ANPUR premia trabalhos de Geografia

Tese defendida pelo geógrafo Luciano Duarte, diretor-presidente da AGB-Campinas, recebeu o III Prêmio Rodrigo Simões de Tese de Doutorado; conheça todos os premiados

A Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional — ANPUR divulgou na última terça-feira (4 de maio) a premiação nas categorias de dissertação de mestrado, tese de doutorado, artigo e livro. Nesta edição, foram inscritas 47 dissertações inscritas, 37 artigos, 10 livros e 33 teses.

Com muita alegria, soubemos que o geógrafo Luciano Duarte, diretor-presidente da AGB-Campinas, foi o ganhador do III Prêmio Rodrigo Simões de Tese de Doutorado. A tese, orientada por Márcio Cataia, foi defendida no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Unicamp em novembro de 2019. O júri justificou a escolha “em função de temática abordada, do arcabouço teórico-metodológico e da excelente qualidade final do texto”.

A tese de Mariana Traldi, defendida no mesmo programa em julho de 2019 e orientada por Arlete Moysés Rodrigues, recebeu a menção honrosa. Mariana integrou a diretoria da AGB-Campinas entre 2010 e 2015.

V Prêmio Ana Clara Torres Ribeiro de Livros

Vencedora: Paola Berenstein Jacques. Fantasmas modernos – montagem de uma outra herança. Editora da UFBA.

Menção honrosa: Eduardo Alberto Cuscé Nobre. Do plano diretor às operações urbanas consorciadas: a ascensão do discurso neoliberal e dos grandes projetos urbanos no planejamento paulistano. Editora Annablume.

III Prêmio Rodrigo Simões de Tese de Doutorado

Vencedor: Luciano Pereira Duarte Silva. Circuito espacial produtivo do petróleo na Bacia de Santos e a economia política da Região Metropolitana da Baixada Santista.

Menção honrosa: Mariana Traldi. Acumulação por despossessão: a privatização dos ventos para a produção de energia eólica no semiárido brasileiro.

XII Prêmio Brasileiro Política e Planejamento Urbano e Regional de Dissertações de Mestrado

Vencedora: Thales Barroso Miranda. A ilusão da igualdade, natureza, justiça ambiental e racismo em Belém.

Menção honrosa: Fernanda Petrus do Prado Silva. Ocupação Solano Trindade. O espaço comum e o trabalho coletivo: das práticas concretas a uma agenda atualizada para a Reforma Urbana.

Menção honrosa: Kamila Diniz Oliveira. Entre a várzea e terra firme – estudo de espaços de assentamentos tradicionais urbanos rurais na região do Baixo Tocantins.

Menção honrosa: Daniele Nunes de Britto Marangoni. Por práticas emancipatórias no planejamento urbano: análise das dinâmicas sócio-espaciais e pesquisa-ação no Alto das Antenas.

Menção honrosa: Cristiane Borda Pinheiro. Políticas públicas de manejo de águas pluviais em Belo Horizonte: novos caminhos em meio a velhas práticas.

X Prêmio Milton Santos de Artigo

Vencedora: Maria Fernanda Derntl. Brasília e suas unidades rurais: planos e projetos para o território do Distrito Federal entre fins da década de 1950 e início da década de 1960. Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, vol.28, São Paulo, 2020, p. 1-32

Menção honrosa: Bruno Cesar Malheiro e Valter do Carmo Cruz. Geo-grafias dos grandes projetos de des-envolvimento: territorialização de exceção e governo bio/necropolítico do território. Revista GEOgraphia, v.21, n. 46, Niterói, mai./ago. 2019, p. 18-31.

Menção honrosa: Jeter Liano Silva, Eduardo Magalhães Ribeiro, Vico Mendes Pereira Lima e Leo Heller. As secas no Jequitinhonha: demandas, técnicas e custos do abastecimento no semiárido de Minas Gerais. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, v.22, 2020, p. 1-23.

Menção honrosa: Ricardo Mendes Antas Junior. Articulação dos aconteceres na construção dos fluxos globais: notas sobre o circuito espacial produtivo de medicamentos na França e no Brasil. Revista GEOgraphia, v.22, n. 48, Niterói, jan./jun. 2020, p. 91-105.

Lançamento do livro Usos do Território e Pandemia — 6/5, 19h

A Editora Consequência promoverá um debate com a geógrafa Mónica Arroyo, organizadora do recém-lançado livro Usos do território e pandemia: dinâmicas e formas contemporâneas do meio técnico-científico informacional, que também tem como coorganizadores os geógrafos Ricardo Mendes Antas Jr. e Fabio Betioli Contel, do Laboplan (USP). Será no dia 6 de maio (quinta-feira), às 19 horas. O livro está à venda por R$ 55, com o seguinte sumário:

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO
Mónica Arroyo, Ricardo Mendes Antas Junior, Fabio Contel

PARTE 1. CIRCULAÇÃO, CONECTIVIDADE E USOS DO TERRITÓRIO NA PANDEMIA

CAPÍTULO 1. Um retrato do início da pandemia nos territórios latino-americanos
Mónica Arroyo

CAPÍTULO 2. Mídia, território e pandemia: sentidos em disputa
André Pasti

CAPÍTULO 3. Os rastros geodigitais enquanto processo de totalização da espacialidade algorítmica: sobre as verticalidades da Internet e do ciberespaço no período pandêmico
Carolina Batista Israel

CAPÍTULO 4. Produção e consumo de aplicativos no cotidiano da pandemia: conectividade e usos do território
Melissa Steda

CAPÍTULO 5. O comércio eletrônico e a pandemia da Covid-19 no território brasileiro: tecnosfera e psicosfera na expansão do consumo
Igor Venceslau

PARTE II. TERRITÓRIO, CIÊNCIA E POLÍTICA NO COMBATE À PANDEMIA

CAPÍTULO 6. A pandemia de Covid-19 e o sistema internacional contemporâneo: o complexo industrial da saúde como componente da geopolítica
Ricardo Mendes Antas Jr.

CAPÍTULO 7. O combate à pandemia de Covid-19 no território brasileiro: das redes de informação técnico-cientificas às fake news negacionistas
Mait Bertollo

CAPÍTULO 8. Psicosfera e tecnosfera no contexto da pandemia: a preparação do sistema de saúde brasileiro e seu complexo industrial para o combate à Covid-19
Rafael da Silva Almeida

CAPÍTULO 9. Confinamento na pandemia de Covid-19: reflexões sobre as condições da população encarcerada, do estabelecimento penal e da organização territorial da justiça criminal no Brasil
Carin Carrer Gomes

PARTE III. FINANÇAS, TÉCNICAS DA INFORMAÇÃO E A CRISE PANDÊMICA

CAPÍTULO 10. Psicoesfera, topologia bancária e medidas anticíclicas: as mudanças provocadas pela pandemia segundo o Banco Central do Brasil
Fabio Betioli Contel

CAPÍTULO 11. Dinamismos da economia urbana em tempos de pandemia: tecnificação, capitalismo de plataforma e reprodução da pobreza
Marina Regitz Montenegro

CAPÍTULO 12. Pandemia e fluxos financeiros: especulação e concentração dos serviços no mercado de capitais brasileiro
Wagner Wendt Nabarro

CAPÍTULO 13. Austeridade como fábula e perversidade: previdência social e privada no território brasileiro sob a pandemia de Covid-19
Caio Zarino Jorge Alves

CAPÍTULO 14. Bancos Comunitários no Brasil: digitalização e ações locais no contexto da pandemia da Covid-19
Carolina Gabriel de Paula Pupo


Nota de pesar: Allhan Lumumba (1989—2021)

Com pesar, comunicamos o falecimento, nesta sexta-feira, 23 de abril, do produtor cultural Allhan Lumumba de Oliveira (Allhan William Franco Sulzarte de Oliveira), da Macaco Cidadão Produções e fundador do Projeto Cultural Arte de Periferia. Ele foi nosso convidado, no último dia 23 de setembro, na mesa-redonda Direito à cidade: pensando classe, raça e gênero em Campinas. A AGB-Campinas lamenta profundamente a partida de Allhan e transmite o pesar à sua família e aos seus amigos.

Diretoria Executiva Local

Campinas, 23 de abril de 2021

___________

Na noite de quarta-feira, feriado de 21 de abril, Allhan publicou um poema:

Adeus

Ventos sussurram verdades que temos medo de acreditar
E se for hora de partir?
Tudo dando errado e eu insistindo
Insistindo no erro bobo de continuar aqui

Vou-me embora
Mas isso não é um adeus
Eu odeio despedidas
Mas também não garanto que um dia voltarão a ver eu

São ciclos infinitos
De idas e vindas
Ódio, revolta e rancor
Nada de amor, só melancolia

Hoje a noite vai ser boa
Eu e o Presidente
Num gole desce queimando
No outro nem sente

A real mesmo
É que nunca me prometeram sinceridade
Prometeram amor
Mas não lealdade

Acho que enfim tenho razão
Já era de eu partir
Adeus
Vou me aventurar por aí.

Carta aberta contra o retorno presencial às aulas em Campinas

A AGB-Campinas é signatária da carta aberta do Coletivo de Educadoras e Educadores da Rede Municipal de Campinas contra o retorno presencial nas escolas da cidade.

Acesse o documento em PDF. Abaixo, o texto na íntegra:

O Coletivo de Educadoras e Educadores da Rede Municipal de Campinas vem, por meio desta carta aberta, posicionar-se contra o retorno presencial nas escolas de Campinas, estabelecido por meio do decreto do poder público municipal n. 21.438 de 9 abril de 2021, publicado no DOM de 10/4 e que definiu a segunda quinzena de abril e o início de maio como datas de retorno da educação básica.

Entendemos que nossa cidade encontra-se em um momento muito difícil de controle dos casos da Covid-19, momento que exige manutenção e ampliação das medidas de proteção às vidas, visto que, segundo dados epidemiológicos, Campinas tem o maior índice em taxa de incidência do vírus e de mortalidade em todo o estado de São Paulo. Nossa cidade supera a cidade de São Paulo, o estado e até o país a cada 100 mil habitantes em taxa de incidência e mortalidade provocada pelo coronavírus. Infelizmente, morre-se mais de Covid-19 aqui em Campinas (a taxa desta cidade está em 214,6 pessoas a cada 100 mil habitantes, no país a taxa é de 162,9 pessoas a cada 100 mil habitantes, no estado é de 175,8 e na cidade de São Paulo, 193,8, segundo dados do boletim epidemiológico semanal n. 11 do DEVISA de 09/04/2021). Este triste cenário sugere que é preciso fazer mais para proteger as vidas da população campineira. As taxas de ocupação das UTIs na cidade também refletem essa alarmante situação de colapso do sistema de saúde, estando com 98,15% dos leitos de UTI da rede pública municipal e SUS ocupados e 84,02% leitos particulares ocupados (dados apurados em 15 de abril).

Diante desta crise sanitária e hospitalar na cidade, vimos, por meio desta carta aberta, tornar público nosso REPÚDIO AO RETORNO PRESENCIAL NAS ESCOLAS no pior momento da pandemia, e aqui manifestamos nossas preocupações e as demandas necessárias para que possamos ter um retorno ao convívio escolar, de forma a assegurar a VIDA de TODOS e TODAS em nossas comunidades escolares e na cidade como um todo:

  • Este retorno anunciado pelo Governo Estadual Paulista e pela Prefeitura Municipal de Campinas foi estabelecido sem escuta e diálogo com as comunidades escolares, tampouco os e as profissionais da educação foram chamados para debater a complexa questão de um possível retorno presencial em segurança frente ao agravamento da pandemia e à necessidade de revisão dos protocolos de segurança em função das novas cepas da Covid19. A ausência desse diálogo para a construção de uma reabertura segura das escolas agrava a condição de insegurança dos e das profissionais da educação e da comunidade escolar, pois será sobre estes que recairá o maior ônus da reabertura neste momento em que a cidade enfrenta altos índices de contaminação e morte.
  • O processo lento e irresponsável da campanha de imunização em curso tem agravado os índices de contágio e mortes, possibilitando novas mutações do vírus. O início da vacinação dos profissionais da educação acima de 47 anos, na segunda quinzena de abril, representa um avanço ainda tímido, que em hipótese alguma justifica a reabertura das escolas nesse momento. Além de envolver apenas parcela dos profissionais, os vacinados estão em processo de imunização, uma vez que receberam apenas a primeira dose da vacina. De qualquer modo, apenas o avanço da vacinação da população como um todo garantirá condições efetivas de segurança.
  • A Rede Escola Pública Universidade (REPU), em Nota Técnica publicada em abril sobre os casos de Covid-19 nas escolas estaduais paulistas (considerando uma amostragem de 299 escolas, com dados de 7 de fevereiro a 6 de março de 2021), apontou que a contaminação dos professores chegou a quase três vezes a taxa de incidência da Covid-19 na população da mesma faixa etária. A incidência de casos nas escolas cresceu 138% entre professores; entre a população de 25 a 59 anos do estado de São Paulo o crescimento foi de 81%. Os resultados dos estudos da REPU põem em questão o entendimento de que os protocolos de segurança tornam a escola um lugar de baixo contágio.
  • Importante destacar que o posicionamento da Secretaria Municipal de Educação orientava o retorno presencial como somente possível estando a cidade em fase amarela de classificação do Plano São Paulo e que a mudança dessa orientação foi feita sem as devidas considerações sobre a mudança nos indicadores da cidade frente à Covid-19. Em verdade, esses indicadores apontam índices de agravamento da crise sanitária em Campinas, o que significa expor ao contágio toda a comunidade escolar com um retorno presencial na cidade.
  • A existência das novas variantes mais contagiosas e o aumento do nível de circulação de pessoas na cidade, com o anúncio de reabertura de comércios concomitante à reabertura de escolas, em meio às condições pandêmicas enfrentadas, aumentará a catástrofe sanitária em Campinas.
  • Tendo em vista o cenário de descontrole da pandemia apresentado, o discurso que defende a “escola como local seguro” revela sua inconsistência e fragilidade. A presença das novas variantes impõe a necessidade de revisão dos protocolos (por exemplo, as máscaras fornecidas não são mais consideradas adequadas). Os altos índices de transmissibilidade e letalidade atuais tornam ainda mais preocupantes o desafio de seguir os protocolos de distanciamento, higienização e uso de máscaras por parte de crianças, adolescentes e adultos nos espaços fechados do ambiente escolar.
  • O recente decreto aprovado no âmbito estadual (e em tramitação e discussão no legislativo das esferas municipal e federal) que define a educação como “atividade essencial” tem como objetivo obrigar as Redes de Ensino a retornarem às aulas presenciais em qualquer condição, ou seja, mesmo com os atuais índices alarmantes da pandemia. Além disso, a inclusão da educação como “atividade essencial” visa a cercear as possibilidades de manifestação dos trabalhadores da educação. A educação já consta em nossa Constituição como um direito fundamental, e tal estatuto requer do Estado, especialmente face aos enormes desafios colocados pela pandemia, incremento de financiamento e políticas públicas consistentes para atacar o agravamento da desigualdade educacional e social em curso
  • O Coletivo de Educadoras e Educadores da Rede Municipal de Campinas, diante das considerações apresentadas acima, reafirma que este não é momento para um retorno presencial nas escolas, pois, na impossibilidade de se garantir condições de segurança, nesse momento de pandemia descontrolada, o retorno presencial nas escolas significa colocar as vidas em risco. Por fim, ressaltamos que as comunidades escolares precisam ser consideradas no que se refere às condições adequadas para a qualificação das atividades e interações remotas, com garantia de equipamentos e acesso à internet para alunos e alunas por parte do poder público, pois faz-se necessário qualificar o trabalho possível em tempos de pandemia, ao mesmo tempo em que se preservam as vidas! Não há defesa do direito à educação sem a defesa incondicional do direito à vida!

Campinas, 19 de abril 2021
Coletivo de Educadoras e Educadores da Rede Municipal de Campinas

Apoio: Associação dos Docentes da Unicamp (ADUNICAMP); Associação dos Especialistas da Educação do Quadro do Magistério da Rede Municipal de Campinas (Assemec); Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB Seção Campinas); Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (ANFOPE – SP); Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE seção SP); Associação de Pós-Graduandos da FE/Unicamp; Associação de Professores Adjuntos 1 e 2 de Campinas (APAC); Associação dos Professores da PUC-Campinas (APROPUCC); Centro Acadêmico Marielle Franco – Gestão A Luta Educa FE, UNICAMP; Centro de Estudos Educação e Sociedade (CEDES); Campanha Nacional pelo Direito à Educação – Comitê SP; Coletivo de Educadores de Vinhedo – Em defesa da Educação Pública; Coletivo de Educação Integral de Campinas; Coletivo 15 de Outubro; Coletivo de Educadores de Vinhedo – Em defesa da Educação Pública; Fórum EJA RMC; Fórum Municipal de Educação de Campinas; Fórum Municipal de Educação Infantil de Campinas (FMEIC); Faculdade de Educação da UNICAMP; Fórum Paulista de Educação Infantil (FPEI); Grupo do Afeto da FE/UNICAMP; Grupo de Pesquisa Avaliação e Intervenção Psicossocial: Prevenção, Comunidade e Libertação (GEP-InPsi) da PUCCampinas; GT 7 – Educação Infantil ANPEP; Projeto ECOAR (Espaço de Convivência, Ação e Reflexão); Rede Escola Pública e Universidade (REPU); Rede Emancipa Campinas; Rede de Educadores e Pesquisadores Freinet (REPEF); SINPRO Campinas; União Campineira do Estudantes Secundaristas (UCES)

Metamorfoses em Quedas D’Água

Territórios indígena e quilombola no interior de SP são temas de obra disponibilizada gratuitamente

Está disponível gratuitamente a fanzine Metamorfoses em Quedas D’Água, de autoria de Maiara de Proença Bernardino — da licenciatura de Geografia da UFSCar Sorocaba — e de João Paulo Bernardino — do curso de Comunicação Social da FIAAM-FAAM de São Paulo.

Com a publicação, os autores pretendem aflorar a memória e resistência omitida da classe popular do município de Votorantim e região e seus movimentos de luta no espaço urbano, evidenciando a desigualdade social contida neste território. Reflete ainda sobre o território indígena e a resistência quilombola presente na história passada e recente.

O trabalho foi contemplado pelo edital de formação cultural da ação emergencial Aldir Blanc de Votorantim e será oportunamente distribuída gratuitamente no formato impresso às escolas e à biblioteca do município.

Neli Mello-Théry (1955—2021)

Comunicamos, com pesar, o falecimento da geógrafa Neli Aparecida de Mello Théry, aos 65 anos, em Paris.

Natural de Olímpia (São Paulo), formou-se em Geografia na Universidade Federal de Goiás em 1978. A trajetória familiar que a levou, ainda menina, do estado de São Paulo para Goiás foi descrita por seu marido, o geógrafo Hervé Théry, com quem manteve uma profícua colaboração, quando de falecimento de seu pai Messias Lopes de Mello, em 2015, no texto História de um pioneiro brasileiro, publicado na Confins, a Revista Franco-Brasileira de Geografia, e também em francês.

A jovem Neli fez carreira no serviço público, no extinto Instituto de Desenvolvimento Urbano e Regional do Estado de Goiás (1975-1985), no Conselho Nacional do Desenvolvimento Urbano, no então Ministério do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (1985-1987), e no IBAMA (1987-1991). Foi também consultora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (1991-1999) e fez Mestrado em Arquitetura e Urbanismo na Universidade de Brasília, defendido em 1997. Neste período, também ministrou disciplinas no curso de Geografia da UnB. No ano seguinte, foi para Paris, onde fez outro mestrado, na Université Paris Nanterre, sob orientação de Alain Dubresson. Em seguida, prosseguiu para o doutorado, sob orientação de Wanderley Messias da Costa e Alain Musset, defendido em 2002 em cotutela. A tese recebeu o nome de Políticas públicas territoriais na Amazônia brasileira: conflitos entre conservação ambiental e desenvolvimento. Desde 2005, era professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, no curso de Gestão Ambiental, e orientava pesquisas de pós-graduação nos programas de Geografia Humana e Ciência Ambiental.

A Associação dos Geógrafos Brasileiros — Seção Campinas se solidariza com a família, com amigos, alunos e orientandos da grande professora Neli.

Diretoria Executiva Local, 6 de abril de 2021.


Leia mais: Após luta contra o câncer, professora Neli Aparecida de Mello-Théry falece em Paris, França


Durante a pandemia de covid-19, a professora Neli estava afastada para tratamento médico. Estava refletindo sobre. Na edição de outubro de 2020 da Pesquisa Fapesp (Ciência sob pressão), foi entrevistada a respeito dos efeitos das disputadas políticas nas estratégias de controle do coronavírus. Como registro recente, deixamos a entrevista e também a live organizada pelos colegas do Laboratório de Geografia Política da USP.

Ana Maria Marangoni (1942—2021)

Com pesar, informamos o falecimento, em decorrência de complicações da covid-19, aos 78 anos, da geógrafa Ana Maria Marques Camargo Marangoni. Natural de Itararé, município na divisa de São Paulo com o Paraná, lá formou-se no curso normal e como técnica em contabilidade, em 1962. Na Universidade de São Paulo, gradou-se em Geografia em 1966 e doutorou-se em 1983, com a tese O governo planejador e as transformações do espaço brasileiro, orientada por Pasquale Petrone (1924-2011). Naquela universidade também fez sua carreira profissional, inicialmente como auxiliar de geógrafo (1964-1969), geógrafa (1969-1991), período em que coordenou o Laboratório de Geografia Humana, e professora doutora (1991-1997). Aposentou-se em 1997, mas manteve-se orientando pesquisas de pós-graduação.

A AGB-Campinas, assim como toda a comunidade geográfica brasileira, está consternada com o falecimento da professora Ana Maria Marangoni ocorrido neste momento de agravamento da pandemia de covid-19, e compartilha o pesar com sua família, seus amigos, seus ex-alunos e seus ex-orientandos.

Diretoria Executiva Local, 5 de abril de 2021

Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação discute Escola e Democracia de Saviani

O Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação continuam os debates quinzenais sobre textos de Educação e Pedagogia Histórico-Crítica. Após a finalização do estudo da obra História das Ideias Pedagógicas no Brasil, o próximo encontro, na próxima sexta-feira, 9 de abril, às 9 horas, discutirá o primeiro capítulo do livro Escola e Democracia, de Dermeval Saviani — As teorias da educação e o problema da marginalidade.

A reunião será aberta a todos os interessados, que devem entrar em contato com Gabriel pelo e-mail gbairro [at] gmail.com para mais informações e para obter o link de acesso.

Unicamp prorroga prazo para inscrições em processos seletivos de estágio de Geografia

A Universidade Estadual de Campinas prorrogou até o dia 9 de abril o prazo para inscrições em processos seletivos de estágio de Geografia na Diretoria Executiva de Planejamento Integrado — DEPI, no Museu Exploratório de Ciências e Centro de Memória. O requisito é ser estudante de nível superior de Geografia, em IES reconhecida pelo MEC, e estar cursando pelo menos o 3º semestre do curso. A jornada é de 20 horas semanais e a remuneração é de R$ 601,43 (seiscentos e um reais e quarenta e três centavos) e auxílio transporte, no valor correspondente ao transporte urbano de Campinas, por dia de efetiva atividade.

Flávio Villaça: uma breve bibliografia

O professor Flávio Villaça, recém-falecido, manteve um site pessoal por alguns anos no endereço flaviovillaca.arq.br, em que mantinha seu currículo e também disponibilizava gratuitamente artigos, livros e relatórios “mimeo” de sua autoria. Neste sentido, resgatamos alguns dos textos, que estão a seguir, publicados com a intenção de que continuem a serem lidos, debatidos e referenciados em trabalhos de geografia urbana e de planejamento. Nota: os textos das referências foram mantidos tais quais se encontravam na página do professor. Nem todos os textos puderam ser resgatados. As ausências estão indicadas pela informação “não disponível”, seguida do nome do arquivo original que estava disponível no antigo sítio.

ARTIGOS EM LIVROS, REVISTAS E NÃO PUBLICADOS

A produção e o uso da imagem do centro da cidade: o caso de São Paulo. 1993. Texto de estudo. Não publicado. [não disponível; arquivo sinop93.pdf]

A responsabilidade das elites e a decadência dos centros de São Paulo e Rio. 1993. Texto DE ESTUDO. Não publicado.

Plano diretor anos 90. Apresentado no Seminário Latino Americano de Planejamento Urbano, Campo Grande, MT, 1993.

Um plano diretor para o centro? Texto não publicado, 1995. [não disponível; arquivo pd_centro_art1.pdf]

Plano diretor: modernismo X pós modernismo Texto de estudo não publicado, 1995. [não disponível; arquivo pdli993.pdf]

A segregação e a estruturação do espaço intra-urbano: o caso de Recife. Trabalho apresentado no II Seminário da Rede de Dinâmica Imobiliária e Estruturação Intra-urbana, promovido pela ANPUR e NEUR/ UnB, Pirenópolis, Goiás, 16-19 de outubro de 1996.

Efeitos do espaço sobre o social na metrópole brasileira. Trabalho apresentado ao VII Encontro Nacional da ANPUR – Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional, Recife, 1997.

A delimitação territorial do processo urbano Texto de estudo não publicado, 1997.

Metodologia de pesquisa Texto escrito para palestra no Mestrado em Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. 1997.

Monet e o centro Revista URBS, ano 1, no. 1, agosto 1997, p. 38

Perspectivas do Planejamento urbano no Brasil hoje Texto apresentado no II Seminário Cidades Brasileiras – Desejos e Possibilidades, organizado pela Prefeitura Municipal de Campo Grande, MS 31-7 à 2-8 de 2000. [não disponível; arquivo campo_gde.pdf]

Forum social mundial: Porto Alegre 2001 Reflexões sobre o Fórum. Texto de trabalho não publicado.

A segregação urbana e a justiça (A justiça no injusto espaço urbano) Texto publicado na Revista Brasileira de Ciências Criminais, ano 11, no. 44, julho/setembro 2003, pgs 341/346.

Um crime contra o Rio de Janeiro Versão para estudos dos textos seguintes.

A OSB e a cidade do Rio de Janeiro Revista Concerto ano IX, no. 90, nov. 2003, pg. 20.

A OSB e o centro Parte 2: Um crime contra o Rio de Janeiro. Sob este título foi acrescentado outro texto chamado Reflexões sobre o centro-ParteII, ambos publicados no livro Urbanismo: Dossiê São Paulo – Rio de JaneiroSCHICCHI, Maria Cristina e BENFATTI, Denio, orgs. Campinas, PUCCAMP/PROURB 2004, pgs. 21/34.

Princípios para a redação de uma dissertação ou tese. Versão de 20/12/04

Sem os erros do presente Art. Publicado na Folha de São Paulo de 20/05/2005, pg. 3, Seção Tendências e debates. [não disponível; arquivo sem_erros.pdf]

Brecht e o Plano Diretor Texto não publicado; foi inicialmente um capítulo do livro As ilusões do plano diretor. [não disponível; arquivo brencht_pd.pdf]

Urban planning and the advance of democracy in Brazil. Paper presented at the Conference of the Association of Collegiate Schools of Planning – ACSP. Fort Lauderdale, Fla. november 6 – 9th, 1997 [não disponível; arquivo miami97.pdf]

Social effects of urban built up space: the case of Brazil 1998 Not publised [não disponível; arquivo socieff.pdf]

Segregation in the Brazilian metropolis Paper presented at the International Seminar on Segregation in the City, sponsored by the Lincoln Institute of Land Policy. Cambrige, Mass. 2000. [não disponível; arquivo segregation.pdf]

São Paulo Paper not published [não disponível; arquivo saopaulo_ver2.pdf]

LIVROS E RELATÓRIOS DE PESQUISA

O que todo cidadão precisa saber sobre habitação. Livro, São Paulo, Global Editora, 1986

As ilusões do plano diretor. Divulgado apenas pela Internet, 2005

Relatório de Pesquisa custeada pela FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, realizada juntamente com a Prof. Mestra Silvana Zioni da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ganhador de Menção Honrosa no Concurso de Monografias CBTU-2005. Publicado pela CBTU – ANPET – CREA, RJ – Ministério das Cidades. Rio de Janeiro, 2005.

LIVROS E ARTIGOS EM LIVROS
*Não incluídos acima por terem tido seus direitos autorais cedidos a terceiros.

Uma contribuição para a história do planejamento urbano no Brasil, in DEÁK, Csaba e SCHIFFER, Sueli R. orgs. O processo de urbanização no Brasil , São Paulo, Fupam, Edusp, 1999, pgs169/243.

Efeitos do espaço sobre o social na metrópole brasileira , in Metrópole e globalização: conhecendo a cidade de São Paulo, SOUZA, Maria Adélia A. de, LINS, Sonia C., SANTOS, Maria do Pilar C. e SANTOS, Murilo da C. orgs. São Paulo, CEDESP, 1999.

Espaço intra urbano no Brasil. São Paulo, Nobel, Fapesp, Lincoln Institute of Land Police, São Paulo 2001, 2a ed.

Elites, desigualdade e poder municipal , in CAMPOS, Cândido M., GAMA, Lucia Helena, SACCHETTA, Vladimir, São Paulo, metrópole em trânsito, São Paulo, Petrobrás, Caixa, Senac, Pmsp, 2004, pgs. 148/155.


Completamos a bibliografia disponível do professor Flávio Villaça com publicações mais antigas e mais recentes:

VILLAÇA, Flávio; ZIONI, Silvana. GT1 – 227 – 205 A Expansão do Metrô de São Paulo: acentuando desigualdades. Anais do XII Enanpur, 2007.

MORETTI, Ricardo de Sousa; CARVALHO, Celso dos Santos; VILLAÇA, Flávio José Magalhães; MARICATO, Ermínia Terezinha Menon. SL-04 O direito à legalidade e a função social da legislação urbanística / O desrespeito à legislação urbanística — busca de causas e explicações. Anais do XV Enanpur, 2013.

VILLAÇA, Flávio; ZIONI, Silvana; PILOTTO, Ângela; PACCA, Penha; NERY JR., José Marinho; HADDAD, Fernanda; ABRAHÃO, Sergio Luis; KARA-JOSÉ, Beatriz. “A lei?…ora a lei”: a efetividade da legislação urbanística. Anais do XVI Enanpur, 2015.

Flávio Villaça (1929-2021)

Faleceu em São Paulo nesta segunda-feira, 29 de março, aos 91 anos, o arquiteto e urbanista e doutor em Geografia Flávio Villaça.

Natural de Cruzeiro, no Vale do Paraíba, onde nasceu em 1929, formou-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo em 1953. Fez o mestrado em city planning no Georgia Institute of Technology, em Atlanta, nos Estados Unidos, ainda nos anos 1950, onde apresentou a dissertação The experience in planning and building of new towns, and its application to Brazil’s new capital city, em 1958. Defendeu a tese de doutorado A estrutura territorial da metrópole sul brasileira: áreas residenciais e comerciais, sob orientação do professor Antonio Olivio Ceron, em 1979, semente do livro Espaço intra-urbano no Brasil, lançado quase vinte anos depois, referência essencial para os cursos de Geografia Urbana e de Planejamento Territorial.

Era professor aposentado da USP, tendo atuado como consultor de planejamento urbano e assessor em diversos órgãos públicos municipais, estaduais e federais.

ArchDaily — Flávio Villaça morre aos 91 anos em São Paulo

CAU/BR — Urbanismo brasileiro de luto: morre o professor Flávio Villaça — com depoimentos de João Whitaker, Nadia Somekh, Raquel Rolnik, Edmilson Rodrigues, Ermínia Maricato, Nabil Bonduki, Sérgio Luís Abrahão e Silvana Maria Zion.

G1 — Morre em SP, aos 91 anos, o arquiteto e urbanista Flávio Villaça

Henri Acselrad fala sobre ameaça à liberdade acadêmica no Brasil

A Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional — Anpur divulgou nota assinada por Henri Acselrad, professor titular do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro — IPPUR/UFRJ. Eis o texto:

Desde o início da pandemia de Covid-19, a sociedade brasileira tem assistido a uma intensificação de atos de constrangimento e perseguição a pesquisadores de diferentes campos da ciência. Estas ações têm se originado tanto em instâncias do Estado Brasileiro como em grupos sintonizados ideologicamente com o atual governo. No exercício de suas atividades correntes de produção de conhecimento de interesse público, pesquisadores têm sido vítimas de difamação, ameaças, agressões, assédio processual, detenção por força policial por ocasião de trabalho de campo, assim como objeto de inquérito por parte do MPF. A intenção dos agentes de tais ameaças é a de atemorizar os cientistas e dificultar que seu trabalho possa ser levado ao conhecimento da opinião pública, alimentando com dados testados e comprovados o entendimento fundamentado dos problemas por que passa o conjunto da sociedade. As condições para uma efetiva garantia da liberdade acadêmica, prevista no artigo 206 da nossa Constituição Federal, estão cada vez mais ameaçadas. A organização Scholars at Risk (composta pelos Global Public Police Institute — GPPi, Centro de Análise da liberdade de do Autoritarismo — LAUT e Varieties of Democracy — V-Dem) aponta que o Brasil tem hoje o segundo índice mais baixo de garantia da liberdade acadêmica na América do Sul. Este índice é composto por indicadores de liberdade dos cientistas desenvolverem suas agendas de pesquisa, a possibilidade de divulgação e debate dos resultados, as condições de autonomia universitária, a ocorrência de vigilância política nos campi e a garantia de diversidade de manifestações culturais. A multiplicação de graves episódios de violação de direitos de professores e cientistas aponta para a necessidade de criação de uma instância interinstitucional de defesa da liberdade acadêmica no Brasil. Uma articulação de uma diversidade de associações científicas poderá contribuir para combater o obscurantismo, proteger e defender os pesquisadores e pesquisadoras ameaçados e assegurar o exercício da liberdade de pesquisa, ensino e divulgação do pensamento, da arte e do saber.

Pós em Geografia da Unicamp faz abertura do 1° semestre de 2021

O Programa de Pós-Graduação em Geografia da Unicamp realizará na próxima quarta-feira, 24 de março, o evento de abertura do 1° semestre de 2021 e de recepção dos ingressantes. O professor José Gilberto de Souza, o Giba, ex-presidente da Diretoria Executiva Nacional da AGB, ministrará a conferência “Crítica e pseudoconcreticidade na produção do conhecimento geográfico”.

Não há necessidade de inscrições prévias. O evento acontecerá na plataforma Google Meet.

Museu Exploratório de Ciências e Centro de Memória da Unicamp abrem vagas de estágio para Geografia

Além da Diretoria Executiva de Planejamento Integrado, o Museu Exploratório de Ciências e o Centro de Memória da Universidade Estadual de Campinas abriram processo seletivo para estágio com vaga para estudantes de Geografia. As inscrições podem ser feitas na página da Diretoria Geral de Recursos Humanos da Unicamp até o dia 9 de abril.

O requisito é ser estudante de nível superior de Geografia, em IES reconhecida pelo MEC, e estar cursando pelo menos o 3º semestre do curso para vaga no Museu e pelo menos o 2° semestre do curso para vaga no Centro de Memória. A jornada é de 20 horas semanais e a remuneração é de R$ 601,43 (seiscentos e um reais e quarenta e três centavos) e auxílio transporte, no valor correspondente ao transporte urbano de Campinas, por dia de efetiva atividade.

As atividades do estágio no Museu Exploratório de Ciências envolvem apoio à concepção de atividades educativas e oficinas de difusão de ciências exatas e da terra; apoio à mediação de atividades do Museu; interação com o público visitante do Museu; escrita de relatórios e documentação de atividades. Clique aqui para se inscrever.

Já as atividades do estágio no Centro de Memória Unicamp envolvem atendimento aos pesquisadores; processamento técnico de documentos; digitalização de documentos; inserção em bases de dados; preservação, conservação e restauro de documentos. Clique aqui para se inscrever.

DEPI/Unicamp abre vaga de estágio em Geografia

A Diretoria Executiva de Planejamento Integrado — DEPI da Universidade Estadual de Campinas abriu processo seletivo para preenchimento de vaga de estágio em Geografia. As inscrições podem ser feitas na página da Diretoria Geral de Recursos Humanos da Unicamp até o dia 9 de abril.

O requisito é ser estudante de nível superior de Geografia, em IES reconhecida pelo MEC, e estar cursando pelo menos o 3º semestre do curso. A jornada é de 20 horas semanais e a remuneração é de R$ 601,43 (seiscentos e um reais e quarenta e três centavos) e auxílio transporte, no valor correspondente ao transporte urbano de Campinas, por dia de efetiva atividade.

As atividades do estágio envolvem auxiliar no levantamento e mapeamento dos espaços da Unicamp; elaboração de mapas temáticos dos aspectos físicos e humanos utilizando a plataforma ArcGIS; geocodificação e produção cartográfica; elaboração de web maps, dashboards, story maps etc.

Evo Morales abrirá a Semana de Geografia da Unesp—Presidente Prudente

Na quinta-feira, 18 de março, às 19 horas (horário de Brasília), Evo Morales, que presidiu a Bolívia entre 2006 e 2019, fará a conferência de abertura da XXI Semana de Geografia da FCT Unesp. O tema será Países do Cone Sul: perspectivas decoloniais.

O evento, que neste ano recebeu o tema de Outras Geografias e (A)Diversidades; Experiências e Potencialidades, tem ampla programação e vai até o dia 29 de março. Também corresponde ao XVI Encontro de Estudantes de Licenciatura em Geografia e ao VII Seminário Nacional de Integração da Graduação e Pós-Graduação em Geografia.

As inscrições são gratuitas.

A conferência será transmitida pelo YouTube, neste link.

Convocatória: Assembleia ordinária, 10/3/2021, às 15h

Prezados(as) associados(as),

a Diretoria Executiva da Seção Local de Campinas da Associação dos Geógrafos Brasileiros convoca assembleia geral local ordinária a ser realizada no dia 10 de março de 2021 (quarta-feira), às 15 horas em primeira chamada, por meio virtual (Google Meet), para discussão da seguinte pauta:

Informes

Ordem do dia

  1. Tesouraria: Prestação de contas e Campanha de Associação 2021
  2. Atividades do 1º semestre de 2021
  3. Debate da pauta e indicação de delegado(s) para o Fórum de Políticas Financeiras (27 e 28/3/2021)
  4. Outros assuntos

Diretoria Executiva Local

Instruções para participação: Confirme presença neste formulário. O link para a reunião será enviado em seu e-mail.


Documentos

RGC Extraordinária (24 e 25/10/2020) Ata
RGC Extraordinária (23 e 24/1/2021) Sumário Executivo | Ata
RGC Fórum de Políticas Financeiras Convocatória
Assembleia Ordinária (15/10/2020) Ata
Correspondências recebidas
Relatório dos Diálogos Geográficos da Unicamp

Nota de pesar: Maria Teresa Miguel Couto de Camargo (1989-2021)

Recebemos, com pesar, a notícia da morte da jovem professora de Geografia Maria Teresa Miguel Couto de Camargo, ocorrida em São José dos Campos há uma semana, no último dia 20 de fevereiro, em decorrência da covid-19.

A breve carreira foi nas escolas públicas às margens do rio Paraíba do Sul. Formada em Estudos Sociais pelas Faculdades Integradas de Cruzeiro, com Habilitação em Geografia, Maria Teresa lecionava na rede estadual há mais de uma década e se preparava para mais um ano letivo — mas, desta vez, com todas as preocupações e as incertezas relacionadas à pandemia.

Ela havia completado 32 anos no último dia 6. No dia 9, afastou-se das atividades docentes. Foram dez dias de internação na UTI. Faleceu apenas dois dias depois da mãe, Selma, que também teve complicações graves da doença. As duas teriam se infectado em Cachoeira Paulista, município de residência da família.

Maria Teresa residia em Caçapava. Sua morte acontece no momento de agravo do número de casos e óbitos decorrentes da covid-19, de graves problemas operacionais na campanha de vacinação e das discussões quanto à reabertura das escolas para as aulas presenciais, que está sendo incentivada pelo secretário estadual de Educação Rossieli Soares. Ele se manifestou sobre a morte da professora, aproveitando para a atacar a Apeoesp, o sindicato dos professores. A Rede Emancipa fez um ato simbólico em frente à Escola Estadual Ministro José de Moura Resende — do Programa de Ensino Integral —, onde a professora trabalhava.

Neste momento de luto, a Diretoria da Associação dos Geógrafos Brasileiros — Seção Campinas se solidariza com a família, com os alunos e com os amigos que a professora Maria Teresa deixou.

Campinas, 26 de fevereiro de 2021.

Financiamento coletivo: Geografia do SUS – Uma homenagem ao geógrafo e médico Josué de Castro

O Observatório do Estado Social, coordenado pelo professor Tadeu Alencar Arrais, da Geografia da Universidade Federal de Goiás, lançou campanha de financiamento coletivo para a série de vídeos Geografia do SUS — Uma homenagem ao geógrafo e médico Josué de Castro. Serão seis animações, com duração entre 4 e 7 minutos, a serem publicadas no canal Porque o Estado Importa!. Os vídeos trarão informações secundárias e produção de mapas e ilustrações com apelo didático sobre o Sistema Único de Saúde, com os temas “o sistema público”; “as campanhas de vacinação”; “os níveis de atenção”; “os hospitais universitários”; “os servidores” e “o financiamento”.

Links:

Campanha de financiamento coletivo (vakinha.me)

Carta do professor Tadeu Alencar Arrais

Patrimônio Cultural e Geografia: contribuições acadêmicas e políticas

O último webinar dos Diálogos Geográficos da Unicamp acontece na próxima quinta-feira, 17 de dezembro, com início às 19 horas (horário de Brasília). O tema será Patrimônio Cultural e Geografia: contribuições acadêmicas e políticas.

Os convidados são a Profª Drª Maria Tereza Duarte Paes, do Departamento de Geografia da Unicamp, e o Prof. Dr. Rafael Winter Ribeiro, da UFRJ. A mediação será feita pelas Profas. Dras. Gabrielle Cifelli, da Fatec, e Ana Maria Vieira Fernandes, da PUC-Campinas.

Para garantir o certificado de participação, inscreva-se previamente. Participe no canal da AGB-Campinas no YouTube!

Novas Diretrizes Curriculares de Geografia: diálogos necessários

Nesta terça-feira, 15 de dezembro, a partir das 17h, o Centro Acadêmico dos Estudantes da Geografia da Unesp de Rio Claro — CAEGE promoverá um diálogo sobre o documento Orientação para as Diretrizes Curriculares de Geografia — Proposta Preliminar 1, datado de 1º de setembro de 2020 (mas divulgado em 13 de outubro), em que são apresentadas novas propostas e direcionamentos para os cursos de graduação em geografia, tais como a inclusão de um curso de tecnólogo em geografia. Neste sentido, todos os interessados estão convidados a dialogar sobre este tema. Participam os professores Henrique Santos Domingos, Murilo Camargo, Maria Bernadete Sarti da Silva Carvalho e José Gilberto de Souza.

Acesse o link.

Posicionamento da Associação dos Geógrafos Brasileiros — A AGB criou uma comissão para debater o documento e promoveu uma reunião para leitura crítica, realizada no dia 5 de dezembro, que está disponível no YouTube. Após a discussão, a Associação divulgou a Carta aberta da comunidade geográfica brasileira sobre a reformulação das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) de Geografia, que propõe a suspensão imediata do Edital de chamamento de 13 de outubro de 2020 e, por consequência, o cancelamento do cronograma vigente, entre outras medidas.

Caso estejam de acordo, os interessados podem subscrever a carta aberta, por meio deste formulário, até o dia 17 de dezembro de 2020, para encaminhamento ao Conselho Nacional de Educação.

Outras manifestações — Douglas Santos divulgou no dia 26 de outubro o vídeo “Novas Diretrizes Curriculares: mais um movimento na construção da mesma farsa”. Ele participou, no dia 12 de novembro, com Marcos Couto e Rodrigo Coutinho Andrade, de debate organizado pela AGB Niterói intitulado “DCNs de Geografia: Ameaça à Formação Científica e Autonomia Docente”. Da UFF saiu uma nota de repúdio. A Federação Nacional das Associações Profissionais de Geógrafos — Fenageo promoveu o debate A DCN da Geografia no dia 4 de dezembro.

História das Políticas Regionais no Brasil — 10/12 às 18h30

O Instituto de Economia da Unicamp, através do Grupo de Estudos das Transformações Econômicas e Territoriais do Centro de Estudos do Desenvolvimento Econômico (GETETE/CEDE), convida para o lançamento do livro História das Políticas Regionais no Brasil, publicado em outubro pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

O livro busca analisar o planejamento regional em âmbito federal, destacando o que o Estado planeja, os caminhos que tem trilhado e a execução de suas ações, em um processo em que o que se concretiza não necessariamente corresponde ao que foi planejado. A análise a partir do Estado possibilita um melhor enquadramento metodológico das ações desde a formação do Estado-nação até a segunda década do século XXI, deslocando-se o foco do período pós-Sudene, que já foi exaustivamente debatido na literatura, para um período de quase duzentos anos de ações estatais com olhar regional, jogando-se luz sobre as mudanças de pensamento que permearam o Estado brasileiro, os instrumentos e a forma como ele incorporou e se estruturou para tratar o tema das desigualdades regionais.

A atividade, que será transmitida no YouTube, terá a presença dos autores Rodrigo Portugal (IPEA) e Simone Affonso da Silva (IPEA). O debatedor será o Prof. Dr. Fernando Cezar de Macedo Mota (IE/Unicamp) e o coordenador será o Prof. Dr. Vicente Eudes Lemos Alves (IG/Unicamp).

Geopolítica, defesa e segurança: a escala do mundo, o Brasil e América Latina

O sexto webinar dos Diálogos Geográficos da Unicamp acontece na próxima quinta-feira, 10 de dezembro, com início às 19 horas (horário de Brasília). O tema será Geopolítica, defesa e segurança: a escala do mundo, o Brasil e América Latina.

Os convidados são o Prof. Dr. Vinicius Modolo Teixeira, da Unemat — campus Sinop, e o Prof. M.e Gustavo Glodes Blum, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Unicamp. A mediação é da Profª Drª Claudete de Castro Silva Vitte, do Departamento de Geografia da Unicamp.

Para garantir o certificado de participação, inscreva-se previamente. Participe no canal da AGB-Campinas no YouTube!

A (des)ordem espacial do mundo e a epistemologia da ciência geográfica: percursos e travessias

O quinto webinar dos Diálogos Geográficos da Unicamp acontece na próxima quinta-feira, 26 de novembro, com início às 19 horas (horário de Brasília). O tema será A (des)ordem espacial do mundo e a epistemologia da ciência geográfica: percursos e travessias.

Os convidados são o Prof. Dr. Antonio Carlos Vitte, do Departamento de Geografia da Unicamp, e a Profª Drª Larissa Alves de Lira, da UFMG. A mediação é do Prof. Dr. Alexandre Domingues Ribas, da Unioeste — campus Francisco Beltrão.

Para garantir o certificado de participação, inscreva-se previamente. Participe no canal da AGB-Campinas no YouTube!

Espaço geográfico e brutalidade: racionalidades da digitalização da informação

ATUALIZAÇÃO: 19/11, 11:00 — O webinar será remarcado para nova data, a confirmar.

Chegamos ao quinto webinar dos Diálogos Geográficos da Unicamp, que acontece na próxima quinta-feira, 19 de novembro, com início às 19 horas (horário de Brasília). O tema será Espaço geográfico e brutalidade: racionalidades da digitalização da informação.

Os convidados são o Prof. Dr. Márcio Cataia, do Departamento de Geografia da Unicamp, e o Prof. Dr. Fábio Tozi, da UFMG. A mediação é do Prof. Dr. Carlos Eduardo Nobre, da UEMA.

Para garantir o certificado de participação, inscreva-se previamente. Participe no canal da AGB-Campinas no YouTube!

Geo News: Geografia da Unicamp promove aulões para estudantes do Ensino Médio

A Geografia da Unicamp, por meio de sua disciplina de Estágio Supervisionado, está promovendo um ciclo de quatro aulões de Geografia e Atualidades para estudantes do Ensino Médio, visando o Enem e os vestibulares. As aulas serão transmitidas no canal do APEGEO no YouTube. Para emissão do certificado, deve-se inscrever no evento.

As aulas terão os seguintes temas: Geografia e Fake News (12 de novembro), Mudanças Climáticas e seus Impactos Socioambientais (19 de novembro), Violência Urbana e Fragmentação Espacial (26 de novembro), Pandemia de Covid-19 e Globalização (3 de dezembro). Além disso, está previsto um simulado no dia 10 de dezembro.

Eventos de Geografia online em 2021: CBOE e Enanpege

Nos últimos dias, tivemos a notícia de que dois eventos serão realizados em 2021 de maneira remota.

O III Congresso Brasileiro de Organização do Espaço e XV Seminário de Pós Graduação em Geografia da UNESP – Campus de Rio Claro acontecerá em três dias alternados: 31 de maio, 2 de junho e 4 de junho de 2021 com o tema Impactos e Mutações no Território Brasileiro: da crise política à devastação ambiental no contexto da pandemia do COVID-19.

De acordo com a primeira circular, o envio de trabalhos completos é de 10 de novembro a 31 de dezembro de 2020. Serão 14 grupos de trabalho simultâneos, em três eixos.


A ANPEGE confirmou a realização do XIV Encontro Nacional de Pós-Graduação em Geografia (Enanpege) de 10 a 15 de outubro de 2021. Mais informações serão divulgadas em breve no site da associação.

Sedimentação e pedogênese em sistemas aluviais quaternários

O quarto webinar dos Diálogos Geográficos da Unicamp acontece na próxima quinta-feira, 5 de novembro, com início às 19 horas (horário de Brasília). O tema será Sedimentação e pedogênese em sistemas aluviais quaternários.

Os convidados são o Prof. Dr. Francisco Ladeira, do Departamento de Geografia da Unicamp e coordenador do grupo de pesquisa Solos, Paleossolos e Dinâmica da Paisagem, e o Prof. Dr. Mário Luís Assine, da Unesp — campus Rio Claro. A mediação é do Prof. Dr. André Luiz de Souza Celarino, do IFPR — campus Quedas do Iguaçu.

Para garantir o certificado de participação, inscreva-se previamente. Participe no canal da AGB-Campinas no YouTube!

Segundo encontro do Grupo de Estudos em Educação de Rio Claro — 10/11 às 13h30

O segundo encontro do Grupo de Estudos em Educação do Laboratório de Análise Espacial de Políticas Públicas (LAPP/UNESP/Rio Claro) e do Núcleo de Ensino de Geografia e Didática (NEGED/UNESP/Rio Claro) acontecerá no dia 10/11, terça-feira, entre 13h30 e 16h.

O grupo de estudos é uma iniciativa de associados da AGB-Campinas para estudos em Educação e Pedagogia Histórico-Crítica, tendo inicialmente participação de professoras(es) da rede pública municipal de Rio Claro. Esta reunião dará sequência aos debates iniciados no dia 27 de outubro, sobre os primeiros capítulos do livro História das Ideias Pedagógicas no Brasil, de Dermeval Saviani.

A leitura para discussão contempla o Capítulo 4 — A ‘Máquina Mercante’ e as metamorfoses na educação — a ser apresentado por Letícia Leal, mestranda no PPGeo – UNIFAL/MG, e o Capítulo 5 — As ideias pedagógicas do despotismo esclarecido (1759-1827) — por José Vitor Rossi Souza, licenciado em Geografia pela UNESP/Rio Claro.

A reunião será aberta a todos os interessados, que devem entrar em contato com Gabriel pelo e-mail gbairro [at] gmail.com para mais informações e para obter o link de acesso.

O raciocínio geográfico como método para o ensino de Geografia na Educação Básica

O terceiro webinar dos Diálogos Geográficos da Unicamp acontece na próxima quinta-feira, 29 de outubro, com início às 19 horas (horário de Brasília). O tema será O raciocínio geográfico como método para o ensino de Geografia na Educação Básica.

Os convidados são o Prof. Dr. Rafael Straforini, do Departamento de Geografia da Unicamp e coordenador do grupo de pesquisa Ateliê de Pesquisas e Práticas em Ensino de Geografia — APEGEO, e a Profª Drª Sônia Maria Vanzella Castellar, da Faculdade de Educação da USP. A mediação é do Prof. Dr. Marcone Denys dos Reis Nunes, da Uneb — campus Jacobina.

Para garantir o certificado de participação, inscreva-se previamente. Participe no canal da AGB-Campinas no YouTube!

Itamar Vieira Junior: o geógrafo vencedor do prêmio Jabuti

Gustavo Teramatsu / AGB-Campinas

Itamar Vieira Junior, autor de Torto Arado

Atualizado em 26/11/2020, quando do anúncio do Prêmio

No ano passado fizemos um levantamento da participação de geógrafos no Prêmio Jabuti, lembrando que nossa Associação foi uma das primeiras premiadas pela publicação de A Cidade de São Paulo – Estudos de Geografia Urbana, em 1959, na cerimônia que coroou Gabriela, Cravo e Canela de Jorge Amado. O maior prêmio da literatura brasileira premiou ainda, ao longo dos anos, Milton Santos e Aziz Ab’Sáber.

Faltou, contudo, um nome importante na lista — que neste ano, na 62ª edição do Prêmio, esteve novamente entre os finalistas, desta vez, na categoria Romance Literário: Itamar Rangel Vieira Junior, autor de Torto Arado, que concorreu com veteranos como Chico Buarque, Edney Silvestre e Luiz Ruffato — e venceu!

Em 2018, Itamar havia vencido o Prêmio LeYa por Torto Arado e também havia sido finalista do Jabuti, na categoria Contos, com A Oração do Carrasco, seu segundo livro.

Nascido em Salvador em 1979, Itamar formou-se geógrafo e mestre em Geografia na Universidade Federal da Bahia — com a monografia A expansão de Salvador: a produção do espaço urbano em uma via metropolitana, de 2005, e a dissertação A valorização imobiliária empreendida pelo Estado e mercado formal de imóveis em Salvador: analisando a Avenida Paralela, defendida em 2007, ambos os trabalhos orientados pela professora Maria Auxiliadora da Silva. O doutorado em Estudos Étnicos e Africanos — “Trabalhar é tá na luta“: vida, moradia e movimento entre o povo Iuna, Chapada Diamantina — concluído em 2017, foi feito na mesma instituição com orientação da Profª Drª Maria Rosário Gonçalves de Carvalho.

Sua carreira profissional, como analista em reforma e desenvolvimento agrário no Serviço de Regularização de Territórios Quilombolas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária — Incra, nos estados do Maranhão e da Bahia, foi construída paralelamente ao trabalho acadêmico e também ao trabalho como escritor.


Resenha de Torto Arado

pelo professor Marcelo de Andrade Lima da EE Dom João Nery de Campinas

Há um tempo, li um artigo de Gilberto Maringoni na revista Desafios do Desenvolvimento, do IPEA, que falava sobre o destino dos negros após a abolição. Sempre retorno a esse texto para preparar minhas aulas de Geografia — e, agora, de Sociologia.

Recentemente, graças a esses canais em redes sociais voltados à literatura, chegou em minhas mãos Torto Arado de Itamar Vieira Junior, que trata de um desses destinos possíveis do povo negro após a abolição, no sertão da Bahia.

Em primeiro plano, temos Bibiana e Belonísia, irmãs marcadas pelo resto de suas vidas por um acidente. São elas que nos apresentam a história.

O cenário é a Fazenda de Água Negra, onde os descendentes de escravos viviam “como gado, trabalhando sem ter nada em troca”, nem descanso, em uma condição de servidão, só com o “direito de morar”, se assim “os senhores quisessem”.

As tradições religiosas afro-brasileiras e a ancestralidade demonstram e oferecem uma capacidade de sobrevivência para um povo cujo “sofrimento era o sangue oculto a correr nas veias de Água Negra”. A força da mulher negra é o alicerce para a comunidade da fazenda.

As terras que “só tem valor se tem trabalho”, mas as mãos de seus “donos” não dariam conta de trabalhá-las todas, passam, a partir de uma tomada de consciência, a ser objeto pelo direito de posse por um povo que lhe deu sentido.

Em vários momentos li em voz alta, para me fazer escutar as lindas passagens desse livro com suas referências geográficas do lugar, bem como para descrever os personagens, como o pai das irmãs, Zeca Chapéu Grande, curador de Jarê, que tinha “sulcos profundos, vales na sua pele erodida pelo sol e pelo vento”… O escritor é geógrafo.

Que livro. Eu, como professor, vou trabalhar para que essa obra esteja nas salas de aulas. É preciso dar voz para aqueles que foram renegados da historiografia oficial, sempre…


Leia mais — bibliografia disponível gratuitamente

VIEIRA JUNIOR, Itamar Rangel. Discurso “verde“: produzindo espaço, vendendo paisagem. In: Seminário do Laboratório de Estudos Ambientais e Gestão do Território, 2005, Salvador. Cadernos do Leaget, 2005. [PDF]

VIEIRA JUNIOR, Itamar Rangel. A valorização imobiliária empreendida pelo Estado e o mercado informal de imóveis em Salvador: analisando a Avenida Paralela. Dissertação de mestrado — Programa de Pós-Graduação em Geografia, Instituto de Geociências, Universidade Federal da Bahia, 2007. [PDF]

VIEIRA JUNIOR, Itamar Rangel. Territorialidade e etnicidade: debates para a regularização fundiária de quilombos pelo Estado Brasileiro. In: Anales del XIV Encontro de Geógrafos de América Latina 2013 Perú. Lima: Unión Geográfica Internacional – Comité Nacional Perú, 2013. [PDF]

VIEIRA JUNIOR, Itamar Rangel; SANTOS, Flavio Luis Assiz. Expressões de territorialidade entre trabalhadores e quilombolas na Chapada Diamantina, Bahia. In: Anais da 29ª Reunião Brasileira de Antropologia, Natal, 2014. [PDF]

VIEIRA JUNIOR, Itamar Rangel. Quando a memória é patrimônio: expressões de territorialidade de comunidades quilombolas. Geografia em Questão (Online), v. 08, p. 01-163, 2015. [PDF]

VIEIRA JUNIOR, Itamar Rangel. “Trabalhar é tá na luta”: vida, morada e movimento entre o povo da Iuna, Chapada Diamantina. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Estudos Étnicos e Africanos, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal da Bahia, 2017. [PDF]

Participe do primeiro encontro do Grupo de Estudos em Educação em Rio Claro

Professores e estudantes de Geografia de Rio Claro estão organizando um grupo de estudos em Educação e Pedagogia Histórico-Crítica. A primeira reunião acontecerá na próxima terça-feira, 27/10, das 13h30 às 15h30. Serão debatidos os três primeiros capítulos do livro História das Ideias Pedagógicas no Brasil, de Dermeval Saviani (professor da Faculdade de Educação da Unicamp).

O primeiro encontro se debruçará sobre o primeiro período delimitado por Saviani, correspondente às ideias pedagógicas no Brasil entre 1549 e 1759, com o denominado “monopólio da vertente religiosa da pedagogia tradicional”.

Os capítulos 1 e 2 (“Colonização e Educação” e “Uma Pedagogia Brasílica (1549-1599)”) serão discutidos pela professora Bruna Gomes Rossin (SME-Rio Claro). O terceiro capítulo (“A Institucionalização da Pedagogia Jesuítica ou o Ratio Studiorum (1599-1759)”) será apresentado por Gabriel Bairro (mestrando em Geografia na Unesp-Rio Claro e integrante do Laboratório de Análise Espacial em Políticas Públicas — LAPP).

A reunião será aberta a todos os interessados, que devem entrar em contato com Gabriel pelo e-mail gbairro [at] gmail.com para mais informações e para obter o link de acesso.

Cotuca abre vaga temporária para professor de Geografia

Estão abertas de 21 a 3 de novembro de 2020 (prazo prorrogado) as inscrições para vaga de docente para jornada de 30 horas semanais junto ao Departamento de Humanidades do Colégio Técnico de Campinas — Cotuca, nos termos do Edital CTC 004/2020.

Os candidatos deverão ser portadores de diploma em Licenciatura em Geografia. A vaga será para as disciplinas de Geografia e de Filosofia e Sociologia nos cursos técnicos de Enfermagem (vespertino), Eletroeletrônica e Mecatrônica (noturnos).

A contratação será em caráter emergencial, pelo prazo de um ano prorrogável uma única vez, por igual período. A remuneração será de R$ 3.603,02.

Os resultados do processo poderão ser utilizados para preenchimento de eventual vaga na área de Geografia que surgir durante seu prazo de validade (podendo ser em jornada de 10h, 20h, 30h ou 40h).

Erundina e os geógrafos

A atuação da AGB pela criação do cargo de geógrafo e geógrafa na Prefeitura de São Paulo culminou com um projeto de lei assinado pela prefeita Luiza Erundina em 1992

Gustavo Teramatsu / AGB-Campinas

A prefeita Luiza Erundina no dia de sua posse, em 1º de janeiro de 1989 (Claudio Freitas/Folhapress)

A terça-feira 25 de agosto de 1992 foi um dia histórico. Enormes protestos pelo impeachment do presidente Fernando Collor aconteceram em todo o país, os maiores na cidade de São Paulo. Após a concentração em frente ao MASP, pela manhã, a passeata dos estudantes caras-pintadas percorreu a cidade. Ao cair da noite, um grande comício no Vale do Anhangabaú do “Movimento pela Ética na Política” atraiu milhares de pessoas. Falaram à multidão – a maior vista desde as Diretas Já – diversos políticos, entre eles Lula e Luiza Erundina, que declarou que “a indignação individual se transformou em reação coletiva”.

Mais cedo naquele dia, antes de subir no palanque, a prefeita havia finalmente enviado à Câmara Municipal de São Paulo o Projeto de Lei 288/92, que criava trinta cargos de geógrafo e instituía a carreira na Prefeitura. Na exposição de motivos, explicava:

“A matéria originou-se com a representação da Associação dos Geógrafos do Brasil (sic), entidade de classe que congrega esses profissionais, na qual foi solicitada a criação dos cargos e da carreira correspondente. Reconhecida a atuação dos geógrafos nos diversos campos – em especial nas questões relativas à utilização do solo, ao meio ambiente, à poluição e à habitação –, foram realizados estudos no âmbito da Prefeitura, que concluíram pela necessidade de serem criados os cargos, inclusive em razão de existirem servidores admitidos na função de geógrafo”.

Comício no Anhangabaú pelo impeachment de Collor em 1992 (Antonio Milena/Veja)

O projeto de lei, disponível no SPLEGIS [aqui, em PDF], é acompanhado por um ofício da AGB assinado pela presidente Arlete Moysés Rodrigues, da Unicamp, datado de 2 de maio de 1989 — a AGB-Campinas seria fundada no mês seguinte. No documento, a professora Arlete argumentava:

“O geógrafo tem, sem dúvida, contribuições a dar na administração municipal, sejam nas questões relativas ao plano diretor que em breve será objeto de estudo e trabalho nas municipalidades, sejam nas questões de utilização do solo e meio ambiente, do abastecimento alimentar, poluição visual, acústica e do ar, habitação, densidade e fluxo de transporte e da distribuição e classificação das sub-regiões que compõe a aglomeração paulistana, além das questões metropolitanas (…). Dadas as características da formação e atribuições dos geógrafos, consideramos que os mesmos poderão contribuir com competência para a obtenção do pleno exercício da cidadania”.

Arlete havia sido eleita presidenta da AGB no ano anterior, no 7º Encontro de Geógrafos em Maceió, que ficou marcado justamente pela interpelação que a AGB fez ao então governador Fernando Collor na porta do Palácio Floriano Peixoto, sede do governo alagoano, sobre as enchentes do Mundaú, na região de União dos Palmares.


Três anos depois do início dos debates pela criação dos cargos de geógrafos junto à AGB, a proposta encaminhada pelo governo do Partido dos Trabalhadores, devidamente aprovada pela Secretaria Municipal de Planejamento — cujo chefe de gabinete era Guido Mantega —, estava perto de se tornar lei.

Na Câmara Municipal, o projeto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça em 25 de setembro, pela Comissão de Administração Pública em 9 de novembro e, por fim, pela Comissão de Finanças e Orçamento em 26 de novembro. Enquanto isso, ocorriam as eleições municipais. Em 3 de outubro, Paulo Maluf e o senador Eduardo Suplicy (primo em segundo grau do geógrafo Aroldo de Azevedo [1910-1974]), foram ao segundo turno. Em 15 de novembro, Maluf derrotou Suplicy, obtendo 58,08% dos votos válidos, o que marcava uma ruptura iminente na continuidade dos projetos do governo petista.

Era necessário agir. Apensados ao processo do projeto de lei estão diversos documentos pela aprovação do projeto. São apelos dirigidos ao vereador Paulo Kobayashi (1945-2005), então presidente da Câmara, que era formado em Geografia pela PUC São Paulo e se tornou conhecido como professor de Geografia no Objetivo da Paulista.

O professor de Geografia Paulo Kobayashi, então presidente da Câmara Municipal de São Paulo (autoria desconhecida)

A Seção São Paulo da AGB, em 29 de outubro, por meio de seu secretário Dalterli Rubens Castrisana (lamentavelmente falecido no ano seguinte, aos 27 anos), encaminhou à Câmara um documento de seis páginas intitulado O papel do geógrafo na administração do município, que mencionava que a AGB tinha, então, 5 mil associados em todo o Brasil, 1500 dos quais em São Paulo.

Finda a 43ª Reunião de Gestão Coletiva da AGB, realizada em Curitiba, no feriado de Finados daquele ano, o professor Zeno Soares Crocetti, que presidia a Diretoria Executiva Nacional da AGB, assinou ofício defendendo a aprovação do projeto: “Diversos municípios brasileiros já contam com geógrafos em seus quadros e nos causa estranheza o fato de que em São Paulo — a maior cidade do Brasil — não se dispõe destes profissionais na administração”.

Há também telegramas, incluindo dois enviados pela Seção Local Presidente Prudente, todos com textos semelhantes, evidenciando uma campanha: “Solicitamos vossa especial atenção na análise do projeto de criação de cargo e carreira de geógrafo”.

A Geografia da UFRGS também enviou apoio por meio de ofício assinado pela professora Neiva Otero Schäffer, chefe do Departamento.

Na USP, os professores do Departamento de Geografia organizaram um abaixo-assinado pela aprovação do projeto. “Entendemos que os trabalhos de planejamento e gestão do território desta Metrópole, bem como o estudo de prevenção dos impactos ambientais de grandes projetos não podem prescindir da contribuição e conhecimentos destes profissionais”, diz o texto, subscrito por diversos docentes, alguns dos quais já falecidos: Milton Santos (1926-2001), Armando Corrêa da Silva (1931-2000), Eduardo Abdo Yázigi (1941-2019), Felisberto Cavalheiro (1945-2003) e Antonio Carlos Robert Moraes (1954-2015).

O Centro de Estudos Geográficos – CEGE também organizou outro abaixo-assinado: “Temos a certeza da necessidade do trabalho do Geógrafo junto aos órgãos municipais, visto que sua formação lhe permite atuar competentemente nesta, contribuindo assim, nas diversas ações desenvolvidas pela PMSP”. Seguem centenas de assinaturas, entre as quais as de Anselmo Alfredo, Júlio Cesar Suzuki, Vicente Eudes Lemos Alves, Larissa Mies Bombardi, Nilo Américo Rodrigues Lima de Almeida, Rita de Cássia Ariza da Cruz, Rubens de Toledo Junior, Paula Borin, Flávia Christina Andrade Grimm, Silvia Lopes Raimundo e Paulo Roberto de Albuquerque Bomfim. Quantos deles foram caras-pintadas?

O projeto de lei, contudo, não foi à votação em 1992. Em 13 de janeiro de 1993, Paulo Maluf, de volta à Prefeitura, solicitou seu arquivamento, para ser “objeto de reexame pelos órgãos municipais competentes”. O processo foi arquivado em março daquele ano e não foi reaberto desde então.


(Texto atualizado em 7/12/2020) Em 2020, Erundina foi candidata a vice-prefeita de Guilherme Boulos pelo Partido Socialismo e Liberdade. Circulou na internet um manifesto de geógrafos (com geólogos e engenheiros) em apoio à candidatura, que obteve 1.080.736 votos no 1º turno e 2.168.109 no 2º. A deputada federal teve participação nas últimas cinco eleições municipais da capital paulista. Em 2016, foi candidata pelo PSOL com Ivan Valente como vice, tendo obtido 184 mil votos (5º lugar); em 2012, declinou da candidatura como vice-prefeita de Fernando Haddad por divergências políticas com o PT (entrou Nádia Campeão, do PCdoB); em 2008, foi impedida pelo PSB de ser candidata a vice-prefeita de Marta Suplicy (entrou Aldo Rebelo, do PCdoB); em 2004, foi candidata do PSB com Michel Temer (PMDB) como vice, tendo obtido 244.090 votos (4º lugar); em 2000, com Emerson Kapaz (PPS), foi candidata com 546.766 votos (5º lugar); em 1996, com Aloizio Mercadante, foi ao segundo turno contra Celso Pitta, obtendo 1.291.120 votos no 1º turno e 1.924.630 no 2º.

Brasil e a pandemia de Covid-19: um olhar a partir da Geografia da Saúde

O Prof. Dr. Raul Borges Guimarães, Departamento de Geografia da Unversidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho — Unesp de Presidente Prudente será entrevistado por Beatriz Jucá, repórter do El País, pelo Prof. Dr. Ricardo Mendes Antas Jr., do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo — USP, e pela Profa. Dra. Natacha Cintia Regina Aleixo, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Amazonas — UFAM.

Com mediação de Daniel Bruno Vasconcelos, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Geografia da USP, a atividade do GT Geografia e Covid-19 da USP acontece na terça-feira, 20 de outubro, às 16h30, horário de Brasília, com transmissão pelo YouTube.

Geotecnologias e Gestão Territorial

O segundo webinar dos Diálogos Geográficos da Unicamp acontece na próxima quinta-feira, 22 de outubro, com início às 19 horas (horário de Brasília). O tema será Geotecnologias e Gestão Territorial.

Os convidados são o Prof. Dr. Lindon Fonseca Matias, do Departamento de Geografia da Unicamp e coordenador do grupo de pesquisa Geotecnologias Aplicadas à Gestão do Território — GeoGet, e o Geógrafo Dr. Marcelo Fernando Fonseca, da Embrapa Territorial. A mediação é do Prof. Dr. Ederson do Nascimento, da UFFS — Campus Chapecó.

Para garantir o certificado de participação, inscreva-se previamente. Participe no canal da AGB-Campinas no YouTube!

Eleita Diretoria Executiva Nacional para o biênio 2020-2022

A Chapa Primavera nos Dentes foi eleita para a Diretoria Executiva Nacional da Associação dos Geógrafos Brasileiros para o biênio 2020-2022. Foram 117 votos, sendo 116 na chapa eleita e um voto em branco. A posse ocorreu em Assembleia Geral Extraordinária realizada por meio virtual, devido à pandemia de covid-19, no dia 3 de outubro.

Em seu plano de trabalho, a chapa pontua que “neste período, entende-se a necessidade de pensar a entidade em si, seu funcionamento, sua estrutura, e o contexto no qual ela tem se inserido, em busca de (re)organizar a AGB em relação aos dilemas sociais, políticos e ambientais que o país vem enfrentando nos últimos anos”.

Presidenta: Lorena Izá Pereira (SL Presidente Prudente)

Vice-presidenta: Amanda Emiliana Santos Baratelli (SL Três Lagoas)

Primeiro secretário: Vinicius Lima Lemes (SL Vitória)

Segunda secretária: Amanda Amaral (SL Juiz de Fora)

Primeiro tesoureiro: Felipe Rodrigues Leitão (SL Fortaleza)

Segundo tesoureiro: Gabriel Henrique de Oliveira Bragança (SL Belo Horizonte)

Coordenadora de Publicações: Rachel Facundo Vasconcelos de Oliveira (SL Fortaleza)

Suplente da coordenadora de Publicações: Maria Clara Salim Cerqueira (SL Belo Horizonte)

Coletivo de Comunicações: Igor Carlos Feitosa Alencar (SL João Pessoa), Lucas Araújo Martins (SL João Pessoa) e Paola Luchesi Braga (SL Belo Horizonte)

A diretoria da AGB-Campinas saúda a DEN eleita!

Hilton Federici, o inesquecível professor de Geografia de Aziz Ab’Sáber

Gustavo Teramatsu * / AGB-Campinas

Entrada principal da EE Hilton Federici, na rua Eduardo Modesto

O loteamento da Vila Santa Isabel, no distrito de Barão Geraldo em Campinas, quase no limite setentrional com Paulínia, começou a ser ocupado no fim da década de 1960. O bairro, com população de cerca de 4 mil pessoas, sedia a Moradia Estudantil da Unicamp e está a três quilômetros do campus da universidade, fundada na mesma época.

Na semana passada, um carro de som circulava pelo bairro com a vinheta do “Plantão da Globo” e um recado dos professores da Escola Estadual Hilton Federici, “o Hilton”:

“Prezada comunidade da Escola Hilton Federici: é com tristeza que comunicamos que a nossa escola foi selecionada para se tornar uma escola integral em novo formato. O Programa Ensino Integral, conhecido como PEI, não deveria ser implantado neste momento, pois dependeria de esclarecimentos à comunidade e decisão do conselho de escolar. Ter a resposta por meio de questionários não torna a mudança justa, pois muitos não têm tempo ou acesso à internet. É uma decisão muito importante para todos que fazem parte da nossa amada escola. A grande maioria dos professores da Escola Hilton Federici é contra essa mudança. Amamos nossos alunos e lutamos muito para que a escola se tornasse cada vez melhor e mais amada pela comunidade. Seguimos na luta para que possamos continuar fazendo parte dessa comunidade, pois muitas professoras e muitos professores terão de mudar de escola caso o novo formato seja implantado. Neste momento, precisamos de todo apoio da comunidade. (…) Nos apoie, converse com seus professores e suas professoras e participe das reuniões online. Não queremos transformar um ‘até breve’ em ‘adeus’. Contamos com a ajuda de vocês”.

Para a pedagoga Fabíola Machado da Rosa, que pesquisou a relação do Hilton com o entorno em seu TCC “Recontando a escola e reconhecendo o bairro”, defendido na Unicamp em 2013, “a história da escola não se fez isolada do desenvolvimento do bairro e da relação entre seus habitantes”.

A partir de depoimentos de antigos moradores e comerciantes da vila, Fabíola concluiu que “discursos e práticas, dentro e fora de seus muros, parecem ser resultado de uma construção coletiva que passa por relações pessoais, concepções de educação, expectativas, busca e execução de políticas públicas, embates e interesses em diversos níveis. Conhecer esses elementos torna-se importante para tentar entender as dinâmicas envolvidas entre comunidade e escola a fim de ampliar o olhar sobre as questões educacionais influenciadas por elas”.

Considerando as relações com a comunidade, Fabíola arrisca dizer que “realizar a escuta dos moradores talvez seja uma forma de formular novas relações”. O corpo docente do Hilton está justamente buscando maneiras de envolver a comunidade como um todo para fazer frente à implantação do PEI, ainda que por meio de reuniões virtuais que se tornaram comuns nestes últimos meses de pandemia. O Hilton da Vila Santa Isabel, portanto, completa quarenta anos discutindo seu futuro.

Leia mais sobre o PEI:


O professor Hilton Federici

Em 2020, também completa quarenta anos o falecimento do professor Hilton Federici. Em 13 de outubro de 1980, o governador Paulo Maluf publicava decreto denominando “Prof. Hilton Federici” a recém-criada EEPG da Vila Santa Isabel. Era a segunda instituição de ensino na cidade — depois da inauguração, em julho, de um Parque Infantil (atualmente EMEI) homônimo na Vila 31 de Março — que passaria a carregar em seu nome uma homenagem ao professor de Geografia e História falecido no dia 20 de junho daquele ano, aos 67 anos de idade.

A sala-ambiente do professor Hilton no Colégio Culto à Ciência (data e autoria desconhecidas)
Retrato de Hilton Federici

Hilton Federici chegou a Campinas em 1949. Foi professor de Geografia na Universidade Católica de Campinas e no Colégio Culto à Ciência, onde estudaram seus filhos Reinaldo e Lucilio Plauto. Foi sócio da nossa Associação dos Geógrafos Brasileiros e da Associação Nacional de História — ANPUH, então Associação Nacional dos Professores Universitários de História. Também foi membro da Academia Campinense de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas, e teve papel importante na inauguração do Brinco de Ouro da Princesa. Participou da diretoria do Guarani Futebol Clube e em 1964 publicou o pequeno livro A Razão do Nome Guarani.

Quando se aposentou, em 1968, encerrando trinta anos de magistério, o professor Hilton também ocupou o cargo de secretário de Educação e Cultura na gestão do prefeito Ruy Hellmeister Novaes, substituindo a professora Jacy Milani.

Aziz e Hilton

Depois de se formar em História e Geografia na USP e fazer o curso de formação pedagógica no Instituto de Caetano de Campos, em 1938, o jovem professor Hilton Federici se mudou para Caçapava, no Vale do Paraíba, onde lecionou História Geral e do Brasil por cerca de dois anos no Ginásio Estadual. A escola foi instalada de forma improvisada no Paço Municipal, , na Praça da Bandeira. O edifício que abrigava a Câmara Municipal estava sem uso, já que o Governo Vargas havia dissolvido o poder legislativo em 1937, com o Estado Novo. Atualmente funciona ali, em um prédio mais moderno, a EE Prof. João Gonçalves Barbosa, o Estadinho.

O Paço Municipal de Caçapava, onde foi instalado do Ginásio (autoria desconhecida)

Aqueles anos no ginásio permaneceram nas reminiscências de seus antigos estudantes, entre os quais um adolescente vindo de São Luiz do Paraitinga: Aziz Nacib Ab’Sáber (1924-2012). Em diversas ocasiões, como à Ciência Hoje, em 1992, e em um depoimento que deu à revista Fórum em 2002, o geógrafo relatou a influência decisiva que o professor Hilton teve em sua escolha profissional. No antológico depoimento a Cynara Menezes, a Socialista Morena, que originou o livro “O que é ser geógrafo” (Record, 2007), explicou:

“Até então ninguém tinha conseguido fazer com que eu me interessasse pela geografia. Os professores exigiam que os alunos decorassem muitos nomes — litoral, país, capital, litoral da América do Sul, desde Venezuela até Argentina —, só. Nem cenários apareciam. De repente, assisti às aulas de um professor de história que se apoiava em fatos da geografia regional, situava os acontecimentos em cima do espaço real, a expansão de certos tipos de fatos sobre áreas diversas do mundo. E me senti muito estimulado e interessado por aquela interface entre tempo e espaço — ou espaço e tempo. O professor de chamava Hilton Friedericci [sic], que depois veio para Campinas e passou a ser professor da PUC (…) — infelizmente, perdi a trajetória dele.

(…) Estava com 17 anos ao terminar o ginásio e, por influência indireta de Friedericci [sic], resolvi ir para São Paulo fazer uma sondagem sobre o curso de história e geografia”.

Enquanto o jovem Aziz tentava a sorte na capital, o professor Hilton tinha se transferido para Itapira, onde lecionou no ginásio de 1940 a 1944. Mudou-se então, para Guaratinguetá, onde lecionou na Escola Normal entre 1944 e 1949. Neste anos esteve novamente perto de sua terra natal, Cruzeiro, onde nascera em 9 de março de 1913, às margens do Paraíba do Sul.

É certo que Hilton e Aziz tiveram contato novamente em Campinas — este foi professor de Geografia do Brasil e de Elementos de Geologia na FFCL da Universidade Católica de Campinas, no Solar do Barão de Itapura, e não deixou de mencionar o nome de seu antigo mestre em seu artigo Vinte e cinco anos de Geografia em São Paulo (1934-1959), publicado na 34ª edição do Boletim Paulista de Geografia em 1960 e republicado em 2005.

Um dos graduandos em Geografia da época, vale dizer, era Antonio Christofoletti, que publicaria o livro A Terra Campineira com Federici em 1972.

Universidade Católica de Campinas na década de 1950 / Acervo Museu da PUC-Campinas

Em maio de 2011, aos 87 anos de idade — mais de sete décadas depois das aulas de Hilton em Caçapava — em entrevista ao Boletim Paulista de Geografia, de maneira mais resumida, Aziz ainda recordava: “A partir do último ano do ginásio eu conheci alguns professores que foram formados aqui na Universidade de São Paulo, os primeiros, os mais antigos e entre eles um historiador que marcou muito a minha vida, Hilton Federici, que dava história, mas em cima dos fatos geográficos. Eu achei aquilo maravilhoso e então foi por essa razão que escolhi História e Geografia”.

Naquele mês, o geógrafo visitou Campinas pela última vez, para o lançamento do livro A Obra de Aziz Nacib Ab’Sáber.

* aos colegas Ricardo de Sampaio Dagnino, que percebeu antes a relação entre Hilton (e a escola) e Aziz, e Bruna Regina de Oliveira Lima, professora de Geografia e diretora da APM do Hilton

Convocatória: Assembleia ordinária, 15/10/2020, às 19h

Prezados(as) associados(as),

a Diretoria Executiva da Seção Local de Campinas da Associação dos Geógrafos Brasileiros convoca assembleia geral local ordinária a ser realizada no dia 15 de outubro de 2020 (quinta-feira), às 19 horas em primeira chamada e às 19 horas e 15 minutos em segunda chamada, por meio virtual (Google Meet), para discussão da seguinte pauta:

Informes

Ordem do dia

  1. Debate da pauta e indicação de delegado(s) para a Reunião de Gestão Coletiva Extraordinária
  2. Atividades do GT Cidade – AGB-Campinas
  3. Outros assuntos

Diretoria Executiva Local

Instruções para participação: Confirme presença neste formulário. O link para a reunião será enviado em seu e-mail.


Documentos

Convocatória da RGC Extraordinária (23 e 24 de outubro de 2020)

Anexo I: Propostas de Políticas Financeiras da AGB realizada pelas Seções Locais (apresentadas na 139a RGC – 20 a 22 de setembro de 2019, Presidente Prudente/SP)

Ata da RGC Extraordinária (29/08/2020)

CAPES premia tese de Geografia da USP; UFES e Unicamp recebem menção honrosa

A tese de doutorado Redes digitais, espaços de poder: sobre conflitos na reconfiguração da internet e as estratégias de apropriação civil, defendida por Carolina Batista Israel em fevereiro de 2019 e orientada pela professora Mónica Arroyo no Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana da USP venceu o Prêmio CAPES de Tese 2020.

Receberam a menção honrosa as teses A cidade como espaço da batalha urbicida, de Márcio José Mendonça, defendida em agosto de 2019 na Universidade Federal do Espírito Santo, com orientação do professor Cláudio Zanotelli, e Espacialização e geocronologia das coberturas superficiais em terraços marinhos, fluviomarinhos e fluviais na foz das bacias dos rios Itapocu e Araranguá (SC) decorrentes dos episódios de transgressões e regressões marinhas associadas às oscilações/pulsações climática, defendida por Felipe Gomes Rubira na Unicamp em junho de 2019, orientado pelo professor Archimedes Perez Filho.


Rubira e Perez Filho participarão de webinar nesta quinta-feira à noite, no canal da AGB-Campinas no YouTube. As inscrições estão abertas.

Nesta quarta-feira, receberemos, também no YouTube, o ganhador do prêmio CAPES de Tese 2016 — Luis Henrique Leandro Ribeiro, que participará da mesa-redonda virtual Direito à cidade: a situação alimentar e a saúde em Campinas.

Baixos terraços fluviais e marinhos como geoindicadores e respostas a pulsos climáticos holocênicos

O primeiro webinar dos Diálogos Geográficos da Unicamp acontece nesta quinta-feira, 8 de outubro, com início às 19 horas (horário de Brasília). O tema será Baixos terraços fluviais e marinhos como geoindicadores e respostas a pulsos climáticos holocênicos.

Os convidados são o Prof. Dr. Archimedes Perez Filho, do Departamento de Geografia da Unicamp e o Prof. Dr. Antonio Carlos de Barros Corrêa, da UFPE. A mediação é do Prof. Dr. Felipe Gomes Rubira, da UFOB – Barreiras.

Para garantir o certificado de participação, inscreva-se previamente. Participe no canal da AGB-Campinas no YouTube!

Diálogos Geográficos da Unicamp

O Programa de Pós-Graduação da Unicamp, em parceria com a AGB-Campinas, está promovendo os Diálogos Geográficos da Unicamp, um ciclo de webinares que acontecem às quintas-feiras, com início às 19 horas.

Os webinares percorrem diversos temas relacionados às linhas de pesquisa e dos grupos de pesquisa da Geografia da Unicamp.

Garanta sua participação certificada fazendo previamente sua inscrição!

GT Cidade: último encontro tratará da situação alimentar e da saúde em Campinas, 7/10, às 19h

O quarto e último encontro do primeiro ciclo de atividades do novo GT Cidade da AGB-Campinas discutirá Direito à cidade: a situação alimentar e a saúde em Campinas. São nossos convidados Nil Sena, mestra griote, estudante de pedagogia da PUC-Campinas e agente comunitária de saúde, e os geógrafos Livia Cangiano Antipon e Luis Henrique Leandro Ribeiro.

A atividade terá transmissão ao vivo pelo canal da AGB-Campinas no YouTube e no Facebook no dia 7/10, quarta-feira, com início às 19 horas e duração estimada de duas horas. Participe!

Confira os três primeiros encontros:

Balanço crítico das políticas urbanas e caminhos para o direito à cidade em Campinas

Direito à cidade: pensando classe, raça e gênero em Campinas

Ocupações urbanas e a luta pelo direito à moradia na Região Metropolitana de Campinas

Chapa Primavera nos Dentes se candidata à Diretoria Executiva Nacional

A Comissão Eleitoral, composta por Jhiovanna Braghin (SL Três Lagoas), Uelinton Barbosa (Seção Local Cidade de Goiás) e José Carlos Dantas (SL João Pessoa/Presidente Prudente) confirmou que a Chapa Primavera nos Dentes (leia o plano de trabalho) é a única pleiteante à Diretoria Executiva Nacional da Associação dos Geógrafos Brasileiros na gestão 2020-2022. A apresentação da chapa aconteceu na noite desta segunda-feira, 28 de setembro. A votação ocorrerá entre 30/09 às 20h do dia 02/10. A Assembleia Geral Extraordinária será realizada no dia 03/10, às 15h. Todos os sócios quites com a anuidade receberão instruções para participação na votação e na assembleia.

Chapa Primavera nos Dentes

Presidenta: Lorena Izá Pereira (SL Presidente Prudente)

Vice-presidenta: Amanda Emiliana Santos Baratelli (SL Três Lagoas)

Primeiro secretário: Vinicius Lima Lemes (SL Vitória)

Segunda secretária: Amanda Amaral (SL Juiz de Fora)

Primeiro tesoureiro: Felipe Rodrigues Leitão (SL Fortaleza)

Segundo tesoureiro: Gabriel Henrique de Oliveira Bragança (SL Belo Horizonte)

Coordenadora de Publicações: Rachel Facundo Vasconcelos de Oliveira (SL Fortaleza)

Suplente da coordenadora de Publicações: Maria Clara Salim Cerqueira (SL Belo Horizonte)

Coletivo de Comunicações: Igor Carlos Feitosa Alencar (SL João Pessoa), Lucas Araújo Martins (SL João Pessoa) e Paola Luchesi Braga (SL Belo Horizonte)