e cálculo. PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais: Geografia.

Chapa Arlete para o CACT

O Centro Acadêmico de Geografia e Ciências da Terra — CACT é uma entidade estudantil que representa os estudantes de graduação em Geografia da Unicamp. Ao longo dos anos, a AGB-Campinas e o CACT sempre mantiveram uma relação próxima, em favor do fortalecimento do curso e em ações de divulgação da Geografia na região de Campinas.

O Centro Acadêmico passou por um período de desmobilização, agravado pela pandemia de Covid-19 e da interrupção das aulas presenciais, que já completa um ano e meio.

No início de agosto de 2021, mês em que a professora Arlete Moysés Rodrigues completou 78 anos, uma chapa que lhe rende homenagem se apresentou ao corpo estudantil propondo a reativação do Centro Acadêmico. Foi realizada uma primeira assembleia por meio virtual no dia 6 de agosto, e uma segunda no dia 3 de setembro.

A chapa — em sua página no Instagram — convoca nova assembleia dos estudantes nesta segunda-feira 4 de outubro às 19 horas.

Organizada majoritariamente por estudantes das turmas 2020 e 2021 do curso de Geografia, a chapa homenageia uma das fundadoras do curso de Geografia da Unicamp.

A professora Arlete chegou à Unicamp em 1983, no antigo Departamento de Ciências Sociais do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, para dar aulas de Geografia aos estudantes do curso de Ciências Sociais. Participou da criação do curso de graduação em Geografia e em Ciências da Terra, cuja primeira turma é de 1998, ano em que se aposentou (leia o item A batalha das geógrafas). A professora Arlete ainda hoje orienta pesquisas e dá aulas como professora colaboradora dos programas de pós-graduação em Geografia e Sociologia da Unicamp.

Nascida em 1943 em São Paulo, a professora Arlete se formou em Geografia na Universidade de São Paulo em 1971. Defendeu Mestrado e Doutorado em Geografia Humana na mesma instituição. Foi funcionária da Prefeitura de São Paulo entre os anos 1970 e 1980, tendo participado do primeiro cadastro de favelas naquele município. Foi presidenta da Associação dos Geógrafos Brasileiros na gestão de 1988 a 1990, período em que a AGB-Campinas foi fundada, representando também a associação em espaços como o Movimento Nacional pela Reforma Urbana — MNRU, na década de 1980. Desta época também é seu livro Moradia nas Cidades Brasileiras, integrante da coleção Repensando a Geografia da Editora Contexto, coordenada pelo professor Ariovaldo Umbelino de Oliveira. Também contribuiu ao governo Luiza Erundina na equipe da Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano da Prefeitura de São Paulo. Mais recentemente, participou do Conselho das Cidades — ConCidades e do Fórum Nacional de Reforma Urbana, também representando a AGB, e entre 2018 e 2020 foi professora visitante da Universidade Federal da Paraíba.

Chapa Arlete Moysés Rodrigues

Membros: 2018 — Leonardo Reis e Silva; 2020 — Gustavo Santos Fazan, Luis Miguel Lima do Amaral, Mayra Cristine de Lima, Raphael Sanches Hoff, Terina Rocha Batista e Vitor Andrade; 2021 — Ana Lara Ferreira, Ayla Merli, João Vitor da Silva Tavares e Lucas Soltermann.

2/10: Fora Bolsonaro

Pode ser uma imagem de 3 pessoas, pessoas em pé e texto

A Associação dos Geógrafos Brasileiros — Seção Campinas subscreve a convocação da seção São Paulo para os atos deste sábado, 2 de outubro.

Em Campinas, a concentração será no Largo do Rosário, às 9 horas. Em São Paulo, o ato acontece na Avenida Paulista, às 13 horas.

Acompanhe: Fora Bolsonaro Campinas

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CONVOCAÇÃO AGB-SP PARA OS ATOS DO DIA 2/10: FORA BOLSONARO!

A Associação dos Geógrafos Brasileiros, Seção São Paulo (AGB-SP) convoca seus associad@s, e demais membros da comunidade geográfica, a participarem com vigor dos atos organizados para o próximo dia 2/10, em todo o território nacional. Estas manifestações agregarão as principais centrais sindicais, movimentos sociais populares, representantes estudantis e de professores, partidos progressistas, além de uma gama enorme de associações e coletivos que se preocupam com a atual conjuntura, e gritam por melhores condições de emprego, em favor da vida, da renda, contra o negacionismo, a fome e a carestia!

A gravidade da situação se agudiza a cada dia, a cada semana, principalmente em função da natureza fascista, retrógrada e hostil do grupo político que hoje ocupa o Executivo Federal. Para além de todo uso desonesto e covarde que este grupo fez das redes sociais para garantir sua eleição e para se manter no poder, desde seu primeiro dia de governo o atual mandatário da República vem implementando medidas que ferem gravemente o Estado de Direito, a economia popular, as condições de ensino e pesquisa públicos, assim como o direito da população a ter empregos dignos, educação de qualidade, liberdades individuais e saúde íntegra e preservada. É absolutamente inadmissível alcançarmos as 600.000 mortes no país pela epidemia da Covid, sabendo que cerca de 70% delas poderiam ter sido evitadas, se políticas sérias de prevenção e combate ao vírus tivessem sido postas em prática.

Na esfera da economia, o facínora e sua equipe seguem sabotando a legislação que protege os direitos trabalhistas, privatizam empresas públicas que são essenciais para a vida cidadã (como a Petrobrás, a Eletrobrás e os Correios) e se negam a propor políticas econômicas que aumentem o emprego, e que possam levar à maior autonomia produtiva e financeira do país (mantendo assim a subordinação da nação aos Estados e corporações multinacionais do centro do sistema-mundo).

Nas práticas da diplomacia e das relações internacionais, vão se acumulando toda sorte de impropérios, retrocessos e autossabotagens delirantes. As tentativas de criação de solidariedades regionais com países latino-americanos têm sido fortemente atacadas, num momento em que governos progressistas voltam a ser eleitos em nosso continente. Para além de uma subserviência tacanha aos interesses norte-americanos – país que tem responsabilidade direta em todas as violentas ditaduras implementadas na América Latina entre os anos 1960 e 70 – atitudes hostis e preconceituosas são explicitamente assumidas contra países que possuem matrizes culturais e históricas distintas da nossa, numa mistura de chauvinismo político com toda sorte de racismos, preconceitos e provincianismos, que limitam de vez as possibilidades de nossa inserção internacional de forma solidária e articulada.

No plano da ciência, do ensino e da cultura, a ação dos atuais mandatários é também devastadora. Para além do esgotamento proposital de verbas e formas de financiamento público das atividades artísticas não-comerciais, da pesquisa e do ensino, são cada vez mais comuns tentativas de controle ideológico de universidades e institutos de pesquisa de grande prestígio, com graves prejuízos para a produção de conhecimento e de estatísticas básicas que poderiam servir de insumo para a melhoria da vida da população, e para nossa emancipação nacional. Na esfera pública, são diários os ataques ao conhecimento científico-acadêmico, assim como àqueles que o praticam, sob argumentações obscurantistas e retrógradas que atravancam ainda mais o avanço da difusão de um saber libertário, comprometido com causas públicas. Escolas militares se difundem por todo o território, criando perigosos “sub-sistemas” no ensino médio e fundamental, estes sim fortemente baseados em ideologias autoritárias e obscurantistas.

Nas questões ligadas ao meio ambiente, as políticas em curso são ainda mais predatórias. O avanço de formas de uso do território destrutivas tem se intensificado, principalmente nas áreas do cerrado e nas fronteiras de baixa densidade de ocupação na Amazônia. Lobbies de grandes produtores rurais, de empresas mineradoras estrangeiras, assim como as mais agressivas práticas de garimpo ilegal foram empoderadas, ameaçando gravemente tanto as populações tradicionais locais (ribeirinhos, camponeses e indígenas), assim como a própria riqueza e diversidade da fauna e da flora tropical que ainda nos resta.

Estes são alguns dos principais motivos pelos quais a AGB-SP conclama seus associados e simpatizantes e se mobilizarem. A luta para neutralizarmos essas afrontas fascistas está projetada tanto nas redes sociais – e no “ciberespaço” –, quanto em contatos presenciais cotidianos, incluindo nossa participação efetiva em manifestações políticas como estas do próximo dia 2/10. Trata-se uma necessidade política imperativa, além de um dever democrático e cidadão, estarmos em grande número nas ruas e fazer valer a voz da população que vem sendo a cada dia mais vilipendiada em seus direitos mais básicos! NÃO AO FASCISMO! FORA BOLSONARO!

Diretoria Resistência Democrática (2020-2022)

Por uma Avenida Milton Santos

Salvador pode ter avenida com o nome do geógrafo baiano

© Carlos Latuff

Por Gustavo Teramatsu / AGB-Campinas

Tramita na Câmara Municipal de Salvador um projeto de lei que propõe a alteração do nome da Avenida Adhemar de Barros para Avenida Milton Santos naquela cidade. A via, que une as avenidas Oceânica (Orla de Ondina) e Anita Garibaldi, está passando por obras de requalificação desde o início do ano e margeia o campus Ondina da Universidade Federal da Bahia.

O vereador Augusto Vasconcelos, do PCdoB, autor do projeto de lei, justifica que “a mudança (…) é uma antiga reivindicação dos moradores locais e dos estudantes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), fruto do reconhecimento ao consagrado professor que já fez parte do quadro acadêmico da instituição, como aluno e docente”.

“É indubitável que Milton Santos é uma figura muito mais representativa do povo baiano, que por sua vez reconhece seus feitos e se orgulha dele como conterrâneo, do que Adhemar de Barros, cuja biografia não possui nenhum ponto de intersecção com a Bahia”, argumenta o edil. “Pela história de vida, feitos e méritos realizados por Milton Santos, nada mais justo que, aproveitando a requalificação realizada na debatida avenida, onde está situada a Faculdade de Geografia e o Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia – UFBA, a atual Avenida Adhemar de Barros passe a ser chamada de Avenida Milton Santos, em homenagem a uma das figuras mais expoentes na Bahia e simbólica para os estudantes daquela instituição e moradores locais”.

Em 2012, Gilmar Santiago, do PT, apresentou a mesma proposta à Câmara Municipal. Na sessão de 26 de novembro de 2013, o vereador “registrou apenas assinar o Projeto de Lei, a iniciativa nasceu de petição dos cidadãos de Salvador”. Em 18 de dezembro, o assunto voltou à discussão:

“Lembrou que Adhemar de Barros foi governador de São Paulo e tem história associada à ditadura, e voltou a questionar que ‘forças ocultas’ estariam a impedir a votação do Projeto. Disse que ficou sabendo que dono de uma tevê tinha parentesco com o ex-governador de São Paulo e não queria a alteração do nome. O edil propôs a realização de um movimento e conclamou a Universidade Federal da Bahia (UFBA) – que aprovou, no Conselho Universitário, que recomendou à Casa a alteração do nome –, a participar. Disse que pediu ao vereador Kiki Bispo, presidente da CCJ, para que o vereador Waldir Pires fosse o relator do Projeto, por ser contemporâneo a Milton Santos e possuir história de vida parecida. Afirmou que uma cidade de maioria negra não pode se curvar ao poder econômico e lembrou que a Casa já votou Projeto e, depois, o revogou por unanimidade, devido ao clamor da cidade. Por fim, disse que várias ruas de Salvador têm nomes de assassinos e traficantes de escravos”.

A iniciativa de Kin Pergentino Guerra Sampaio, estudante do Bacharelado Interdisciplinar em Artes da UFBA de 19 anos, foi elogiada em editorial do A Tarde de 29 de agosto de 2013:

“A proposta (…) é daquelas capazes de mexer com o sentimento de cidadania que anda meio entorpecido entre os habitantes de Salvador. Uma aprova é que enquete realizada pelo portal A TARDE contabilizou em poucas horas mais de mil votos, dos quais 90% a favor da mudança. Se não houver impedimento legal, apoio popular parece ter de sobra. E nem há justificativa de transtorno, afinal na avenida principal de Ondina o que predomina são os estabelecimentos comerciais e o principal campus da Ufba, onde está o Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos (Ihac). Não há também nenhum saia justa em relação ao homenageado, afinal ninguém conseguiu ainda explicar a razão de Adhemar de Barros ter sido eleito para nomear a avenida”, diz o editorial.

A conclusão do texto chama a atenção: “Nem sequer é preciso invocar o regionalismo, pois a obra de Milton Santos é universal. A partir dos seus estudos, a geografia deixou de ser a ciência dos mapas para incluir o homem e como ele se insere no entendimento sobre espaço real e virtual, inclusive em relação à globalização”.

O projeto de lei 260/2012, contudo, foi rejeitado e arquivado em 2016, justamente por já haver outro logradouro com o nome do geógrafo na cidade, com CEP 41260-065, e por uma lei municipal que veda a alteração de nome de logradouros cuja “tradição já consagrou”.

A página Movimento Avenida Milton Santos ainda está ativa no Facebook, com mais de 1500 seguidores.

O projeto de lei deste ano também já foi rejeitado pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação Final — CCJ da Câmara Municipal de Salvador, em parecer do relator Alexandre Aleluia. Augusto Vasconcelos recorreu, salientando a importância do homenageado.

O jornal A Tarde, para o qual Milton Santos colaborou por mais de dez anos, informa sobre um abaixo-assinado virtual organizado pela jornalista Christiane Gurgel Turisco y Baqueiro lançado no último dia 17 de setembro. A campanha também ganhou as redes sociais, com páginas no Facebook e no Instagram, e lista oito razões para apoiar a causa:

  1. Milton Santos foi um grande baiano e ainda não recebeu de Salvador uma homenagem à altura de sua importância.
  2. Foi um dos maiores pensadores brasileiros sobre o espaço urbano. É reconhecido internacionalmente com o Prêmio Vautrin Lud, considerado o Nobel da Geografia.
  3. Possui uma ligação estreita com a UFBA: foi aluno e professor da instituição. Tem tudo a ver o maior campus da universidade ser localizado na Av. Milton Santos.
  4. Adhemar de Barros foi um político paulista que não tinha nenhuma ligação especial com Salvador. Não fez nada relevante para a cidade.
  5. A trajetória política de Adhemar de Barros foi marcada por escândalos de corrupção. Para se ter ideia, a expressão “rouba, mas faz” foi inspirada nele.
  6. Apesar de ser uma cidade majoritariamente negra, Salvador tem pouquíssimas vias relevantes homenageando personalidades negras. Representatividade importa!
  7. Agora é um ótimo momento para a troca: a avenida está sendo reformada e já pode ser reinaugurada com o novo nome.
  8. A homenagem vai torná-lo mais conhecido pelos baianos e inspirar mais pessoas a repetir sua trajetória de estudos e pesquisa.

Em poucos dias, a campanha já reúne apoiadores de peso, como o filósofo e reitor da UFBA João Carlos Salles, a historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz e o desenhista Carlos Latuff.

Adhemar, personagem dos anos 1950

Aniversário de Adhemar de Barros em abril de 1953 (Bandeirante na Tela 546 / Acervo Cinemateca Brasileira, capturado por Rodrigo Archangelo)

Nascido numa família de cafeicultores, Adhemar de Barros (1901-1969) formou-se médico nos anos 1920 e participou da Revolução Constitucionalista, em 1932, contra Getúlio Vargas (1882-1954), mas foi por este indicado interventor federal em São Paulo durante o Estado Novo (1938-1941).

A professora Mônica Sampaio Machado, no artigo A produção intelectual de Milton Santos vista através de sua trajetória espacial: uma interpretação, descreve o efervescente contexto político do Brasil nos anos 1950, do qual Adhemar de Barros é um dos protagonistas.

O político paulista, que havia ainda sido governador (1947-1951), era um “presidenciável” quando passou a dar nome à avenida em Salvador, já de olho na sucessão de Getúlio na presidência da República. A homenagem se deu em 25 fevereiro de 1953, quando a lei ordinária 378 foi sancionada pelo prefeito Osvaldo Velloso Godilho (1907-1996). A Bahia era governada então por Luís Régis Pacheco Pereira (1895-1987). Homenagens a viventes eram comuns, tanto que a nova Avenida Adhemar de Barros em Salvador fazia cruzamento com a Avenida Presidente Vargas, a avenida Oceânica de hoje.

O fundador do Partido Social Progressista, ao qual era filiado o vice-presidente da República Café Filho (1889-1970), seria ainda prefeito da cidade de São Paulo (1957-1961) e novamente governador (1963-1966), tendo sido derrotado, neste período, em duas eleições presidenciais, em 1955 e 1960.

Quem seria o ademarista baiano que lhe rendeu homenagem? Verificando os resultados das eleições daquela época, é possível avaliar a popularidade de Adhemar na terra de Milton Santos. Na eleição presidencial de 1955, ele teve 51 mil votos na Bahia, ou 11% dos votos nominais, ficando em último lugar no pleito, atrás do integralista Plínio Salgado (1895-1975) (63 mil votos), de Juarez Távora (1898-1975) (149 mil votos) e do presidente eleito Juscelino Kubitschek (1902-1976) (200 mil votos). Em 1960, sua votação na Bahia foi ainda menor: 47 mil votos (8,9% dos votos nominais).

Naquele ano de 1953, o jovem Milton Santos (1926-2001), voltando a residir em Salvador depois de alguns anos como professor e correspondente do jornal A Tarde na zona cacaueira, em Ilhéus, publicava Os estudos regionais e o futuro da geografia — tese de concurso para docência livre apresentada à cadeira de Geografia Humana da Faculdade de Filosofia da Universidade da Bahia. Começava a participar da política baiana como redator do mesmo jornal.

Adhemar de Barros e Fidel Castro (1926-2016) em 5 de maio de 1959, na residência de Maria do Carmo Cesário Alvim de Mello Franco (1907-2001) e José Thomaz Nabuco de Araújo (1902-1994), na Rua Icatu, em Humaitá, Rio de Janeiro. Foto: Agência O Globo

A petição de Christiane chama a atenção para as denúncias de corrupção nos governos de Adhemar. Neste sentido, vale a pena a leitura da dissertação Adhemar de Barros (1901-1969): a origem do “rouba, mas faz, de autoria de Luiza Cristina Villaméa Cotta. Em 1954 Adhemar perdeu a eleição ao governo do estado de São Paulo para seu antagonista Jânio Quadros (1917-1992), que lhe chamava de “Ali Babá” e seria eleito presidente em 1960 apoiado no discurso anticorrupção da “vassourinha”.

Jânio, assim como Milton Santos, era bacharel em Direito e havia lecionado Geografia.

Quando Jânio e Milton foram para Cuba

Em abril de 1960, Milton Santos, na condição de jornalista do A Tarde, indicado por seu chefe Jorge Calmon (1915-2006), participou da comitiva de Jânio Quadros numa viagem a Cuba. O deputado, candidato à Presidência, havia sido convidado, assim como seu adversário Marechal Henrique Lott (1894-1984) — que recusou a proposta — pelo Movimento 26 de julho a conhecer a ilha pós-Revolução. Disso resultou uma série de reportagens publicadas ao longo de um mês com o título “Visita a uma Revolução”, que estão reproduzidas no livro Milton Santos: correspondente do Jornal A Tarde (1950-1960), organizado por Maria Auxiliadora da Silva e William Antunes na série Livros Geográficos, da UFSC.

O próprio Milton Santos, em entrevista à revista Geosul em 1989, narrou a aventura: “Nesta viagem foi uma plêiade de intelectuais que foram com os jornalistas Rubem Braga [(1913-1990), correspondente de O Globo], Fernando Sabino [(1920-2004), correspondente do Jornal do Brasil], e este que é o maior cronista politico do Brasil — Carlos Castelo Branco [(1920-1993), representando a revista O Cruzeiro]”.

Rubem Braga e Fernando Sabino lançaram na época o livro Furacão sobre Cuba, com textos traduzidos de Jean-Paul Sartre (1905-1980), que estivera no país caribenho com Simone de Beauvoir (1908-1986) quase na mesma época, também por convite dos revolucionários. Suas impressões também saíram em jornal — o France-Soir.

Continua o geógrafo: “Todos foram contemplados por Jânio quando este foi presidente. Em 1960 o Jânio me chamou porque queria me nomear embaixador… Ele precisava urgentemente nomear um embaixador negro, mas eu estava em Paris, onde a primavera estava linda e assim atrasei meu regresso. Ao chegar aqui, o presidente me nomeou sub-chefe do seu gabinete civil e seu representante pessoal na Bahia. Este convívio com o poder me deu completo sentimento da fatuidade do poder”.

Milton Santos participou do breve governo Jânio Quadros (reprodução do Diário Oficial da União)

“Durante o tempo em que esteve em Havana, o geógrafo manteve diálogos cordiais com o candidato Jânio Quadros, conquistou sua simpatia e demonstrou que havia entre ambos alguma identificação no campo político. Santos acabou convidado a participar de seu governo tendo ocupado a subchefia do gabinete Civil”, narra o historiador Bruno de Oliveira Moreira no artigo “Visita a uma Revolução”: uma análise dos escritos de Milton Santos sobre a revolução cubana (1960).

A indicação ocorreu em março de 1961 para a chefia do sub-gabinete da Casa Civil da Presidência da República na Bahia, cargo que o geógrafo ocupou durante o breve governo janista, conforme registra também o historiador baiano Thiago Machado de Lima no artigo Um intelectual na mira da repressão: Milton Santos e o golpe de 1964.

Em entrevista a Jesus de Paula Assis que deu origem ao livro Testamento Intelectual, publicado postumamente em 2004, Milton Santos retoma o assunto:

“Eu deveria ter sido nomeado embaixador em Gana, só que no início do governo estava na França (…). Ele queria nomear um negro (…) então nomeou outro negro, Raymundo de Souza Dantas [(1923-2002)], pra embaixador em Gana. Quando eu cheguei, ele me disse: ‘A imprensa está dando que nomeei um embaixador negro em Gana e que isso é pouco. Você vai ser embaixador na Suécia, mas por enquanto fique na Bahia’. Mas não deu tempo de ir para a Suécia, porque ele renunciou”.

“Não conseguimos aferir o peso do convívio político na formação do pensamento de Santos; contudo, é inegável que tal engajamento resultou em um importante grau de influência e na ocupação de significativos cargos, culminando na subchefia da Casa Civil na Bahia, durante o governo Jânio Quadros. Mais adiante, tal prestígio político se reverte após o golpe de 1964”, observa o geógrafo Breno Viotto Pedrosa no artigo O périplo do exílio de Milton Santos e a formação de sua rede de cooperação.

1964: o ano que mudou a vida de Adhemar e de Milton

Dona Leonor de Barros (1905-1992), então primeira-dama de São Paulo, na Marcha da Família com Deus pela Liberdade em 19 de março de 1964. Foto: Folhapress

Tudo mudou para Adhemar de Barros e Milton Santos com o golpe de 1964. Milton, que ocupava a presidência Fundação Comissão de Planejamento Econômico do Estado da Bahia, foi detido entre 9 de abril e 23 de junho daquele ano e se exilou por treze anos, o que marcou profundamente sua produção intelectual.

O cálculo político do governador Adhemar de Barros o levou a apoiar o golpe. Ele ainda nutria a pretensão de se tornar Presidente da República. Em 1965, veio o AI-2, e Adhemar passou a fazer oposição a Castello Branco (1897-1967), chegando a sugerir sua renúncia e a realização de eleições diretas. Teve então os direitos políticos cassados em junho de 1966. Era o fim de sua vida pública.

O político faleceu no exílio na França, depois de um infarto numa visita ao santuário de Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, em março de 1969. Em julho, a VAR-Palmares, liderada por Carlos Lamarca (1937-1971), roubou um cofre mantido por sua amante em uma casa em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, com 2,6 milhões de dólares que seriam de Adhemar. Este capítulo póstumo da biografia de Adhemar foi resgatado durante a campanha da eleição presidencial de 2010, por supostamente envolver Dilma Rousseff, e é contado por Tom Cardoso no livro O cofre do dr. Rui.

Populista e patrimonialista, os negócios de Adhemar tinham diversos tentáculos. Em 1952, era chamado de “homem mais rico do Brasil”, sendo a ele atribuída uma fortuna de “quatro bilhões de cruzeiros representados por fábricas de chocolate, cimento, tecidos, laminadoras de aço, empresa de aviação, terrenos e imóveis na capital paulista e no Rio de Janeiro, fazendas agrícolas e de gado no interior paulista etc.”. A Lacta, conhecida fábrica de chocolates, pertenceu à família de Adhemar — que comprou a empresa de Assis Chateaubriand (1892-1968) — por mais de cinquenta anos. O político também investiu na aviação, tendo adquirido a Aerovias Brasil, controlada pela VASP, e na comunicação, tendo fundado o jornal O Dia no Rio de Janeiro e sido o segundo proprietário da Rádio Bandeirantes, vendida a seu genro João Jorge Saad (1919-1999). No Morumbi, por meio da Imobiliária e Construtora Aricanduva, ele loteou os terrenos do Jardim Leonor, cujo nome é uma óbvia homenagem à esposa. No bairro, não por acaso, está a sede do Grupo Bandeirantes de Comunicação. O próprio estádio do Morumbi foi uma doação da empresa imobiliária de Adhemar ao São Paulo Futebol Clube, que era presidido por Laudo Natel (1920-2020), que também era seu vice. Muito perto dali, alguns anos mais tarde, Adhemar também negociou com a família Matarazzo a desapropriação do Palácio dos Bandeirantes — assombrado, dizem alguns, pelo seu fantasma…

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Falta um mês para o Encontro de Ensino de Geografia! Submissão de trabalhos até 22 de agosto

Faltando um mês para o 7º Encontro Regional de Ensino de Geografia, que começará no dia 16 de setembro, a Comissão Organizadora publicou a segunda circular, prevendo a prorrogação do prazo para submissão de práticas educativas e pesquisas acadêmicas até o dia 22 de agosto, próximo domingo!

Associados à AGB possuem 50% de desconto na inscrição em todas as categorias (ouvintes, estudantes de graduação e de pós-graduação, professores e professoras da Educação Básica e de nível superior).

João Baptista Ferreira de Mello (1949—2021)

Gustavo Teramatsu

Há um mês Baptista nos deixava. Viva Baptista!

O geógrafo João Baptista Ferreira de Mello se foi no último 10 de julho, aos 72 anos.

Por muitos anos conduziu, com enorme disposição e irreverência, nos Roteiros Geográficos do Rio, frequentes passeios a pé pelas ruas do Rio de Janeiro. O projeto renovou seu reconhecimento pela mídia, que lhe cedia espaço com frequência, tendo sido inclusive colaborador frequente do jornal O Dia. Foi uma exitosa experiência de extensão, com a qual ele não era remunerado, apesar das crises recorrentes de financiamento da UERJ, que lhe atrasavam os salários. Foi assim que o conheci na noite de 7 de junho de 2013, como estagiário da professora Tereza Paes, que fez questão de incluir o roteiro de seu amigo nos trabalhos de campo que organizamos na disciplina de Meio Ambiente Urbano do curso de graduação em Geografia da Unicamp. Baptista nos levou para o Caminhando Entre Luzes no Centro do Rio à Noite, pelos cantos e os antros da cidade — utilizando a expressão do historiador campineiro Amaral Lapa. Fizemos novamente o mesmo percurso na noite do Dia do Geógrafo, em 29 de maio de 2015. Desde então eu acompanhava notícias dele pelo Facebook. Esta homenagem póstuma, vale a ressalva, é feita por alguém que, embora o admirasse, não desfrutou de sua convivência pessoal.

Baptista completou “70 rugas”, como dizia, em abril de 2019. Já se queixava de dores na coluna, descritas como “alucinantes” e “colossais“, que passaram a comprometer os rotineiros roteiros. “Estou surpreso que eu esteja vivo”, escreveu na época. Ele também compartilhou uma tradução livre de um trecho do prefácio do Escapismo de Yi-Fu Tuan, inédito no Brasil:

“Na dor eu tenho desejado estar fora do meu corpo. Isto me é possível, mas num nível muito sofisticado. Um animal come, tem instintos sexuais e mais cedo ou mais tarde morre. Eu? Bem, eu amo, janto e aspiro ser imortal. Cultura é o estágio que me separa de ser animal” (“In pain, I have often wished that I could abandon my body and be elsewhere. It is even possible to do so to a limited degree. (…) An animal eats, has sexual drives, and sooner or later dies. I? Well, I dine, love, and aspire to be immortal. Culture is the totality of means by which I escape from my animal state of being”).

Aconteceu, então, o inimaginável. Na página dos Roteiros, em novembro daquele ano, ele anunciou que estava com mieloma múltiplo, “o mesmo do Luiz Melodia”. Era a causa do seu calvário. Foram longos meses pandêmicos, afastado em definitivo de seus roteiros para tratamento do câncer, que o vitimou. Assim como Luiz Melodia, falecido em agosto de 2017, Baptista foi sepultado no Cemitério de São Francisco de Paula, no Catumbi, que fazia parte de seus Roteiros.

Dele, guardo a memória de seu humor e de sua irreverência, que pude compartilhar em breves mas inesquecíveis momentos. Para mim, Baptista, na condução dos grupos em seus Roteiros — em duplo sentido, como itinerários e como scripts —, era como um ator atuando numa peça, num rico cenário de edifícios e monumentos de tempos diversos. O roteiro era bem escrito, mas estava sempre aberto a improvisos. Mais de uma vez, pessoas que cruzavam nosso caminho, por acaso, tinham a atenção capturada e se juntavam à roda para ouvi-lo falar.

Em 2009, o jornalista Breno Costa, no Jornal do Brasil, descreveu um dos Roteiros: Nove pessoas, algumas com as mãos para trás, outras tomando notas em caderninhos, estão ao redor de um homem com mais de 1,80m, vestido de calça branca, camisa de botão azul pálido, sapatos engraxados e um blazer xadrez de uma cor indescritível que oscila entre bege e cinza. Se fosse de dia, os transeuntes da apinhada Rua Uruguaiana, no Centro, poderiam confundi-lo com um pregador evangélico. Mas não. É noite, ou melhor, é meia-noite. Não há pedestres na rua, apenas dois catadores de lata e um cachorro vira-lata. O suposto pastor é um geógrafo que, há 2 horas e 43 minutos, fala sem parar, com uma empostação de voz típica de Agnaldo Timóteo — mas com uma sobriedade professoral.

Em 2017, o jornalista Élcio Braga registrou em vídeo um dos Roteiros no Beco das Cancelas. Baptista fala ao grupo, simulando vergonha: “Não sei como é que está, mas o pessoal fazia muito sexo aqui à noite”, para espanto dos presentes. Lembro do resgate que a professora Ester Limonad fez uma música do Álbum Branco dos Beatles para falar a usos do território transgressores — Why don’t we do it in the road?.

Melissa Anjos, Olga Maíra Figueiredo e Ivo Venerotti, que participavam também dos Roteiros, homenagearam seu orientador com um capítulo no recém-lançado segundo volume do Dicionário dos Geógrafos Brasileiros de André Martin e Mônica Sampaio Machado: O indivíduo, o lugar e o pensamento: João Baptista Ferreira de Mello e a sua inovadora Geografia Humanística. Nele se obtém alguns detalhes biográficos: nascido na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, em 8 de abril de 1949, Baptista teve uma infância pobre, sem pai, criado de cortiço em cortiço pela mãe, Dona Neucides, empregada doméstica. Começou a se interessar pela Geografia, por meio da Corografia do Brasil de Mário da Veiga Cabral. Na juventude, trabalhou como office boy flanando pelas ruas do Centro do Rio.

Aí estava o germe do Baptista geógrafo, que uniria a sua paixão pela sua cidade natal à sua paixão pela música, evidenciada pela edição do Jornal do Brasil de 13 de agosto de 1969, onde está publicada uma carta dele, que tinha então vinte anos:

Protesto contra a coordenação do Festival da Canção Popular, parte nacional, que aceitou algumas músicas de iê-iê-iê. O festival não pode ser um mero veículo de distração, mas também de cultura, um espetáculo de elevado nível artístico (…) — João Baptista Ferreira de Mello — R. Barão de Petrópolis, 293 — Rio

Baptista cursou a Licenciatura em Geografia entre 74 e 77 na Faculdade de Filosofia de Campo Grande, na Estrada da Caroba, enquanto era secretário-datilógrafo do IBGE. Em seguida, passou para o cargo de geógrafo, tendo concluído o curso de bacharelado em 1983 pela PUC-Rio. Titulou-se mestre e doutor em Geografia pela UFRJ, com orientação do professor Roberto Lobato Corrêa. Era professor do Instituto de Geografia da UERJ, onde coordenava, desde 2010, o Núcleo de Estudos sobre Geografia Humanística, Artes e Cidade do Rio de Janeiro — NeghaRIO.

A consolidação de sua carreira acadêmica, ao longo da década de 1990, veio no âmbito do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Espaço e Cultura — NEPEC. Em 2000, ele defendeu a tese de doutorado Dos Espaços de Escuridão aos Lugares de Extrema Luminosidade – o Universo da Estrela Marlene como Palco e Documento para a Construção de Conceitos Geográficos. Foi, aliás, com Marlene, quase como uma epifania, no show Praça Onze dos Bambas, que ele percebeu a relação entre música e espaço. Daí nasceu a dissertação O Rio de Janeiro dos compositores da Música Popular brasileira 1928/1991 : uma introdução à Geografia Humanística foi defendida em 1991 e é considerada um trabalho seminal da Geografia Humanista no Brasil. Na capa está a gravura de Bruno Liberati, que ilustra a reportagem O mapa musical da cidade, do grande Tim Lopes, no Jornal do Brasil de 14 de dezembro de 1989.

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Tudo começou em 1986, quando ele causou reação positiva no Encontro Nacional de Geógrafos de Campo Grande, ao apresentar o trabalho A Organização Espacial da Cidade do Rio de Janeiro vista pelos Compositores da Música Popular Brasileira, também apresentado no ano seguinte no 1º Encontro de Geógrafos da América Latina (EGAL), em Águas de São Pedro. Foi quando ele deu início ao mestrado, para o qual obteve uma licença remunerada do IBGE. Reencontrei também uma reportagem publicada pelO Globo em 30 de junho de 1987. O tijucano vivia então na rua Eduardo Ramos, número 11.

“A repercussão de sua defesa de mestrado foi intensa, acolhedora e impactante pois, após esse momento, João Baptista Ferreira de Mello virou referência nos estudos humanistas em Geografia no Brasil. Ao mesmo tempo, a dissertação foi incensada e mesmo abraçada pela comunidade externa à universidade, bem como divulgada na grande mídia justamente por seu caráter inovador, ou seja, por aproximar a academia da sociedade transmutando o discurso acadêmico em linguagem legível e acessível a todos”, atestam seus orientandos.

Como prova, encontramos Baptista em edição do Jornal do Brasil de 16 de junho de 1991 em reportagem a ele dedicada — Viva o compositor popular — ao lado de uma poesia de Paulo Mendes Campos; e na Revista de Domingo de 14 de julho — A cidade das canções.

São 117 canções no trabalho, talvez quase oito horas de músicas, que merecem ser reunidas numa playlist. O tema renderia também um bom documentário. Caberia, quem sabe, atualizar esse trabalho, que completa neste ano trinta anos, com as canções cariocas das últimas três décadas — o que dizer do fenômeno Anitta, a Girl From Rio?

Ao NeghaRIO, meus sinceros votos de que possam prosseguir pelo caminho que Baptista corajosamente abriu. Ele estará, com certeza, ao lado de Marlene e de outras tantas estrelas, iluminando novos roteiros pela Olímpica e Maravilhosa Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e de São Jorge Guerreiro.

A respeito da Orientação para as Diretrizes Curriculares de Geografia — Propostas Preliminares 1 e 2

A fim de subsidiar a discussão da Reunião de Gestão Coletiva da Associação dos Geógrafos Brasileiros a respeito da Orientação para as Diretrizes Curriculares de Geografia — Proposta Preliminar 2, tema de consulta pública da Comissão da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, apresentamos um comparativo entre os textos das duas versões, a primeira de 1/9/2020 e a segunda de 26/4/2021. O texto excluído da primeira versão está tachado em vermelho, e o texto incluído na segunda versão está sublinhado em verde.

Documento em PDF

O cotejo das versões evidencia que a versão atualizada do documento não apresenta alterações substanciais à primeira, já amplamente debatida e repudiada em diversos momentos pela AGB — inicialmente, em comissão criada com a finalidade de analisá-la; após, em atividade de leitura crítica, aberta ao público, que resultou na Carta aberta da comunidade geográfica brasileira sobre a reformulação das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) de Geografia, com 2.443 signatários entre os membros da comunidade geográfica brasileira, tudo isso em 2020. Ressalta-se também que no primeiro semestre de 2021, a mobilização da Associação resultou nas atividades do Ciclo de Diálogos — AGB Debate — Políticas Educacionais Contemporâneas: O Ensino de Geografia sob ameaça (1988-2021).

As alterações se concentram meramente na inclusão de nove referências bibliográficas e na Apresentação do documento, sobretudo para especificar a proposição do tecnólogo em Geografia:

Especificamente nos cursos de Geografia espalhados nas diversas IES, tecnólogos em geoprocessamento, agroindústria, agronegócio, gestão de cooperativas, petróleo e gás, gestão de turismo, gestão ambiental, saneamento ambiental e mais um rol expressivo de formações superiores deste nível são altamente compatíveis com as grades curriculares da área. (p. 2)

(…)

Reforça-se que tal condição não prevê a formação de um ‘tecnólogo em Geografia’ (formação inexistente no campo profissional dos tecnólogos superiores), mas sim o estabelecimento da possibilidade (pois seria opcional essa flexibilização para as IES interessadas) de oportunizar mais uma formação profissional superior através dos currículos de Geografia no país. (p. 2)

(…)

o tecnólogo superior (opção ou opções definidas pelas IES e seus cursos), formado, mesmo que parcialmente pelas grades da Geografia, para atuar como especialista superior no mercado de trabalho regional, e cuja expertise e saberes específicos da Geografia estruturariam a sua formação profissional. Espera-se que tal opção de grade curricular de nível superior oportunize, aos seus discentes, os conhecimentos acadêmicos e didático-pedagógicos das duas outras habilitações correntes da Geografia, para que os futuros tecnólogos possam atuar de forma interdisciplinar, complexa e flexível como parte de um todo sistêmico e multiescalar formado por essa Ciência.

(…)

Como já mencionado, não há intencionalidade de formação de um tecnólogo superior em Geografia, mas sim em permitir que as especificidades curriculares dos cursos de Geografia, por todo o Brasil, possam colaborar com a formação de tecnólogos, atendendo demandas profissionais regionais. Tal decisão caberá aos colegiados das IES envolvidas, sendo uma opção político-institucional e funcional para os ambientes de formação superior onde há cursos de graduação em Geografia. (p. 10)

(…)

O ‘saber fazer’ passa a ser a tônica das dinâmicas de avaliação (p. 13) 

Campinas, 29 de julho de 2021.

Diretoria Executiva Local

Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) — Seção Campinas

Convocatória: Assembleia ordinária, 29/7/2021, às 18h

Prezados(as) associados(as),

A Diretoria Executiva da Seção Local de Campinas da Associação dos Geógrafos Brasileiros convoca assembleia geral local ordinária a ser realizada no dia 29 de julho de 2021 (quinta-feira), às 18 horas em primeira chamada, por meio virtual (Google Meet), para discussão da seguinte pauta:

Informes

Ordem do dia

  1. Tesouraria: Prestação de contas
  2. Aprovação da ata da assembleia de 10 de março
  3. Debate da pauta e indicação de delegado(s) para a Reunião de Gestão Coletiva (31/7 e 1/8/2021) [conforme convocatória abaixo]
  4. Balanço de atividades do biênio e calendário eleitoral
  5. Inclusão de DOI no Boletim Campineiro de Geografia
  6. Outros assuntos

Solicitamos que os(as) interessados(as) regularizem o pagamento da anuidade de 2021, tomem ciência dos documentos a seguir e, caso desejem participar, enviem e-mail para a Secretaria [secretaria @ agbcampinas.com.br] para receber o link da reunião.

Diretoria Executiva Local


Documentos

Assembleia Ordinária (10/3/2021) Ata

RGC Extraordinária (31/7-1/8/2021) Convocatória

Fórum de Políticas Financeiras (27-28/3/2021) Sumário Executivo | Ata

RGC Extraordinária (24-25/4/2021) Ata

Plenária Política (5/6/2021) Ata

Diretrizes Curriculares Nacionais Edital de Chamamento | Orientação para as Diretrizes Curriculares de Geografia — Proposta Preliminar 2 (26/4/2021)

Prestação de contas DEN (março—junho 2021)

Jorge Xavier da Silva (1935—2021)

Faleceu no dia 22 de julho, aos 85 anos, o geógrafo Jorge Xavier da Silva, professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde fundou e ainda coordenava o Laboratório de Geoprocessamento — LAGEOP, vinculado ao Departamento de Geografia.

O professor Xavier em fevereiro de 2020

O professor Xavier, considerado pioneiro do geoprocessamento no Brasil, formou-se em 1959 na Faculdade Nacional de Filosofia Universidade do Brasil, que daria origem à UFRJ. Realizou a pós-graduação na Louisiana State University, tendo defendido a tese de doutorado Processes and Landforms in the South American Coast em 1973, orientado por William Grant McIntire. Também nos Estados Unidos, fez pós-doutorado University of California em Los Angeles, ainda nos anos 1970. Também neste período, foi consultor do INPE e participou do projeto Radambrasil, tendo sido responsável pela Divisão de Informática. Durante sua longa carreira científica, produziu extensa bibliografia em geoprocessamento, análise ambiental e geomorfologia. Participou da segunda gestão da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Geografia — ANPEGE, de 1995 a 1997.

Lembrança recente, em março de 2017 ele publicou nO Globo o artigo A geografia é necessária ao jovem cidadão?, argumentando que “o ensino da geografia é fundamental para o desenvolvimento da capacidade perceptiva autônoma do jovem, trazendo-o paulatinamente, ao longo de seu crescimento físico e intelectual, para a compreensão da realidade que forçosamente o cerca”. Também neste ano concedeu entrevista a colegas de Alfenas, publicada na Revista Brasileira de Geografia.

Diretoria Executiva Local da Associação dos Geógrafos Brasileiros — Seção Campinas

Campinas, 23 de julho de 2021.


Nota de pesar do Departamento de Geografia da UFRJ

Nota de pesar da Reitora da UFRJ

Nota de pesar do curso de Geografia da UFRRJ — Seropédica

Uma eulogia para Jorge Xavier da Silva — Blog do Pedlovski


Um complexo poliedro e suas arestas: Tributo a um improvável amigo, Jorge Xavier da Silva

Marcelo Lopes de Souza

Quando examinamos a história da ciência, vemos que houve dois grandes tipos de gigante intelectual: houve aqueles, como Albert Einstein, Max Planck e, mais recentemente, Carl Sagan, que, a despeito do imenso brilho, que tanta inveja despertou, tiveram uma índole agregadora e foram donos de um espírito o mais das vezes suave, capaz de desarmar até muitos adversários e granjear popularidade e simpatia generalizadas; e houve aqueles, como Isaac Newton e, em nossos dias, o ainda vivo Edward Wilson, que se mostraram polêmicos, agressivos até, atraindo para si admiração intelectual e rejeição pessoal em quantidades quase iguais. Jorge Xavier da Silva, Professor Titular Emérito do Departamento de Geografia da UFRJ, falecido ontem, pertenceu a esta última categoria.

A comparação de Xavier a consagrados gênios da ciência poderá parecer estapafúrdia (especialmente a quem detestava a pessoa e, mais amplamente, a quem tem imensa dificuldade de aceitar, por colonialismo introjetado e complexo de vira-lata, que possa existir pioneirismo científico de grande magnitude em nossos “tristes trópicos”). A comparação, contudo, não se refere à envergadura intelectual, mas, como está claro, ao tipo de personalidade e ao efeito que a personalidade exerce sobre o seu meio de atuação. Seja lá como for, Xavier foi, talvez, o geógrafo mais inteligente que conheci, de um ponto de vista estritamente racional (de sua inteligência emocional, falarei mais à frente). Muito mais do que isso, porém, Xavier foi um visionário, uma criatura extremamente criativa, dotado de uma personalidade intelectualmente complexa e, finalmente, um obcecado por seu trabalho e um paladino incansável de suas ideias. É dessa mistura – amiúde antipática ou, pelo menos, de difícil digestão pelos mais próximos – que são feitos, aliás, os pesquisadores realmente brilhantes, os inovadores, coisa tão escassa nos dias de hoje.

Xavier possuía, como já está evidente, um temperamento que não costumava gerar simpatias fáceis. Mais do que isso, ele era dono, entretanto, de uma personalidade contraditória. Aliás, suas contradições não se limitavam ao plano pessoal, mas se faziam presentes no próprio exercício da atividade intelectual. De certa maneira, senti sempre, ao conviver com ele desde 1983 (inicialmente como aluno, depois como estagiário, em seguida como assistente de pesquisas já formado e, por fim, como colega na UFRJ), que os lados intelectual e pessoal, que as dimensões racional e emocional se entrelaçavam, nele, de modo visceral e até desconcertante. Essa complexidade passou, em grande medida, desconhecida para quase todo mundo, que não o conheceu ou não quis conhecê-lo mais de perto. (Diga-se de passagem, eu só comecei a conhecê-lo mais de perto por obra de um destino caprichoso, após ter me indisposto com a professora de quem eu havia sido estagiário e ter perdido minha bolsa de pesquisas. Convidado por Xavier para trabalhar com ele, hesitei, pois não via afinidade entre as nossas ideias. Após consultar meu amigo e mestre Orlando Valverde, fui tranquilizado: “Vá em frente, você precisa de dinheiro. Xavier é um quantitativista, mas é muito inteligente e não é tão conservador quanto pensam. Encare como um trabalho e, quando puder, se desvincule.” Porém, os anos foram passando, e, apesar dos conflitos, vi que eu tinha muito a aprender com aquela convivência profissional. De quebra, ganhei um amigo. Um amigo difícil, cujas atitudes eu mesmo era o primeiro a criticar. Mas um amigo que, em momentos cruciais, diante de perseguições, me auxiliou e apoiou como ninguém mais).

Para uma ou duas gerações, Xavier foi apenas um geomorfólogo que aderiu à Geografia neopositivista (“quantitativa”), sendo visto, nos anos 1970 e início dos 1980, como pouco mais que um mero apregoador da Estatística e da Teoria Geral dos Sistemas. Aquele Xavier incrivelmente culto, capaz de citar de memória García Lorca, de discorrer sobre Filosofia, de enveredar por temas variados da história universal, de ler com perspicácia a alma de personagens da política ou da ciência, de conversar sobre artes plásticas – esse Xavier, creio eu, pouquíssimos imaginavam que pudesse existir. Mas existiu, e de modo superlativo, embora apenas para alguns poucos, que lhe deram e se deram chance de conhecer o homem que havia por trás do personagem vaidoso, autoritário e, não raro, agressivo (se bem que se tratasse de uma agressividade em parte encenada, quase teatral, e inclusive quase bufa). “Xavier, você se boçaliza; você afasta as pessoas de você, e depois reclama delas” – disse eu, recém-formado, com o atrevimento de quem sabia que poderia levar uma descompostura por palavras tão duras e petulantes, mas que intuía que, no fundo, aquela grande alma, que por mim sempre teve enorme apreço, não iria reagir tão mal assim. “É a vaidade, é a vaidade, Marcelinho; não consigo controlá-la”, respondeu ele, com uma humildade que causaria estranheza a muita gente, mas que revelava um lado que eu fui aprendendo a conhecer. O Xavier recalcado, eternamente recalcado, por sua condição de classe muito humilde (foi filho e neto de tecelãs, tendo sido praticamente criado pela mãe e pela avó). O Xavier inseguro, ao mesmo tempo possuidor de uma personalidade tremendamente machista – de um machismo abjeto e que me chocava, e que eu nunca deixei de criticar, a ponto de termos atritos frequentes por causa disso – e, por outro lado, dono de uma personalidade sempre à procura de aceitação, tanto intelectual quanto afetiva, inclusive por parte das mulheres. Sua inteligência descomunal o levava a perceber que errava, e onde errava; mas, como ele dizia, não conseguia se refrear, não conseguia ser diferente. Restou-lhe a frustração de se achar sempre incompreendido e injustiçado, reagindo de formas que, no fundo, atuaram como a profecia que se autocumpre.

Politicamente, por sua personalidade de “macho alfa” bastante assertivo e impositivo, uma vez ou outra até mesmo colérico, muita gente o interpretava como alguém “de direita”. Não raro, “fascista” era o adjetivo que aparecia, sussurrado, ontem como hoje, de maneira um tanto simplista. Sem sombra de dúvida, Xavier possuía uma “personalidade autoritária”, no sentido que Theodor Adorno atribuiu a esse conceito. Ele não era, porém, reacionário, no sentido mais convencional: no plano político explícito, era um admirador de Leonel Brizola (outro caudilho…) e de Luís Carlos Prestes (mais um caudilho…); ele foi um simpatizante socialista ou mesmo comunista, enfim, mas que, entre a defesa de Stálin e o alinhamento com Trotsky, preferiu ficar com o primeiro, como tantos de sua geração. (Aliás, essa foi uma das primeiras das muitas polêmicas que tivemos.) Anarquista, libertário – bem, disso Xavier estava a muitos anos-luz de distância, evidentemente. A despeito disso, mesmo assim, sua sensibilidade, em muitos e muitos momentos, abrandava os traços mais duros e aparava as várias arestas de temperamento de um jeito que até a mim mesmo, e mesmo depois de anos de convivência, ainda surpreendia um pouco: testemunhei muitos momentos de genuína empatia interpessoal da parte dele, em especial pelo destino e pelas atribulações dos trabalhadores pobres. Da última vez em que o vi, em 2019, vociferou uma caracterização de Jair Bolsonaro como uma “aberração da natureza”, com um desprezo tão profundo que valeu por toda uma análise de conjuntura.

Pioneiro do geoprocessamento no Brasil, Xavier não foi “só isso” – como se isso tivesse sido pouco! Após uma carreira de jovem geomorfólogo talentoso, colaborando com João Bigarella e também com a jovem colega (também brilhante, mas de personalidade tão oposta à dele, porque introspectiva) Maria Regina Mousinho de Meis, Jorge Xavier voltou dos Estados Unidos (de seu pós-doutorado), em 1977, com a ideia fixa de introduzir o geoprocessamento entre nós. Tinha encontrado o caminho que o tornaria amplamente reconhecido, e que se associaria para sempre ao seu nome.

Faço uma pausa, agora, para acrescentar mais uma nota bastante pessoal, já que mencionei Maria Regina. Paixão do jovem Xavier, a jovem Maria Regina não quisera saber dele – em sua opinião, por ser ela de família de classe média alta, enquanto ele era um “pé-de-chinelo” (não lhe ocorria, ou ele não queria admitir, que essa rejeição, assim como outras, tivessem muito a ver com o seu difícil temperamento). O fato é que, ao saber dessa história, passei a observar melhor o quanto alguns aspectos de suas simpatias à esquerda se mesclavam com um profundo ressentimento de classe, que persistiu mesmo após o imenso sucesso profissional e material que ele teve. Em 1985, quando Maria Regina teve um enfarte fulminante no Departamento de Geografia, foi Xavier que, como um relâmpago, ao saber do ocorrido, a tomou nos braços e a levou para o Hospital Universitário da UFRJ. Já era tarde demais. E ainda me lembro da profunda, da imensa desolação daquele homem, ao voltar para o seu laboratório, balbuciando coisas enquanto se lembrava da colega que tanto admirava, com quem tinha trabalhado, por quem tinha sido apaixonado e por quem, finalmente, havia se sentido rejeitado. Naquele momento, a fragilidade se corporificou na impotência de quem não poderia ter salvo e, pior, não teve, nunca, a oportunidade de dizer o que gostaria de ter dito àquela que partiu tão prematuramente. (Interessantemente, mesmo sendo capaz de assediar e ser agressivo com alunas e colegas do sexo feminino, Xavier sempre viu e tratou Maria Regina com enorme respeito, sem se permitir sequer gracinhas de qualquer tipo.)

Voltando ao geoprocessamento, dizia eu que Xavier não foi “apenas” um pioneiro. Aliás, o pioneirismo que se restringe a importar ideias e tecnologias de fora do país, como uma espécie de “corretagem de ideias” (por analogia com o corretor de imóveis, que intermedia sem nada acrescentar), não poderia ser senão um pioneirismo entre aspas. Não se tratou disso: Xavier pensou o geoprocessamento nos marcos de um país (semi)periférico; pensou-o, pois, como algo a ser concretizado sob a forma de pacotes e programas conversacionais, acessíveis a qualquer usuário, e que tivesse baixo custo, podendo se disseminar com facilidade pelas prefeituras e órgãos públicos do país. Xavier era um nacionalista, de perfil brizolista (ele era, aliás, um admirador de Darcy Ribeiro, de quem tinha sido aluno) e, como já foi também dito, um tanto stalinista, nas convicções e nos modos. Defensor de um Estado de bem-estar, sua repulsa ao neoliberalismo era genuína, e se manifestava na prática. De sua obsessão nasceu o SAGA – o Sistema de Análise Geo-Ambiental -, embrião e símbolo de seu laboratório de Geoprocessamento (o LAGEOP), que hoje em dia muitos conhecem pelo Brasil afora, tanto em universidades quanto em órgãos públicos e ONGs, como ele tanto queria. Sua teimosia o fez resistir com intensidade desproporcional a softwares mais comerciais, que inevitavelmente se impuseram, relegando o SAGA, aos poucos, ao ostracismo, quando não a um objeto de pilhéria. Difícil saber como ele poderia, sendo o obsessivo que foi, ter conciliado sua visão do SAGA com o “pragmatismo” que hoje reina; um “pragmatismo” fácil de ser defendido para quem não vê para além do geoprocessamento e dos SIGs (ou das “geotecnologias”) de um ponto de vista estreitamente instrumental, ser abraçar uma visão de país e de universidade. É possível discordar da visão de país e de universidade que ele advogava, mas ele a tinha; por isso, seria injusto e absurdo reduzir as opções de Xavier a uma simples “falta de visão”, a uma reles e tacanha “teimosia”, como ouvi tanta gente (de boa ou má fé) dizer nos últimos vinte anos. Em uma época em que “projeto” se limita a uma palavra que designa um jeito de conseguir financiamento para pesquisas (não raro de duvidosa utilidade social), Xavier sonhava com um projeto para o Brasil. E o geoprocessamento, em seu sonho, era parte indissociável disso.

A obsessão de Xavier pelo geoprocessamento era tão grande que o levou a ver a tecnologia como parte de um projeto emancipatório, para o que ele, muitas vezes, citou e se buscou se amparar em seu amigo Paulo Freire. Sim, Paulo Freire: o autoritário Xavier teve, inicialmente graças à sua esposa, Aurenice (uma professora de Matemática, pernambucana arretada e inteligentíssima, de firme caráter, que havia trabalhado estreitamente com o grande educador no início dos anos 1960), a oportunidade de conhecer aquele que foi um dos maiores pensadores brasileiros de todos os tempos. Lembro-me do almoço de nós três, em São Paulo, em 1987, na casa de Paulo Freire, que havia enviuvado há pouco tempo. Um almoço bem nordestino e simples, com carne seca desfiada com abóbora, feijão, arroz e farinha. Nesse almoço, Xavier perguntou a Paulo se ele toparia prefaciar o nosso livro Análise Ambiental (que saiu depois pela Editora da UFRJ), e Paulo pediu para ler o livro, dizendo que só o faria se se sentisse realmente à vontade. Pelo visto, se sentiu, pois escreveu um belo prefácio, ressaltando, apesar da aspereza do tema, o seu caráter didático e a sua importância (político-)pedagógica. Esse livro, assim como a amizade de Paulo Freire, foram sempre, para Xavier, como que um desagravo, diante das incompreensões que ele colheu (mas que ele próprio ajudou a semear).

Ao mesmo tempo brilhante e criativo, capaz de pensar em termos como o de uma “nova semiótica” – expressão que ele passou a usar regularmente após a publicação de um artigo importantísssimo, “Um modelo digital do ambiente”, que saiu publicado em 1982 em português e inglês -, Jorge Xavier era um obstinado e, mais do que isso, meio cabeça-dura. Se o seu interesse era o de que um algoritmo ou programa fosse testado, ele faria de tudo para que você criasse um problema científico ou delineasse um projeto de pesquisa que se adaptasse à tecnologia, quando deveria ser, por óbvio, o contrário. Óbvio, sim, mas não para ele… E isso dificultou incrivelmente qualquer colaboração nossa depois de eu retornar de meu doutorado, muito embora eu tivesse proposto várias oportunidades de utilização do SAGA. Que pena! Depois de 1993, continuamos amigos, e fomos amigos até o fim. Um carinho que se alimentava de muitas lembranças e de pequenos gestos. Mas as conversas, tensas e ao mesmo tempo produtivas (sobre os limites da tecnologia, sobre o futuro da informática, sobre os potenciais, os riscos e os efeitos do geoprocessamento sobre a Geografia, e sobre a vida também, pura e simplesmente), tornaram-se mais escassas. Os encontros foram rareando, embora eu me ressentisse disso (e sei que ele também).

Em uma época em que mais vale o “parecer” do que o “ser”, em que “celebridades” são criadas (e descartadas e substituídas) a cada par de semanas ou, no máximo, de meses, Jorge Xavier da Silva era um anacronismo. Talvez, existencialmente, sempre o tenha sido (grandes indivíduos com frequência o são, especialmente quando polêmicos: à frente de seu tempo e, apesar disso, com dificuldade e resistência em acompanhar a dinâmica de seu tempo, no plano psicológico e dos costumes). Xavier era muito mais do que parecia ser – tanto emocional quanto intelectualmente. Creio que mesmo os que o admiraram, em geral não o conheceram na enorme extensão de sua cultura, de suas capacidades, de sua flexibilidade mental, de sua imensa criatividade. Ele foi, de certo modo, por tudo o que falei, um personagem um tanto trágico, apesar de seu enorme sucesso profissional. Foi um titã – um titã incômodo, não raro irritante, volta e meia exasperador e até mesmo muito reprovável em vários sentidos, mas também capaz de atitudes comoventes e de profunda honestidade e sentido de amizade e gratidão, além de uma fidelidade institucional e pessoal extraordinária. Acima de tudo, enfim, isso: um titã. Nesta quadra da história, em que mais vale o sorriso superficial que o desconforto provocado por um pensamento autêntico e pela disposição em lutar com unhas e dentes por uma ideia, Xavier parecerá um personagem de um passado distante. Triste presente! Da minha parte, honras ao titã, pelo que ele foi – e a despeito de todas as ressalvas.

23 de julho de 2021.

Nota de repúdio às ações higienistas do prefeito de Monte Mor

O prefeito Edivaldo Brischi em selfie em frente à Prefeitura Municipal de Monte Mor

Documento em PDF

A Associação dos Geógrafos Brasileiros — Seção Campinas vem a público manifestar seu repúdio diante das recentes ações e declarações de Edivaldo Antônio Brischi, prefeito de Monte Mor, município da Região Metropolitana de Campinas com população estimada de 60,7 mil habitantes (IBGE, 2020). 

O alcaide, empresário do setor de eventos filiado ao reacionário PTB e eleito em 2020 com 27,69% dos votos válidos, foi acusado de participar diretamente nesta semana de uma abordagem da população em situação de rua próximo ao Terminal Rodoviário de Monte Mor. Cerca de dez pessoas, sob ameaça, foram removidas para Boituva, a 70 quilômetros de distância.

Chama a atenção, além do caso em si, já suficientemente grave, a reiterada conduta do chefe do Executivo, manifestada em uma live veiculada em seu perfil no Facebook às 7 horas da manhã do dia 14 de julho. Na gravação, tentativa de espetacularização de seus atos administrativos, ele revela sua face autoritária e a inépcia para ocupar o cargo para o qual foi eleito. 

Repudiamos com veemência seu posicionamento higienista, carregado de preconceito, que se refere à população em situação de rua de maneira pejorativa — “Não posso ver minha cidade virar um lixo” —, em contraposição à defesa de “pais de família”, de “pessoas do bem” e, óbvio, dele próprio.

Em certo momento, ele sobe o tom de voz e até tira a máscara, para dizer: “A partir de hoje, moçada, eu vou começar a mostrar como se governa uma cidade. Fiquem bravos comigo. Pode ficar bravo. Mas agora tem prefeito, essa cidade”, em flagrante contradição com seu plano de governo, que prevê “capacitar os atores da política pública de assistência social, a fim de assegurar a melhoria do atendimento, considerando-se todas as instâncias e a realidade local”. O que se sabe é que seu modo de governar o levou a indicar a própria primeira-dama, a sra. Elaine Ravin Brischi, que também aparece na live, para o cargo de secretária municipal de Desenvolvimento Econômico e Social, com salário de R$ 9,8 mil. 

Além disso, o próprio prefeito admitiu que havia determinado, no dia anterior, ainda que não tenha sido comprovado, a realização de “seis viagens” — além de Boituva, para Rio das Pedras, Bauru, Campinas, São Paulo e Orquídeas (sic) —e prometeu enviar outras duas pessoas, ainda, para Itararé e São Rafael (sic). Para ele, a expulsão da população em situação de rua é justificada pela proposta de “revitalização” do entorno da Rodoviária, com obras modestas, naquele quarteirão, de paisagismo e de iluminação pública. Mais adiante, no vídeo, ele dialoga com Elio Braz Borgo, chefe de geração de emprego e renda do município, ex-filiado ao Republicanos —, que explica que a cidade, que está sendo “revitalizada”, tem que estar bonita e se espelhar na vizinha Indaiatuba. O prefeito continua argumentando, antes de encerrar a filmagem, que uma cidade “limpa” e “organizada” atrai investimentos privados de empresários.

A revitalização de espaços públicos como recurso para valorização imobiliária ou como instrumento de city marketing tem justificado, em diversas situações geográficas, violações de direitos, segregação e até mesmo o desaparecimento de indivíduos pertencentes a grupos sociais excluídos do processo de planejamento territorial. Na condição de geógrafas e geógrafos, lamentamos e repudiamos a postura autocrática e arrogante do prefeito de Monte Mor diante de suas responsabilidades. Sua conduta personalista, patrimonialista e popularesca conflita com as atribuições do Serviço Especializado em Abordagem Social e do Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua do Centro de Referência Especializado de Assistência Social do município e com a Política de Assistência Social do Município de Monte Mor (Lei 2776 de 15 de setembro de 2020), e ignora os avanços das últimas décadas nas políticas públicas do Sistema Único de Assistência Social, que ele deveria defender e aprimorar, por meio da Secretaria ora chefiada por sua cônjuge, no município sob sua gestão. 

Campinas, 16 de julho de 2021.

Diretoria Executiva Local da Associação dos Geógrafos Brasileiros — Seção Campinas


Reportagens

ACidade ON: Monte Mor envia moradores de rua a municípios vizinhos para “deixar cidade bonita”

CNN Brasil: Interior de SP: Prefeito de Monte Mor envia moradores de rua para cidade vizinha

G1: Pessoas sem-teto procuram a polícia e dizem que foram colocadas à força em van e levadas para outra cidade

G1: ‘Não posso ver minha cidade virar um lixo’, diz prefeito de Monte Mor que teria enviado sem-tetos à força para outros municípios

G1: Moradores de rua levados para outra cidade dizem à polícia que foram ameaçados com spray de pimenta

Prefeitura de Boituva: Prefeitura de Boituva faz Boletim de Ocorrência sobre pessoas em situação de rua trazidas por van da cidade de Monte Mor

UOL: Pessoas em situação de rua em Monte Mor são mandadas para cidades vizinhas

Brasil: balanço dos anos de neoliberalismo

Compreender o Brasil é fazê-lo através de uma leitura geográfica de conjunto. A forma estrutural da formação espacial capitalista é o modo de entrelaçamento entre a formação social e o modo de produção. É necessário um balanço e análise dos arranjos espaciais dos processos econômicos e sociais que levaram à vitória política do neoliberalismo no Brasil.

Coordenador: Marcos Antônio Campos Couto (FFP/UERJ)

Palestrantes: Alexandrina Luz Conceição (UFS), Manoel Fernandes de Sousa Neto (USP) e Antonio Thomaz Junior (UNESP, campus de Presidente Prudente)

A mesa-redonda, que ocorre no dia 21 de julho, às 14 horas, ao vivo pelo canal da AGB Nacional no YouTube, faz parte da programação da 73ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), com o tema “Todas as ciências são humanas e essenciais à sociedade”.

Acesse a programação completa neste link.

Vem aí o 7º Encontro Regional de Ensino de Geografia!

A AGB-Campinas, junto com o Ateliê de Pesquisas e Práticas em Ensino de Geografia — APEGEO, promove o 7º Encontro Regional de Ensino de Geografia, que ocorre junto ao 3º Workshop de Cartografia e Novos Letramentos, com o tema Geografia, Escola e Tecnologias: discursos atuais e encontros possíveis.

O evento acontece de 16 a 18 de setembro de 2021.

Associados à AGB possuem 50% de desconto na inscrição em todas as categorias (ouvintes, estudantes de graduação e de pós-graduação, professores e professoras da Educação Básica e de nível superior).

A submissão de trabalhos foi prorrogada até o dia 22 de agosto.

Leia a primeira circular.

Leia a segunda circular.

Correios, logística e usos do território brasileiro

A AGB-Campinas recomenda a leitura do recém-lançado livro Correios, Logística e Usos do Território Brasileiro (Consequência, 2021, R$ 45), de autoria do geógrafo Igor Venceslau.

Igor, que faz parte do Conselho Editorial do Boletim Campineiro de Geografia, publicação da AGB-Campinas, no último dia 26 de maio nos ofereceu a palestra Correios e usos do território: riscos da privatização e projetos e disputa.

O prefácio é da professora Mónica Arroyo, orientadora de Igor no Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana da USP. O professor Ricardo Castillo, da Unicamp, assina a “orelha” da obra:

Em momento oportuno, quando o Brasil vive um dos períodos mais trágicos de sua história e as instituições e serviços públicos são atacados e injustamente aviltados, vem a público o livro Correios, logística e usos do território brasileiro, do geógrafo Igor Venceslau, mestre em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo. Fundamentado em exaustiva e rigorosa pesquisa científica, envolvendo levantamento bibliográfico, consulta a bases de dados e trabalhos de campo, Igor Venceslau traz à tona duas características indissociáveis da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, que nenhuma empresa privada seria capaz de reunir. A primeira decorre de um histórico de excelência na prestação de serviços postais e de integração, pioneira, diga-se de passagem, do território brasileiro que, décadas mais tarde, possibilitou sua reinvenção como uma proficiente empresa de logística, diante das transformações recentes das instâncias da distribuição e da comercialização, particularmente com a emergência do comércio eletrônico. A segunda característica, possibilitada por seu caráter público, é o papel imprescindível que esta empresa desempenha, tanto na garantia da mobilidade geográfica como direito inalienável de todos os brasileiros, inclusive os mais vulneráveis, quanto na extensão da acessibilidade a todos os lugares, inclusive os mais recônditos, independentemente de sua viabilidade econômica. Correios, logística e usos do território brasileiro reúne todos os principais argumentos que explicam o porquê devemos preservar os Correios como empresa pública federal, num país cujo território, além de ser o quinto mais extenso do mundo, é marcado por grande diversidade natural e social e profundas desigualdades regionais e econômicas. Somente uma empresa pública e eficiente como os Correios, que não se pauta somente pelo lucro, mas ainda assim é lucrativa, pode lidar com a complexidade do território brasileiro e servir de instrumento para políticas de inclusão social e geográfica. 


A Editora Consequência promove o evento de lançamento do livro na terça-feira, 13 de julho, às 19 horas, com presença do autor, dos geógrafos Mónica Arroyo e Ricardo Castillo e de Maria Inês Capelli, da Associação dos Profissionais dos Correios:


Recentemente, a AGB-Campinas publicou a Moção de Repúdio ao PL nº 591/2021 e à Privatização dos Correios, também assinada pela Diretoria Executiva Nacional da Associação dos Geógrafos Brasileiros e pela Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia — ANPEGE.

Igor também publicou um texto sobre o livro no OutrasPalavras:

Vila Soma, 9 anos — Lutas e desafios atuais

A AGB-Campinas convida para o debate Vila Soma, 9 anos — Lutas e desafios atuais, na terça-feira 29 de junho, com início às 19 horas. A atividade, com transmissão ao vivo pelo canal da AGB-Campinas no YouTube, terá a participação do advogado popular e mestre em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp Alexandre Mandl; do arquiteto urbanista André Dal’Bó da Costa, autor da tese de doutorado Luta social e a produção neoliberal do espaço: as trajetórias das ocupações Vila Soma, Zumbi dos Palmares e Pinheirinho; e do estudante de Direito e morador da Vila Soma Antonio Douglas Campos da Silva. A mediação será de Roberta Cavedini, da AGB-Campinas.

Ouro por lixo: as inserções de Gana na divisão internacional do trabalho

O geógrafo Kauê Lopes dos Santos, professor colaborador do Departamento de Geografia da Unicamp, onde está ministrando a disciplina Tópicos de Urbanização do Sul Global, está lançando o livro Ouro por lixo: as inserções de Gana na divisão internacional do trabalho (Pallas, 2021), decorrente de sua tese de doutorado, defendida em 2017 no Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana da USP, sob orientação do professor Armen Mamigonian.

RELEASE DO LIVRO [PDF]

A obra de Kauê foi o tema do último Ilustríssima Conversa, podcast quinzenal publicado pela Folha de S. Paulo — diálogo do autor com o igualmente geógrafo Eduardo Sombini.

A live de lançamento, com o autor e a jornalista Luciana Barreto, da CNN Brasil, está marcada para o dia 6 de julho, terça-feira, às 18 horas, nas redes sociais da Editora Pallas — Facebook e Instagram.

Moção de Repúdio ao PL 591/2021 e à Privatização dos Correios

Versão em PDF

A Associação dos Geógrafos Brasileiros vem a público manifestar repúdio ao Projeto de Lei nº 591/2021, apresentado pela Presidência da República ao Congresso Nacional, que propõe alterações significativas na estrutura organizacional e operacional dos serviços postais no Brasil, sob a forma de um “Sistema Nacional de Serviços Postais”. A AGB também manifesta a sua preocupação com a tramitação em caráter de urgência dessa matéria de relevância estratégica para a integração do território nacional e o conjunto da população brasileira. 

A privatização dos Correios, se aprovado o PL, significará um grande retrocesso no longo processo de investimento público de mais de três séculos na integração territorial e que resultou no modelo atualmente adotado no Brasil. Alertamos que o modelo vigente de correio no Brasil é compatível com as práticas recomendadas pela União Postal Universal (UPU/ONU) e com aquelas adotadas por países com características aproximadas de extensão territorial e/ou número de população, como Estados Unidos, China, México, Índia e África do Sul. Esse retrocesso causaria o fechamento de agências postais e a diminuição de importantes políticas públicas estatais nos municípios, hoje assegurados constitucionalmente por meio do princípio de universalidade do serviço postal. O oferecimento seletivo e pontual dessa atividade pelo mercado  é incompatível  com os objetivos do atual pacto constitucional vigente na sociedade brasileira, que compreende o serviço de correio público como um direito dos lugares num território marcado por profundas desigualdades regionais.

Os Correios, por sua capilaridade e atendimento a municípios onde individualmente a atividade postal das agências não é lucrativa, se tornaram um braço logístico do Estado para a execução de políticas públicas. A entrega de vacinas, a distribuição de livros didáticos, a viabilidade de exames nacionais como o ENEM,  o próprio funcionamento das eleições e dos cartórios, entre outras ações, estariam impossibilitadas em caso de privatização. Haveria, assim, reversão de conquistas sociais no âmbito da cidadania. 

Também preocupa uma eventual privatização de uma empresa estatal lucrativa, única com presença em todos os 5570 municípios brasileiros e que gera aproximadamente 100 mil empregos diretos. No contexto de crise econômica e elevada taxa de desemprego, aliado ao crescimento do comércio eletrônico (75% das encomendas são entregues pelos Correios), essa ação poderia aprofundar os problemas enfrentados pela população e pelo Estado brasileiro.

A comunidade científica dos geógrafos brasileiros, amparada em vasta produção acadêmica publicamente disponibilizada, não recomenda a aprovação do PL 591/2021 e orienta os poderes legislativos a fortalecerem o serviço postal público como agente de integração territorial e indutor de cidadania nos lugares. A AGB estimula, ainda, o amplo debate e a manifestação sobre esse tema na sociedade brasileira, pelos poderes da República, pela comunidade científica, pelos movimentos sociais, pelos sindicatos, pelos partidos políticos, pelas associações e outras formas de organização, em todas os entes federados – União, estados e municípios.

Campinas, 12 de junho de 2021

Assinam a moção:

Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) — Seção Campinas

Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) — Diretoria Executiva Nacional (DEN)

Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia (ANPEGE)

Kátia Canil (1969—2021)

Com pesar, comunicamos o falecimento da geógrafa Kátia Canil, ocorrido ontem (1º de junho).

Kátia se formou em Geografia pela USP em 1991. Ainda na graduação, foi orientada pelo professor Jurandyr Ross; também na USP, defendeu mestrado em Geografia Física em 2000, sob orientação do professor Antonio Carlos Colangelo, e doutorado em 2006, orientada pela professora Lylian Coltrinari. Katia conciliou os estudos de pós-graduação com a carreira de pesquisadora no Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo — IPT e de professora na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Desde 2013, era docente da Universidade Federal do ABC, no curso de Bacharelado em Planejamento Territorial.

A Associação dos Geógrafos Brasileiros — Seção Campinas se solidariza com a família, com amigos e alunos de Kátia.

AGB-Campinas — Diretoria Executiva Local, 2 de junho de 2021


Nota de pesar: Profª. Drª. Kátia Canil

Correios e usos do território: riscos da privatização e projetos em disputa

Diante dos novos projetos de privatização dos Correios, torna-se urgente discutir o papel da empresa pública de serviços postais para o território brasileiro. Igualmente é importante reconhecer os projetos políticos e os usos do território que estão em jogo. A AGB-Campinas receberá o geógrafo Igor Venceslau, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana da USP, para discutir os Correios e usos do território: riscos da privatização e projetos em disputa. O encontro, com mediação de André Pasti, professor da UFABC e vice-diretor da AGB-Campinas, será transmitido em nosso canal no YouTube, às 19h da quarta-feira 26 de maio.

Esta atividade faz parte do Ciclo Mês da Geógrafa e do Geógrafo, com participação de diversas seções locais da Associação dos Geógrafos Brasileiros. Consulte a programação.

ANPUR premia trabalhos de Geografia

Tese defendida pelo geógrafo Luciano Duarte, diretor-presidente da AGB-Campinas, recebeu o III Prêmio Rodrigo Simões de Tese de Doutorado; conheça todos os premiados

A Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional — ANPUR divulgou na última terça-feira (4 de maio) a premiação nas categorias de dissertação de mestrado, tese de doutorado, artigo e livro. Nesta edição, foram inscritas 47 dissertações inscritas, 37 artigos, 10 livros e 33 teses.

Com muita alegria, soubemos que o geógrafo Luciano Duarte, diretor-presidente da AGB-Campinas, foi o ganhador do III Prêmio Rodrigo Simões de Tese de Doutorado. A tese, orientada por Márcio Cataia, foi defendida no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Unicamp em novembro de 2019. O júri justificou a escolha “em função de temática abordada, do arcabouço teórico-metodológico e da excelente qualidade final do texto”.

A tese de Mariana Traldi, defendida no mesmo programa em julho de 2019 e orientada por Arlete Moysés Rodrigues, recebeu a menção honrosa. Mariana integrou a diretoria da AGB-Campinas entre 2010 e 2015.

V Prêmio Ana Clara Torres Ribeiro de Livros

Vencedora: Paola Berenstein Jacques. Fantasmas modernos – montagem de uma outra herança. Editora da UFBA.

Menção honrosa: Eduardo Alberto Cuscé Nobre. Do plano diretor às operações urbanas consorciadas: a ascensão do discurso neoliberal e dos grandes projetos urbanos no planejamento paulistano. Editora Annablume.

III Prêmio Rodrigo Simões de Tese de Doutorado

Vencedor: Luciano Pereira Duarte Silva. Circuito espacial produtivo do petróleo na Bacia de Santos e a economia política da Região Metropolitana da Baixada Santista.

Menção honrosa: Mariana Traldi. Acumulação por despossessão: a privatização dos ventos para a produção de energia eólica no semiárido brasileiro.

XII Prêmio Brasileiro Política e Planejamento Urbano e Regional de Dissertações de Mestrado

Vencedora: Thales Barroso Miranda. A ilusão da igualdade, natureza, justiça ambiental e racismo em Belém.

Menção honrosa: Fernanda Petrus do Prado Silva. Ocupação Solano Trindade. O espaço comum e o trabalho coletivo: das práticas concretas a uma agenda atualizada para a Reforma Urbana.

Menção honrosa: Kamila Diniz Oliveira. Entre a várzea e terra firme – estudo de espaços de assentamentos tradicionais urbanos rurais na região do Baixo Tocantins.

Menção honrosa: Daniele Nunes de Britto Marangoni. Por práticas emancipatórias no planejamento urbano: análise das dinâmicas sócio-espaciais e pesquisa-ação no Alto das Antenas.

Menção honrosa: Cristiane Borda Pinheiro. Políticas públicas de manejo de águas pluviais em Belo Horizonte: novos caminhos em meio a velhas práticas.

X Prêmio Milton Santos de Artigo

Vencedora: Maria Fernanda Derntl. Brasília e suas unidades rurais: planos e projetos para o território do Distrito Federal entre fins da década de 1950 e início da década de 1960. Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, vol.28, São Paulo, 2020, p. 1-32

Menção honrosa: Bruno Cesar Malheiro e Valter do Carmo Cruz. Geo-grafias dos grandes projetos de des-envolvimento: territorialização de exceção e governo bio/necropolítico do território. Revista GEOgraphia, v.21, n. 46, Niterói, mai./ago. 2019, p. 18-31.

Menção honrosa: Jeter Liano Silva, Eduardo Magalhães Ribeiro, Vico Mendes Pereira Lima e Leo Heller. As secas no Jequitinhonha: demandas, técnicas e custos do abastecimento no semiárido de Minas Gerais. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, v.22, 2020, p. 1-23.

Menção honrosa: Ricardo Mendes Antas Junior. Articulação dos aconteceres na construção dos fluxos globais: notas sobre o circuito espacial produtivo de medicamentos na França e no Brasil. Revista GEOgraphia, v.22, n. 48, Niterói, jan./jun. 2020, p. 91-105.

Lançamento do livro Usos do Território e Pandemia — 6/5, 19h

A Editora Consequência promoverá um debate com a geógrafa Mónica Arroyo, organizadora do recém-lançado livro Usos do território e pandemia: dinâmicas e formas contemporâneas do meio técnico-científico informacional, que também tem como coorganizadores os geógrafos Ricardo Mendes Antas Jr. e Fabio Betioli Contel, do Laboplan (USP). Será no dia 6 de maio (quinta-feira), às 19 horas. O livro está à venda por R$ 55, com o seguinte sumário:

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO
Mónica Arroyo, Ricardo Mendes Antas Junior, Fabio Contel

PARTE 1. CIRCULAÇÃO, CONECTIVIDADE E USOS DO TERRITÓRIO NA PANDEMIA

CAPÍTULO 1. Um retrato do início da pandemia nos territórios latino-americanos
Mónica Arroyo

CAPÍTULO 2. Mídia, território e pandemia: sentidos em disputa
André Pasti

CAPÍTULO 3. Os rastros geodigitais enquanto processo de totalização da espacialidade algorítmica: sobre as verticalidades da Internet e do ciberespaço no período pandêmico
Carolina Batista Israel

CAPÍTULO 4. Produção e consumo de aplicativos no cotidiano da pandemia: conectividade e usos do território
Melissa Steda

CAPÍTULO 5. O comércio eletrônico e a pandemia da Covid-19 no território brasileiro: tecnosfera e psicosfera na expansão do consumo
Igor Venceslau

PARTE II. TERRITÓRIO, CIÊNCIA E POLÍTICA NO COMBATE À PANDEMIA

CAPÍTULO 6. A pandemia de Covid-19 e o sistema internacional contemporâneo: o complexo industrial da saúde como componente da geopolítica
Ricardo Mendes Antas Jr.

CAPÍTULO 7. O combate à pandemia de Covid-19 no território brasileiro: das redes de informação técnico-cientificas às fake news negacionistas
Mait Bertollo

CAPÍTULO 8. Psicosfera e tecnosfera no contexto da pandemia: a preparação do sistema de saúde brasileiro e seu complexo industrial para o combate à Covid-19
Rafael da Silva Almeida

CAPÍTULO 9. Confinamento na pandemia de Covid-19: reflexões sobre as condições da população encarcerada, do estabelecimento penal e da organização territorial da justiça criminal no Brasil
Carin Carrer Gomes

PARTE III. FINANÇAS, TÉCNICAS DA INFORMAÇÃO E A CRISE PANDÊMICA

CAPÍTULO 10. Psicoesfera, topologia bancária e medidas anticíclicas: as mudanças provocadas pela pandemia segundo o Banco Central do Brasil
Fabio Betioli Contel

CAPÍTULO 11. Dinamismos da economia urbana em tempos de pandemia: tecnificação, capitalismo de plataforma e reprodução da pobreza
Marina Regitz Montenegro

CAPÍTULO 12. Pandemia e fluxos financeiros: especulação e concentração dos serviços no mercado de capitais brasileiro
Wagner Wendt Nabarro

CAPÍTULO 13. Austeridade como fábula e perversidade: previdência social e privada no território brasileiro sob a pandemia de Covid-19
Caio Zarino Jorge Alves

CAPÍTULO 14. Bancos Comunitários no Brasil: digitalização e ações locais no contexto da pandemia da Covid-19
Carolina Gabriel de Paula Pupo


Nota de pesar: Allhan Lumumba (1989—2021)

Com pesar, comunicamos o falecimento, nesta sexta-feira, 23 de abril, do produtor cultural Allhan Lumumba de Oliveira (Allhan William Franco Sulzarte de Oliveira), da Macaco Cidadão Produções e fundador do Projeto Cultural Arte de Periferia. Ele foi nosso convidado, no último dia 23 de setembro, na mesa-redonda Direito à cidade: pensando classe, raça e gênero em Campinas. A AGB-Campinas lamenta profundamente a partida de Allhan e transmite o pesar à sua família e aos seus amigos.

Diretoria Executiva Local

Campinas, 23 de abril de 2021

___________

Na noite de quarta-feira, feriado de 21 de abril, Allhan publicou um poema:

Adeus

Ventos sussurram verdades que temos medo de acreditar
E se for hora de partir?
Tudo dando errado e eu insistindo
Insistindo no erro bobo de continuar aqui

Vou-me embora
Mas isso não é um adeus
Eu odeio despedidas
Mas também não garanto que um dia voltarão a ver eu

São ciclos infinitos
De idas e vindas
Ódio, revolta e rancor
Nada de amor, só melancolia

Hoje a noite vai ser boa
Eu e o Presidente
Num gole desce queimando
No outro nem sente

A real mesmo
É que nunca me prometeram sinceridade
Prometeram amor
Mas não lealdade

Acho que enfim tenho razão
Já era de eu partir
Adeus
Vou me aventurar por aí.

Carta aberta contra o retorno presencial às aulas em Campinas

A AGB-Campinas é signatária da carta aberta do Coletivo de Educadoras e Educadores da Rede Municipal de Campinas contra o retorno presencial nas escolas da cidade.

Acesse o documento em PDF. Abaixo, o texto na íntegra:

O Coletivo de Educadoras e Educadores da Rede Municipal de Campinas vem, por meio desta carta aberta, posicionar-se contra o retorno presencial nas escolas de Campinas, estabelecido por meio do decreto do poder público municipal n. 21.438 de 9 abril de 2021, publicado no DOM de 10/4 e que definiu a segunda quinzena de abril e o início de maio como datas de retorno da educação básica.

Entendemos que nossa cidade encontra-se em um momento muito difícil de controle dos casos da Covid-19, momento que exige manutenção e ampliação das medidas de proteção às vidas, visto que, segundo dados epidemiológicos, Campinas tem o maior índice em taxa de incidência do vírus e de mortalidade em todo o estado de São Paulo. Nossa cidade supera a cidade de São Paulo, o estado e até o país a cada 100 mil habitantes em taxa de incidência e mortalidade provocada pelo coronavírus. Infelizmente, morre-se mais de Covid-19 aqui em Campinas (a taxa desta cidade está em 214,6 pessoas a cada 100 mil habitantes, no país a taxa é de 162,9 pessoas a cada 100 mil habitantes, no estado é de 175,8 e na cidade de São Paulo, 193,8, segundo dados do boletim epidemiológico semanal n. 11 do DEVISA de 09/04/2021). Este triste cenário sugere que é preciso fazer mais para proteger as vidas da população campineira. As taxas de ocupação das UTIs na cidade também refletem essa alarmante situação de colapso do sistema de saúde, estando com 98,15% dos leitos de UTI da rede pública municipal e SUS ocupados e 84,02% leitos particulares ocupados (dados apurados em 15 de abril).

Diante desta crise sanitária e hospitalar na cidade, vimos, por meio desta carta aberta, tornar público nosso REPÚDIO AO RETORNO PRESENCIAL NAS ESCOLAS no pior momento da pandemia, e aqui manifestamos nossas preocupações e as demandas necessárias para que possamos ter um retorno ao convívio escolar, de forma a assegurar a VIDA de TODOS e TODAS em nossas comunidades escolares e na cidade como um todo:

  • Este retorno anunciado pelo Governo Estadual Paulista e pela Prefeitura Municipal de Campinas foi estabelecido sem escuta e diálogo com as comunidades escolares, tampouco os e as profissionais da educação foram chamados para debater a complexa questão de um possível retorno presencial em segurança frente ao agravamento da pandemia e à necessidade de revisão dos protocolos de segurança em função das novas cepas da Covid19. A ausência desse diálogo para a construção de uma reabertura segura das escolas agrava a condição de insegurança dos e das profissionais da educação e da comunidade escolar, pois será sobre estes que recairá o maior ônus da reabertura neste momento em que a cidade enfrenta altos índices de contaminação e morte.
  • O processo lento e irresponsável da campanha de imunização em curso tem agravado os índices de contágio e mortes, possibilitando novas mutações do vírus. O início da vacinação dos profissionais da educação acima de 47 anos, na segunda quinzena de abril, representa um avanço ainda tímido, que em hipótese alguma justifica a reabertura das escolas nesse momento. Além de envolver apenas parcela dos profissionais, os vacinados estão em processo de imunização, uma vez que receberam apenas a primeira dose da vacina. De qualquer modo, apenas o avanço da vacinação da população como um todo garantirá condições efetivas de segurança.
  • A Rede Escola Pública Universidade (REPU), em Nota Técnica publicada em abril sobre os casos de Covid-19 nas escolas estaduais paulistas (considerando uma amostragem de 299 escolas, com dados de 7 de fevereiro a 6 de março de 2021), apontou que a contaminação dos professores chegou a quase três vezes a taxa de incidência da Covid-19 na população da mesma faixa etária. A incidência de casos nas escolas cresceu 138% entre professores; entre a população de 25 a 59 anos do estado de São Paulo o crescimento foi de 81%. Os resultados dos estudos da REPU põem em questão o entendimento de que os protocolos de segurança tornam a escola um lugar de baixo contágio.
  • Importante destacar que o posicionamento da Secretaria Municipal de Educação orientava o retorno presencial como somente possível estando a cidade em fase amarela de classificação do Plano São Paulo e que a mudança dessa orientação foi feita sem as devidas considerações sobre a mudança nos indicadores da cidade frente à Covid-19. Em verdade, esses indicadores apontam índices de agravamento da crise sanitária em Campinas, o que significa expor ao contágio toda a comunidade escolar com um retorno presencial na cidade.
  • A existência das novas variantes mais contagiosas e o aumento do nível de circulação de pessoas na cidade, com o anúncio de reabertura de comércios concomitante à reabertura de escolas, em meio às condições pandêmicas enfrentadas, aumentará a catástrofe sanitária em Campinas.
  • Tendo em vista o cenário de descontrole da pandemia apresentado, o discurso que defende a “escola como local seguro” revela sua inconsistência e fragilidade. A presença das novas variantes impõe a necessidade de revisão dos protocolos (por exemplo, as máscaras fornecidas não são mais consideradas adequadas). Os altos índices de transmissibilidade e letalidade atuais tornam ainda mais preocupantes o desafio de seguir os protocolos de distanciamento, higienização e uso de máscaras por parte de crianças, adolescentes e adultos nos espaços fechados do ambiente escolar.
  • O recente decreto aprovado no âmbito estadual (e em tramitação e discussão no legislativo das esferas municipal e federal) que define a educação como “atividade essencial” tem como objetivo obrigar as Redes de Ensino a retornarem às aulas presenciais em qualquer condição, ou seja, mesmo com os atuais índices alarmantes da pandemia. Além disso, a inclusão da educação como “atividade essencial” visa a cercear as possibilidades de manifestação dos trabalhadores da educação. A educação já consta em nossa Constituição como um direito fundamental, e tal estatuto requer do Estado, especialmente face aos enormes desafios colocados pela pandemia, incremento de financiamento e políticas públicas consistentes para atacar o agravamento da desigualdade educacional e social em curso
  • O Coletivo de Educadoras e Educadores da Rede Municipal de Campinas, diante das considerações apresentadas acima, reafirma que este não é momento para um retorno presencial nas escolas, pois, na impossibilidade de se garantir condições de segurança, nesse momento de pandemia descontrolada, o retorno presencial nas escolas significa colocar as vidas em risco. Por fim, ressaltamos que as comunidades escolares precisam ser consideradas no que se refere às condições adequadas para a qualificação das atividades e interações remotas, com garantia de equipamentos e acesso à internet para alunos e alunas por parte do poder público, pois faz-se necessário qualificar o trabalho possível em tempos de pandemia, ao mesmo tempo em que se preservam as vidas! Não há defesa do direito à educação sem a defesa incondicional do direito à vida!

Campinas, 19 de abril 2021
Coletivo de Educadoras e Educadores da Rede Municipal de Campinas

Apoio: Associação dos Docentes da Unicamp (ADUNICAMP); Associação dos Especialistas da Educação do Quadro do Magistério da Rede Municipal de Campinas (Assemec); Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB Seção Campinas); Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (ANFOPE – SP); Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE seção SP); Associação de Pós-Graduandos da FE/Unicamp; Associação de Professores Adjuntos 1 e 2 de Campinas (APAC); Associação dos Professores da PUC-Campinas (APROPUCC); Centro Acadêmico Marielle Franco – Gestão A Luta Educa FE, UNICAMP; Centro de Estudos Educação e Sociedade (CEDES); Campanha Nacional pelo Direito à Educação – Comitê SP; Coletivo de Educadores de Vinhedo – Em defesa da Educação Pública; Coletivo de Educação Integral de Campinas; Coletivo 15 de Outubro; Coletivo de Educadores de Vinhedo – Em defesa da Educação Pública; Fórum EJA RMC; Fórum Municipal de Educação de Campinas; Fórum Municipal de Educação Infantil de Campinas (FMEIC); Faculdade de Educação da UNICAMP; Fórum Paulista de Educação Infantil (FPEI); Grupo do Afeto da FE/UNICAMP; Grupo de Pesquisa Avaliação e Intervenção Psicossocial: Prevenção, Comunidade e Libertação (GEP-InPsi) da PUCCampinas; GT 7 – Educação Infantil ANPEP; Projeto ECOAR (Espaço de Convivência, Ação e Reflexão); Rede Escola Pública e Universidade (REPU); Rede Emancipa Campinas; Rede de Educadores e Pesquisadores Freinet (REPEF); SINPRO Campinas; União Campineira do Estudantes Secundaristas (UCES)

Metamorfoses em Quedas D’Água

Territórios indígena e quilombola no interior de SP são temas de obra disponibilizada gratuitamente

Está disponível gratuitamente a fanzine Metamorfoses em Quedas D’Água, de autoria de Maiara de Proença Bernardino — da licenciatura de Geografia da UFSCar Sorocaba — e de João Paulo Bernardino — do curso de Comunicação Social da FIAAM-FAAM de São Paulo.

Com a publicação, os autores pretendem aflorar a memória e resistência omitida da classe popular do município de Votorantim e região e seus movimentos de luta no espaço urbano, evidenciando a desigualdade social contida neste território. Reflete ainda sobre o território indígena e a resistência quilombola presente na história passada e recente.

O trabalho foi contemplado pelo edital de formação cultural da ação emergencial Aldir Blanc de Votorantim e será oportunamente distribuída gratuitamente no formato impresso às escolas e à biblioteca do município.

Neli Mello-Théry (1955—2021)

Comunicamos, com pesar, o falecimento da geógrafa Neli Aparecida de Mello Théry, aos 65 anos, em Paris.

Natural de Olímpia (São Paulo), formou-se em Geografia na Universidade Federal de Goiás em 1978. A trajetória familiar que a levou, ainda menina, do estado de São Paulo para Goiás foi descrita por seu marido, o geógrafo Hervé Théry, com quem manteve uma profícua colaboração, quando de falecimento de seu pai Messias Lopes de Mello, em 2015, no texto História de um pioneiro brasileiro, publicado na Confins, a Revista Franco-Brasileira de Geografia, e também em francês.

A jovem Neli fez carreira no serviço público, no extinto Instituto de Desenvolvimento Urbano e Regional do Estado de Goiás (1975-1985), no Conselho Nacional do Desenvolvimento Urbano, no então Ministério do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (1985-1987), e no IBAMA (1987-1991). Foi também consultora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (1991-1999) e fez Mestrado em Arquitetura e Urbanismo na Universidade de Brasília, defendido em 1997. Neste período, também ministrou disciplinas no curso de Geografia da UnB. No ano seguinte, foi para Paris, onde fez outro mestrado, na Université Paris Nanterre, sob orientação de Alain Dubresson. Em seguida, prosseguiu para o doutorado, sob orientação de Wanderley Messias da Costa e Alain Musset, defendido em 2002 em cotutela. A tese recebeu o nome de Políticas públicas territoriais na Amazônia brasileira: conflitos entre conservação ambiental e desenvolvimento. Desde 2005, era professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, no curso de Gestão Ambiental, e orientava pesquisas de pós-graduação nos programas de Geografia Humana e Ciência Ambiental.

A Associação dos Geógrafos Brasileiros — Seção Campinas se solidariza com a família, com amigos, alunos e orientandos da grande professora Neli.

Diretoria Executiva Local, 6 de abril de 2021.


Leia mais: Após luta contra o câncer, professora Neli Aparecida de Mello-Théry falece em Paris, França


Durante a pandemia de covid-19, a professora Neli estava afastada para tratamento médico. Estava refletindo sobre a crise provocada pela pandemia. Na edição de outubro de 2020 da Pesquisa Fapesp (Ciência sob pressão), foi entrevistada a respeito dos efeitos das disputadas políticas nas estratégias de controle do coronavírus. Como registro recente, deixamos a entrevista e também a live organizada pelos colegas do Laboratório de Geografia Política da USP.

Ana Maria Marangoni (1942—2021)

Com pesar, informamos o falecimento, em decorrência de complicações da covid-19, aos 78 anos, da geógrafa Ana Maria Marques Camargo Marangoni. Natural de Itararé, município na divisa de São Paulo com o Paraná, lá formou-se no curso normal e como técnica em contabilidade, em 1962. Na Universidade de São Paulo, gradou-se em Geografia em 1966 e doutorou-se em 1983, com a tese O governo planejador e as transformações do espaço brasileiro, orientada por Pasquale Petrone (1924-2011). Naquela universidade também fez sua carreira profissional, inicialmente como auxiliar de geógrafo (1964-1969), geógrafa (1969-1991), período em que coordenou o Laboratório de Geografia Humana, e professora doutora (1991-1997). Aposentou-se em 1997, mas manteve-se orientando pesquisas de pós-graduação.

A AGB-Campinas, assim como toda a comunidade geográfica brasileira, está consternada com o falecimento da professora Ana Maria Marangoni ocorrido neste momento de agravamento da pandemia de covid-19, e compartilha o pesar com sua família, seus amigos, seus ex-alunos e seus ex-orientandos.

Diretoria Executiva Local, 5 de abril de 2021

Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação discute Escola e Democracia de Saviani

O Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação continuam os debates quinzenais sobre textos de Educação e Pedagogia Histórico-Crítica. Após a finalização do estudo da obra História das Ideias Pedagógicas no Brasil, o próximo encontro, na próxima sexta-feira, 9 de abril, às 9 horas, discutirá o primeiro capítulo do livro Escola e Democracia, de Dermeval Saviani — As teorias da educação e o problema da marginalidade.

A reunião será aberta a todos os interessados, que devem entrar em contato com Gabriel pelo e-mail gbairro [at] gmail.com para mais informações e para obter o link de acesso.

Unicamp prorroga prazo para inscrições em processos seletivos de estágio de Geografia

A Universidade Estadual de Campinas prorrogou até o dia 9 de abril o prazo para inscrições em processos seletivos de estágio de Geografia na Diretoria Executiva de Planejamento Integrado — DEPI, no Museu Exploratório de Ciências e Centro de Memória. O requisito é ser estudante de nível superior de Geografia, em IES reconhecida pelo MEC, e estar cursando pelo menos o 3º semestre do curso. A jornada é de 20 horas semanais e a remuneração é de R$ 601,43 (seiscentos e um reais e quarenta e três centavos) e auxílio transporte, no valor correspondente ao transporte urbano de Campinas, por dia de efetiva atividade.

Flávio Villaça: uma breve bibliografia

O professor Flávio Villaça, recém-falecido, manteve um site pessoal por alguns anos no endereço flaviovillaca.arq.br, em que mantinha seu currículo e também disponibilizava gratuitamente artigos, livros e relatórios “mimeo” de sua autoria. Neste sentido, resgatamos alguns dos textos, que estão a seguir, publicados com a intenção de que continuem a serem lidos, debatidos e referenciados em trabalhos de geografia urbana e de planejamento. Nota: os textos das referências foram mantidos tais quais se encontravam na página do professor. Nem todos os textos puderam ser resgatados. As ausências estão indicadas pela informação “não disponível”, seguida do nome do arquivo original que estava disponível no antigo sítio.

ARTIGOS EM LIVROS, REVISTAS E NÃO PUBLICADOS

A produção e o uso da imagem do centro da cidade: o caso de São Paulo. 1993. Texto de estudo. Não publicado. [não disponível; arquivo sinop93.pdf]

A responsabilidade das elites e a decadência dos centros de São Paulo e Rio. 1993. Texto DE ESTUDO. Não publicado.

Plano diretor anos 90. Apresentado no Seminário Latino Americano de Planejamento Urbano, Campo Grande, MT, 1993.

Um plano diretor para o centro? Texto não publicado, 1995. [não disponível; arquivo pd_centro_art1.pdf]

Plano diretor: modernismo X pós modernismo Texto de estudo não publicado, 1995. [não disponível; arquivo pdli993.pdf]

A segregação e a estruturação do espaço intra-urbano: o caso de Recife. Trabalho apresentado no II Seminário da Rede de Dinâmica Imobiliária e Estruturação Intra-urbana, promovido pela ANPUR e NEUR/ UnB, Pirenópolis, Goiás, 16-19 de outubro de 1996.

Efeitos do espaço sobre o social na metrópole brasileira. Trabalho apresentado ao VII Encontro Nacional da ANPUR – Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional, Recife, 1997.

A delimitação territorial do processo urbano Texto de estudo não publicado, 1997.

Metodologia de pesquisa Texto escrito para palestra no Mestrado em Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. 1997.

Monet e o centro Revista URBS, ano 1, no. 1, agosto 1997, p. 38

Perspectivas do Planejamento urbano no Brasil hoje Texto apresentado no II Seminário Cidades Brasileiras – Desejos e Possibilidades, organizado pela Prefeitura Municipal de Campo Grande, MS 31-7 à 2-8 de 2000. [não disponível; arquivo campo_gde.pdf]

Forum social mundial: Porto Alegre 2001 Reflexões sobre o Fórum. Texto de trabalho não publicado.

A segregação urbana e a justiça (A justiça no injusto espaço urbano) Texto publicado na Revista Brasileira de Ciências Criminais, ano 11, no. 44, julho/setembro 2003, pgs 341/346.

Um crime contra o Rio de Janeiro Versão para estudos dos textos seguintes.

A OSB e a cidade do Rio de Janeiro Revista Concerto ano IX, no. 90, nov. 2003, pg. 20.

A OSB e o centro Parte 2: Um crime contra o Rio de Janeiro. Sob este título foi acrescentado outro texto chamado Reflexões sobre o centro-ParteII, ambos publicados no livro Urbanismo: Dossiê São Paulo – Rio de JaneiroSCHICCHI, Maria Cristina e BENFATTI, Denio, orgs. Campinas, PUCCAMP/PROURB 2004, pgs. 21/34.

Princípios para a redação de uma dissertação ou tese. Versão de 20/12/04

Sem os erros do presente Art. Publicado na Folha de São Paulo de 20/05/2005, pg. 3, Seção Tendências e debates. [não disponível; arquivo sem_erros.pdf]

Brecht e o Plano Diretor Texto não publicado; foi inicialmente um capítulo do livro As ilusões do plano diretor. [não disponível; arquivo brencht_pd.pdf]

Urban planning and the advance of democracy in Brazil. Paper presented at the Conference of the Association of Collegiate Schools of Planning – ACSP. Fort Lauderdale, Fla. november 6 – 9th, 1997 [não disponível; arquivo miami97.pdf]

Social effects of urban built up space: the case of Brazil 1998 Not publised [não disponível; arquivo socieff.pdf]

Segregation in the Brazilian metropolis Paper presented at the International Seminar on Segregation in the City, sponsored by the Lincoln Institute of Land Policy. Cambrige, Mass. 2000. [não disponível; arquivo segregation.pdf]

São Paulo Paper not published [não disponível; arquivo saopaulo_ver2.pdf]

LIVROS E RELATÓRIOS DE PESQUISA

O que todo cidadão precisa saber sobre habitação. Livro, São Paulo, Global Editora, 1986

As ilusões do plano diretor. Divulgado apenas pela Internet, 2005

Relatório de Pesquisa custeada pela FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, realizada juntamente com a Prof. Mestra Silvana Zioni da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ganhador de Menção Honrosa no Concurso de Monografias CBTU-2005. Publicado pela CBTU – ANPET – CREA, RJ – Ministério das Cidades. Rio de Janeiro, 2005.

LIVROS E ARTIGOS EM LIVROS
*Não incluídos acima por terem tido seus direitos autorais cedidos a terceiros.

Uma contribuição para a história do planejamento urbano no Brasil, in DEÁK, Csaba e SCHIFFER, Sueli R. orgs. O processo de urbanização no Brasil , São Paulo, Fupam, Edusp, 1999, pgs169/243.

Efeitos do espaço sobre o social na metrópole brasileira , in Metrópole e globalização: conhecendo a cidade de São Paulo, SOUZA, Maria Adélia A. de, LINS, Sonia C., SANTOS, Maria do Pilar C. e SANTOS, Murilo da C. orgs. São Paulo, CEDESP, 1999.

Espaço intra urbano no Brasil. São Paulo, Nobel, Fapesp, Lincoln Institute of Land Police, São Paulo 2001, 2a ed.

Elites, desigualdade e poder municipal , in CAMPOS, Cândido M., GAMA, Lucia Helena, SACCHETTA, Vladimir, São Paulo, metrópole em trânsito, São Paulo, Petrobrás, Caixa, Senac, Pmsp, 2004, pgs. 148/155.


Completamos a bibliografia disponível do professor Flávio Villaça com publicações mais antigas e mais recentes:

VILLAÇA, Flávio; ZIONI, Silvana. GT1 – 227 – 205 A Expansão do Metrô de São Paulo: acentuando desigualdades. Anais do XII Enanpur, 2007.

MORETTI, Ricardo de Sousa; CARVALHO, Celso dos Santos; VILLAÇA, Flávio José Magalhães; MARICATO, Ermínia Terezinha Menon. SL-04 O direito à legalidade e a função social da legislação urbanística / O desrespeito à legislação urbanística — busca de causas e explicações. Anais do XV Enanpur, 2013.

VILLAÇA, Flávio; ZIONI, Silvana; PILOTTO, Ângela; PACCA, Penha; NERY JR., José Marinho; HADDAD, Fernanda; ABRAHÃO, Sergio Luis; KARA-JOSÉ, Beatriz. “A lei?…ora a lei”: a efetividade da legislação urbanística. Anais do XVI Enanpur, 2015.

Flávio Villaça (1929-2021)

Faleceu em São Paulo nesta segunda-feira, 29 de março, aos 91 anos, o arquiteto e urbanista e doutor em Geografia Flávio Villaça.

Natural de Cruzeiro, no Vale do Paraíba, onde nasceu em 1929, formou-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo em 1953. Fez o mestrado em city planning no Georgia Institute of Technology, em Atlanta, nos Estados Unidos, ainda nos anos 1950, onde apresentou a dissertação The experience in planning and building of new towns, and its application to Brazil’s new capital city, em 1958. Defendeu a tese de doutorado A estrutura territorial da metrópole sul brasileira: áreas residenciais e comerciais, sob orientação do professor Antonio Olivio Ceron, em 1979, semente do livro Espaço intra-urbano no Brasil, lançado quase vinte anos depois, referência essencial para os cursos de Geografia Urbana e de Planejamento Territorial.

Era professor aposentado da USP, tendo atuado como consultor de planejamento urbano e assessor em diversos órgãos públicos municipais, estaduais e federais.

ArchDaily — Flávio Villaça morre aos 91 anos em São Paulo

CAU/BR — Urbanismo brasileiro de luto: morre o professor Flávio Villaça — com depoimentos de João Whitaker, Nadia Somekh, Raquel Rolnik, Edmilson Rodrigues, Ermínia Maricato, Nabil Bonduki, Sérgio Luís Abrahão e Silvana Maria Zion.

G1 — Morre em SP, aos 91 anos, o arquiteto e urbanista Flávio Villaça

Henri Acselrad fala sobre ameaça à liberdade acadêmica no Brasil

A Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional — Anpur divulgou nota assinada por Henri Acselrad, professor titular do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro — IPPUR/UFRJ. Eis o texto:

Desde o início da pandemia de Covid-19, a sociedade brasileira tem assistido a uma intensificação de atos de constrangimento e perseguição a pesquisadores de diferentes campos da ciência. Estas ações têm se originado tanto em instâncias do Estado Brasileiro como em grupos sintonizados ideologicamente com o atual governo. No exercício de suas atividades correntes de produção de conhecimento de interesse público, pesquisadores têm sido vítimas de difamação, ameaças, agressões, assédio processual, detenção por força policial por ocasião de trabalho de campo, assim como objeto de inquérito por parte do MPF. A intenção dos agentes de tais ameaças é a de atemorizar os cientistas e dificultar que seu trabalho possa ser levado ao conhecimento da opinião pública, alimentando com dados testados e comprovados o entendimento fundamentado dos problemas por que passa o conjunto da sociedade. As condições para uma efetiva garantia da liberdade acadêmica, prevista no artigo 206 da nossa Constituição Federal, estão cada vez mais ameaçadas. A organização Scholars at Risk (composta pelos Global Public Police Institute — GPPi, Centro de Análise da liberdade de do Autoritarismo — LAUT e Varieties of Democracy — V-Dem) aponta que o Brasil tem hoje o segundo índice mais baixo de garantia da liberdade acadêmica na América do Sul. Este índice é composto por indicadores de liberdade dos cientistas desenvolverem suas agendas de pesquisa, a possibilidade de divulgação e debate dos resultados, as condições de autonomia universitária, a ocorrência de vigilância política nos campi e a garantia de diversidade de manifestações culturais. A multiplicação de graves episódios de violação de direitos de professores e cientistas aponta para a necessidade de criação de uma instância interinstitucional de defesa da liberdade acadêmica no Brasil. Uma articulação de uma diversidade de associações científicas poderá contribuir para combater o obscurantismo, proteger e defender os pesquisadores e pesquisadoras ameaçados e assegurar o exercício da liberdade de pesquisa, ensino e divulgação do pensamento, da arte e do saber.

Pós em Geografia da Unicamp faz abertura do 1° semestre de 2021

O Programa de Pós-Graduação em Geografia da Unicamp realizará na próxima quarta-feira, 24 de março, o evento de abertura do 1° semestre de 2021 e de recepção dos ingressantes. O professor José Gilberto de Souza, o Giba, ex-presidente da Diretoria Executiva Nacional da AGB, ministrará a conferência “Crítica e pseudoconcreticidade na produção do conhecimento geográfico”.

Não há necessidade de inscrições prévias. O evento acontecerá na plataforma Google Meet.

Museu Exploratório de Ciências e Centro de Memória da Unicamp abrem vagas de estágio para Geografia

Além da Diretoria Executiva de Planejamento Integrado, o Museu Exploratório de Ciências e o Centro de Memória da Universidade Estadual de Campinas abriram processo seletivo para estágio com vaga para estudantes de Geografia. As inscrições podem ser feitas na página da Diretoria Geral de Recursos Humanos da Unicamp até o dia 9 de abril.

O requisito é ser estudante de nível superior de Geografia, em IES reconhecida pelo MEC, e estar cursando pelo menos o 3º semestre do curso para vaga no Museu e pelo menos o 2° semestre do curso para vaga no Centro de Memória. A jornada é de 20 horas semanais e a remuneração é de R$ 601,43 (seiscentos e um reais e quarenta e três centavos) e auxílio transporte, no valor correspondente ao transporte urbano de Campinas, por dia de efetiva atividade.

As atividades do estágio no Museu Exploratório de Ciências envolvem apoio à concepção de atividades educativas e oficinas de difusão de ciências exatas e da terra; apoio à mediação de atividades do Museu; interação com o público visitante do Museu; escrita de relatórios e documentação de atividades. Clique aqui para se inscrever.

Já as atividades do estágio no Centro de Memória Unicamp envolvem atendimento aos pesquisadores; processamento técnico de documentos; digitalização de documentos; inserção em bases de dados; preservação, conservação e restauro de documentos. Clique aqui para se inscrever.

DEPI/Unicamp abre vaga de estágio em Geografia

A Diretoria Executiva de Planejamento Integrado — DEPI da Universidade Estadual de Campinas abriu processo seletivo para preenchimento de vaga de estágio em Geografia. As inscrições podem ser feitas na página da Diretoria Geral de Recursos Humanos da Unicamp até o dia 9 de abril.

O requisito é ser estudante de nível superior de Geografia, em IES reconhecida pelo MEC, e estar cursando pelo menos o 3º semestre do curso. A jornada é de 20 horas semanais e a remuneração é de R$ 601,43 (seiscentos e um reais e quarenta e três centavos) e auxílio transporte, no valor correspondente ao transporte urbano de Campinas, por dia de efetiva atividade.

As atividades do estágio envolvem auxiliar no levantamento e mapeamento dos espaços da Unicamp; elaboração de mapas temáticos dos aspectos físicos e humanos utilizando a plataforma ArcGIS; geocodificação e produção cartográfica; elaboração de web maps, dashboards, story maps etc.

Evo Morales abrirá a Semana de Geografia da Unesp—Presidente Prudente

Na quinta-feira, 18 de março, às 19 horas (horário de Brasília), Evo Morales, que presidiu a Bolívia entre 2006 e 2019, fará a conferência de abertura da XXI Semana de Geografia da FCT Unesp. O tema será Países do Cone Sul: perspectivas decoloniais.

O evento, que neste ano recebeu o tema de Outras Geografias e (A)Diversidades; Experiências e Potencialidades, tem ampla programação e vai até o dia 29 de março. Também corresponde ao XVI Encontro de Estudantes de Licenciatura em Geografia e ao VII Seminário Nacional de Integração da Graduação e Pós-Graduação em Geografia.

As inscrições são gratuitas.

A conferência será transmitida pelo YouTube, neste link.